O Rio está muito ferido. E seu grito é ensurdecedor. Não há nenhuma pessoa do bem que não esteja gritando, cada uma do seu jeito, cada uma com a sua voz, mas todos com um só coração e uma só revolta.
Atrás das tristes grades e nas fachadas dos edifícios, nas esquinas inseguras, nas cartas aos jornais, na televisão, no rádio, nas ruas, nas avenidas. Todos, mesmo os mais calados, estão gritando um só grito: CHEGA DE VIOLÊNCIA.
A pergunta é: quem está ouvindo?
A Polícia Militar procura realizar o seu trabalho. Mas não é o suficiente. As guardas municipais foram criadas. Mas não são suficientes. A Polícia Civil está agindo como pode. Mas não é suficiente.
A própria Polícia Federal está realizando importantes e eficientes operações.
Mas não é suficiente. Porque o problema do Estado do Rio de Janeiro hoje é muito maior do que o próprio Estado do Rio de Janeiro. É um problema do Brasil. E não é recente.

A deterioração da segurança é resultado de décadas de omissão e conivência. Sem controle, a criminalidade cresceu em ousadia e se imiscuiu até nos Poderes da República. Estão aí as denúncias de venda de sentenças.
Estão aí os políticos que respondem a processos criminais. Estão aí as matérias de jornais sobre policiais corruptos. Estão aí representantes do Executivo e até do Judiciário acusados de acordos com o tráfico. O que é isso, meu Deus?
É preciso que o Executivo, o Legislativo e o Judiciário se unam em uma grande estratégia liderada pelo Poder Central. Com a colaboração total, é claro, dos poderes estadual e municipal. E com o apoio de toda a população.
Há meses, o Sistema Firjan entregou um grande estudo ao Governo. Este estudo foi realizado em parceria com a ONU e com o próprio Governo Federal.
E reuniu especialistas nacionais e estrangeiros que apresentaram propostas concretas e estruturadas para controle de armas, prevenção do crime e da violência, formação policial, controle externo e modernização das polícias, segurança municipal, sistema penitenciário e gestão da informação.
Mais: com base nesse estudo, há cerca de duas semanas, o Sistema Firjan apresentou, no Ministério da Justiça, um programa de cinco pontos que considera indispensáveis para a implantação de um sistema de segurança eficaz e confiável no Brasil.
Para isto, partimos do princípio que violência, segurança pública, tráfico de armas, crime organizado, tráfico de drogas e corrupção em geral têm que ser uma absoluta prioridade nacional, sobretudo nos grandes centros urbanos.
Não há mais tempo a perder. Seja esta ou seja aquela, tem que haver uma solução em prática. Já. Agora. Ontem. E felizmente temos um grande trunfo para vencer este desafio: a esmagadora maioria de nossos homens públicos, governadores, prefeitos, congressistas, juízes e a população carioca, fluminense e brasileira em geral é composta de gente séria, honesta, do bem e da paz.
Então, o que estamos esperando? O que todos estão esperando? Se for mais um ano, ele já começou. E, com ele, as esperanças fragilizadas, mas ainda renovadas de todos os brasileiros. E não são só as esperanças que estão fragilizadas.
É a própria Democracia, tão recentemente conquistada e com tanto esforço e luta. A liberdade de expressão não está comprometida ainda. Mas a liberdade de ir e vir, para não dizer a própria liberdade de viver, estão cada vez mais ameaçadas. E esta é a maior violência que podemos sofrer como povo, como estado, como país, como nação.
A ditadura da violência não pode vencer a Democracia. O Sistema Firjan, através do SESI-RJ, em nome de todos os empresários e trabalhadores da indústria, está erguendo sua bandeira e fazendo a sua parte. Para que a violência tenha o pior Ano Novo de sua história. E para que os cariocas, os fluminenses e todos os brasileiros possam ter igual direito à vida. À Democracia. E à paz.
O trabalhador da indústria e a segurança pública.
Uma pesquisa especial, realizada pelo Sesi-RJ, entrevistou 2.665 trabalhadores em todas as regiões do Estado do Rio de Janeiro. O resultado mostrou que 1 em cada 4 trabalhadores foi atingido pela violência.
A maioria das ocorrências (56%) foi de assalto com arma; em segundo lugar, furto (28,2%), seguido de outros tipos de violência (16,1%) e seqüestro (1,5%).
Quase metade das ocorrências foi no trajeto de ida ou volta ou no próprio local de trabalho. Além disso, 31,4% dos trabalhadores relataram episódios de violência que atingiram algum outro membro da família. Se visualizarmos, então, o resultado de forma mais ampla, concluiremos que 43,4% dos trabalhadores que participaram da pesquisa sofreram algum tipo de violência diretamente e/ou relataram ocorrência na família.
firjan
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