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Escrito por Eduardo Phillipe   
Wednesday, 18 May 2005

 "Madame Bovary, de Flaubert, fala muito mais da França de 1848 que 18 Brumário de Karl Marx" (Paulo Francis)

Eu sou um feminista - fanático, até. Leio tudo à respeito e, sempre que estou diante de uma câmera de televisão, pego logo uma foto da Gisele Bündchen para dar-lhe boas chineladas.

A grande maioria feminista entende o feminismo como uma luta contra a dominação secular do homem, que sempre subjugou a mulher e sua capacidade.

A virada do jogo começou no século XIX, na revolução industrial que, com efeito, alterou os eixos sociais, possibilitando assim, a contestação dos valores e, por que não, a tal dominação do homem.

A questão é que a grande maioria feminista está redondamente enganada. O homem nunca dominou coisa alguma. É tão difícil de enxergar isto?

A mulher sempre o controlou, sempre foi superior. Seja ela mãe, mulher ou filha. O homem é corruptível demais, superficial, cartesiano e inocente.

Se perde, constantemente, no orgulho masculino de superioridade pela força. Impossível dominar alguma coisa por muito tempo sendo desse jeito.

Alguém que concordaria comigo é Flaubert.

Gustave Flaubert foi um escritor francês do século XIX. Um realista. Na minha listinha de leituras, seus livros sempre ocupam os primeiros lugares. Sua melhor obra chama-se Madame Bovary.

Levei vinte horas para lê-lo. Vinte horas é tempo demais para se ler 260 páginas. Entretanto, Flaubert tem uma escrita exigente; muito detalhista. A história, em si, se confunde no meio de descrições. Esta é uma característica de Flaubert que pode irritar os leitores menos pacientes.

A história se passa no interior da França. A Madame Bovary é Emma, mulher de Charles Bovary, um recém-formado em medicina que podia dar-lhe algum conforto.

O adultério é um tema constante na obra. Charles era tedioso e lerdo; Emma era o tipo de garota nojentinha, que considera o mundo medíocre, mas seus picos de imbecilidades surpreenderiam Freud.

Jamais trabalhou; passava o dia lendo romances românticos e, talvez pela sua falta de vivência, não conseguia separar a realidade da fantasia.

Desta forma, procurava em amantes a sua felicidade, mas nada a satisfazia. A única personagem sensata na obra era a Sra. Bovary, mãe de Charles. Assim como ela, eu acredito que o problema de Emma era falta do que fazer. E, talvez, até falta de algumas palmadas quando criança.

Duvido que Charles nunca tenha cogitado que sua mulher o traia. Mesmo assim, mesmo Emma sendo tão leviana, Charles sempre atendeu seus pedidos. Sempre foi submisso.

E permitiu que ela arruinasse sua família. Flaubert demonstrou o poder da mulher. Ele era um feminista como eu.

Se estivesse vivo, com certeza daria boas chineladas nas fotos da Gisele Bündchen.

Eduardo Phillipe, cursa Economia. Alinhado à direita liberal, é influenciado por personalidades do calibre de Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen, Friedrich Hayek, Ludwig von Mises, Locke, Paulo Francis e Olavo de Carvalho. Profissionalmente engajou-se na área de publicidade. Seu site: http://eduphillipe.blogspot.com email:  Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso

Comentarios (4)Add Comment
duvideodo
escrito por Visitante, 2005-05-19 08:19:06
rsrsrs não naõ!!! eu assistí a um filme da obra, só não me recordo do nome. E tenho certeza de que ele não daria boas chionelas na Gisele. é simples: mesmo que ele quisesse, ele era submisso e permissivo demais para tal.
Madame bovary
escrito por Visitante, 2005-05-19 08:44:45
Achei legal. Os filmes adaptados da obra so uma porcaria. Perdem-se em jorgeamadismos bestas e dispensveis. E acho que ele estava falando de Flaubert e n㡣o do mdico. Este sim era submisso.
Emma Bovary
escrito por Visitante, 2005-06-17 16:32:07
Madame Bovary é uma obra que trata sobre adultério, mas não é o tema central da obra. Gustave Flaubert personifica em Emma Bovary, a marca da transição que a França passava no período, (período pós revolução francesa e período napoleônico) que estava marcado pela ascenção da burguesia que passa a ditar os valores.
Emma é um grão de areia nesse meio, ela vive em busca de algo, que nem ela mesmo sabe o que é, acabar com essa busca através dos amantes, mas não consegue, tenta através da religião, mas também não encontra conforto. Emma busca os valores da sociedade, que não mais existem, pois trata-se de uma sociedade vazia.
Assim Emma Bovary é mais uma vitíma que uma vilã. Pode-se dizer que Emma é humana em dois momentos do romance, quando sente uma angústia no jantar com seu marido Charles e principalmente quando comete suicídio.
...
escrito por Visitante, 2005-07-13 19:35:57
Nunca li um artigo com compreenso to superficial da obra. Desista de escrever.




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