Fala, Brasil! - Maria Thereza Mendonça C. de Rezende, Presidente do Conselho Federal de Fonoaudiologia
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Maria Thereza Mendonça C. de Rezende, Presidente do Conselho Federal de Fonoaudiologia PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ubirajara Júnior e Hebert França   
Thursday, 30 June 2005
mthereza.gif (18362 bytes)

Vista durante muitos anos como uma especialidade acessível apenas às classes mais abastadas, a fonoaudiologia, hoje, já tem alguns de seus tratamentos cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Mesmo assim, a categoria não se dá por satisfeita. "Nossa presença ainda é pequena nesse sistema de atendimento", diz Maria Thereza Mendonça C. de Rezende, presidente do Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFF).
 
Bastante observadora, porém, mostra que as conquistas não podem ser buscadas de forma atabalhoada e lembra que o teste da orelhinha, por exemplo, já obrigatório em vários estados e no Distrito Federal, é um grande passo.
 
Formada pela Pontifícia Universidade Católica (Puc) de São Paulo e especialista em motricidade oral. Maria Thereza acha que o brasileiro vem falando melhor nos últimos anos.
 
Quanto a tese popular de que a mulher fala mais do que o homem ela garante que "não há nenhuma comprovação científica nessa suposição", embora informe que os estudos indicam que "a mulher adquire a linguagem mais rápido que o homem". Mulheres adquirem linguagem com maior facilidade.
 
Foi numa das suas vindas à sede do CFF, em Brasília, que ela falou à editoria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente.

mthereza.gif (18362 bytes)– O brasileiro fala corretamente?
Maria Thereza
- Segundo o ministro Paulo Renato, da Educação, o brasileiro fala bem, ouve bem e escreve mal. Na verdade, ele fala bem apesar de termos muitos problemas de neurodeficiências, mas ele tem melhorado não só a fala, mas a linguagem. A escrita se perdeu um pouco, mas sinto que a situação está melhorando em decorrência de ferramentas, como a internet, que exigem a escrita.

– A fonoaudiologia está bem representa na sociedade?
Maria Thereza
- A fonoaudiologia, por trabalhar com a comunicação, tem duas vertentes: a saúde e a educação. Hoje, além do trabalho de reabilitação auditiva e oral, buscamos uma proximidade em relação à população, trabalhando no tratamento de problemas que não são somente estéticos. Considero pequena a presença da fonoaudiologia no SUS, deveríamos ter mais vagas. Apesar do aumento no número de profissionais, ainda não se tem um número ideal para atender a demanda. Hoje, pelo sistema, você tem atendimento terapêutico e pode fazer uma avaliação audiológica. Também estamos solicitando um procedimento fonoaudiológico para o tratamento do portadores de HIV. Nas escolas e nas empresas, estamos bem inseridos. Temos um espaço de triagem e consultoria muito bom. Isso nos grandes centros, fora, a inserção é muito difícil. Acredito que isso ocorra pela falta de conhecimento sobre as áreas de atuação.
 

– A fonoaudiologia é, ainda, encarada como um procedimento com fins exclusivamente estéticos?
Maria Thereza
- Em alguns lugares ainda persiste aquela idéia do professor que realiza exercícios orais. Contudo, devido à divulgação, isso está mudando. Hoje, um indivíduo com gagueira sabe que tem de procurar um fonoaudiólogo. Em compensação, nem todos têm conhecimento de que uma rouquidão pode causar problemas vocais graves. Neste caso, não é só um atendimento fonoaudiológico, mas também médico. Os fonoaudiólogos trabalham em parceria com profissionais de saúde e com educadores. Uma equipe multidisciplinar é fundamental.
 

– E o acesso, o tratamento está mais democratizado?
Maria Thereza
- Há um projeto de lei que tenta inserir a especialidade nos planos de saúde. Há movimentos no Brasil apresentando a necessidade da fonoaudiologia, até porque, ela não faz mais parte da elite, ela é necessária. Se uma criança nasce com uma fissura, necessita de acompanhamento especializado, independente de sua possibilidades econômicas.
 
 
– Dentre os procedimentos, tanto fonoaudiológicos como médicos, qual você considera essencial seja para o tratamento ou na prevenção de problemas auditivos ou orais?
Maria Thereza
– Sem dúvida o teste da orelhinha é fundamental. Em alguns estados e no Distrito Federal esse é um exame obrigatório em recém-nascidos. Por essa triagem diagnosticamos se há problemas de audição. Sendo identificada alguma perda, ela é encaminhada a um médico para fechar o diagnóstico. Como resultado da avaliação médica, a criança pode sofrer uma intervenção cirúrgica, ser somente medicada, ou, ainda, ser direcionada a um fonoaudiólogo, para ter a indicação de aparelho e orientações para que a criança tenha uma estimulação aos sons de uma forma adequada, uma vez que será diferente de um ouvinte normal.
 

– Em que consiste o teste da orelhinha?
Maria Thereza
– Na introdução de uma sonda no pavilhão auricular do recém-nascido para captar as ondas sonoras. Não há necessidade de produzir estímulos sonoros, pela propagação do som é possível verificar se a criança tem estímulos.
 
 
– Esse teste é uma garantia de que a criança não terá problemas auditivos?
Maria Thereza
– Ele indica que a criança não nasceu com problemas. Nada impede que uma criança com dois anos, após uma queda, tenha perda na audição. Também podem levar à perdas auditivas as infecções constantes e os ruídos muito fortes, como as bombinhas das festas juninas. Além do teste da orelhinha, há uma série de outros que podem ser feitos durante o desenvolvimento da criança. Cada idade tem um procedimento adequado.
 

– Os pais conseguem diagnosticar com facilidade as possíveis deficiências de seus filhos?
Maria Thereza
- Algumas crianças, entre três e quatro anos, com problemas no desenvolvimento ou de relacionamento social, passam por vários diagnósticos até que se descubra que na verdade elas apresenta apenas alguma deficiência auditiva. Até que isso ocorra, elas são confundidas com crianças sindrômicas ou autistas. Mas no geral, para compensar uma possível ausência diária, os pais têm preocupações excessivas com os filhos. Já tive casos de pais que me procuraram porque o filho de dois anos não sabia falar purê. Por não estarem acompanhando o desenvolvimento dos filhos e por não terem a comparação de outros filhos, os pais ficam inseguros sobre o desenvolvimento infantil.
 

– Uma dúvida constante entre pais é em relação a correção de palavras pronunciadas erradas pelos filhos. O que a fonoaudiologia moderna considera como correto?
Maria Thereza
- O ideal é que o adulto mantenha sua linguagem, já que ela será reproduzido pela criança. Por isso, é importantíssimo o contato constante enquanto a criança estiver adquirindo a linguagem. A criança repete muito a pessoa mais próxima e em quem confia. Esse papel é importante psicologicamente e lingüisticamente. Quando a criança pronunciar uma palavra errada, é bom que se repita a certa. Mas isso naturalmente, sem repreensão do tipo não é assim, é assim. A criança adquire todos os fonemas até os cinco ou seis anos. Essa é a fase que eu chamo de refinamento da fala. Quando adquirimos os grupos prá, plá e rá.
 

– E na juventude, há estudos sobre os danos provocados por ambientes barulhentos, como as danceterias?
Maria Thereza
– Pesquisas revelam que há possibilidade de uma acomodação auditiva em decorrência do som excessivo das danceterias. Se para um indivíduo normal os ruídos permanecem numa escala entre zero e vinte decibéis, para aqueles que regularmente freqüentam ambientes ruidosos há uma acomodação em outra faixa, talvez entre vinte e trinta decibéis. Isso não representa uma perda imediata mas pode levar a problemas auditivos.
 

– Há tratamento para a perda da audição na velhice?
Maria Thereza
- Com a idade as pessoas vão perdendo a articulação. Estudos revelam que na terceira idade há perdas de audição, engasgamentos e os indivíduos passam a comer fazendo barulho. Apesar disso fazer parte do envelhecimento, pode ser trabalhado.
 
 
– Aquela antiga questão de que as mulheres falam mais que os homens procede?
Maria Thereza
- Não existem diferenças entre a fala da mulher e a da do homem. Alguma diferenciação pode ser identificada na aquisição. A mulher adquiri a linguagem mais rápido do que o homem. Ainda não sabemos o porque disso. O que observamos, é que quando o primeiro filho é um menino, a menina que vem depois dificilmente terá problemas de linguagem. Já quando ocorre o contrário, primeiro uma menina, depois um menino, é muito comum que esse menino tenha dificuldades na aquisição de linguagem. Isso porque a menina tenderá a falar por ele. Isso é uma observação, não há nada comprovado cientificamente.
 

 
– Mas, falar demais pode trazer problemas vocais?
Maria Thereza
- Falar demais não é problema, o importante é saber falar. É preciso tomar alguns cuidados para não forçar a voz. A poluição, o clima e outros componentes ambientais podem comprometer a voz.
 
 
– Quais são os principais vilões para a voz?
Maria Thereza
- O fumo e o álcool, num diagnóstico fonoaudiológico, podem causar agravamento vocal e distorções na fala. Na área médica podem levar a um câncer de laringe. Os indivíduos que cheiram cocaína podem ter a mucosa nasal corroída, o que pode afetar a fala e a articulação.
 

– É possível traçar um perfil das pessoas que recorrem a acompanhamento fonoaudiológico?
Maria Thereza
- A procura de cantores, atores e políticos tem crescido. Os indivíduos que sofreram acidentes vasculares cerebrais (AVC), derrames, representam grande parcela dos indivíduos em tratamento. Também, o trabalho do fonoaudiólogo com bebês tem tido uma procura muito grande. Para os pilotos, é obrigatório por lei uma avaliação auditiva a cada seis meses.
 
 
– As empresas que têm grande número de profissionais envolvidos com o uso da voz, já despertaram para a necessidade de avaliação regular das condições pessoais e ambientais?
Maria Thereza
– Desde 1988 trabalhamos com empresas de telemarketing. O fonoaudiólogo vai à empresa, faz uma avaliação do local, dos ruídos, verifica a postura dos atendentes, avalia os equipamentos. A partir daí, faz um trabalho de aperfeiçoamento. Os operadores passam por avaliação médica para saber se não há problemas vocais ou auditivos. Em seguida é feito o diagnóstico fonoaudiológico em relação à voz e à articulação. Muitas vezes o indivíduo não tem problemas, mas o trabalhos excessivo, o abuso vocal pode trazê-los. Por isso, é importante o acompanhamento do especialista.
 

 
– Como a fonoaudiologia reage às novas terapias?
Maria Thereza
- Qualquer metodologia não convencional para ser aceita terá de passar por um comprovação científica. Deverá ser exposta em congresso e o trabalho publicado em revista especializada. Novas metodologias são apresentadas a todo o tempo. Isso é que faz o crescimento da profissão.
 
 
– Como é estruturada a fonoaudiologia?
Maria Thereza
- Dentro da fonoaudiologia há quatro especialidade: voz, audição, motricidade oral e linguagem. Dentro dessas especialidades há áreas de atuação. Se a pessoa não tem competência para o atendimento, deve encaminhar o paciente para outro profissional.
 

– Essa é uma área de atuação de falsos profissionais?
Maria Thereza
- Como em outras áreas, há falsos fonoaudiólogos, principalmente no trabalho da indicação e venda de aparelhos auditivos. No interior, é comum casos em que farmácias e ópticas vendem esses aparelhos. É fundamental que o paciente cheque a inscrição do profissional, não apenas desse, mas de qualquer outro especialista. Hoje, em todas as áreas, existem pessoas não habilitadas. O paciente também pode pedir ao Conselho Regional a lista de todos fonoaudiólogos da região.
 
 
radiobras
Comentarios (3)Add Comment
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escrito por Visitante, 2006-07-09 19:36:32
Olá, peço a sua ajuda. Gostaria de comprar o aparelho que faz o teste da orelhinha para minha namorada que é fonoaudióloga. Não sei onde procurar na net, voces podem me ajudar? Grato Fred
...
escrito por flavia, 2007-10-30 22:57:16
olá, também gostaria de saber como comprar o aparelho do teste da orelhinha- oea, qual o valor, etc.
obrgada, flavia.
teste da orelhinha
escrito por lucinei barbosa xavier, 2008-06-11 21:25:01
Gostaria de saber como comprar o aparelho do teste da orelhinha, marcas, modelos e preços onde encontrar?


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