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Escrito por Herbert de Souza   
Monday, 04 July 2005
Participação é um dos cinco princípios da democracia. Sem ela, não é possível transformar em realidade, em parte da história humana, nenhum dos outros princípios: igualdade, liberdade, diversidade e solidariedade.

Falamos aqui de participação em todos os níveis, sem exclusão prévia de nenhum grupo social, sem limitações que restrinjam o direito e o dever de cada pessoa tomar parte e se responsabilizar pelo que acontece no planeta.

Em resumo, cada um de nós é responsável pelo que acontece nas questões locais, nacionais e internacionais. Somos cidadãos do mundo e, portanto, co-responsáveis por tudo o que ocorre.
 
A única forma de transformar este direito em realidade é através da participação.

Nesse sentido, a participação não pode ser uma possibilidade aberta apenas a alguns privilegiados. Ela deve ser uma oportunidade efetiva, acessível a todas as pessoas. Além disto, é preciso que ela assuma formas diversas: participação na vida da família, da rua, do bairro, da cidade, do País. Também da empresa, da escola e da universidade. Das associações civis, culturais, políticas e econômicas.
 
Participação é, ainda, um direito que não pode ser restrito por critérios de gênero, idade, cor, credo ou condição social. É universal.

A participação pode assumir a forma de uma simples ação pessoal. Ou pode organizar e motivar a formação de grupos e instituições. Todas são válidas e ocorrem na vida real.

Só com ampla participação podemos lutar pelos princípios da democracia, neutralizando as formas de autoritarismo freqüentes em nossa sociedade.

É através dela que se acaba com a desordem de um status quo injusto, que produz a marginalização.

E é também através dela que superamos a resignação e o medo. Só assim são geradas as condições para o exercício pleno da liberdade e da cidadania, só possíveis em uma sociedade democrática.

As sociedades autoritárias fazem tudo para limitar, restringir e desestimular a participação.

Samuel Huntington, um ideólogo conservador americano, dizia que o excesso de participação era um dos maiores perigos para a democracia. Para ele, quanto maior a participação da cidadania, maiores os riscos para a estabilidade democrática.

Mas a verdade é que somente através da participação é possível construir e consolidar a democracia.
 
Na cultura brasileira, a participação é percebida de forma limitada e limitante: "seja um bom pai de família e o resto virá por acréscimo"; "seja um bom trabalhador que os outros cuidarão de sua vida"; "seja um cidadão que vota a cada quatro ou cinco anos e o Estado fará o resto"; "não participe de tudo nem busque ampliar seus compromissos; isso só lhe trará dor de cabeça!". No fundo, a mensagem conformista e excludente é essa: cuide de sua vida e esqueça-se do resto!

A resignação e o medo da participação são resultados da cultura autoritária, que perpassa nossa história e instalou-se na nossa cultura e, portanto, nos nossos próprios hábitos.

Participar, em vez de ser regra geral, tornou-se uma exceção. Temos, então, o cidadão limitado, fechado, sem iniciativa, dependente.

Mas, nos últimos anos, uma outra cultura surgiu, em oposição à pressão exercida pela cultura autoritária: é a cultura democrática, a cultura da participação.

Tivemos movimentos amplos de participação da cidadania que ajudaram a mudar muito a cara do Brasil. Nas últimas décadas, esse movimento minou as bases políticas da ditadura, que foi derrubada pacificamente, através de mobilizações como o Movimento pela Anistia e Diretas Já.

Em 1979, um amplo movimento culminou com a decretação da anistia e a volta de milhares de pessoas exiladas em vários países do mundo; e, em 1984, outro grande movimento tomou conta do País exigindo a volta das eleições diretas que haviam sido banidas pela ditadura militar em 1964.

A cidadania também ampliou-se, com a participação da sociedade na elaboração da Constituição de 1988; pela primeira vez em nossa história a sociedade participou ativamente da elaboração da nova Constituição através de seminários, debates públicos, propostas de emendas populares que colheram milhões de assinaturas por todo o País.

Em reação ao governo Collor de Mello (1990-1992), de novo a sociedade se mobilizou através do Movimento pela Ética na Política, que culminou no processo de impechment do presidente.

Em 1992, em reação à corrupção estabelecida no processo de elaboração do Orçamento, foi instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito que apurou vários escândalos e, pela primeira vez, também revelou a importância fundamental da discussão do orçamento para o processo democrático.

Desde 1993 até agora, se desenvolve um outro grande movimento: a  Ação da Cidadania contra a fome, a miséria e pela vida, colocando na ordem do dia e em nível nacional, a luta contra a miséria através de três grandes temas - a fome, o trabalho e a terra - e mobilizando milhões de pessoas.

Movimento similar se articulou também no viva Rio, que expressava uma frente ampla de parcerias entre empresários, mídia, ONGs, líderes sindicais e populares em torno dos grandes problemas da cidade do Rio de Janeiro.

É importante destacar que muitos outros movimentos vêm se desenvolvendo no Brasil, em diferentes níveis e momentos de nossa vida política e cultural.

É através dessa participação que se cria possibilidade de fazer surgir uma nova juventude, um novo cidadão e novas condições para que o Brasil possa superar a miséria e a exclusão e chegar à condição de uma sociedade democrática.

A participação é o caminho da democracia, e quanto mais ampla e profunda, melhor.

Herbert de Souza (Betinho), em memória
Comentarios (3)Add Comment
Participao: e como salv磡 la.
escrito por Visitante, 2005-07-05 12:34:23
Com certeza, a participação é um grande príncipio da Democracía. Porém, igualdade também é. E enquanto várias sociedades vão adotando o liberalismo democrático, vários cidadões não recebem os benefícios da Democracía [notamente: as favelas do rio de janeiro, ou então num caso mais politico, Guam]. Democracía Representativa é o modelo Brasileiro, mais com esse genro de Democracía, acabamos de ver quais dos nossos interesses realmente são salientados no Congresso. A questão atual do Brasil é que essa crise pode contradizer [se já não contradisse] o princípio deomcrático no Brasil [e até de certa forma, revisando as agendas políticas de países poucos poliárquicos na America do Sul] ou na America do Sul.

Se idealismo é capaz de deter guerras [como o caso da UE em Maastricht e Schengen, que consolidou a região politicamente, economicamente e culturalmente], será que uma integração mais consolidativa resolvería as lacunas do estado na política latino-americana? Ou então um Tribunal de Justica mais forte, e capaz de ter poderes extra-constitucionais que permitiriam intervenção direta no Legislativo?
ll
escrito por Vitor Eduardo, 2008-01-28 21:47:51
Todos os cinco elementos da democracia são igualmente importantes, e mais que isso, são interdependentes. Se a igualdade não é inteiramente respeitada, a participação dos discriminados pode ser prejudicada. Porem isso lambem ocorre com efeito contrario.
Não enxergo o regime brasileiro (Democracia Representativa) como um problema. A verdadeira crise do Brasil está no povo, porque não levam o poder que tem nas mão à sério.
Na maioria dos casos, as pessoas criticam muito, mas só criticam, são poucas as pessoas que tomam alguma iniciativa à respeito, e são menos as pessoas que tomam à iniciativa correta. Ao invés de criticar (pelas costas); os cidadãos prejudicados devem reclamar o problema, de forma respeitosa, por meio de cartas e-mails, ou até (se possível) a traves do telefone; juntar-se à ong's; ou tentar resolve-lo de outra forma pacífica.
Mesmo parecendo que os magistrados são os únicos poderosos do Brasil, o verdadeiro poder da nação está em nossas mão; e de qualquer modo, sempre podemos eleger outros candidatos nas próximas eleições.
Sou ( CEGA,SURDA E RETARDO MENTAL)
escrito por Karolayne Bulka Gonçalves, 2008-04-28 18:50:07
Boa tarde Sr Presidente....
Já que o Sr Não quiz ouvir a minha mãe,quem sabe o senhor possa ler atraves dela escrevo esse email .Bem não sei escrever sabe porque?- Sou cega.Não sei ouvir sabe poque?- Não tenho audição.Não entendo o porque o senhor não quer nos atender- Acho que pelo fato de que eu tenho retardo mental.
Mas senho Presidente Lula minha mãe pode fazer isto por mim sabe porque,-Bem minha mãe vai lhe escrever.Hoje tenho 13 anos meu nome è Karolaine sou portadora de deficiencia (VISUAL,AUDETIVO E RETARDO MENTAl e tenho 2 pont safena sou cardi , NÃO FALO POIS QUE NÃO OUVE NÃO FALA.)Minha mãe me entende mas o que eu não entendo o porque vcs ai ainda não ouviu a minha mãe,como vcs sabem estamos sendo despejado e não temos p/ onde ir pois o meu pai abandonou minha mãe c/ 4 filhas (eu) e mais 3 meninas,pesso ao Sr que nos ajude sei que tem muita gente que precisa do senhor.Mas não gostaria de dividir esposo c/ criminosos,viciados bebados nas ruas
pois é esto que vai acontecer se o senho não arrumar uma casa pode ser pequena eu e minha familia não liga, só não quero alem de não ter o previlegio se ouvir os cantos dos passaros,ver o colorida do arcoires e saber o que todos pensam.ser igual ao Sr presidente(ouvir,enchergar e ser Feliz)
Eu nasci deficiente,Agora não seja um definete só porque não quer ver os meu poblemas,ouvir o meu apelo,ajudar a que precisa)de-me um teto pois serei uma criança muito feliz pois só depende do Sr Presidente Lula.
Beijos de uma Criança ESPECIAL. Karolaine Bulka Gonçalve
Filha de Carmem Jantete Bulka. Estaremos aguardando seu retorno.....


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