"Infelizmente, a nossa arma não é o voto, mas a sonegação fiscal. Ela é a única forma de acabar com o sofrimento do povo; a única forma de desligar os aparelhos do Brasil." Eduardo Phillipe
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Terri Schiavo morreu. Ela estava há 15 anos em estado vegetativo e, por pedido de seu marido, os aparelhos que a mantinham viva foram desligados.
Isto gerou uma das mais repercutidas batalhas judiciais recentes dos EUA, travada entre seu marido, Michael Schiavo, e sua família. A última petição da família, que defendia a reativação dos aparelhos, foi negada pela Suprema Corte norte-americana na noite que antecedeu a morte de Terri.
Entre vitórias e derrotas para ambos os lados, o caso vinha se arrastando desde 1998. Até então era apenas mais uma briga judicial familiar, porém, em 2003, Terri transformou-se em bandeira dos grupos contra a morte assistida.
A repercussão foi tamanha que o Legislativo, numa alucinação arbitrária, resolveu interferir, atropelando o Judiciário. Esta briga de poderes chegou ao presidente George W. Bush, que, sensatamente, acabou com a farra do Legislativo e devolveu o caso à Justiça.
Já ao sul do Equador, nas terras de Macunaíma, os ânimos não são diferentes. O clima de disputa entre os poderes vem esquentando com assuntos que vão desde salários até nepotismo -- a arte de colocar parentes em cargos públicos.
O grande catalisador é Severino, claro.
O presidente da câmara se tornou sinônimo de tudo que é errado na vida pública. A verdade é que Severino sintetiza, de fato, a essência do político.
Assim como ele, todos os outros candidatos à presidência da câmara defendem aumentos salariais e praticam o nepotismo. Severino é a forma pura da espécie. Um retrato nordestino da política nacional. Uma personagem de Guimarães Rosa caricaturado em carne e osso.
O ilustre representante do Executivo não acha que os Severinos sejam o problema do Brasil. Ele disse recentemente que "Como fomos colonizados por muitos séculos, não perdemos a mania cultural de nos acharmos pequenos, apesar de termos feito a Independência em 1822(sic!!!)(sic!!!)(sic!!!)" e que "Está faltando acreditar em nós mesmos."
Ou seja, a culpa é do povo. Ele está corretíssimo. O mau do Brasil é a cabeça limitada do brasileiro mesmo. Ele só errou no diagnóstico. O que não falta no brasileiro é auto-estima.
Acreditar no Brasil é fácil. O difícil é acreditar em Severinos como o próprio ilustre.
E esses Severinos deixaram o Brasil em um estado vegetativo muito pior que Terri estava. Nosso Legislativo é covarde, nosso Judiciário é lerdo, nosso Executivo é esquizofrênico e todos são corruptos.
Nem a opinião pública se salva. Ela é criada, em sua maior parte, por MPB ideologicamente obsoleta ou por bandinhas de pop rock brasiliense como a minguada Legião Urbana que dizia "ninguém respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação".
Como se respeitar a maluquice constitucional do Brasil tivesse alguma ligação com progresso. Desrespeitá-la deveria ser um dever cívico.
Infelizmente, a nossa arma não é o voto, mas a sonegação fiscal. Ela é a única forma de acabar com o sofrimento do povo; a única forma de desligar os aparelhos do Brasil.
Eduardo Phillipe, cursa Economia. Alinhado à direita liberal, é influenciado por personalidades do calibre de Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen, Friedrich Hayek, Ludwig von Mises, Locke, Paulo Francis e Olavo de Carvalho. Profissionalmente engajou-se com a área de publicidade. Seu site: http://eduphillipe.blogspot.com email:
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