Vejam a canalhice: o Comitê Executivo da Conmebol
(Confederação Sul-Americana de Futebol) reuniu-se nesta quinta e reiterou a
bobajada de que tudo o que acontece no futebol deve ser julgado por tribunais
desportivos.
Sem nem sequer citar o argentino Desábato e o brasileiro Grafite, a vetusta instituição afirma que "Os órgãos disciplinares do esporte são os encarregados de julgar os atos que violam as regras de jogo da moral em campo, dentro das quais encontra-se o racismo". Parabéns!
Julgá-los-ão quando mesmo?
Obviamente é mais fácil que o Guarani do Inagaki ganhe a Libertadores da América que o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) puna algum dia um crime de racismo.
Todo mundo que acompanha futebol com um mínimo de senso crítico sabe que o chavão de que nada do que ocorre dentro das quatro linhas deve ser tratado por tribunais não-desportivos só serve para perpetuar o poder da cartolagem corrupta.
O documento insultante vem assinado pela cúpula da Conmebol, incluindo-se o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, o mesmo que, depois do incidente com Grafite e Desábato, bateu no peito para dizer que racismo era inaceitável no Brasil. O link é este.
A minha pergunta é: onde está o Ministro dos Esportes agora?
Onde está ele quando precisamos que diga ao sr. Ricardo Teixeira que ele está assinando na Conmebol um documento que contraria a lei brasileira, que prevê que o racismo é crime inafiançável e não é julgável por tribunal desportivo?
Onde está a anta albanesa, que no dia do incidente quis ganhar pontos políticos fazendo cartinha que atacava um jogador argentino que estava atrás das grades?
Onde está o pior ministro dos Esportes da história agora que a lei requer que ele contrarie seus amiguinhos da CBF?
A confederação sul-americana implicitamente critica a vítima, o presidente da CBF assina embaixo e o ministro se cala, como vem se calando há tempos sempre que se trata de contrariar a cartolagem.
Enquanto isso, as agressões racistas continuam acontecendo.
Não há dúvida: a gestão do futebol no governo Lula é um desastre. Todo o trabalho de José Luiz Portella foi jogado por terra.
Quanto ao clube argentino, sem dúvida o episódio baqueou os caras. Depois de perderem para o River Plate por 4 x 0 pelo Campeonato Argentino, foram ontem eliminados da Libertadores na Bolívia com gol contra de Desábato. Esse rapaz realmente entrou num período duro da vida.
Idelber Avelar, é professor na universidade de Tulane, em Nova Orleans, ensina a literatura e a cultura latina americana, música popular brasileira. Escreve sobre política, música, futebol e literatura, no weblog: "O Biscoito Fino e a Massa". Contato:
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