Qual a imagem que você tem de um alcoólatra? Aquele tiozinho bêbado, que fica em frente ao boteco tomando a sua branquinha às 7h da manhã? Ou a tiazinha da rua que vai te pedir R$1 pra "comprar pão"? Tudo muito distante da sua realidade? Tenha certeza que não!
Considerada a maior doença social deste tempo, o alcoolismo atinge cerca de 10% da população mundial, seja rico, pobre, negro, branco, magro, gordo, jovem, velho... "É uma doença, progressiva, incurável e fatal", resume Nilo, membro do AA (Alcóolicos Anônimos, uma irmandade composta por cerca de 2 milhões de alcoólicos, em recuperação, em aproximadamente 150 países).
E pode começar na brincadeira, nas memoráveis bebedeiras com os amigos, nas baladas... Afinal, ninguém nasce alcoólatra, ninguém acorda num belo dia e pensa: A partir de amanhã, vou virar um alcoólatra, vou beber todos os dias, inclusive de manhã, vou perder amigos, família, emprego, .... "A evolução da dependência é insidiosa, quase imperceptível para quem bebe", explica Dr. José Antônio Ribeiro Silva, médico especialista em dependência química.
Luiz Antônio da Cruz, um alcoolista em recuperação - não existe ex alcoólatra - sabe muito bem como é triste a vida de uma pessoa que vive para a bebida. Começou bebendo aos 14 anos com os amigos, em pequenas doses. "Para mostrar que era homem", lembra. Sob o efeito do álcool, muitas vezes não se lembrava do que tinha feito na noite anterior.
Começou a depender da bebida, ouvia das pessoas frases do tipo "Bêbado... Olha lá o bêbado... Coitado". Foi abandonado pela esposa, família e amigos por causa do álcool. Mais tarde, apoiado pela esposa (que a essa altura do campeonato já tinha se separado dele), Luiz Antônio procurou uma Associação Antialcoolica e depois de algumas reuniões decidiu então lutar contra a doença. Hoje não pode colocar uma gota sequer de bebida na boca.
"O alcoolismo não tem cura, estou em recuperação, minha doença está estacionada. Nunca mais poderei beber. Não existe só um gole para um alcoolista... Estamos em tratamento para o resto da vida...", conta Luiz Antônio
Em suma, o alcoolismo não é um vicio, é uma doença que qualquer pessoa pode desenvolver, tenha ela a idade que for. Fatores genéticos, que são passados de geração para geração, é um agravante sim, mas os hábitos também podem ser determinantes, dependendo da predisposição de cada um.
"Uma pessoa que adquire o hábito de beber vai desencadear aquela série de etapas que envolvem a dependência física e psicológica do álcool. A freqüência do 'beber' produz o aumento da tolerância ao álcool, ou seja, a pessoa passa a consumir volumes crescentes da bebida para ter os mesmos efeitos", explica o Dr. Alexandre Dietrich.
"O organismo passa a necessitar de doses alcoólicas para realizar as funções cotidianas, e a pessoa passa a não se sentir bem sem o álcool", completa o médico.
Mas como não confundir alcoolismo com o simples prazer em beber? "Quando algo começa a ser necessário, fundamental e indispensável, acredito que não seja mais prazeroso", responde o membro do AA. A grosso modo, diz-se que uma pessoa que não consegue passar um dia sem consumir álcool é considerada dependente.
A fim de ajudar as pessoas a se decidirem se têm algum problema com o álcool, o AA elaborou uma questionário de 12 perguntas * sobre a maneira de beber e seus efeitos na vida cotidiana. Dependendo do numero de "sim" respondidos, a pessoa pode ter claras tendências para o alcoolismo ou até mesmo já ser um.
Segundo o Dr. Alexandre Dietrich, é difícil definir um comportamento típico de um alcoolista (alcoolista e alcoólatra têm o mesmo significado), mas a OMS (Organização Mundial da Saúde) adota alguns critérios para a determinação da síndrome de dependência do álcool, como o aumento da tolerância (necessita de doses progressivamente maiores para o mesmo efeito desejado) e sintomas repetidos de abstinência (ocorrem sempre que há interrupção do consumo).
"Suores e tremores das mãos, coração acelerado, náuseas etc, já caracterizam a síndrome de abstinência que melhora com o uso da própria bebida", afirma o Dr. José Antônio.
O alcoolismo é caracterizado pela perda da liberdade da decisão sobre o ato de beber. Se você acha que pode ter problemas relacionados ao álcool, faça o questionário do AA honestamente.
Não existe tratamento eficaz enquanto a pessoa não reconhecer a própria doença. Os métodos clínicos incluem drogas que provocam aversão ao álcool, mas o sucesso dos tratamentos depende muito da decisão de largar a bebida.
Além do AA, existem outras entidades de apoio que oferecem auxilio psicológico no tratamento da doença, como o NA - Narcóticos Anônimos, além do Al Anon, que oferece ajuda a familiares e amigos de alcóolicos.
ENTREVISTA
Nome: Dr. Alexandre R. Dietrich Profissão: Médico
– Alcoolismo é uma doença? De onde vêm as causas? Sim, o alcoolismo pode ser considerado uma doença crônica. É caracterizado pela compulsão (necessidade forte ou desejo incontrolável de beber); Perda do controle (não consegue estabelecer um limite para parar de beber); Dependência física (manifestações físicas quando para de beber e que são aliviadas com o consumo de álcool ou outra droga sedativa); tolerância (necessidade constante de elevar as dose para obter o mesmo efeito). Embora as condições ambientais influenciem a ingestão alcoólica, muitos indivíduos correm o risco de desenvolver o alcoolismo por causa de fatores genéticos, que são transmitidos de geração a geração.
– Você disse que as condições ambientais influenciam a ingestão alcoólica... Ou seja, o alcoolismo é uma doença que se adquire pelo hábito? De certa forma sim. Uma pessoa que adquire o habito de beber vai desencadear aquela serie de etapas que envolvem a dependência física e psicológica do álcool. A freqüência do "beber" produz o aumento da tolerância ao álcool, ou seja, a pessoa passa a consumir volumes crescentes da bebida para ter os mesmos efeitos, e ai vêem os prejuízos físicos. O organismo passa a necessitar de doses alcoólicas para realizar as funções cotidianas, e a pessoa passa a não se sentir bem sem o álcool, sem falar no lado psicológico da coisa. Os efeitos do consumo rotineiro do álcool afetam a personalidade e a maneira com que a pessoa lida com o meio. Então passa-se a ter uma distinção cada vez mais evidente entre o estar sóbrio e o alcoolizado.
– O alcoólatra passa por fases que acabam o identificando? Sim, o indivíduo alcoólatra passa por diversas fases que podem inicialmente passar despercebidas, tornando-se cada vez mais graves conforme aumenta a dependência do álcool, e nem sempre podemos distinguir um limite nítido entre elas. De forma didática alguns estudiosos classificam as fases do alcoolismo como:
- fase social 1: dependência emocional, sem dependência física, desencadeada assim que se inicia o consumo de bebida alcoólica. O álcool torna-se um parceiro freqüente em ambientes sociais e há alteração comportamental com desencadeamento da tolerância.
- fase social 2: dependência emocional, sem dependência física, porém aumento da tolerância progressivamente ao álcool, consumo de mais bebida alcoólica que a fase anterior.
- fase problemática 1: dependência física e emocional, elevada tolerância ao álcool. O ato de beber torna-se um problema que afeta a vida social, familiar, e o trabalho. Iniciam-se as manifestações físicas da interrupção abrupta do consumo alcoólico.
- fase problemática 2: dependência física e emocional, seqüelas físicas permanentes como atrofia cerebral com prejuízo da memória e concentração, danos hepáticos severos.
– Do ponto de vista médico, por que algumas pessoas podem beber à vontade (moderadamente, aos finais de semana, etc) e outras acabam se viciando? Dois fatores são fundamentais: predisposição orgânica e comportamento social. O consumo diário, a quantidade e os efeitos provocados pelo álcool , nem sempre estão relacionados diretamente com o vício. Eles são um fator importante e às vezes determinantes. Atualmente alguns estudos, sobretudo os realizados nos EUA, demonstram que existe uma predisposição genética para a instalação do vício. Grosseiramente pode se dizer que uma pessoa que não consegue passar um dia sem consumir álcool é considerada dependente. Atualmente estima-se que o alcoolismo afete cerca de 10 % da população mundial, tendo um papel de destaque nos gastos governamentais na área da saúde.
– Consumido moderadamente, o álcool é até recomendado? Por que? Do ponto de vista médico o consumo alcoólico não deve ser recomendado, muito menos incentivado. O que ocorre é a orientação para que, se houver o consumo, este não ultrapasse o limite máximo determinado pelas resoluções da OMS ( Organização Mundial da Saúde ). Pela OMS a dose diária máxima de álcool é de 30g (3 copos de chope, um pouco menos que 2 latas de cerveja, ou uma dose de bebida destilada. Exemplo : 1 lata de cerveja = 17 g de álcool; 1 dose de pinga = 25 g de álcool.) As mulheres são menos resistentes aos efeitos intoxicantes do álcool e portanto recomenda-se o consumo máximo de 20 g/ dia. Alguns estudos indicam que, se consumido moderadamente, reduz a capacidade de adesão das placas de gordura às paredes das artérias. Deve-se ressaltar que o consumo alcoólico é extremamente maléfico para diabéticos e hipertensos.
– Como determinar se uma pessoa é ou não um alcoólatra? A OMS adota alguns critérios para a determinação da síndrome de dependência do álcool:
- estreitamento do repertório de beber: a medida que vai se tornando mais dependente a pessoa passa a beber todos os dias e com regularidade, por exemplo: cedo, almoço e à noite;
- Saliência do comportamento de busca do álcool: passa a colocar em primeiro lugar o consumo alcoólico, sem se importar com o ambiente envolvido (ex: trabalho, dirigindo, ...)
- Aumento da tolerância ao álcool (necessita de doses progressivamente maiores para o mesmo efeito desejado);
- Sintomas repetidos de abstinência (ocorrem sempre que há interrupção do consumo);
- Sensação subjetiva de necessidade de beber (sente uma pressão para beber);
- Alívio ou evitação dos sintomas de abstinência pelo ato de beber (para evitar o desconforto dos sintomas causados pela interrupção do consumo passa a beber com regularidade);
- Reinstalação da síndrome após abstinência.
– Como é o tratamento em dependentes do álcool? Utiliza-se remédios? É importante ressaltar que não há cura para o alcoolismo, o que se busca é a estabilização da doença e evitar a progressão das suas complicações. Muitos dos danos causados são irreversíveis. Devem ser utilizadas medidas de apoio psicológico e médico especializado. O primeiro passo do tratamento é a desintoxicação, que se inicia com o diagnóstico da dependência e motivação do paciente. Cabe ao médico identificar estes dois aspectos e ajudar o paciente a se motivar ao tratamento, ele precisa se dar conta dos riscos de continuar bebendo. O segundo passo é identificar , evitar e enfrentar as situações que o deixam mais suscetível a beber. A próxima etapa consiste em mudanças concretas de comportamento com observação rigorosa ao risco de recaída, mantendo-se abstinente. Durante o tratamento os pacientes freqüentemente flutuam entre as etapas. E sim, podem ser utilizados diversas classes de medicamentos no auxílio terapêutico.
– Para finalizar, que dicas você daria para uma pessoa que bebe não tornar-se um dependente? Antes de mais nada é preciso esclarecer que o álcool, embora amplamente difundido pela sociedade, faz parte de um grupo de substâncias capazes de promover dependência física. Pessoas que exibem uma história familiar de dependência alcoólica devem tomar cuidado redobrado com o consumo. Deve ficar claro que fazer do consumo do álcool uma brincadeira, que muitas vezes se inicia na adolescência e em grupo, pode ter importante conseqüência futura. Fazer do álcool uma peça de apoio para a timidez, o desgosto, a decepção, ou o infortúnio, pode causar a perda de tudo aquilo que se tem ou conquistou. Devemos ter em mente que a vida não é como nos filmes em que um “porre” acaba com todos os problemas e sana todas as dores da alma.
ENTREVISTA
Nome: Dr. José Antônio Ribeiro Silva Profissão: Médico Especialista em Dependência Química; Diretor Clinico da Open Mind.
– Na sua opinião, por que a garotada começa a beber tão cedo? Existem varias razões que leva o jovem a beber mais cedo:
1a. O álcool é uma droga lícita e uma das poucas leis de restrição à bebida existente no Brasil não é comprida; a venda de bebidas alcoólicas para menores de idade.
2a. Outra razão é o da imitação - o jovem que cresce vendo os pais beberem, os amigos. O que passa como mensagem para o jovem é de que beber e fumar é símbolo de "independência", de auto - afirmação.
3a. A pressão do grupo também é importante - o jovem bebe para não "ser diferente" (careta), para se sentir e ser aceito.
– Sabemos que uma pessoa pode desenvolver o alcoolismo dependendo dos seus hábitos também. Existe alguma diferença entre uma pessoa que bebe cerveja apenas e outra que bebe destilados? Alguém aí tem mais chance de virar alcoólatra? Absolutamente não. O importante é a quantidade total de álcool ingerido. Em termos de teor alcoólico a diferença de cerveja por exemplo e whisky é apenas de diluição. O que importa é a predisposição orgânica e psicológica (vulnerabilidade), individual e a quantidade do consumo de álcool. Por outro lado à quantidade total de álcool ingerido independe ser destilado ou não. Em outras palavras uma garrafa de cerveja equivale a aproximadamente duas doses de destilado, a diferença esta na diluição. É muito comum alcoolistas que bebiam destilados quando se sentem debilitados mudam para cerveja, só que compensam a quantidade de álcool ingerido no número de garrafas de cerveja.
– O alcoolismo pode começar "na balada"? Sem dúvida, ninguém começa a beber todos os dias, nem em grandes quantidades. A evolução da dependência é insidiosa, quase imperceptível para quem bebe. Além de ser imprevisível; nem todo mundo que bebe nas baladas vai se tornar um alcoolista. E quem se torna alcoolista, aqueles que tem a predisposição aliada a influências culturais (costumes), pressão do grupo com o qual convive etc. O fato é que as pesquisas apontam que 10 - 15 % das pessoas que bebem na população geral terá problemas com a bebida. O difícil é saber nesta fase inicial quem vai ter o problema.
– Como saber se um amigo pode estar começando a virar um dependente? Como saber? É difícil prever, mas há alguns indicadores: A história de alcoolismo e doenças como depressão, neuroses entre os familiares (tios, primos, avós). Outro aspecto favorecedor ao desenvolvimento da dependência em jovens é a dinâmica da família; famílias disfuncionais onde há ausência paterna e ou materna, famílias onde predomina a violência física ou verbal ao invés do diálogo, onde não são estabelecidas regras coerentes etc. Geralmente nestas famílias não são estabelecidos papéis, ou seja, pai diz sim a mãe diz não, o pai castiga, a mãe super protege etc. Os traumas de infância são fatores de risco ao desenvolvimento da dependência.
– Existe alguma diferença entre aquele que bebe todos os dias, porém em pouca quantidade, e aquele que bebe muito, mas só aos finais de semana? Em se tratando do alcoolista o padrão de uso varia de indivíduo para indivíduo e do grau de dependência. No inicio, mas com a dependência instalada existem aqueles indivíduos que bebem diariamente e exageram nos finais de semana. O dependente pesado, que já apresenta a síndrome de abstinência, o indivíduo tem que beber diariamente para aliviar os sintomas da síndrome (de abstinência). Suores e tremores das mãos, coração acelerado, náuseas etc, já caracterizam a síndrome de abstinência que melhora com o uso da própria bebida. É comum se ver em bares e padarias pessoas pedirem já na parte da manhã sua primeira dose, e levar o copo à boca com as mãos trêmulas, questão de minutos após a ingestão os tremores desaparecem e o indivíduo tem uma sensação de "bem - estar". É importante acrescentar que o grau extremo da síndrome de abstinência do álcool é caracterizada pelos sintomas acima acrescidos de confusão mental, "delirium tremens". Este quando coloca em risco a vida do indivíduo e necessita de cuidados médicos e internação em hospitais gerais.
– O Sr. é diretor clinico de um Centro de Recuperação e Apoio, e com certeza já teve que lidar com situações desagradáveis. Alguma história envolvendo o álcool já te marcou? O caso mais interessante foi de um jovem que aos 19 anos já tinha desenvolvido a dependência do álcool, tendo que ser internado de urgência. Quinze dias após viemos saber que o pai era também um alcoólatra e que quando bebia espancava os familiares (as filhas e esposa). Falamos da necessidade dele se tratar até para poder também ajudar o filho no processo de recuperação. O pai continuou bebendo e falei para ele que se ele não parasse de beber nós iríamos interná-lo também. Certa noite a esposa me liga dizendo que o marido tinha chegado bêbado com o carro batido e estava quebrando tudo em casa; mandei uma ambulância para interná-lo compulsoriamente e assim foi feito. Ao chegar na clinica o filho o avistou e perguntou o que o pai estava fazendo ali, ele respondeu que tinha sido internado "injustamente" pois não bebia muito (era só uma vodiquinha aqui a colá). O filho riu e falou: Bem feito quem manda você me internar quando o alcoólatra é você? Passaram 03 anos os dois estão bem, freqüentam juntos os grupos de auto-ajuda (AA), e comentam em sala rindo o acontecimento (acontecido).
– Como é o trabalho da Open Mind? A Open Mind, COMUNIDADE OPEN MIND, desenvolve trabalhos de prevenção em escolas e empresas, além de tratamento ambulatorial, internação em clinica de desintoxicação e conscientização da doença. Aliamos o trabalho médico, psicológico, além da arte terapia (pintura, música, etc.), à laborterapia (plantação de horta, flores). Paralelo ao trabalho com o dependente trabalhamos a família objetivando uma conscientização e posterior aceitação de que a dependência é uma doença, além de orientarmos os familiares de como lidar com a dependência (o dependente na casa). Como metodologia trabalhamos com terapia cognitiva - comportamental e os XII Passos sugeridos por Alcoólicos Anônimos. Nossa equipe é composta de médicos, psicólogos, terapeutas para aconselhamento, assistente social e arte terapeuta.
– Para finalizar, deixe uma mensagem aos jovens que gostam de beber. Para os jovens uma definição do Século XVII de um médico Psiquiatra: “O ato de beber pode se tornar uma doença que começa com um ato de vontade que afunda na necessidade”.
ENTREVISTA
Nome: Luiz Antônio da Cruz Profissão: Autor do site alcoolismo.com.br, alcoolista em recuperação – Quando você começou a beber?Comecei a beber aos 14 anos junto com "amigos" tentado mostrar que era homem. Comecei com pequenas doses até ir aumentando e varias vezes usando após o álcool a maconha.
– Como era a sua relação com a bebida? Por que você bebia? Acho que muitas pessoas que são alcoolistas ou alcoólatras não têm um motivo especial para beber, mas acho que a falta de uma outra atividade ou até uma oportunidade melhor na vida acaba fazendo com que a pessoa use a bebida como válvula de escape para seus problemas tentando sair da realidade. Mas depois que o efeito acaba, os problemas retornam e com certeza a frustração aumenta muito mais.
– Quando e como você percebeu que era um alcoólatra? Percebi que era um alcoolista quando minha esposa pediu para que eu saísse de casa e minha família começou a querer a me abandonar se não parasse de usar o álcool e outras drogas.
– E você já tinha tentado parar de beber alguma vez e não conseguiu? Já tinha "prometido" algumas vezes, mas acho que no meu intimo não queria parar. E com certeza não tinha sido ainda pressionado pela minha esposa e família.
– Na sua opinião, por que certas pessoas podem beber normalmente a vida inteira e outras não? Eu acho que muitas destas pessoas que podem beber a vida inteira, dependendo da quantidade de álcool que bebem, podem se tornarem alcoolistas no futuro, pois o alcoolismo é uma doença que atinge as pessoas gradativamente. Mas é claro que existem pessoas que podem controlar. Já os alcoolistas não podem, pois são doentes. O essencial é as pessoas procurarem ter atividades prazerosas, coisas que com álcool não vão ter, pois o efeito do mesmo é momentâneo.
– Como foi o dia que decidiu procurar ajuda? Procurou por quem? Minha esposa me abandonou e minha família falou que se eu não parasse, iria morar na rua. Ai resolvi tentar ; fui com minha mãe a Associação Antialcoolica de SP. Fui aconselhado pela minha esposa, mesmo estando longe dela, ela procurou me ajudar pois viu que eu queria ser ajudado. Quando fui na Associação assisti a vários depoimentos que me deram uma luz , e aí senti uma felicidade muito grande e resolvi mostrar à minha esposa e minha família que nunca mais ninguém iria me chamar de "BEBADO ; OLHA LA O BEBADO ; COITADO ! ". Fiz o juramento em 06/06/93.
– Como foi esse juramento? Este juramento foi feito na Associação, onde você lê no final da reunião que concorda que a bebida alcoólica esta fazendo mal, reconhecendo ser a mesma o motivo de minha derrota, prometendo a partir daquele momento não ingerir a primeira dose, pois se tomar a primeira com certeza não controlaria mais.
– E as pessoas te chamavam de bêbado e coitado? O que sentia na hora? Ouvia, mas sinceramente só sentia vergonha no dia seguinte, pois algumas vezes lembrava do que fazia e outras não. Às vezes dava um escuro em minha mente e não lembrava do que tinha feito, aí acordava com muito medo do que tinha feito. As pessoas às vezes falam alguma coisa no dia seguinte que tinha bebido. É aí que o alcoolista acha que está tudo normal em sua vida ... Enquanto as pessoas não mostrarem a ele, o mesmo vai "empurrando com a barriga".
– Como foi o seu processo de tratamento? Tive crises de abstinência, os "amigos" me abandonaram e só restou minha esposa que dava apoio mesmo separado. Tive também muita força de vontade e queria mostrar a todos que poderia me tornar realmente um homem de verdade e voltar com minha esposa e minha família.
– Como você está hoje? Você pensa na bebida de vez em quando? Eu não conseguia fazer nada de produtivo bebendo, o alcool já tinha dominado totalmente minha mente. Hoje consigo fazer coisas produtivas, consigo expor minhas idéias, as pessoas depositam respeito pelo meu trabalho e pela minha pessoa. Sou um profissional ativo e realizado com uma vida normal e saudável. Resolvi então, lançar o Site Alcoolismo.com.br para ajuda e informação de alcoolistas ou não. O alcoolismo não tem cura, estou em recuperação, minha doença está estacionada. Nunca poderei beber. Não existe só um gole para um alcoolista... Estamos em tratamento para o resto da vida.
– Como identificar se algum amigo ou parente é ou não um alcoolista? Que dicas você dá? Quando começar a beber todos os dias, independente da quantidade ingerida; se distanciar da família ; quando as pessoas te irritam ao falar da bebida; começar a beber logo cedo; não largar do copo da mão em festas; Achar que todos estão contra você, só você está certo e todos estão errados.
TESTE 1: VOCÊ É ALCOOLATRA?
Reconhecer que a bebida se converteu em um problema e que não consegue mais beber normalmente é uma das grandes dificuldades de um alcoolista. A fim de dar uma luz àqueles que enfrentam dificuldade relacionadas à bebida, o AA - Alcóolicos Anônimos, desenvolveu uma série de perguntas que devem ser respondidas honestamente sobre a maneira de beber e seus efeitos na vida cotidiana. Anote o numero de SIM respondidos.
01. Já tentou parar de beber por uma semana (ou mais), sem conseguir atingir seu objetivo?
02. Ressente-se com os conselhos dos outros que tentam fazê-lo parar de beber?
03. Já tentou controlar sua tendência de beber demais, trocando uma bebida alcoólica por outra?
04. Tomou algum trago pela manhã nos últimos doze meses?
05. Inveja as pessoas que podem beber sem criar problemas?
06. Seu problema de bebida vem se tornando cada vez mais sério nos últimos doze meses?
07. A bebida já criou problemas no seu lar?
08. Nas reuniões sociais onde as bebidas são limitadas, você tenta conseguir doses extras?
09. Apesar de prova em contrário, você continua afirmando que bebe quando quer e pára quando quer?
10. Faltou ao serviço, durante os últimos doze meses, por causa da bebida?
11. Já experimentou alguma vez 'apagamento' durante uma bebedeira?
12. Já pensou alguma vez que poderia aproveitar muito mais a vida, se não bebesse?
Qual foi a contagem? Respondeu SIM quatro vezes ou mais? O AA alerta que aquele que responder SIM a 4 ou mais destas perguntas, tem claras tendências para o alcoolismo ou até mesmo já ser um. Alcoólicos Anônimos do Brasil http://www.alcoolicosanonimos.org.br
TESTE 2: AOS JOVENS
O AA também elaborou um questionário voltado aos jovens para ajudá-los a decidir se têm ou não problema com a bebida. A irmandade ressalta que se responder SIM a qualquer "uma" das perguntas, talvez já seja hora de prestar atenção e ver o que a bebida lhe está fazendo.
1 - Você bebe porque tem "grilos" ou para enfrentar certas situações?
2 - Você bebe quando está aborrecido com outras pessoas, seus amigos ou seus pais?
3 - Você muitas vezes prefere beber sozinho, ao invés de acompanhado?
4 - Suas notas estão piorando? Está encrencado no trabalho?
5 - Você já tentou parar de beber ou beber menos? E conseguiu?
6 - Você está acostumado a beber pela manhã, antes do trabalho ou da escola?
7 - Você "devora" suas bebidas como que para satisfazer uma sede enorme?
8 - Você tem alguma perda de memória ou "apagamento" enquanto bebe?
9 - Você esconde dos outros o quanto realmente bebe?
10 - Você já se complicou porque estava bebendo ou bebeu?
11 - Você já ficou bêbado, mesmo sem querer ficar?
12 - Você acha que é uma "boa" beber bem?
TESTE 3: VOCÊ ESTÁ PASSANDO DOS LIMITES?
O teste abaixo foi elaborado pela Organização Mundial da Saúde - OMS, para ajudar os médicos a identificar se seus pacientes são dependentes de álcool ou estão sob risco. Para avaliar seu caso, some os pontos (entre parênteses) de cada resposta assinalada.
O teste não substitui a consulta a um especialista
1 Com qual freqüência você toma bebidas alcoólicas? (0) nunca (vá para as questões 9 e 10) (1) mensalmente ou menos (2) de 2 a 4 vezes por mês (3) de 2 a 3 vezes por semana (4) 4 ou mais vezes por semana
2 Quantos drinques alcoólicos você costuma tomar quando está bebendo? (0) 1 ou 2 (1) 3 ou 4 (2) 5 ou 6 (3) 7, 8 ou 9 (4) 10 ou mais
3 Com qual freqüência você toma 6 ou mais drinques em uma ocasião? (0) nunca (1) menos que 1 vez por mês (2) mensalmente (3) semanalmente (4) diariamente, ou quase diariamente Pule as questões 9 e 10 se sua pontuação total das questões 2 e 3 for 0
4 Com qual freqüência durante o último ano você sentiu que não conseguia parar de beber quando começava? (0) nunca (1) menos que 1 vez por mês (2) mensalmente (3) semanalmente (4) diariamente, ou quase diariamente
5 Com qual freqüência, durante o último ano, você deixou de realizar tarefas ou comparecer a compromissos por causa da bebida? (0) nunca (1) menos que 1 vez por mês (2) mensalmente (3) semanalmente (4) diariamente, ou quase diariamente
6 Com qual freqüência, durante o último ano, você precisou de um drinque pela manhã para se recuperar de uma bebedeira? (0) nunca (1) menos que 1 vez por mês (2) mensalmente (3) semanalmente (4) diariamente, ou quase diariamente
7 Com qual freqüência, durante o último ano, você ficou com remorso ou se sentiu culpado por ter bebido? (0) nunca (1) menos que 1 vez por mês (2) mensalmente (3) semanalmente (4) diariamente, ou quase diariamente
8 Com qual freqüência, durante o último ano, você não conseguiu se lembrar do que aconteceu na noite anterior por causa da bebida? (0) nunca (1) menos que 1 vez por mês (2) mensalmente (3) semanalmente (4) diariamente, ou quase diariamente
9 Você já prejudicou alguém ou a si mesmo por causa da bebida? (0) não (2) sim, mas não no último ano (4) sim, durante o último ano
10 Algum amigo, parente ou outra pessoa próxima já se mostrou preocupado com sua relação com bebidas alcoólicas, ou sugeriu que você parasse de beber? (0) não (2) sim, mas não no último ano (4) sim, durante o último ano
obaoba
|