Esta linda, bela, reluzente abóbora, está aqui, ocupando espaço visual e banda, para cumprir uma importante missão: fixar nas nossas mentes que enquanto uma minoria luta para melhorar o Brasil, para elevar o nível cultural, social, econômico da população, uma massa poderosa faz exatamente o oposto.
Deve haver muita gente interessada em manter o circo pra economizar o pão, em perpetuar a ignorância pra facilitar a venda de porcarias (que vão de conceitos a produtos, passando por lavagem cerebral), porque o Santo Abobral não para de crescer.
Se de um lado a gente até ri um pouco, benevolentemente classificando de 'trash' tudo o que é de fato, porcaria, por outro lado estamos vendo que o nada está destruindo tudo.
Minha TV está desligada mas há poucos minutos, dei um giro para ver o que ocupa o horário nobre deste poderoso e sensacional veículo de comunicação.
Dá pena.
Dá pena da gente, da falta de perspectiva em relação ao futuro.
Dá pena de ver que muita gente que já foi cerebralmente lavado, defende a porcaria como um alcóolatra defende a bebida.
Tem dias que a gente sente um imenso desalento e começa a raciocionar como um rapaz de quem ouvi falar hoje. Um raciocínio simples, básico, egoística, mas eficiente: tudo bem que tá tudo uma merda e a coisa vai explodir.
Mas se demorar vinte anos pra explodir, beleza, é o tempo que eu tenho pra fazer uma carreira, guardar dinheiro e mandar o mundo pro inferno.
E não é só a TV, não, é tudo: nunca ouvi tanto papo furado e achismo no rádio, tanta gente incompetente e mal preparada, desinteressante, nunca vi tanta abobrinha em revistas.
Na web, onde a oferta é muito grande, é possível encontrar de tudo. Mas também tem muita bobagem nos portais, que também vai em busca da massa que só consome besteira.
Besteira é bom, mas só besteira, é como comer só no McDonald's. Mata.
É pensando assim que vamos, todos, para lugar nenhum. Ou talvez, para um lugar bem pior, daqueles cujo nome a gente não deve nem publicar.
Rosana Hermann, é Jornalista
queridoleitor
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