Quando do descobrimento, o Brasil era totalmente povoado por índios. Atualmente, eles representam apenas cerca de 0,2% de toda a população brasileira. “Vivemos uma nova realidade e eles precisam de recursos para projetos sustentáveis”, Angela Pappiani.
Os dados são da Fundação Nacional do Índio - Funai, órgão federal responsável pelas questões indígenas no País.
Coordenadora cultural do Instituto de Desenvolvimento das Tradições Indígenas - Ideti, Angela Pappiani, acredita que o grande desafio, hoje, é integrar os índios à sociedade, respeitando sua diversidade e diferenças culturais.

Com 3 anos de existência, o Ideti é uma organização não-governamental criada e dirigida por índios, que tem como objetivo preservar e divulgar a cultura e o conhecimento dos povos indígenas.
Entre os projetos desenvolvidos pela ong está o 'rito de passagem' que procura levar para o meio urbano um pouco das tradições e costumes desses povos.
No último evento, estiveram presentes os bororo, karajá, kaxinawá, mehinaku, xavante e ainu (do Japão).
Índios mehianaku do Parque Nacional do Xingu, no Mato Grosso
Falta qualidade de vida
A falta de infra-estrutura é um problema recorrente nas nações indígenas, afetando tanto os índios que moram no interior do País como os que vivem nas grandes cidades. O líder dos bororo, tribo do cerrado mato-grossense, Paulo Merisureu, se surpreendeu com a situação dos guarani da capital paulista.
“Eles vivem pior que a gente. É uma irresponsabilidade do governo, irresponsabilidade de todos”, lamentou Paulo.
Os guarani se mantêm do artesanato que produzem e de doações. Paulo conta que em sua tribo muitos índios idosos têm morrido por falta de assistência. “Não basta dar o remédio, tem de dar condições para o índio viver”, analisou.
Os bororo também vivem do artesanato. A tribo mantém uma espécie de mercado, onde o artesanato é trocado por mercadorias. O que é arrecadado é vendido em Brasília, em Cuiabá (MT), no Mato Grosso do Sul e, às vezes, é encaminhado para a loja da Funai, em São Paulo.
"Ninguém respeita aquilo que não conhece. Precisamos mostrar quem somos, a força, a beleza, a riqueza de nossa cultura. Só assim vão entender e admirar o que temos." Wabuá Xavante
Alguns membros dos bororo criaram a Associação Projeto Equipe Meri Oue, que tem como objetivos o resgate da cultura, a realização de projetos econômicos e a fiscalização territorial. O principal projeto da associação é a criação de uma nova aldeia tradicional.
“Queremos apresentar nossa cultura para atrair propostas. Vamos criar uma aldeia ecoturística porque o que temos hoje não é aldeia. A nova aldeia vai atrair turistas e recursos para governarmos o território”, afirmou o líder bororo.
De quem é a culpa?
Para Angela e Paulo, o governo federal é muito omisso na questão indígena e não tem cumprido o papel de assistência. Mas não é só o governo que recebe críticas.
Segundo a coordenadora cultural do Ideti, as pessoas, de vez em quando, fazem um abaixo-assinado, mas falta um trabalho de longo prazo, e as empresas têm preconceito com os índios, associando sua imagem à pobreza e miséria.
Angela diz ainda que houve muitas conquistas nos últimos anos, com terras demarcadas, organizações indígenas, mas falta muito caminho a trilhar pela frente.
Nos futuros planos do Ideti estão a criação de um centro cultural na capital paulista, que vai levar mais informação para a sociedade sobre as questões indígenas. Também deve ser criado uma editora para criação de livros com os pensamentos dos índios.
Série Etnias - fotografias de Helio Nobre retratando seis povos indígenas diferentes: Tukano, do alto Rio Negro no Amazonas, Krikati, do sul do Maranhão, Karajá da Ilha do Bananal em Tocantins, Mehinaku, do Parque Nacional do Xingu, Xavante de Mato Grosso e Guarani de São Paulo.






Mais informações sobre os povos indígenas podem ser adquiridos nos sites do Instituto www.ideti.org.br e da Funai www.funai.gov.br.
Para contribuir com os bororo entre em contato com a Missão Salesiana Meruri (Bororo) pelo telefone (66) 416-1172, ou pelo endereço Território Indígena Bororo Boe-Meruri, Município de General Carneiro, Mato Grosso, CEP 78620-000. Sobre os guarani de São Paulo, procure a Associação Indígena Guarani do Pico do Jaraguá no telefone (11) 5526-2363.
ecopress
1, 2, 3 INDIOZINHOS...
4, 5, 6 indiozinhos. 7, 8, 9 indiozinhos. 10, 11, 12 indiozinhos, todos com inanição. Essa poderia ser a música da macabra mortandade infantil de índios brasileiros. Apesar de irônica, é a forma de expressar toda consternação que está contagiando os brasileiros. De quem é a culpa?
Para Mércio Gomes, presidente da Funai, a culpa é da Funasa. Segunda nota divulgada pela Funasa no dia 28/02/05, foram realizadas avaliações e não foram diagnosticados casos graves de desnutrição. Humm!
Humberto Costa, ministro da saúde, acha que nada está acontecendo. Para ele a mortandade está dentro da normalidade Melhor pensar assim, pois, com o corte de aproximadamente R$ 16 bilhões feito pelo Governo Federal ao orçamento deste ano, as despesas com saúde ficarão R$ 440 milhões abaixo do montante necessário para cumprir as exigências da Emenda Constitucional 29, aquela que assegura os recursos mínimos para o financiamento das ações e serviços públicos de saúde (de acordo com nota técnica da Comissão Mista de Orçamento – 10/03/05.
Já o deputado federal por Mato Grosso do Sul João Grandão (PT), acha que essas mortes são irrelevantes diante das benfeitorias já feitas desde que Lula assumiu o governo. Para o chefe do Distrito Sanitário Especial Indígena Xavante, Paulo Félix, as dificuldades culturais ajudam a explicar o mau resultado do distrito.
Contradizendo-o, o médico Douglas Rodrigues, coordenador do Projeto Xingu, da Universidade Federal de São Paulo, há 40 anos na área, o argumento de que a cultura de cada etnia dificulta o trabalho, é falacioso. Dá pra entender?
Na opinião de lideranças Guarani-Kaiowá, divulgada através de um texto no dia 06/03/05, apesar de estarem muito tristes com “a morte de dezenas de nossas crianças nestes últimos meses”, “na raiz desta situação está a falta de terra”.
Mas parai, do total do território nacional, 130 milhões de hectares pertencem a reservas indígenas, para uma população de 390 mil índios. Isso equivale a 12% do território nacional e a uma densidade demográfica de 0,0038 índios para um hectare ou, uma “densidade territorial” de 364 hectares para cada índio.
No texto, as lideranças dizem que: “as soluções vão muito além da distribuição de alimentos e de cestas básicas... Hoje vivemos dependendo de assistencialismo do governo (Lulaaa, até índio está chamando seu governo de assistencialista).
Precisamos de condições para voltar a produzir nossas roças de mandioca, batata, cana, banana, cará, milho, feijão, arroz...”.
Mas está faltando terra para fazer a roça? Levantamentos da Associação dos Produtores de Amido de Mandioca, no Brasil a produtividade média da mandioca é de 18 toneladas por hectare.
Então o problema não é falta de terra. O problema está em uma política distorcida que pretende fadar o índio a viver da mesma forma que vivia em 1.500 quando o Brasil foi descoberto.
Só que o mundo mudou, nós mudamos e a forma de pensar do índio também mudou. A maior parte das terras indígenas está localizada em áreas de grande potencial de riqueza.
É inadmissível pensar que o índio vai viver da pesca e da caça depois de se aculturar. Cria-se ai um circulo vicioso de sublocação de terras para exploração de madeira e pedras preciosas que saem do país ilegalmente e, em muitos casos, com a conivência ou sob o comando de funcionários federais.
A quem interessa manter esse modelo de tutela ineficiente, incompetente, corrupta e cruel? Onde estão os direitos humanos? Onde está Nilmário Miranda?
Apesar de serem índios, são humanos e estão morrendo de falta do que comer. Onde está a porcaria do Fome Zero? Frei Betto levou?
Seria essa mortandade alguma das inovações trazidas por Nilmário da China, país onde existe a "Tortura endêmica".
Todos estão tirando os seus da reta, mas o art. 2º do Anexo I - Decreto nº 564 diz: “A FUNAI tem por finalidade apoiar e acompanhar o Ministério da Saúde e a Fundação Nacional de Saúde nas ações e serviços destinados à atenção à saúde dos povos índígenas”.
Queria perguntar ao Senhor Ministro da Saúde Humberto Costa se ele acharia essa mortandade “dentro da normalidade” se no lugar de indiozinhos, estivessem morrendo crianças loirinhas de olhos azuis.
por Adriana Vandoni Curvo, é economista, professora universitária e consultora, especialista em Administração Pública pela FGV/RJ e pós-graduanda em Gerente de Cidades pela FAAP. Contato:
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