“Criança tem que brincar. Aprender a ser feliz. Entrem nessa campanha vocês também: por um mundo sem trabalho infantil.” Gilberto Gil
O Ministro da Cultura, Gilberto Gil, assumiu compromisso com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) para a realização da campanha "Por um mundo sem trabalho infantil".
Desde 12 de junho, "Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil", passou a ser veiculado pelos canais de televisão aberta do país um clipe com o ministro e trinta crianças que foram retiradas do trabalho infantil.
Ao som da música Comida, dos Titãs, eles entram nas telinhas dos lares de milhões de brasileiros brincando, dançando e cantando pelo combate a toda exploração de mão-de-obra infantil.
“Quando fomos convidados a participar da campanha, logo sugeri a música dos Titãs porque se trata de um manisfesto político muito conhecido de todos que afirma a complexidade das demandas humanas. A formação de um indíviduo passa pelo estômago, sem dúvida, mas sem cultura, sem identidade e sem felicidade, perdemos de vista algo também essencial a um projeto de país”, explicou Juca Ferreira, secretário-executivo do MinC.
Ele também anunciou a próxima iniciativa do Ministério nessa área: a assinatura, no mês de julho, da parceria do "Programa Cultura Viva" — que potencializa ações culturais das comunidades de periferia e de cidades de interior — com o "Programa de Erradicação do Trabalho Infantil".
A convite do Ministério da Cultura, o cineasta Fernando Meirelles produziu a campanha e os Titãs cederam os direitos autorais da música. O ministro Gilberto Gil enviou cartas para quase quatro mil artistas e produtores culturais do Brasil convocando uma mobilização nacional pela campanha.
Segundo dados do IBGE, houve uma pequena redução nos índices do trabalho infantil no Brasil.
- Em 2002, existiam 5,4 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho ilegal.
- Em 2003, esse índice caiu para 5,1 milhões. Por outro lado, nesse mesmo período, registrou-se 1,3 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 13 anos como mão-de-obra explorada, um contingente igual ao da população do estado de Tocantins.
Leia mais sobre a campanha no site do MDS: http://www.assistenciasocial.gov.br
 
 
Acesse os clipes: Vídeo 1 Vídeo 2 (vídeos em formato Clique o botão direito e escolha a opção "Salvar destino como..")
ministériodacultura
Por Vitor Abdala, Agência Brasil Mais de um milhão de crianças entre cinco e 13 anos de idade trabalham no Brasil, indicam os dados da Síntese de Indicadores Sociais 2004 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Deste total, aproximadamente 700 mil crianças (53,8%) vivem na região Nordeste. Ao ampliar a faixa etária pesquisada, o levantamento mostra que 5,1 milhão de crianças e jovens - entre cinco e 17 anos - trabalham no país. A Constituição Federal proíbe qualquer tipo de trabalho para menores de 14 anos. Acima dessa idade, e até os 16 anos, o trabalho é permitido apenas na condição de aprendiz. O presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) e ex-presidente do IBGE, sociólogo Simon Schwartzman, acredita que o trabalho infantil não deve ser encarado como um problema isolado, mas como um elemento da situação de pobreza de algumas regiões do país.
"Acho que é preciso, em primeiro lugar, ver a questão da família, a questão da pobreza e como está organizada a casa (das famílias brasileiras). É uma situação geral. Tratar da questão do trabalho infantil separadamente só se justifica quando há situações de exploração clara da criança e do jovem", disse. O estudo do IBGE também relaciona o trabalho infantil com a educação. Segundo a pesquisa, o índice de escolarização das crianças e jovens, entre cinco e 17 anos de idade, que não trabalham é de 92,1%. Já o índice de crianças trabalhadoras que estão na escola é de apenas 81%, cerca de 11 pontos percentuais menor. Apesar disso, o levantamento aponta para uma melhora do quadro educacional entre os jovens nos últimos anos.
O índice daqueles que trabalham e estudam também foi reduzido, de 15,3% para 13,9%. Além disso, foi observado um aumento de dois pontos percentuais na proporção de jovens que só estudam.
|