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Escrito por Fritz Utzeri *   
Thursday, 16 June 2005
Após dois anos e meio de governo inovador, o Presidente Lula vem enfrentando resistências cada vez maiores dos setores mais atrasados do establishment que lutam para manter os seus privilégios e um crescente mal-estar dos EUA por sua política de oposição às normas do Fundo Monetário Internacional.

A situação interna não é tranqüila, principalmente depois que a administração desbaratou a maioria das quadrilhas que atuavam na administração, como na Previdência.

Com o objetivo de conseguir alguma margem de manobra no Legislativo, o PT buscou e conseguiu obter alianças com setores do PSDB e o chamado “lado bom” do PMDB, além dos partidos de esquerda (PPS, PC do B e PDT) e até alguns raros pefelistas. 

A política econômica, voltada para o desenvolvimento e a integração dos mercados de nossa região — o Mercosul —, tem dado resultado e é afinadíssima com a Argentina e os demais vizinhos, para potencializar ao máximo as vantagens de cada um e superar as deficiências. 
 
Há conflitos com o setor financeiro por causa das restrições adotadas contra a especulação e desde que o Governo resolveu unir-se ao da Argentina para rediscutir a questão da dívida externa — o que criou um vendaval em Washington e na Europa, com os credores internacionais ameaçando retaliações, mas acabando por ceder, embora se aguardem sabotagens e má vontade vindas do Norte, o que aqui é chamado de “síndrome de Allende”.

O Governo manobra com esperteza para não deixar que se aprofundem as intenções golpistas internas, a política oficial e um discreto reequipamento — como a compra dos caças da FAB aliada a um progressivo aumento dos soldos, que tem entusiasmado os militares. 

A dívida interna, que cresceu dez vezes durante os oito anos de "principado" de FHC, está sendo renegociada e estendida e contida pelo Governo com as medidas antiespeculativas e, sobretudo, com um rígido controle de gastos, o que tem gerado caixa destinado aos investimentos. 

Os servidores em Brasília, acostumados ao descontrole, têm estranhado o jeito espartano e “sovina” do Governo Lula no manejo da máquina.

Todos os itens de compra são rigorosamente controlados e só se compra ou se autoriza o gasto do que é absolutamente inadiável ou necessário. “Quando puder, use novamente, reaproveite, e quando não puder, recicle” tem sido o lema do Governo, que se define como “uma dona de casa pobre”. 

Mas, ao mesmo tempo, a administração buscou e estabeleceu alianças com os setores produtivos e o País discute intensamente uma política industrial destinada a aumentar o mercado interno e incentivar as exportações que vem batendo recordes e provocando o crescimento da economia, projetado para 7,2% este ano, com taxas de juros em queda livre e uma inflação de um dígito.

Investimentos de modernização de fábricas e obras de infra-estrutura estão sendo tocados para remediar, a médio prazo, o caos em que se transformaram, por exemplo, as estradas brasileiras. O Exército e o setor privado foram convocados para pôr mãos à obra. 

Trechos importantes da malha estão sendo privatizados e ferrovias estão sendo modernizadas principalmente para o escoamento de safras e commodities, mas a ênfase está sendo dada à exportação de bens com valor agregado, derivados de soja em lugar de grãos, por exemplo, por renderem muito mais.

Nas estradas, como em outras parcerias, os investimentos deverão ser feitos pelos que receberam esses trechos de estrada, que serão pedagiados. 

Além disso, o Governo resolveu reduzir drasticamente o tamanho da máquina. Dos 20 mil cargos em comissão à disposição, pelo menos 10 mil foram extintos sumariamente, segundo um estudo adrede preparado por economistas do PT. Os ministérios e secretarias também foram enxugados ao máximo.

O MEC voltou a ser da Educação e da Cultura, desapareceram ministérios como o do Turismo e dos Esportes, transferidos para pastas como a da Indústria e Comércio e a da Educação. Ou o da Pesca, que retornou como divisão do Desenvolvimento Agrário.

Ao mesmo tempo em que novos assentamentos de sem-terra ocupam áreas improdutivas, abre-se crédito para pequenos e médios agricultores, notadamente no Sul e no Nordeste do País, e cria-se um seguro agrícola para evitar prejuízos devidos a catástrofes climáticas. 

No Nordeste está-se deixando de lado o chamado “combate à seca”. Agrônomos de todo o mundo foram reunidos para estudar uma maneira de conviver com esse clima seco da região e aproveitá-lo ao máximo.

 Além disso, está sendo desenvolvido um enorme programa de reservatórios domésticos para armazenar água de chuvas e de poços para irrigação e consumo humano e animal.

Segundo Lula, é estúpido tentar mudar o clima do Nordeste e insistir em plantar coisas e criar bichos que não dão certo lá. “Seria como plantar mandacaru e criar bode na Sibéria” disse, usando uma de suas comparações folclóricas, que lhe garantem uma imensa popularidade, ao abrir um importante seminário sobre o semi-árido, em Recife. 

Brasília acostumou-se a um novo ritmo de trabalho e entusiasmo. O ar, normalmente elétrico da Capital, anda carregado de energia.

O dia-a-dia dos ministros não pára, das oito da manhã até altas horas da noite. Brasília soube — finalmente — o que é trabalhar e inspirar pelo exemplo. 

O Presidente Lula tem vetado, sistematicamente, todas as iniciativas do Congresso para aumentar as vantagens e o novo presidente do Senado, Pedro Simon (PMDB-RS), e o da Câmara, Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), têm encontrado dificuldades entre alguns representantes do chamado “alto clero” e na quase totalidade do “baixo clero” para tentar limitar os benefícios e mordomias, mas têm o apoio unânime da opinião pública.

Não passa dia sem manifestação e mobilização de apoio ou reivindicação de setores da sociedade em várias cidades brasileiras, notadamente em Brasília, São Paulo e Rio. 

O Executivo tem enviado ao Congresso uma extensa pauta de reformas que vão desde a reestruturação da Previdência, o combate à burocracia, simplificando leis e procedimentos (para isso foi constituído um grupo de elite de especialistas brasileiros e estrangeiros com prazo de oito meses para apresentar um projeto de simplificação do Estado).

 A reforma política está em discussão, proíbe-se mudar de partido depois da eleição (parlamentar que o fizer perde o mandato), discute-se, além de fidelidade partidária, o voto distrital e a natureza política dos diversos partidos. 

Outra frente notável é a educação. O Governo caminha para implantar a escola de horário integral. Diz o Presidente Lula: “O que eu não tive chance de aprender como criança não vai acontecer mais a criança alguma deste País.”

Há um projeto em tramitação no Legislativo para criar uma carreira atraente para o magistério e assim estimular a formação de professores.
 
A educação básica foi declarada “prioridade um, dois e três” pelo Ministro Cristovam Buarque. No momento, há uma enorme discussão no meio acadêmico sobre os caminhos da universidade e o Governo fez saber que priorizará as instituições, públicas ou privadas, que patrocinarem a pesquisa científica e o desenvolvimento tecnológico.

O conhecimento da Amazônia — cuja devastação foi bastante reduzida com a ajuda das Forças Armadas e reestruturação do Ibama — é prioridade. 

Está sendo implementado também um intenso intercâmbio científico com a Índia e a China, mas há vários convênios importantes com a União Européia e o Japão.

Além disso, o acordo com a Rússia permitirá que o Brasil possa receber tecnologia espacial em troca de setores em que estamos mais desenvolvidos e do uso operacional e conjunto da base de Alcântara.

Russos e brasileiros já constituíram uma empresa mista para fazer frente à Aeroespaciale, européia. O movimento de cientistas e professores estrangeiros é enorme, o que tem causado algumas reações corporativas da academia.

Outra prioridade é o fortalecimento das escolas técnicas e a sua multiplicação (mais de 30, de alto nível, estão sendo construídas no Brasil, para qualificar a mão-de-obra).

O Governo vem encontrando grande hostilidade do setor “S”, uma verdadeira caixa-preta que está sendo investigada e corrigida. 

Segundo Lula, não faz sentido descarregar toda a energia do País na Universidade, que até em lugares como a Suécia é freqüentada por uma elite minoritária, necessária, indispensável, mas longe de ter que absorver todos os recursos da administração, deixando as carreiras técnicas e intermediárias sem cobertura.

E fazendo uma de suas conhecidas metáforas futebolísticas, Lula afirmou que isso seria como armar a Seleção com um ataque poderoso e uma defesa formidável, mas sem ninguém no meio-de-campo. “Simplesmente não daria certo”, filosofou, congratulando-se com Parreira pela vitória sobre a Argentina por 3 a 1 no “Monumental de Nuñez”, que já nos levou para a Copa da Alemanha, no ano que vem. 

O programa Fome Zero, instituído logo nos primeiros dias de Governo, vai de vento em popa e já está contribuindo para reduzir drasticamente os índices de desnutrição que afetavam mais de 5 milhões de crianças brasileiras.

O trabalho escravo e o infantil estão sendo duramente combatidos, com penas severas para os patrocinadores dessas modalidades de ocupação e a universalização de programas como Bolsa Escola, criado por Cristovam quando ainda era Governador do DF, estão permitindo manter as crianças nas salas de aula. 

Na área da saúde multiplicam-se os projetos multicomunitários e os consórcios entre municípios vizinhos, para racionalizar ao máximo o uso dos instrumentos disponíveis, ainda bastante aquém do necessário. Serão precisos anos de políticas contínuas para que esses obstáculos sejam superados, mas o primeiro passo já foi dado ao racionalizar os recursos, auditar o seu uso de modo severo com a participação ativa da comunidade e punições rigorosas para os ladrões e fraudadores.

A PF já efetuou centenas de prisões de fraudadores nos últimos meses e processos estão em curso no Ministério Público. 

O Executivo vem buscando sem descanso e costurando vários compromissos suprapartidários de manutenção das políticas públicas de educação, indústria, infra-estrutura, saúde, defesa e segurança. 

Menos e mais duras leis para os grandes criminosos e penas alternativas para primários que são levados a pequenos delitos pelas condições sociais estão sendo estudadas. O Governo do PT tem incentivado uma política de adoção e... 

Trrrriiiiiiiiiiimmmmmm!!! Acorda Fritz! 

Ahn? Hum? O quê? Esfrego os olhos, pego o jornal e leio: “Delúbio diz que PT é vítima de chantagem.” Ai de mim...

* Fritz Utzeri é editor do jornal Montbläat, que circula em edição exclusiva para assinantes pela internet. Para fazer assinatura, o endereço é Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso

 

abi

Comentarios (4)Add Comment
Você vive no Brasil?
escrito por Visitante, 2005-06-22 19:51:52
Que país é esse que você vive? Que loucura. Você pirou de vez ou esse texto todo aí em cima é pegadinha. Será que você realmente vive no Brasil ou é mais um dos Petistas basbacados pelo poder que toma romanee conti na França e acham que fazem sucesso pelo mundo a fora dizendo que a solução da fome é dar uma cesta básica por mês? Será que você defende isso tudo por puro ideologismo ou interesse? Você não pode viver no Brasil. O Brasil que vivemos, o Governo paga mesada a deputado. No país que vivemos 10 crianças moreem por dia em função da corrupção generalizada do PT comandando sua base alidad que de esquerda nunca teve nada, PP, PTB e Bispos do PL. O que é isso meu Deus ou Alá ou Senhor. Isto é jornalismo? Você vive no Brasil?
Visitante:O PT no ferrou o Brasil, apen
escrito por Visitante, 2005-06-22 21:42:04
__De fato o jornalista foi adocicado com o Lula.Mas é fato que o governo Lula vem sofrendo grande boicote por parte da oposição. . .É preciso admitir que um presidente social-democrata ou comunista, ou socialista, jamais governaria nesse país...

__O PT é corrupto. NOvidade, Nenhuma.Assim como o PSDB PFL e praticamente todos os outros que aspiraram os aromas do poder.Contudo, vingar-se de Lula-PT votando no PSDB, é trocar um estuprador por um latrocida. Não é vantagem nenhuma!

__É burrice e miopia dizer que 10 crianças morrem por dia no Brasil, por causa do PT. É um cnglomerado de fatores que inclui o PT.Assim como o PSDB, PFL, PSDB e todos os outros.

__Visitante, pare de ler Revista Veja, ou você vai acabar trocando de partido, , ,Ou seja de um carrasco por outro!
Você vive no Brasil????
escrito por Visitante, 2005-06-23 16:52:37
O Governo não é somente do PT. Este Governo já foi loteado para o PL e o PP e agora vai ser loteado com o PMDB. Se você sonhava com um governo socialista, acorde, pois a cara deste Governo é sua ala facista liderada pelo Terrorista José Dirceu e a ala Mensalão liderada pelos PPs, PTBs, e PLs. Não se iluda e não deixe que os outros te iludam. O grande problema do cego é não querer enxergar. Leia a Veja, Folha, Estadão e todos os demais jornais.
Quem so vocs
escrito por Visitante, 2005-07-11 10:43:03
É ironia demais pra mim. Vocês estão sendo ironicos, ou realmente nao leram o texto? Leiam o último parágrafo. Agora, mais uma vez. Entendeu? Não? Antonio Carlos Biscaia não é presidente da camara, lê de novo o último parágrafo. Ahhhhhh, ele estava "sonhando". o texto é uma brincadeira.....hmmmmm...... Agora, mudando de assunto, leia a Veja é brincadeira como se eles fossem adeptos de jornalismo sério, aquilo é pior que tablóide.

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