Precursora da caipirinha, os escravos no Brasil contavam com a garapa, o caldo-de-cana não fermentado e quando possível animavam as festas com cachaça que em parte era dada para os espíritos do mortos(1543).
Os sucos de fruta misturado à cachaça originou a famosa "batida". A mais famosa era a batida-de-limão, que podemos considerar como a proto-caipirinha, faltando os pedaços de limão com casca que dariam a caipirinha o seu gosto original.
Passemos ao início do século XX. O mundo e o Brasil fervilhavam, os anos 20 eram de agitação cultural, o Brasil se achava inferior e buscava um caminho próprio.
Surgiu o Modernismo Brasileiro, revoltando-se contra as amarras impostas pela Europa. Literatura, pintura e poesia tiveram um nova rota a seguir, a partir deste movimento cujo símbolo era a antropofagia, ou seja o que é mandado pelos estrangeiros será literalmente comido e absorvido, assim como alguns de nossos índios fizeram com os europeus.
Acima de tudo o Modernismo valorizava a cultura brasileira. De novo a cachaça entrava em cena para as elites.
Oswald de Andrade casou-se com Tarsila do Amaral, uma das maiores pintoras modernistas. Tarsila, em, biografia por sua sobrinha, relata que na década de 20, ela organizava famosas feijoadas em Paris.
O feijão era fácil de arrumar nos mercadinhos mas a pinga para a caipirinha vinha do Brasil e passava pela alfândega francesa rotulada como "produto de beleza", o que não deixa de honrar as origens do nome "Al Kuhul".
O pré-modernista Monteiro Lobato em seu primeiro livro, Urupês, fala das "caipirinhas rosáceas" do poeta Fagundes Varela, criava o personagem Jeca Tatu que criticava por sua indolência.
Posteriormente, Lobato mudou sua visão ao descobrir que o Jeca Tatu não era indolente e sim pouco instruído.
Da batida de limão evolui-se para o limão com casca em rodelas ou pedaços. A tecnologia ajudou e tínhamos gelo à vontade para torná-lo refrescante.
Mas quando é que o nome de caipirinha foi usado pela primeira vez para rotular o drinque? Caipira era o termo paulista que designava a "habitante do campo" segundo o Dicionário de Vocábulos Brasileiros de 1889 e mesmo a origem desta palavra é obscura.
Aparentemente originou-se do Tupi de "caipora" ou "curupira". Caipora ou em uma tradução literal do Tupi por significa "habitador do mato".
Curupira é um ente fantástico, um demônio que vagueia errante pelo mato. Talvez alguém tenha abusado da bebida e valorizando a mitologia nacional viu "curupirinhas" à sua volta ao invés dos tradicionais elefantes-rosa dos desenhos animados.
Mas isso tudo é especulação. Certo é que a caipirinha é hoje um drinque conhecido internacionalmente e incorporado ao nosso rico folclore.
O "The Dictionary of Drink" da Tiger Books dá a receita da caipirinha como é conhecida no mundo: "Uma dose de cachaça, um limão e açúcar à gosto. Corta-se o limão em pequenos pedaços, coloca-se o açúcar e se amassa. Serve-se em um copo padrão, enche-se de gelo e finalmente adiciona-se a cachaça. Deve ser servido com uma colher."
Esta receita é a nossa legítima caipirinha com a pequena diferença que aqui no Brasil usa-se ao invés da colher um palito de madeira.
Pelo DECRETO Nº 4.851, DE 2 DE OUTUBRO DE 2003, do governo Lula, "Art. 81 § 4o. Caipirinha é a bebida típica brasileira, com graduação alcoólica de quinze a trinta e seis por cento em volume, a vinte graus Celsius, obtida exclusivamente com Cachaça, acrescida de limão e açúcar. § 5o O limão de que trata o § 4o deste artigo, poderá ser adicionado na forma desidratada."
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