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Nos últimos tempos tenho visto na imprensa uma grande agitação
de todos os setores da sociedade com relação às cotas para os
descendentes de negros nos vestibulares, principalmente para as
vagas das Universidades Federais.
A luta dos afros-descendentes tem como argumento principal que o término da escravatura no Brasil não promoveu uma integração dos libertos de forma a poderem competir em pé de igualdade com os brancos. Não podemos nos esquecer que os negros, na África, eram capturados por outros negros, de tribos diversas, e assim eram vendidos para o tráfico internacional.
Se não me engano, a primeira Universidade a determinar cota de vinte por cento como reserva para os negros foi a Universidade de Brasília seguindo-se a federal do Rio de Janeiro e outras Brasil afora.
A UNIGRAN, estabelecimento do qual tenho orgulho de ser fundador, não só designou vinte por cento de suas vagas para os negros como determinou a reserva de dez por cento destas para os índios.
A meu ver estas decisões são, além de inconstitucionais, preconceituosas já que diferenciam cidadãos levando em consideração a cor da pele, deixando de lado a máxima constitucional de que todos são iguais perante a lei, prevista no artigo 5º e seus incisos da Constituição Federal.
Tenho receio de que o preconceito existente, principalmente contra os negros, seja acirrado por estas decisões e mesmo que o preconceito de negros contra brancos, que também existe, passe a ser mais evidente do que é hoje. Já sabemos que em alguns estabelecimentos só se aceita como prova de que o indivíduo pertence à raça negra, a cor da pele. Não importa se seu pai, ou sua mãe é negra. Em alguns locais chegam a ponto de fotografarem o pretendente para se provar que este é negro.
Eu mesmo, que me acho um indivíduo sem preconceitos, principalmente os de cor, raça, opção sexual, etc..., me vejo, de quando em vez, lutando para aceitar o novo.
Como resultado destas distinções, outras minorias já se manifestam de forma a exigirem para si as mesmas prerrogativas. São os índios, os “gays’s”, os deficientes físicos, os descendentes de imigrantes que vieram para cá substituírem os escravos após suas libertações, os italianos e japoneses e que tiveram dos senhores rurais o mesmo tratamento dado aos negros, vivendo em senzalas com as mesmas privações que haviam vivido os negros com exceção (pelo que sabemos) somente das chibatadas.
E, os como, eu que somos a verdadeira raça brasileira, resultado desta sacrossanta miscigenação que fez produzir a mais bela mulher do mundo. A “MULHER BRASILEIRA”.
E os pardos deste país, como ficam?
Apesar de minha pele branca translúcida e de meus cabelos lisos, com o advento das discussões em torno das cotas dos negros eu comecei a me perguntar de que raça eu era. Fiz uma análise superficial de minha árvore genealógica e a confusão aumentou ainda mais.
Veja porque.
Por parte de meu avô paterno, meu bisavô era português (branco) e minha bisavó era índia lá dos campos de Itapetininga no Estado de São Paulo.
Por parte de minha avó paterna, meu bisavô era italiano do continente e minha bisavó era siciliana, morena como uma moura. Talvez tivesse algum sangue mouro em suas veias. Sei lá.
Por parte de meu avô materno, meu bisavô era negro como azeviche e minha bisavó era índia lá das caatingas de Pernambuco.
Por parte de minha avó materna ela era descendente direta dos judeus holandeses que dominaram Pernambuco durante algum tempo. Seu sobrenome era Burgheinn.
Portanto meu avô paterno era cabloco, resultado da miscigenação do branco com o índio. Já minha avó paterna era branca, talvez com uma gota de sangue mouro.
Já meu avô materno era cafuzo, resultado da cruza do negro com o índio.
Meu pai é branco de olhos azuis e minha mãe era mulata.
Como resultado desta análise chequei à conclusão de que eu, como um brasileiro dos mais puros que possam existir já que sou descendente de praticamente todas as raças que povoaram este pais, os brancos portugueses e italianos, os negros africanos, os índios que já eram da terra, daqui e do nordeste, os holandeses que invadiram os nordeste brasileiro e entre suas importantes contribuições para a formação do Brasil, deixaram minha avó e talvez até de mouros, se um dia algum deles tenha estado na Sicília e ali deixado a semente de sua raça.
Desta análise chego à conclusão de que eu posso ser o que quiser e que não podem, ninguém, ter com relação a mim qualquer preconceito.
Posso me beneficiar da cota dos negros nas Universidades brasileiras ou da cota dos índios aqui na UNIGRAN.
Posso, se quiser, ter a cidadania italiana ou portuguesa e me mandar para a Europa e me beneficiar das benesses que deve ser ganhar em Euros e ainda de sobra não ter que escutar o Lula martelando “abobrinha” nos meus ouvidos todos os dias.
Posso, se quiserem e me aceitarem, escolher ser índio e pegar a minha parte desta imensidão de terras que a FUNAI e seus antropólogos dizem ser terras indígenas. Só em Rondônia são mais de um milhão de hectares. Tenho certeza que se pegarem o volume de hectares que hoje estão destinados oficialmente aos índios e dividirem pelo número de índios deste pais, nós os morubixabas e tupiniquins, seremos latifundiários e aí, se Tupã nos ajudar, impedirá que os sem-terra invadam nossas propriedades por produtivas que seriam já que terra de índio não é para plantar nada, só para se viver nela, sem nada fazer a não ser pescar e caçar, deixar o trabalho pesado para as mulheres e as brincadeiras para os “curumins”.
É! Pensando bem eu quero é ser índio, nada de plantar (isto é serviço de mulher) e quando não estiver caçando ou pescando, deitar na rede dentro de minha oca, comer peixe assado na folha de bananeira e carne moqueada, poder matar qualquer bicho que eu quiser sem dar bola para o IBAMA, derrubar a árvore que precisar sem pedir ordem para ninguém, ter o bicho de estimação que me agradar sem ser acusado de manter em cativeiro animal silvestre e, a cada filho meu que nascer na tribo, deitar na minha rede e gritar como se tivesse sentindo as dores do parto.
É melhor que ser branco. O branco tem que trabalhar trinta anos e durante este tempo contribuir para a previdência social para ganhar o direito de ficar o resto da vida só caçando e pescando. O índio não. O índio já começa a vida brincando, caçando e pescando. Isto sem ter que pagar nada para o governo. Previdência Social de índio é com a FUNAI e assistência médica é com a FUNASA.
Eu, em pleno gozo de minhas faculdades mentais renuncio a todos e quaisquer direitos advindos de minhas ascendências, com exceção daqueles advindos de minha ascendência indígena.
Eu quero ser índio!
Luiz Carlos Mattos, é Jornalista e Advogado na cidade de Dourados - MS. e-mail:
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douradosnews
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AAAAAAADOREI ISSO QUE VC DISSE....RS MUITO BOM. VC 10. meu email Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso