Satisfação profissional. Houve uma época em que eu acreditei nisso aí. Hoje, eu sei que é uma tremenda bobagem.
Uma forma dissimulada de trabalhar mais pelo mesmo salário. Diferente da maioria, eu nunca tive muito pudor pelo dinheiro.
Por isto, dedico 2 horas por dia para pensar num jeito de ficar rico. Mas tão rico, que eu simplesmente não precisasse mais trabalhar. Por fim, poderia passar o dia inteiro recuperando meu atraso intelectual sem me preocupar com a conta de luz.
O brasileiro, num modo geral, sempre foi meio caipira. Sempre valorizou demais as coisas que ele não conhece muito bem. Sempre valorizou a democracia, a intelectualidade, a educação de qualidade.
Que experiência o brasileiro tem com essas coisas para ter tanta certeza no seu caráter benévolo?
Renato Janine Ribeiro é filósofo e professor na USP. Ele valoriza a intelectualidade. E atribui à cultura -- na sua forma ampla de conhecimento -- o papel do progresso.
Evidentemente, é mais uma tremenda bobagem. Cultura, no Brasil, virou questão estatal. Nada contra o Estado sustentar a cultura. Porém, o Estado brasileiro não sustenta, subjuga.
A cultura brasileira sempre esteve subordinada aos interesses do Estado. E, agora, a cultura ganhou a responsabilidade de reverter todos os nossos fracassos sociais e econômicos.
Cultura não passa de um capricho. Um hobbie. Ribeiro ainda acredita que a cultura, através das universidades, torna o homem mais tolerante. Primeira besteira. Uma pessoa com conhecimento é, necessariamente, mais crítica e, portanto, intolerante. Segunda besteira.
O ambiente universitário, no Brasil, não desenvolve senso crítico algum. Há muito, deixou de ensinar para doutrinar.
De quando em quando, algum catedrático ainda teima em usar a Coréia do Sul como exemplo de investimento em educação. Eles asseguram que o desenvolvimento coreano se deu por causa da educação, assim como um vendedor de cachorros-quentes assegura que seu produto é tão saudável quanto uma refeição.
Talvez a educação seja realmente importante. Mas, a confusão entre desenvolvimento de impacto e crescimento sustentado precisa ser esclarecida.
O investimento em educação, na Coréia do Sul, só veio após seu milagre econômico, com a iniciativa privada desfrutando de liberdade tributária e de forte investimento externo.
Ou seja, primeiro aconteceu um desenvolvimento de impacto que, na Coréia, se deu com o Japão construindo montadoras por lá, gerando mão-de-obra qualificada. Depois, com o milagre econômico, a política de crescimento sustentado enxugou o Estado, deu liberdade tributária para a iniciativa privada e investiu em educação.
Já no milagre econômico brasileiro, aconteceu o contrário. Primeiro investiram em educação e enterraram todo o capital externo no Estado, como se gastar dinheiro estupidamente garantisse progresso. Com efeito, os ideólogos dirigistas esqueceram que quem sustenta o Estado é a iniciativa privada.
E com uma carga tributária de 41%, os catedráticos ainda querem que a iniciativa invista em pesquisa.
É preciso lembrar que o analfabetismo sul-coreano já estava praticamente extinto há 2 mil anos, o que facilitou a introdução de fábricas japonesas. A escrita sempre foi um costume, com pais passando seus conhecimentos para os filhos. Uma boa vantagem, portanto.
Então, em vez de se espelhar nos coreanos, os brasileiros poderiam seguir o meu exemplo. Dedicar algum tempo por dia para pensar em como ficar rico.
A partir daí, se preocupar em recuperar seu atraso intelectual. Primeiro pagar a conta de luz, depois ir ao teatro.
Eduardo Phillipe, cursa Economia. Alinhado à direita liberal, é influenciado por personalidades do calibre de Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen, Friedrich Hayek, Ludwig von Mises, Locke, Paulo Francis e Olavo de Carvalho. Profissionalmente engajou-se com a área de publicidade. Seu site: http://eduphillipe.blogspot.com email:
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Gostei muito do ponto de vista do autor.