Diogo Mainardi disse na Revista Veja desta semana que pagaria 15.000 reais para não vir a Cuiabá fazer uma palestra. Porque Cuiabá contrataria Diogo Mainardi para fazer uma palestra?
Não vejo motivos aparentes, afinal, uma palestra se contrata quando tem a intenção de acrescentar algo a alguém. Um palestrante é bom quando passa conhecimento, quanto tem conhecimento a passar.
Mirian Leitão é comentarista econômica, para tanto ela é formada em jornalismo e especializou-se em áreas como política externa, economia e política interna. Ela, eu contrataria.
Dimenstein é jornalista e, através de uma bolsa de estudos oferecida pela McArthur Foundation, investigou a violência e prostituição da criança na Amazônia entre 1991 e 1992. Tem o que passar a uma platéia. É um “contratável”.
Carlos Heitor Cony é escritor de vários livros. Sempre foi uma pessoa atuante. Já esteve no seminário, na faculdade de filosofia, foi perseguido e censurado pela ditadura militar, o que lhe rendeu uma indenização vitalícia fenomenal, fato que, mesmo que não fosse Carlos Heitor Cony, já me bastaria para contratá-lo para contar como conseguiu essa indenização. Eu o contrataria.
Arnaldo Jabor é cineasta e jornalista. Foi atropelado pela política de Collor de Melo que sucateou a produção cinematográfica nacional e o levou para os jornais, onde passou a ser um comentarista de estilo próprio. Com seu jeito irônico de relatar os fatos da atualidade brasileira é seguido e copiado, inclusive por Diogo Mainard. É autor da crônica “O amor deixa a desejar” que inspirou Rita Lee a gravar uma música linda. Seria facilmente contratado por mim.
Mas Diogo Mainardi, o que passaria para uma platéia? Nada, decididamente, nada!

Diogo Mainardi
Não tem formação profissional, é escritor de meia dúzia de livros totalmente dispensáveis, roteirista de dois filmes pífios e fracassados, alimenta um estilo disforme que vai da ironia à demência, passando pela agressividade gratuita.
O que lhe dá certa notoriedade são os artigos que escreve no fundo da Revista Veja. Até gosto de alguns dos seus textos, geralmente aqueles que são escritos fora da crise de hemorróida cerebral, mal que o atinge quase que frequentemente.
Mainard não tem proposta, tem, na verdade, a alma petista, daqueles “puro sangue”, que é contra porque é contra, critica porque é o seu único ofício. Ele escreve em causa própria, afinal, não gosta do brasileiro e despreza o Brasil.
Porque contrataria Diogo? Ora, ele é o grande blefe do jornalismo. Entrou no programa no lugar de Paulo Francis e foi um desastre. Mostrou-se sem conteúdo oral. O máximo que conseguia proferir era que Lula não prestava.
Básico! Não tem conhecimento para propor nada, apenas para reclamar. Age como aquele professor mal humorado que rosna para impedir que os alunos o interpelem.
Passou por duas vezes pela faculdade de economia e não conseguiu terminar nenhuma delas. Nunca foi ativista político e diz ter horror a isso.
Seu conhecimento se iguala ao do presidente Lula, apenas experiência de vida. O que o difere dos petistas é seu nível social. Mainardi é um “recalcado social” da classe média, sem motivos, apenas por achar engraçadinho.
Claramente pode-se notar, que Mainardi nutre uma profunda mágoa e frustração por não ser igual a Ivan Lessa nem a Paulo Francis, seus dois grandes ídolos.
Diogo não teria o que passar para uma platéia em Cuiabá, no máximo ele seria útil se proferisse algo a Lula. Este sim, teria algo a aprender com o Diogo. Taí, achei uma utilidade para ele!
Quer saber? Eu pagaria 20.000 reais para que Diogo permanecesse em sua casa navegando na internet, que é o que realmente sabe fazer bem.
Adriana Vandoni Curvo, é economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas / RJ. Articulista do Jornal A Gazeta – Cuiabá / MT. E-mail:
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O estilo de Mainardi é utilizar o cinismo, a ironia, o exagero e a ridicularização para nos fazer ver o que nos passa desapercebido todos os dias. A maioria de nós estamos tão presos à realidade (brasileira) e estamos tão saturados do discurso ufanista que não percebemos o ridículo pelo que passamos todos os dias.
Não signfica necessariamente que ele odeia o Brasil. Significa que há tantos que elogiam o país, que ficam cegos (e deixam os outros cegos) para as situações ridículas que passamos. Então ele se dispõe a cumprir o papel (desagradável) de tirar sarro dele mesmo e de nós para que nos apercebamos da realidade. Ele é aquele insuportável que diz "O rei está nu!".
Nesse artigo, particularmente... ninguém acha ridículo o Arnaldo Jabor dar a mesma palestra para públicos tão distintos, uma palestra sobre um assunto que não diz respeito à nenhum dos eventos? Isso não é sintoma de nossa "caipirice", de tentar copiar o "primo da cidade" EUA e passar por esses vexames? E todos os outros? Não parece evidente o quão é ridícula essa situação?
Paulo Francis, antecessor de Mainardi dizia que o "nordeste ainda está no século XVI". Não é hipocrisia defender as "belezas naturais" do Nordeste, quando as "belezas naturais" que interessam os turistas são as menores de idade e os policiais que são coniventes? Não é hipocrisia defender o país como destino turístico quando dois turistas ingleses foram espancados no Rio?
Que tipo de pátria é essa de Severinos, prostituição infantil, violência desmedida, gente mal-educada, ignorante e desonesta?
Mainardi preenche um papel necessário com maestria. Não faz parte desse papel dar soluções ou ser coerentes, apenas despertar em nós um sentimento de ridículo tão intenso que nos conscientiza todas as implicações de ser brasileiros."