Mudei a minha idéia a respeito do Lula e ele mudou sua idéia a meu respeito. Não apenas a meu respeito, como a respeito do povo brasileiro, de um modo geral. Agora, ele tem uma visão mais realista.
No primeiro discurso eu pensei que fosse sorte. No segundo, que sopraram. No terceiro eu me convenci. Lula evoluiu.
Depois de finalmente concluir que somos atrasados, inseguros, truculentos e preguiçosos, fico quase chateado por não ter apertado 13 na urna.
A evolução de Lula ficou evidente quando ele notou que a população não "levanta o traseiro". Principalmente a classe média. Oras, a gente é acomodado assim mesmo. A gente é conformista. Obsequioso.
Será que ele nunca percebeu isso antes? Todas as grandes manifestações foram induzidas pelo próprio governo.
A última maior manifestação foi a dos caras-pintadas. Será que ele acreditou que jovens, cuja maior atividade intelectual era assistir aos thundercats na Rede Globo, derrubaram um presidente?
Em visita à África, Lula pediu desculpas pela nossa tirania nefasta de escravizar negros. Até onde me consta, os europeus davam algumas bugigangas aos reis negros em troca de negros prisioneiros. Uma questão mais relativa do que acha Lula.
E ele ainda completou dizendo que as crises africanas se deram ao fato de termos tirado, durante séculos, os mais fortes negros da África.
Ora, não é preciso muito treinamento intelectual para concluir que, segundo Lula, só ficaram os fracos por lá.
O problema é que essa sua teoria é bem fraquinha pois o Brasil recebeu as maiores levas de negros escravos e não possuimos um perfil propriamente de país próspero.
Afinal, seria curioso ver um europeu-médio, invadindo a África sub-saariana, numa temperatura de agradáveis 50 graus, combatendo leões, hienas, elefantes e correndo atrás de tribos selvagens para capturar escravos ao velho estilo Indiana Jones de aventura.
Eventualmente, Lula parece se interessar pela história do Brasil. No Rio, ele não hesitou para expor suas graciosas opiniões sobre o colonialismo brasileiro.
Ele resumiu todo o nosso atraso a um psicologismo rasteiro de submissão que, segundo ele, "botaram na nossa cabeça".
Ele falou a verdade. Deveria ter mentido. Seria mais fácil de engolir esse seu nacionalismo lunático de auto-afirmação que diz "sou brasileiro e não desisto nunca". Nada contribuiu mais para a submissão do brasileiro como esse nacionalismo chinfrim.
É a mesma política totalitária de manipulação dos 1930. É o mesmo papo-furado. O mesmo paternalismo que atrofiou o Brasil com a promessa de um desenvolvimento miraculoso que nunca chegou.
Mas para o PT, o desenvolvimento está aí. Para todos verem. Em 1970, o IDE brasileiro era três vezes maior. Desmanchou na primeira crise mundial que apareceu, levando o Brasil a uma convulsão inflacionária nos 1980.
O governo Lula não enfrentou nada disso. Não houve dialética.
Lula, agora evoluído, deve saber disso. E, se evoluir mais um pouco, com alguma sorte, talvez desista de sua reeleição. Talvez. Com alguma sorte.
Eduardo Phillipe, cursa Economia. Alinhado à direita liberal, é influenciado por personalidades do calibre de Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen, Friedrich Hayek, Ludwig von Mises, Locke, Paulo Francis e Olavo de Carvalho. Profissionalmente engajou-se na área de publicidade. Seu site: http://eduphillipe.blogspot.com email:
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