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Ao Lula, com Gratidão PDF Imprimir E-mail
Escrito por Janer Cristaldo   
Thursday, 16 June 2005
Nos anos 70, corria uma piada nos meios universitários. Que Stalin não quis a instauração do socialismo no Brasil para não desmoralizar o regime.

Como piada não tinha muita graça, já que o socialismo fora desmoralizado muito antes, e definitivamente, pelo próprio Stalin. Diga-se de passagem, a desmoralização começou antes mesmo de Joseph Vissarionovitch Djugatchivili - que assim se chamava o monstro -, com Lênin.
 
Vladimir Illitch até que não matou muitos, afinal teve pouco tempo de vida no poder. Mas não tenhamos dúvida alguma: se mais longevo fosse, mais russos mataria. Nenhuma ditadura se mantém no poder sem matanças.

Mesmo com Stalin desmascarado, as esquerdas durante muito tempo quiseram preservar a imagem de Lênin. Mas a história é implacável e não há crime que não venha à tona, mesmo que tenha permanecido impune. Hoje se tem documentos de Lênin autorizando o fuzilamento dos Romanoff.
 
Mal assumiu o poder, já em 1920, Lênin tratou de destruir as aldeias dos cossacos e deportar os sobreviventes. Mais não matou porque desde 1922 estava fisicamente debilitado e morreu em 1924. No imaginário das esquerdas sobrou Trotski, que pouco matou porque não chegou a participar do poder. Mesmo assim, foi o responsável pelo massacre do Kronstadt.

Depois, tivemos Mao, o campeão (65 milhões de mortos) e os êmulos menores, Nicolau Ceaucescu, Envers Hodja, Pol Pot, Hoenecker. Mataram o que puderam.
 
Ao custo de milhões de vítimas - mais precisamente cem milhões de cadáveres - o século XX entendeu que aquela doutrina romântica do alemão iracundo do século XIX só resultava em miséria, gulags, assassinatos em massa.
 
Foram os líderes exponenciais do socialismo - não estou falando da social-democracia, bem entendido - que decretaram de uma vez por todas a morte da idéia socialista. Restam hoje os fantasmas ridículos de Castro e Kim Jong II, que embora tendo levado seus países à miséria, ainda contam com uma grande claque na imprensa internacional.

No Brasil, sempre na rabeira da História, os defensores destas idéias potencialmente assassinas do século XIX só chegaram ao poder ... no século XXI. Por duas vezes (em 35 e 64) tentaram chegar ao poder pelas armas.
 
Nada conseguiram, foram repelidos por forças melhor armadas. Com mais de um século de atraso, o PT, em cujo DNA estão os genes de Marx, Lênin, Stalin, Mao et caterva, consegue assumir o governo através do voto. Mas até aí já havia caído o Muro, a URSS estava esfacelada, o socialismo (como sinônimo de comunismo) desmoralizado.
 
Tarde demais para implantar ditaduras proletárias. Se fosse nos anos 80, quando o PT foi criado, quando a URSS arrotava e o planeta estremecia, talvez o continente todo hoje estivesse comunizado.
 
Vinte anos depois, o PT não tinha mais cacife para fazer do Brasil uma imensa Cuba.

Gozando do clima de um país onde a História do comunismo havia sido habilmente escondida a seus cidadãos, o sedizente Partido dos Trabalhadores (criado não por trabalhadores, mas por sacerdotes católicos e intelectuais uspianos), conseguiu realizar o antigo sonho comunista, colocar um operário no poder.
 
Operário mas não muito, já que o que menos fez em sua vida foi trabalhar. Mas tinha, pelo menos no início de sua trajetória, o perfil de um operário, e como operário continuou sendo considerado, mesmo após deixar de sê-lo. O Brasil estava salvo.

"Proletariado nosso que estás na terra, bendito seja teu nome, seja feita tua vontade, venha a nós o teu poder", dizia a prece revolucionária dos Construtores de Deus, movimento fundado por Gorki e Lunatcharski.
 
Mas os tempos eram outros. Já era um tanto démodé falar em proletariado ou luta de classes, burguesia ou socialismo.
 
Lula, o eleito, teve um vislumbre de bom senso e traiu sua classe - o tal de proletariado - e mesmo sua biografia.
 
Se antes combatia furiosamente o FMI, uma vez no poder passou a escorchar as classes média e baixa para aumentar o famigerado superávit primário, muito além do que o FMI esperava.
 
Se antes manifestava com ira sagrada sua ojeriza a bancos e banqueiros, transformou seu governo em um paraíso inesperado para bancos e banqueiros, que hoje encontraram num país do Terceiro Mundo o melhor dos mundos para viver.
 
Este nosso país incrível teve sorte. Foi preciso que a esperança dos proletários traísse o proletariado para que não caíssemos em uma economia miserável como a da Rússia, Cuba ou Albânia.

O Brasil teve sorte, mas apenas a sorte de não cair no abismo, o que não constitui avanço algum. Perspectiva nenhuma de afastar-se, um passo que fosse, do abismo.
 
O grande mérito de Lula é não ter feito nada do que propunha em sua campanha. Pelo contrário, acelerou a política econômica escorchante de Fernando Henrique, enfiou mais fundo a mão no bolso do contribuinte, particularmente no bolso dos velhos e aposentados, que sequer têm a possibilidade de fazer greve para defender-se.
 
Não bastasse isso, o PT montou o eficiente esquema de compra de deputados, hoje denunciado pela imprensa toda, em proporções jamais vistas na História deste ou de qualquer outro país.

Lula, como já se sabe através de inúmeros testemunhos, não ignorava esta corrupção generalizada de seu partido. Consciente dela, com sua inação deu aval para que continuasse.
 
PC Farias - que deu origem ao impeachment de Collor - nunca meteu a mão no bolso do contribuinte. Coletava o dinheiro sujo junto a empresas, que naturalmente esperavam cortesias de volta.
 
Delúbio Soares, o PC Farias do PT, compra deputados com dinheiro público e mais, com a conivência do presidente da República. Daquele que arrotava: em meu governo não se rouba nem se deixa roubar.

E aqui reside a grande contribuição de Lula e do PT ao país. Com a instituição do mensalão, estão desmoralizados de vez o partido e o presidente. O PT durou o que duram as rosas.
 
Mal chegou à maioridade - e ao poder - mostrou ao que vinha: o saque da nação e a compra de consciências. Tudo isto muito coerente com as suas origens leninistas-stalinistas: os fins justificam os meios. Se é que o PT ainda tem como fim algo que não seja a manutenção indefinida do poder.

Segundo Delfim Netto, o PT precisava chegar ao poder para que o Brasil ficasse vacinado contra o PT. Chegamos à hora da vacina e a honra de ministrá-la coube ao primeiro - e esperamos que último - operário a tomar as rédeas do país.
 
A administração de uma economia imensa e complexa, nestes dias em que vivemos, não é para o bico de um torneiro-mecânico malandro e sem maiores escrúpulos.
 
Neste Brasil sempre na rabeira, coube a Lula a honra de pôr uma pá de cal nos ideais desvairados do século XIX.
 
O PT, é verdade, já gerou um aborto, o PSOL. Talvez gere outros. Mas, no Brasil pelo menos, tais alucinados não conseguirão mais enganar o eleitor. (Eu, ateu, nestes momentos viro místico: que o bom Deus me ouça!) Quem votou no PT, a começar pelo funcionalismo público, hoje está se arrancando os cabelos. Só defende o PT, hoje, quem come milho em seu bornal.

A Lula, operoso coveiro do socialismo neste cantão da América Latina, meu eterno e comovido agradecimento.
 
 
Comentarios (3)Add Comment
de cara suja
escrito por Visitante, 2005-06-22 07:22:03
Finalmente vemos a cara suja do Brasil, por Arnaldo Jabor (muito bom!!!)
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Galera, é grande mas vale a pena!!!!!
Publicado em 21 de junho de 2005

Não sei o que vai nos acontecer. Ninguém sabe. Mas aprendemos muito sobre o Brasil com essa crise. É um esplendoroso universo de fatos, de gestos, de caras, de palavras que eclodiram diante de nossos olhos nas últimas semanas. Meu Deus, que riqueza, que profusão de cores e ritmos em nossa consciência política! Que prodigiosa fartura de novidades da sordidez social, tão fecunda quanto a beleza de nossas matas, cachoeiras e cachoeirinhas, nossas várzeas e flores. Estudos sociais, filosofias políticas, nada entra na cabeça do povo; mas as imagens na TV, nos jornais, penetram em nossa cabeça. Estas ficarão:

A mão displicente do Maurício Marinho pegando os três mil reais que surgem no canto do quadro e ele embolsa, deixando-a escorregar para dentro do paletó, com a calma de quem recebe um troco de cafezinho, e o espetáculo shakesperiano de Jefferson na Câmara, com sua camisa lilás de candomblé, tão Brasil, tão nosso, sua impecável ausência de suor, seu rosto frio, seus biquinhos, suas mãos ondulantes, a verdade e a mentira num longo beijo-de-língua, suas pausas dramáticas... ahhh... suas pausas que poucos atores ousariam, longas, criando a suspension of disbelief, a expectativa, culminando em dedos espetados, sorrisos sardônicos, e “Vossas Excelências” para todo lado e a maravilhosa evocação da cena de Jeff (cada país tem o Thomas Jefferson que merece...) sentado na privada conversando com o sorveteiro em Cabo Frio, e o referido sorveteiro-laranja-de-rádio carregando sua mulher de baby doll para a cama, e seus olhos de Ricardo III gordo fitando Waldemar da Costa Neto e Sandro Mabel e Pedro Correa e tantos e apontando-lhes o dedo, com a autoridade de um catedrático.

Oh... Deus, como temos aprendido nessas semanas com esse grande didata, maior que o predecessor PC Farias, revelando-nos esse mundo que se nos abre como uma máquina clara, e o suor desgrenhado de Waldemar e a lividez de Sandro Mabel se defendendo em nome dos filhos e dos seus 3.500 empregados mal pagos ouvindo tudo, gozando com sua desdita, e os rostos em pânico naquela sala do Congresso, caras de fuinhas, de furões, de cangurus, de tamanduás, rostos “goyescos” como nunca em Brasília, uma exposição de bichos covardes, uma feira agropecuária ali na Câmara. E as palavras solenes? “Minha honra”, “aleivosias contra mim”, “nobres deputados”, ostentando pureza, angelitude, candor, pudicícia, melindres, pejo, com palavras encobrindo a impudicícia, a pacholice, o despudor, a bilontragem nas cumbucas, o medo, o medo em todos os olhos, o rosto apavorado de Genoino ocultando a depressão do Delúbio e a carequinha falante do Marcos Valério de Minas, com tentáculos de bilhões, oh Senhor... quanto estamos aprendendo, vendo finalmente a secular engrenagem latrinária que funciona muito abaixo dos esgotos, dos encanamentos, abaixo das ilusões dos cientistas políticos da Pátria, a verdade muito abaixo do “cu-de-cobra”, os intestinos da política ao vivo, e a ex-mulher de Waldemar, Maria Chistina, em uma escada de ouro e bronze ameaçando cantar verdades sobre o ex-marido, tudo misturado num sarapatel, o amor, o sexo, o público e o privado no país, que delícia, que doutorado sobre nós mesmos, e o Genu, o recém-chegado “João Mercedão”, valete nos repasses na pensão do José Janene do “mensalão”, esse nome proxenético como uma menstruação, e os bens adquiridos e os súbitos aumentos de patrimônio, as declarações de renda falsas, os carrões, os iates, a casas com piscinas em forma de vaginas, as surubas lobistas no Lago Sul, os “fins justificando os meios” em dólar dentro de maletas pretas com a estrela vermelha do PT e os diagramas das estatais, as estatais endinheiradas com o afilhado desse aqui e ali o filhinho do outro e acolá o gatuno crapuloso, venéreo de fulano e sicrano e, sempre, em cada nicho, em cada buraco de rato, um ladravaz, um trabuqueiro na espreita. E as coxas da loura de Severino, a calcinha aparecendo e sua imensa mulher ogra esperando-o em casa com o cacete na mão?

E a sujidade, a porquidão, a espurcícia, a sebentice, a esterqueira, viajando diante de nossos olhos nacionais? E as ameaças de ações penais, as calúnias, injúrias e difamações e os danos morais, e as indenizações pretendidas, e a euforia de advogados, e as promessas a Jesus para proteger os salteadores em pânico, as mandingas, os “trabalhos”, os despachos, os banhos de descarrego, as galinhas mortas na encruzilhada e as esposas histéricas com as relações sexuais rareando em Brasília e a súbita tristeza no outrora eufórico Piantella, e o uísque caindo mal e as barrigas murmurantes, as diarréias, as prisões de ventre, as flatulências fétidas, os arrotos nervosos, os vômitos, tudo compondo o grande painel barroco sujo da nacionalidade e a merda... ah... a merda voltejando no ventilador, graças à sobra do Collor (Collor de namorada nova, sob as pragas de Rosane) e as lágrimas de Lula (sim ou não?), e as lágrimas de Dirceu, e as gargalhadas de Jeff em casa e as óperas berradas na janela, oh Alá, que beleza, e a certeza que eles têm de que não há aparelho do Estado, da Polícia ou da Justiça (ahhh...) que dê conta deste labirinto de escrotidões, e os contratos, subcontratos, aditamentos, troca-trocas e as antigas corrupções esquecidas, onde andará Maluf, onde Luís Estevão e os vampiros e a Usimar do Maranhão tão bem descrita por Sarney outro dia citando Antonio Vieira, que “alef” de maravilhas, onde tudo se conecta, desde a prefeitura de Petrópolis até a caixinha mais remota de uma rádio de Cabo Frio, tudo vindo a furo, (onde encontrar tanta beleza?) canetas Montblanc distribuídas por lobistas, motoristas com sacos de grana, unhas desencravadas, laranjas, “enrolations”, onde tudo isso, senão aqui, nesta terra abençoada por Deus? Onde encontrar tantos ladrões, pichelingues, pandilheiros, ratoneiros, agadanhadores, rapinantes, alfaneques, embusteiros, marraxos, quadrilheiros, flibusteiros? Onde?
...
escrito por Visitante, 2006-06-12 17:40:38
Morra o Criador desse site!!!!

Ass: o Capeta!!!!
Não como milho, nem sou ateu, mas voto em Lula, porque o voto é meu!
escrito por Cláudio Pedrosa, 2007-01-29 11:27:56
Tenho pena das tristes almas confinadas na ilusão das sombras que idolatram Arnaldo Jabor
... como se esse senhor oportunista, fosse alguma representação de vanguarda!
Lula, o ex-proletário - como quer o pobre Cristaldo, jornalista e tradutor (fico me perguntando do quê)
fechou a dívida com o FMI e enxotou aquelas saguessugas da mesa de reunião sem apelar para uso das armas...
VIVA A REVOLUÇÃO DO PROLETARIADO!!! CONTRA A NOVA DOMINAÇÃO, NOVAS FORMAS DE LIBERTAÇÃO



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