"Madame Bovary, de Flaubert, fala muito mais da França de 1848 que 18 Brumário de Karl Marx" (Paulo Francis)
Eu sou um feminista - fanático, até. Leio tudo à respeito e, sempre que estou diante de uma câmera de televisão, pego logo uma foto da Gisele Bündchen para dar-lhe boas chineladas.
A grande maioria feminista entende o feminismo como uma luta contra a dominação secular do homem, que sempre subjugou a mulher e sua capacidade.
A virada do jogo começou no século XIX, na revolução industrial que, com efeito, alterou os eixos sociais, possibilitando assim, a contestação dos valores e, por que não, a tal dominação do homem.
A questão é que a grande maioria feminista está redondamente enganada. O homem nunca dominou coisa alguma. É tão difícil de enxergar isto?
A mulher sempre o controlou, sempre foi superior. Seja ela mãe, mulher ou filha. O homem é corruptível demais, superficial, cartesiano e inocente.
Se perde, constantemente, no orgulho masculino de superioridade pela força. Impossível dominar alguma coisa por muito tempo sendo desse jeito.
Alguém que concordaria comigo é Flaubert.
Gustave Flaubert foi um escritor francês do século XIX. Um realista. Na minha listinha de leituras, seus livros sempre ocupam os primeiros lugares. Sua melhor obra chama-se Madame Bovary.
Levei vinte horas para lê-lo. Vinte horas é tempo demais para se ler 260 páginas. Entretanto, Flaubert tem uma escrita exigente; muito detalhista. A história, em si, se confunde no meio de descrições. Esta é uma característica de Flaubert que pode irritar os leitores menos pacientes.
A história se passa no interior da França. A Madame Bovary é Emma, mulher de Charles Bovary, um recém-formado em medicina que podia dar-lhe algum conforto.
O adultério é um tema constante na obra. Charles era tedioso e lerdo; Emma era o tipo de garota nojentinha, que considera o mundo medíocre, mas seus picos de imbecilidades surpreenderiam Freud.
Jamais trabalhou; passava o dia lendo romances românticos e, talvez pela sua falta de vivência, não conseguia separar a realidade da fantasia.
Desta forma, procurava em amantes a sua felicidade, mas nada a satisfazia. A única personagem sensata na obra era a Sra. Bovary, mãe de Charles. Assim como ela, eu acredito que o problema de Emma era falta do que fazer. E, talvez, até falta de algumas palmadas quando criança.
Duvido que Charles nunca tenha cogitado que sua mulher o traia. Mesmo assim, mesmo Emma sendo tão leviana, Charles sempre atendeu seus pedidos. Sempre foi submisso.
E permitiu que ela arruinasse sua família. Flaubert demonstrou o poder da mulher. Ele era um feminista como eu.
Se estivesse vivo, com certeza daria boas chineladas nas fotos da Gisele Bündchen.
Eduardo Phillipe, cursa Economia. Alinhado à direita liberal, é influenciado por personalidades do calibre de Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen, Friedrich Hayek, Ludwig von Mises, Locke, Paulo Francis e Olavo de Carvalho. Profissionalmente engajou-se na área de publicidade. Seu site: http://eduphillipe.blogspot.com email:
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