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Escrito por Gerson Genaro e Camila Barine   
Thursday, 14 April 2005
 Nem tudo é computador, tv e celular. Projeto que estimula escrita e leitura por cartas entre alunos de diversas cidades derruba mito da irreversibilidade digital.  Resultado: professoras de Belo Horizonte, Minas Gerais, ganham diversos prêmios, incluindo o mais cobiçado “Oscar” da ciência.

COMO TRANSFORMAR A REALIDADE USANDO COMO ARMA O PRAZER DA LEITURA E DA ESCRITA

Três irmãs mineiras,  professoras de língua portuguesa, já conseguiram mudar a realidade de 11 escolas, 6 cidades e mais de 6 mil alunos participantes do projeto “Intercâmbio Cultural BH-Jabó”, que acaba de vencer o “Prêmio Péter Murányi 2005 – Educação”, um dos mais cobiçados do Brasil, tanto pela sua importância na comunidade científica e internacional como pelo valor monetário, R$ 100 mil, livres de impostos.

Também ganharam o prêmio Paulo Freire, em BH. Elas tinham um sonho: “proporcionar aulas mais agradáveis, mais empolgantes, em que a aprendizagem realmente fosse importante, procurada e desejada pelos alunos, em que houvesse maior integração entre alunos, professores, diretores, enfim, que a escola conseguisse maior interação entre os atores do processo educativo escolar.

Este sonho ancorava-se na nossa percepção de professoras, a partir do trabalho que realizamos em escolas de periferia, onde os adolescentes vivem sob o império do tráfico de drogas e das prescrições da lei do mais forte. São alunos carentes de tudo: infra-estrutura familiar e urbana, auto-estima, acesso a bens culturais, o que contribui para que tenham grande dificuldade de aprendizagem. 

Trabalhando durante muitos anos com Língua Portuguesa, detectamos que grande parte de nossos alunos envolviam-se nas suas tarefas escolares por mera obrigação, imposta pelos professores.

Portanto este projeto nasceu da necessidade de fazer com que os alunos se interessassem, realmente, pela leitura e escrita de textos e que construíssem competências, habilidades e valores para: expressar-se apropriadamente em quaisquer situações de interação oral e escrita diferentes daquelas próprias do seu universo imediato; utilizar o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas; refletir sobre os fenômenos da linguagem, particularmente os que tocam à questão da variação lingüística, combatendo a estigmatização, discriminação e preconceitos relativos ao uso da língua. Decidimos então elaborar o projeto de intercâmbio cultural  que, tecnicamente, consiste na troca de correspondência - cartas - entre alunos de escolas de municípios diferentes e culmina com um encontro, regado por apresentações artísticas. 

O projeto recebeu o nome de Projeto Intercâmbio Cultural BH-Jabó  por ter-se iniciado nas cidades de Belo Horizonte e  na cidade de Jaboticatubas”.
 
As três irmãs – Ana Maria Pereira de Siqueira, Ilma Pereira Nunes Moreira e Patrícia Pereira Marques, viveram a maior parte de suas vidas na cidade de Jaboticatubas (o Jabó é o diminutivo), interior de Minas Gerais.

Como educadoras, sentiam as dificuldades e o desinteresse dos alunos por leitura e escrita. Tiveram então a idéia de instituir o programa de intercâmbio cultural com base na troca de correspondências entre os alunos. Deu tão certo que o número de participantes passou de 120 em 1997, quando o programa foi criado, para mais de 1.200 em 2004.

“Como os custos de postagem são absorvidos pelos professores e escolas tivemos que limitar o número de alunos por falta de recursos financeiros”, acrescenta Ilma Moreira, coordenadora do projeto, que também foi vencedor de outros dois prêmios em 2004, a “Mostra de Inovações Pedagógicas”, patrocinado pelo Sesc-Mg, e “Prêmio Paulo Freire”, organizado pela Prefeitura de BH.

A troca de cartas entre alunos de diversas cidades é monitorada pelas professoras. Não com o objetivo de censura, ressalva Ilma, apesar de serem proibidas a troca de fotos e telefones para evitar que o programa de intercâmbio cultural transforme-se em mais um “correio sentimental”.

As cartas são lidas e corrigidas pelos professores. Os temas de discussões são direcionados segundo interesse geral. As duplas são formadas livremente mas geralmente seguem a lei da natureza: a maioria reúne correspondentes do sexo oposto. 

“Já os casados, para evitar problemas em casa, tendem a optar por outros também casados, mas todos têm bem claro que a única finalidade do programa é o aprimoramento da escrita e da aprendizagem”, observa Ilma.

“Ao mesmo tempo estamos conseguindo construir amizades pela palavra, recuperar auto-estima, afastar jovens das drogas, acelerar a aprendizagem, aproximar os alunos dos professores e da escola”, assinala a educadora. Ao final do ano letivo, ocorre um encontro dos correspondentes em locais previamente escolhidos, alternando-se os municípios.

O encontro acontece geralmente no fim do mês de outubro. Nesse dia, os alunos de BH,  Jaboticatubas, Baldim, Santana de Pirapama, Sete Lagoas e Jequitibá  se encontram,  na cidade  escolhida, para um dia inteiro de integração com dinâmica de entrosamento para se conhecer o correspondente, apresentações artístico-culturais dos alunos  das 6 cidades, muita música ao vivo,  vídeo-cabine, café-da-manhã, almoço, um baile de confraternização e um “citytour” pela cidade.  Até noivado e casamento já aconteceram após os encontros para conhecimento dos correspondentes.

Contra a maré tecnológica

Em plena era da informática, explosão do celular e da inevitável  substituição da leitura pelos meios de comunicação de massa como a televisão, um projeto simples – resgatar o prazer de ler e escrever mediante a troca de cartas entre alunos de diferentes regiões – está fazendo enorme diferença na disseminação de um novo estilo de aprendizagem.

Contra a maré do “agora é tudo informática”, ou “agora é tudo televisão” ou, ainda, “agora é tudo celular”, o projeto desenvolvido pelas três professoras mineiras conquista crescente interesse de meninos e meninas das escolas públicas que buscam novos conhecimentos e, ao mesmo tempo, interferem na construção da proposta pedagógica da escola.

Atualmente o projeto envolve seis cidades com a participação de onze escolas, sendo que quatro delas pertencem à rede municipal de Belo Horizonte: Escola Municipal Hélio Pellegrino, onde iniciou-se o projeto; Escola Municipal IMACO (Instituto Municipal de Administração e Ciências Contábeis); Escola Municipal Professora Acidália Lott e  Escola Municipal Sobral Pinto.

As demais pertencem á rede estadual: Leônidas Marques Afonso e Cardeal Arcoverde pertencentes ao município de Jaboticatubas; José Ribeiro da Silva e Oscar Artur Guimarães, no município de Baldim-São Vicente; Escola Estadual Coronel Domingos Diniz Couto, no município Santana de Pirapama,; em Sete Lagoas, Escola Estadual José Evangelista França e ainda a Escola Estadual Vítor Pinta localizada no município de Jequitibá.

O júri que conferiu neste ano o “Prêmio Péter Murányi 2005 –Educação” foi composto por notáveis de diversas áreas, entre eles o ex-ministro Paulo Renato Souza, Adolpho José Melfi, reitor da USP, Eduardo Krieger, presidente da Academia Brasileira de Ciências, o ex-governador Laudo Natel, Bernard Mencier, presidente do Banco BNP Paribas Brasil, Cláudio Luiz Lottenberg, secretário Municipal de Saúde e Fernando Ferreira Costa, pró-reitor de pesquisas da Unicamp.

A premiação foi criada pelo empresário Péter Murányi para incentivar os pesquisadores de qualquer parte do mundo na busca de soluções para a melhoria da qualidade de vida da população. Como garantia de qualidade, somente são aceitos trabalhos indicados por universidades, centros de pesquisa e instituições ligadas ao tema, entre outros.

E são avaliados primeiramente por uma comissão técnica contratada pela Fundação, composta por especialistas da área da premiação. Em um segundo momento os 03 melhores trabalhos são submetidos a um júri que é composto pelo Conselho Superior da Fundação, pela Comissão Técnica e por renomados representantes da sociedade. Neste ano, além do Brasil, o Colégio Indicador contou com a participação de representantes da Argentina, Equador, Colômbia e Paraguai.

No ano passado o prêmio “Alimentação” foi conquistado por dois pesquisadores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em Brasília, os biólogos Francisco José Lima Aragão e Josias Corrêa de Faria.

Ambos pesquisaram e descobriram novas técnicas com potencial de aumento rápido de produção do feijão em todas as regiões brasileiras. 

 Em 2003, Clóvis Ryuichi Nakaie venceu o prêmio de “Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico” com o trabalho “Síntese, estudos físico-químicos e utilização de materiais poliméricos : um exemplo de interação entre ciência básica e a aplicada”, quando chegou a ser divulgado para mais de oito mil pesquisadores e cientistas.

Em 2002, cujo tema foi “Saúde”, o vencedor foi o Doutor Sérgio Henrique Ferreira, por seu trabalho “O desenvolvimento dos anti-hipertensivos inibidores da conversão da angiotensina”.

O prêmio já é considerado um “Oscar” da ciência. Ganhou consistência nos meio acadêmicos por significar um grande incentivo para que os cientistas continuem seu trabalho para o desenvolvimento do conhecimento e tecnologia que contribuam para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

É reconhecido também do ponto de vista pessoal e profissional, uma vez que mostra o reconhecimento da sociedade pelo trabalho de pesquisa e por ter ainda o trabalho avaliado por um Júri especialmente seleto.

O incentivo recebido por este tipo de premiação é uma oportunidade para refletir sobre novas propostas de mudanças e também os problemas na busca contínua de aperfeiçoamento no conhecimento e na técnica.

Mais detalhes, CNC, Jornalistas- Gerson Genaro/Camila Barine, (011) 3258-8922

 

Repercussão do Prêmio


Fernanda Montenegro
A vida imita a arte

Filme Central do Brasil já mostrava a importância das cartas na integração de pessoas

Pergunta – A vida imita a arte neste caso?  A personagem Dora do premiado filme “Central do Brasil”, de Walter Salles, escreve cartas para analfabetos, como ofício. Em parte, o filme retrata inúmeras tragédias vividas por imigrantes brasileiros que sofrem com a separação e desintegração familiar. Dora termina por se envolver com o garoto Josué e, desta forma, também acaba crescendo como figura humana ao interagir com as vidas de outras pessoas. Em paralelo, aqui professoras mineiras desenvolvem projeto de intercâmbio cultural, através de cartas, entre alunos de escolas de diferentes cidades para acelerar aprendizagem da língua portuguesa. Estão conseguindo construir amizades pela palavra, recuperar auto-estima de crianças, afastar jovens das drogas, acelerar o conhecimento, aproximar os alunos dos professores e da escola. Quais lições poderíamos tirar da experiência da Dora com as professoras mineiras agora premiadas?

Resposta de Fernanda Montenegro -   Sim, há uma forte relação com “Central do Brasil”. O filme também retrata a degradação social dos professores. Dora vive a história de uma professora primária que, para sobreviver, chega a praticar pequenos golpes. E a criança desperta nela o melhor do seu passado. Houve uma época em que a profissão de professor no Brasil era mais nobre. A professora tinha uma importância fundamental na vida da sociedade e na construção da cidadania. Hoje, infelizmente, o papel social  do professor, de revitalização da sociedade, perdeu força.  A Educação está sucateada e a cultura cada vez mais deteriora-se. Os professores são pessimamente remunerados e não ganham o suficiente para a sobrevivência, quanto mais para investirem na melhoria de sua capacitação. Ao meu ver, o trabalho das professoras mineiras precisa ser visto como um esforço de guerreiras em busca da cidadania, da qualidade de vida, na luta contra a miséria humana. Precisamos de mais gente integrada neste movimento, de buscar por outros caminhos o respaldo não encontrado nos governos e no Estado. Precisamos criar um movimento que procure olhar em primeiro lugar para o ser humano, mediante ação coordenada por pessoas com ideal de ensino de qualidade.


Pergunta – A beleza do filme Central do Brasil é mostrar que nada substitui  o amor ao próximo, como a moeda de troca existente entre o garoto Josué e a sua mãe substituta, a Dora. No projeto das professoras mineiras ocorre algo semelhante, como o desenvolvimento de amizades fundamentada pela palavra escrita. Está correta esta leitura sobre o filme e sobre o projeto?

Resposta -  Olha, elas merecem o nosso respeito e o aplauso de toda a sociedade. São mulheres guerreiras, que lutam por um ideal de ensino melhor. As professoras mineiras estão fazendo, na verdade, um esforço de guerra. Em um país sem vontade política para salvar a educação não é fácil tirar dinheiro do próprio bolso para financiar os custos do projeto para sustentar o seu ideal de qualidade de ensino, salvar crianças do analfabetismo, devolver cidadania e lutar contra a fome com gestos concretos.  Hoje vivemos em um país devastado pela corrupção, ocupado por políticos que ganham com o atraso e não querem o progresso social. Todos os governos começam com planos mirabolantes nas áreas de Educação e da Cultura dizendo, ao assumir, que agora vão fazer tudo certo e corrigir o que se fez de errado no governo anterior e ao final de 4 anos ou 8 anos o resultado é zero, nada se faz de efetivo para a melhoria da qualidade de ensino e da cultura. O projeto das professoras deve ser visto como referência para todos aqueles que atuam na Educação. A construção de um Brasil melhor exige que os professores assumam maiores responsabilidades, que integrem este esforço de guerra contra as forças do atraso. O País precisa ser salvo das mãos dos políticos incompetentes.

 
 
Adolpho José Melfi, reitor da USP
Chegou a hora do ensino fundamental

“Chegou a hora do ensino médio exercer papel preponderante como instrumento de inclusão social”, proclama Adolpho José Melfi, reitor da USP e membro do júri que escolheu o projeto vencedor do Prêmio Péter Murányi 2005-Educação.

Pergunta - Segundo seu diagnóstico, grande parte das falhas no sistema educacional brasileiro - enquanto poderosa ferramenta para o desenvolvimento econômico e social do País - decorre da oferta insuficiente de boas escolas públicas e da falta de qualidade no ensino fundamental.

Resposta - “No topo do sistema de ensino, já temos grande número de universidades e boa produção científica, especialmente nas universidades públicas, sejam elas federais ou estaduais. Também somos fortes no sistema de pós-graduação e estamos formando elevado número de doutores. Agora é a vez do ensino médio merecer maior atenção tanto por parte do Estado como das universidades na formulação de programas específicos para melhorar o nível dos professores da rede pública do ensino fundamental e médio e apoiar um melhor desempenho dos estudantes pré-universitários", sustenta Melfi. 

Pergunta - O ensino fundamental deve ser considerado prioritário aos interesses do País. Neste caso,  não seria contraditório elevar de 70% para 75% as verbas alocadas para as universidades públicas federais conforme recente decisão governamental ?

Resposta - “De fato, a decisão vai trazer algum alívio nos orçamentos das federais, o que é bastante justo e desejável. Fala-se em uma injeção adicional de R$ 4 bilhões para o ensino fundamental, entretanto parece que a área econômica do governo não está muito de acordo, o que significa menos recursos para o ensino pré-universitário, o que é ruim. Mas o projeto de reforma universitária prevê, em contrapartida, o estabelecimento de uma meta de atendimento a 40% da população jovem, contra menos de 10% atualmente. Ou seja, o desafio pela frente também será gigantesco”, argumenta Melfi, ao questionar qual modelo conseguirá suportar meta tão ambiciosa de crescimento. “O projeto de reforma universitária em discussão peca ainda por não privilegiar o conhecimento e a valorização da produção científica, sem contar algumas inconstitucionalidades”, comenta Melfi, ao se opor à política de cotas para afro-brasileiros e descendentes de índios. “Ninguém é contra iniciativas de inclusão social, mas é preferível deixar as universidades definirem os critérios e o melhor modelo para beneficiar as populações de baixa renda. O estabelecimento de cotas acaba com o mérito, discrimina as famílias que, com sacrifício, investiram na educação dos filhos e  cria um estigma social irreversível para os cotistas. A solução é melhorar a qualidade do ensino médio”, aconselha o reitor da USP.  

Pergunta - Como fazer?

Resposta - Um bom começo seria pagar salários mais dignos e atrativos para estancar a perda de bons profissionais. “Hoje não existem estímulos para o professor fazer carreira no ensino médio”, aduz Melfi. “Existem políticas que dependem da ação do Estado, como investir na valorização dos profissionais do ensino médio, mas as Universidades também poderiam desenvolver gestões específicas e, desta forma, contribuir mais para a  melhoria da formação acadêmica dos professores e alunos”, acrescenta o reitor da USP. Com este propósito, cita o programa de reforço escolar gratuito, preparatório ao vestibular, criado pela USP para cinco mil alunos da rede pública. As aulas eram dadas somente na Zona Leste. “A primeira rodada só não teve resultados mais sólidos devido ao curto prazo de duração, apenas 4 meses, enquanto o ideal é comprovadamente 18 meses, e à localização, somente na  Zona Leste -atraiu apenas 2.400 alunos”, informa Melfi. “Vamos aperfeiçoar este programa”, anuncia. Em paralelo, recomenda aumentar o número de vagas para os cursos noturnos, em benefício dos que trabalham. Na USP Leste, 47% dos alunos vieram da rede pública, contra 28% na USP como um todo, lembra Melfi para comprovar a importância da localização geográfica da universidade pública, contemplando igualmente regiões mais carentes e promovendo dessa forma uma maior inclusão social. “É um mito acusar a USP de ser uma escola para ricos. A renda média mensal familiar dos alunos matriculados se situa entre R$ 3 mil e R$ 7 mil, sendo grande a percentagem de alunos com renda familiar entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil”. 

Outra iniciativa para resolver o problema educacional no Brasil seria cuidar da formação técnica dos alunos para lidar com as novas fronteiras tecnológicas em permanente expansão, aponta o reitor da USP.

Apenas como referência, aponta o modelo de desenvolvimento implantado pelos países considerados “tigres asiáticos”, baseado na rápida oferta de escolas técnicas. Os “tigres asiáticos”, em especial Coréia e Japão e, mais recentemente, a China, cujas economias tiveram forte expansão após terem investido maciçamente em Educação, mostram ser possível ao Brasil conseguir crescer rapidamente e tornar-se mais competitivo, observa Melfi.

“Hoje temos cerca de 3,5 milhões de alunos no ensino superior e apenas 150 mil nos cursos técnicos. Nos países desenvolvidos esta relação é mais equilibrada”, lembra Melfi.



Bernadete Angelina Gatti
“É preciso  impedir o sucateamento da Educação”

 Acordo suprapartidário lançaria as bases para os próximos 30 anos

 - "A Educação não conseguirá  romper com o seu atraso histórico enquanto não for considerada prioridade para o desenvolvimento do Brasil. Uma saída possível para impedir o sucateamento do setor, especialmente em relação ao ensino básico,  é um acordo suprapartidário, semelhante ao que foi feito pelo Chile, que garanta as reformas necessárias pelos próximos 30 anos, sem as constantes interrupções", sugere a educadora e diretora de pesquisa da Fundação Carlos Chagas, Bernadete Angelina Gatti, ao justificar, como membro do júri da premiação, o resultado deste ano que escolheu o projeto apresentado pelas três professoras mineiras.

“O projeto serve de referência para todos aqueles que atuam na Educação. E comprova ser possível fazer a diferença, mesmo trabalhando em um ambiente sem recursos – financeiros ou técnicos. O projeto gera um saudável movimento educativo nas crianças e adultos assistidos, com efeitos duradouros que ficam para a vida. Elas mostram que não ensinam apenas língua portuguesa, mas princípios e valores que transcendem a disciplina, entre eles a cidadania, humanismo, integração, visão social. Hoje muitos defendem que a ênfase no ensino deva ser o desenvolvimento de competências técnicas, enquanto o projeto das professoras mostram que é possível desenvolver competências profissionais sem perder valores humanos, éticos e a dignidade da função social dos professores”, enfatiza Gatti.

“O projeto atesta que pessoas fazem a diferença e que não adianta ficar esperando soluções prontas vindas da União, Estados e Municípios. Há espaço para os professores assumirem maiores responsabilidades. Existem inúmeros exemplos práticos em andamento que beneficiam a comunidade, como escolas próximas ou integradas às favelas, com implantação de oficinas e disciplinas técnicas”, informa a educadora.

Pergunta - O que faltaria, então, para que projetos  como “Intercâmbio Cultural BH-Jabó” não sejam uma iniciativa isolada?

Resposta - "Falta clareza sobre a importância social da Educação para o desenvolvimento do País. A Educação ainda é tratada com discursos vazios. Falta associar vontade política, demonstrada por todos os políticos, com a necessária capacidade de captação de recursos", acrescenta Gatti. “Os partidos que assumem o poder querem reinventar a roda, recomeçar do zero, como se nada tivesse acontecido de positivo antes. O abandono das reformas, sem um exame criterioso dos benefícios gerados para a sociedade, é uma tradição dos governantes que se acentuou nos anos setenta ao sabor dos interesses eleitoreiros. Em sentido oposto, muitos defendem a idéia de que as escolas e universidades precisam ser gerenciadas como empresas, baseada nos princípios de mercado, para dar lucro aos acionistas. Não creio que irá resolver o problema do atraso atrair investidores para o mercado educacional a exemplo do que se faz para fabricar sabonetes. Hoje já temos grandes investimentos no topo sem a necessária melhoria na qualidade dos profissionais, o que reflete a expansão descontrolada de universidades no rastro da geração de lucros, sem qualquer alinhamento com a  missão precípua das escolas e universidades, que é a reflexão crítica do que se produz  em benefício do desenvolvimento social e retorno à comunidade.  Também não resolve disseminar escolas técnicas. Já temos grande oferta de escolas técnicos no Brasil. O que falta mesmo é investimento maciço na educação básica completa, do infantil até o ensino médio. Ainda perdura no Brasil a mentalidade do colarinho branco, do título acadêmico

Comentarios (11)Add Comment
Maravilhosa matria!
escrito por Visitante, 2005-04-18 21:32:58
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adorei a materia,
de mulheres assim que o Brasil precisa!!!
ronaldo praa rodrigues
escrito por Visitante, 2005-04-20 10:59:47
gostaria de dizer que este site ---- é possível mudar para melhor. os fatos devem ser mais comuns com fotos e bem interativo, por, isso necessitamos tambem de um projeto pedagógico que atenda as necessidades de uma escola que se diz democrática e social que na verdade está sendo alvo
Obrigada pelo estmulo
escrito por Visitante, 2005-04-28 21:52:03
Caras colegas

Acabo de pedir exoneração do cargo de Professora do Estado por não conseguir me adaptar ao ritmo das aulas. Sou professora de Português e imaginem como fiquei quando vi a entrevista de vocês hoje, no "Programa do Jô"... Uma pena não ter conhecido este projeto antes do dia 25/04, data em que me afastei do cargo... De qualquer forma, como pretendo continuar lecionando, a idéia não se perderá. Valeu pelo estímulo ao professor! Obrigada! (Estava precisando disso!).

Um longo e carinhoso abraço envolvendo a todas,

Silvia.
Gostaria do Email das criadoras do proje
escrito por Visitante, 2005-05-19 22:08:54
Ola! Boa Noite!
Sou estudante de Psicologia da Cidade de Campinas - SP e gostei muito do projeto!
Atualmente estou fazendo estgio na area de Licenciatura e gostaria de poder me comunicar com elas para poder quem sabe aplicar o projeto aqui !
Espero um retorno! Bruna Alves
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olo
escrito por Visitante, 2006-02-27 06:54:33
hmmmm nice baby darmolaska manga
Parceria com a periferia de Manaus
escrito por Luciane Maria Mártires de Lima, 2006-12-27 20:53:42
Trabalho com crianças e adolescentes que convivem diariamente com a violência do tráfico na periferia de Manaus. Entrei hj na internet para saber se havia algum clube de pessoas que trocassem cartas para que os meninos começassem a escrever... e foi então que me deparei com este lindo projeto. Como posso entrar em contato com as idealizadoras para que nós também possamos fazer parte ? Aguardo ansiosamente pela resposta de vcs.
Um abraço,
Luciane
uma peca
escrito por roberta, 2007-03-28 21:40:22
si for posilvel quero que mim made a paeca por escriti para mim
como pesomagens e fala . por que eu vou faser uma peca na escola ir presiso ok :-
uma informação
escrito por edna caldeira, 2007-05-23 00:54:55
Sou professora de português e junto a uma colega que leciona em outra cidade, decidimos fazer essa troca de correspondência entre os nossos alunos. Entretanto, eles demonstraram interesse em mandar cartas também para crianças de países que falam a língua portuguesa. Querem trocar informações sobre suas culturas. Como conseguiremos manter esse contato? Talvez vocês possam me ajudar.
Participo do Projeto BH-Jabó
escrito por Tristão José Macedo, 2007-07-26 13:58:51
quem quiser entrar em contato com a Ilma, é só me enviar um email que passarei o endereço.
100649
escrito por DANILO FERREIRA DA SILVA, 2007-11-23 18:58:23
PROFESSORA BERNADETE eu queria saber ser tem aula na segunda feira dia 26117. ser não tiver aula na segunda feira voce me ligar pára min. 8830 2522
somente agora vi que não tinha colocado o email
escrito por Tristão José Macedo, 2008-01-24 13:15:00
Prezados Professores, somente agora me dei conta que não havia colocado o email para contato: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso

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