O governo Lula acaba de prestar um grande serviço à pátria estremecida: quantificar, em dinheiro, o valor real de uma CPI.
Ou, se prefere, o valor real da ética em política, o que sempre foi o crachá do seu partido, o PT, histórico posseiro da ética, da verdade e da virtude.
Pois bem, a CPI dos Correios, ainda na célula-tronco, vale exatos R$ 400 milhões, valor calculado pelo governo lula para abortar em plenário a CPI que não tem conseguido abafar ou evitar por outros caminhos.
O governo e o partido não vacilam sequer em envolver o ministro Antonio Palocci na empreitada escapista - correndo o risco de subtrair o que em bom advogues a gente chama de coeficiente de respeitabilidade pública do ministro da Fazenda.
Causa espanto, mais uma vez, assistir o mocinho do bangue-bangue da política nacional agindo exatamente como qualquer bandidão dentro do saloon planaltino. O PT fez carreira e chegou ao poder central inventando CPIs e atacando MPs. Agora, no trono, troca as bolas quadradas: multiplica MPs e rechaça CPIs.
Ora, até as carpas do lago Paranoá, em Brasília, andam se perguntando, com a cabeça fora da água: só tem medo da CPI quem tem rabo preso na investigação ensaiada. Logo, abafar CPI ou comprar ostensivamente os votos contrários à instalação da própria (e quem esqueceu o fisiologismo do é-dando-que-se-recebe?) é caso obtuso de confissão pública, antecipada, de culpa.
Daí, também com o PT no poder, CPI acaba sendo a sigla sob medida, não de Comissão Parlamentar de Inquérito, mas Comissão de Pizzaiolos Indecentes.
joelmirbeting
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Deve ter sido à pedido do Padre Donizeti que Deus tem agido mantendo Joelmir com a criatividade de que é dotado.
Dourados(MS), julho/2005
Luiz Carlos Mattos (seu companheiro da Jovem Pan dos tempos de Rua Miruna e do Maquinhinha)