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Escrito por Cândido Prunes
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Sunday, 26 September 2004 |
Quem prestar atenção na propaganda eleitoral e já tive
a oportunidade de escutá-la em São Paulo e Rio de Janeiro
ou em medidas governamentais (em todos os níveis da
Federação) irá perceber que os partidos encontram-se em surto
esquizofrênico.
Eis alguns exemplos e suas respectivas classificações segundo a terminologia adotada no Manual de diagnóstico e estatística sobre doenças mentais (conhecido pela sigla DSM-III-R, de 1987), publicado pela Associação Psiquiátrica Americana :
• depois de uma diatribe contra o “capitalismo” e o “neoliberalismo”, o candidato defende “mais empregos”, sem explicar porque os investidores, sem capitalismo e instituições que assegurem a liberdade, iriam oferecê-los (falha óbvia de raciocínio);
• os candidatos propõe a criação de inúmeros programas que existem ou já existiram, só que com outros nomes (simbologia própria);
• surgem as mais incongruentes coligações ou apoios partidários, tanto a nível local quanto a nível Federal (incongruência afetiva);
• candidatos anunciam um cataclismo para a população caso não sejam eles os eleitos (evento ameaçador, resultado de alucinação);
• outros candidatos consideram-se vítimas de forças políticas “retrógradas”, “reacionárias”, ou de “urubus”(pensam que foram ungidos para derrubar uma conspiração);
• políticos defendem a criação de excrescências burocráticas, típicos da ditadura Vargas ou do ciclo militar, e dizem que elas garantirão a liberdade (contrariando a lógica normal).
Os exemplos poderiam ser multiplicados infinitamente. Mas há outras coincidências médicas que confirmam o diagnóstico de esquizofrenia: os partidos políticos brasileiros estão na adolescência, fase mais comum da sua manifestação. Os sinais não surgiram hoje, mas estão há tempos evidentes. E, pior, a situação dos pacientes parece deteriorar-se.
A reforma política seria o antídoto para essa epidemia que se instalou em Brasília. Infelizmente, no caso, é o próprio paciente que deveria prescrever o remédio. É por isso que essa tão falada reforma não tem a menor perspectiva de ser realizada. A medicina considera a remissão voluntária da esquizofrenia quase um milagre.
Cândido Prunes é vice-presidente do Instituto Liberal.
diegocasagrande.com.br
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