Se alguém me dissesse há uns meses atrás que o PT ia cumprir sua promessa eleitoral de mudar o Brasil, naturalmente eu ia achar que estava escutando algum petista romântico e alienado.
Hoje, em meio a tantas verdades que estão sendo comprovadas, eu mesma posso
dizer que o Brasil não será o mesmo depois do PT.
A semana foi agitada com tensos testemunhos, novas revelações, intensos
embates e cômicas atuações. Diferente de muitos que se sentiram enjoados com as
declarações, eu vejo um futuro melhor.
Pode-se não apurar ou punir os envolvidos de forma exemplar, mas o Brasil
sairá dessa muito melhor que entrou. Ao escancarar as vísceras da política e
trazer a tona as guerras intestinais, que comprometem o funcionamento dos órgãos
federais, passaremos a ter novos instrumentos para evitar a instalação de novos
agentes nocivos.
É um processo de amadurecimento político, salutar para a definitiva
consolidação da nossa democracia, mas que contribuirá muito para o
aperfeiçoamento da administração pública e sua proteção contra os corruptos.
Vale à pena crer!
Deixando de lado a seriedade e relevância, o momento político do Brasil está
flutuando entre Shakespeare com a sua Comédia dos Erros e as obscenidades de
Nelson Rodrigues.
Um misto de cômicos erros em cadeia com casos de adultério, orgias sexuais
(isto mesmo) e marginalidade.
Enfim, estamos assistindo ao vivo a vida como ela é. Divertidérrimo! Na
quinta-feira eu passei o dia todo com a TV ligada, primeiro assistindo o
Conselho de Ética e o pífio depoimento de deputado Pedro Henry, ex-lider do PP
na Câmara.
Engraçado que me perguntaram o que tinha achado de sua fala. Não tem
classificação, foi apenas pífio! Inócuo, pobre em questionamentos (não entendi o
porquê disso) e pobre de argumentação.
Depois assisti ao Roberto Jefferson e as trapalhadas dos companheiros.
Lembrei-me de uma piada sobre um genro que enterrou a sogra com a barriga pra
baixo, para no caso dela acordar e tentar sair, cavar para baixo.
A mesma coisa que o PT fez, se enterrou com a barriga pra baixo e agora está
desesperadamente tentando sair, mas cada vez se enterra mais. Se olharmos os
dedinhos dos companheiros vamos encontrar terra em todas as unhinhas.
Mas está valendo a pena, os fatos estão se esclarecendo. Só uma coisa eu
ainda não sei e está me consumindo.
Queria até pedir a colaboração dos leitores. Roberto Jefferson disse várias
vezes que mandou um recado a Pedro Henry (PP-MT) dizendo que “se ele tomar os
dois deputados do PTB que está tentando com aquela mala de dinheiro, vou para a
tribuna e conto a história da maçã e do mensalão”.
Do mensalão todos nós já sabemos, mas, até dói de curiosidade, alguém sabe
dizer o que é esta bendita “história da maçã”?
Adriana Vandoni Curvo é economista, especialista em administração
pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ. Articulista do Jornal A Gazeta/MT.
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Perdoe-me pela distração.
Mulher Brasileira - 15 jul 2005