Dizia meu avô, velho caboclo da terras de Itapetininga, que se lhe derem um limão, faça dele uma limonada. É isto que estão fazendo com a desnutrição que atinge os índios e que vem matando crianças de nossas reservas, não importa de onde sejam, são nossos irmãos e são acima de tudo seres humanos.
O historiador Antonio Brandt, assim como o geógrafo Professor Laerte Tetila, hoje Prefeito Municipal de Dourados, culpam a exigüidade da reserva de Dourados pelas mortes e pela própria desnutrição como se em outras reservas muito maiores não ocorressem também mortes por desnutrição.
A verdade é que a política indigenista está errada e há muito tempo vem sendo determinada por parâmetros a nosso ver não adequados para índios que vivem prensados por duas culturas, como os que aqui vivem.
Em nossa reserva vivem caiuás e guaranis que são índios caçadores. Vivem numa reserva que durante anos foi devastada não restando mais nenhum capão de mato, por menor que seja, para que se cace. Rio piscoso eu não conheço nenhum que passe pela reserva.
Vivem também os terenas que são de etnia diferente de caiuás e guaranis, tribo tradicionalmente agricultora que não é da região e para cá foram trazidos com a desculpa de ensinarem guaranis e caiuás a trabalharem a terra.
A experiência não deu certo. Basta conhecer um pouco da vida de nossos índios para chegarmos a esta conclusão.
O limão da morte de crianças por desnutrição o historiador e o geógrafo querem fazer uma limonada que redunde em expansão da reserva, pelo que sentimos. Eles próprios sabem que a situação não é esta mas, pedir terras para índios rende "mídia" e, por conseqüência, votos.
A solução, apesar daqueles que se dizem "especialistas em índios" afirmarem que não pode ser feita sob pena da "desculturação dos índios, é a libertação destes nossos irmãos pela educação.
Vamos educar os jovens e firma-los nas diversas carreiras que nossos filhos se formam e integra-los à sociedade pela formação intelectual. Assim, teremos índios advogados, jornalistas, administradores de empresas, médicos sanitaristas, mecânicos, enfim, com formação universitária e mesmo técnicas além daqueles de profissões mais simples, como temos em toda a sociedade.
Aos velhos daremos proteção representada por atendimento de suas necessidades básicas: saúde, lazer, habitação e alimentação. Às mulheres também formação escolar e aquelas que forem casadas uma formação por meio de nutricionistas, dietistas e sanitaristas os ensinamentos básicos para um atendimento normal às crianças, sejam ou não seus filhos.
Assim, integra-los para salva-los.
Não me venham dizer que vivendo conosco e como nós vivemos, com as facilidades e as comodidades que a vida moderna nos propicia eles perderão sua cultura e identidade.
Temos exemplos de que isso não ocorre.
O povo judeu é o maior exemplo que temos no mundo de que esta perda não ocorre. Mesmo sem território, viveu espalhado pelo mundo durante séculos, sofreram perseguições inúmeras entre elas a da inquisição na Idade Média e o holocausto por parte dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e não perdeu suas tradições, seus usos e costumes, sua religião, suas danças e músicas, seu folclore e nem mesmo sua culinária.
Os japoneses vivam onde vivam matem suas tradições, sua música, seu teatro, sua língua, sua culinária, assim como chineses e coreanos.
Os nossos irmãos paraguaios, cuja colônia é grande em Mato Grosso do Sul, fazem-nos sentir o gosto de suas "chipas" (uma espécie de pão de queijo) e "sopas paraguaias" (uma torta de milho, cebola e queijos que apesar de sólida é chamada de sopa) e o sabor do "tereré"(erva mate com água gelada tomada na cuia como o chimarrão), fazem-nos ouvir e curtir suas "guarânias", "polcas" e "chamamés" e ainda usam suas roupas com "aho poy" (espécie de bordado fino que se aplica nas roupas, principalmente em blusas e camisas) e encher o ar com o som rascante da língua guarani.
Gaúchos e nordestinos, da mesma forma, cultivam suas culturas nos seus centros de tradições e não perdem seus laços.
Nos Estados Unidos e no Canadá as tribos do norte, assim como as do sul, em suas reservas, hoje também pequenas para a população, administradas por eles mesmos lhes dão lucros e algumas tribos são milionárias. Usufruem as vantagens das duas raças. Da sua e da do conquistador. No Alaska os esquimós vivem com seus irmãos franceses e ingleses como se uma só raça fossem e se dão muito bem.
Deveria ser assim aqui. É só deixarem as coisas fluírem sem interferências e aplicarem a política correta.
Será assim.
Luiz Carlos Mattos, é advogado e jornalista. Representante do Sinjorgran junto à Fenaj. E-mail:
Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso