Sintomática uma declaração feita pelo ex-embaixador dos Estados Unidos na ONU Ken Adelman, onde ele afirmou que o Brasil faz parte do "eixo do mal da propriedade intelectual", ao lado da China e da Índia.
Na opinião do ex-embaixador, publicada no jornal "The Washington Times", o governo Bush não deve considerar o Brasil “um bom parceiro”.
Adelman não estava se referindo apenas à pirataria, mas à postura histórica do presidente Lula, considerado por ele o "chefe do grupo" dos homens fortes da América Latina e "um crítico sem restrições da riqueza dos EUA".
Segundo este bitolado, o Brasil deve ser visto como uma ameaça tanto quando Cuba e Venezuela, pois os "laços comunistas” de Lula “equivalem aos de Chávez".
Em março deste ano o senador norte-americano Norm Coleman, durante o seminário "Brasil contra a Pirataria", promovido pela Federação da Indústria de São Paulo, ameaçou, por causa da pirataria, excluir o Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP).
Esse é o mecanismo que permite que alguns produtos entrem no mercado norte-americano isentos de tarifas. Atualmente, o Brasil exporta aos Estados Unidos por SGP cerca de US$ 3,4 bilhões por ano.
Mais que sintomática, eu diria que essas duas observações são preocupantes para o Brasil, afinal, ser considerado “eixo do mal” por uma nação reconhecidamente belicista (não apenas no seu significado de luta armada, mas também comercial) é algo para se pensar.
Lula nos deixou sem uma identidade.
Não somos de esquerda, pois ele desdisse com atitudes tudo que sempre pregou e não somos de direita, pois ele mantém e gosta de propalar as estreitas relações com líderes e nações esquerdistas.
O que Lula pensa, dentro do seu limitado pensar? Afinal, qual é o posicionamento do governo brasileiro? Qual o objetivo da sua política externa?
Está certo que historicamente o Brasil sempre adotou uma postura neutra, mas neutralidade é completamente diferente de dualidade. A política externa do governo PT tem sido pró-ativa e dualista e isso, até pela nossa inferioridade econômica e militar, não é possível.
Este governo tem até o direito de apoiar o companheiro Chávez, venerar o ídolo Fidel Castro, ou mesmo, logo após ter criticado os EUA, chamar de "companheiro e amigo" o ditador Líbio Muamar Kadafi, reconhecido apoiador de terroristas.
Pela auto-determinação dos povos, temos o direito a tudo isso, mas imaginar que é possível manter relações afetuosas com, por exemplo, o ditador Kadafi, opressor do povo líbio, ou “libanês”, como disse Lula do “alto” da sua sabedoria, e ao mesmo tempo querer ser o queridinho dos Estados Unidos é, no mínimo, ingenuidade.
A política externa formulada por Lula e pelo Ministro das Relações Exteriores é confusa e caótica. Eles acham que podem circular livre e impunemente entre o sagrado e o profano e baseados nisso, inventaram agora o circo de “integração ampliada”, a tal “Cúpula América do Sul - Países Árabes”.
Com a intenção de “desenhar uma nova geografia econômica e comercial internacional”. “Traçar novos rumos na busca do desenvolvimento, sem desconsiderar caminhos tradicionais, mas com autonomia, criatividade e ousadia”.
Há duas semanas, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, demonstrou preocupação com a realização do encontro, mas o Ministro Celso Amorim tranqüilizou-a dizendo que a intenção não é confrontar EUA e Israel.
Disse que seria um encontro de cunho meramente econômico, não político. Mas depois desdisse com a frase: "É impossível uma reunião ministerial que não tenha aspectos políticos".
Esse é mais um daqueles sinais de despreparo e amadorismo deste governo baseado no subconsciente “lulaiano” de onipotência e onipresença. Só rindo para não chorar.
Adriana Vandoni Curvo, E-mail:
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Marcia Curvo
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