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Já não é mais possível disfarçar: estamos em plena ditadura. A única "ordem jurídica" subsistente no país é a vontade do partido governante.
O pouquinho de liberdade remanescente mostra apenas o hiato
temporal inevitável entre as decisões de governo e sua implementação prática.
Ainda há um restinho de ar, mas o tubo já foi cortado.
Nada disso é
estranho, nada disso era imprevisível, nada disso é o que pretendem os
desinformantes de plantão, a súbita ruptura de um partido com o seu passado e
suas tradições.
O PT é totalitário na origem, e as concessões
eufemísticas que fez ao linguajar democrático nunca foram senão arranjos táticos
exigidos pela própria estratégia gramsciana que o orienta e cuja aplicação
gradual, persistente e sistemática é a substância da sua história.
Quando
o sr. Frei Betto proclamou "Estamos no governo, mas ainda não estamos no poder",
só não o entendeu quem não quis. Que mais pode um partido desejar, exceto
governar seu país dentro do quadro legal e institucional em que se elegeu? Para
além desse limite, só há uma aspiração possível: sobrepor-se às leis e
instituições, remoldá-las à sua imagem e semelhança.
Este foi sempre o
objetivo do PT, amplamente documentado nas suas discussões internas, nas atas do
Foro de São Paulo, na vasta bibliografia de estudos gramscianos produzidos pelos
seus "intelectuais orgânicos" e, last but not least , em inúmeras investigações
empreendidas por observadores não-petistas, desde o meu próprio livro
A
Nova Era e a Revolução Cultural (1993) até a recente série de artigos de
Reinaldo Azevedo publicados neste mesmo site, passando pelos livros de José
Giusti Tavares (Totalitarismo Tardio , 2000), Adolpho João de Paula Couto (A
Face Oculta da Estrela , 2001), Sérgio Augusto de Avelar Coutinho (A Revolução
Gramscista no Ocidente , 2002, e Cadernos da Liberdade , 2003), Denis Rosenfield
(PT na Encruzilhada, 2002) e muitos outros.
Se, a despeito da abundância
de provas, ninguém quis enxergar o rumo dos acontecimentos e muitos até se
enfezavam ante a simples sugestão de mostrá-lo, condenando-a como perigoso
extremismo de direita, não se pode atribuir essa teimosia à simples burrice
natural ou à vaidade suicida.
Ela própria é efeito calculado da hegemonia
cultural esquerdista.
Paralisar a inteligência do adversário, induzindo-o
a raciocinar pelas vias opostas àquelas que lhe conviria adotar para compreender
a situação, é o mínimo que uma "revolução cultural" gramsciana deve fazer para
ser digna do nome.
Ao longo das décadas, o vocabulário dos debates
públicos foi tão bem trabalhado pelos condutores do processo, que os demais
partidos, esvaziados de toda substância ideológica própria, já não podem alegar
contra a esquerda senão as belezas sublimes do ideário esquerdista supostamente
traído.
Assim, cada pequena vantagem eleitoral obtida pela "direita" traz
consigo uma vitória ideológica para a esquerda.
As vítimas do processo
permanecem amplamente inconscientes porque lhes falta não só o conhecimento da
estratégia em questão, mas o mínimo de intuição histórico-sociológica para
apreender as constantes num fluxo de acontecimentos que acaba lhes parecendo
totalmente fortuito.
O controle mental exercido pela elite esquerdista
sobre seus adversários potenciais chega ao sadismo de explorar o seu temor do
ridículo, conseguindo, com a mera alusão depreciativa a "teorias da
conspiração", dissuadir qualquer veleidade de apreender alguma intenção lógica
por baixo do caos aparente dos fatos.
Esse ardil torna-se ainda mais
eficiente quando aplicado num meio cultural como o brasileiro, onde, por falta
de referências intelectuais estáveis, as pessoas são mentalmente inseguras,
sempre necessitadas de apoiar-se em estereótipos de "normalidade" para sentir
que não estão delirando quando fazem algum esforço pessoal de
compreensão.
Dois fatores tornam ainda as coisas mais difíceis para o
virtual antipetista: a diversidade dos instrumentos da revolução cultural e a
autolimitação ideológica da resistência.
No que diz respeito ao primeiro,
a influência ideológica da esquerda não é homogênea e facilmente reconhecível.
Na verdade, nenhuma propaganda revolucionária nunca o foi. Já na preparação da
Revolução Francesa os intelectuais ativistas atacavam em dois fronts
aparentemente independentes, mas complementares.
Na classe dominante,
faziam propaganda anti-religiosa, para corromper a aristocracia e desguarnecê-la
ideologicamente.
Para as classes populares, seu discurso era contra a
aristocracia. O efeito conjugado foi letal. Os aristocratas aderiram ao ateísmo
elegante sem notar que ele os tornava odiosos e vulneráveis à ira
popular.
E o povo não precisou abjurar do cristianismo para investir
contra a aristocracia. Similarmente, hoje, a classe dos intelectuais ativistas
gradua e seleciona seus pontos de ataque conforme o ambiente e a classe social
dos destinatários.
O discurso petista só é explícito ante um público de
militantes em potencial, sobretudo universitários. Entre antipetistas
declarados, ou num público empresarial avesso ao socialismo, limita-se à
propaganda ateística ou antiamericana, a que o freguês adere sem suspeitar de um
efeito conjugado.
Nos meios culturalmente sofisticados, predomina a
badalação dos ídolos intelectuais – um Neruda, um Saramago, a Escola de
Frankfurt –, vendidos como valores suprapolíticos, mas carregados de veneno
anticapitalista. Perante as camadas populares, valem as reivindicações sociais,
sem nuances anti-religiosas que soariam repelentes.
E assim por diante.
Só rastreando esses discursos até a origem é que se percebe a articulação deles
numa estratégia cultural global.
Com relação ao segundo fator, as únicas
idéias em circulação nos meios liberais e conservadores, há mais de uma década,
resumem-se na argumentação convencional em louvor dos méritos da economia de
mercado – um horizonte temático demasiado estreito em comparação com a amplitude
dos interesses abrangidos pela intelectualidade gramsciana.
Esta ocupa-se
de psicologia social e linguagem, arte e literatura, sociologia familiar e
regional e, enfim, de tudo quanto seja preciso para sustentar uma atuação
abrangente em todas as esferas da existência humana.
Em confronto com
isso, o discurso liberal parece conversa técnica de especialistas, sem o menor
interesse para a população em geral.
Liberais e conservadores, enfim,
abdicaram de toda atuação mais ampla na esfera social e cultural, aceitando a
hegemonia esquerdista como fato natural e inevitável. Nenhum deles, até hoje,
pareceu dar-se conta da total impossibilidade de fomentar uma economia
capitalista sobre um fundo psicossocial de cultura comunista.
Na mais
ambiciosa das hipóteses, empenharam-se na luta eleitoral, mas limitando seu
discurso às questões prático-administrativas do dia (senão a interesses
corporativos cuja defesa atrai sobre eles o ódio da multidão) e abstendo-se
asceticamente de toda crítica doutrinal ou ideológica para não passar por
direitistas (oh, horror!).
Enquanto isso, o PT e suas entidades
associadas – desde os demais partidos de esquerda e o MST até a rede inabarcável
de ONGs ativistas – tratavam de estender seus tentáculos por todas as áreas,
segundo o mandamento gramsciano de dominar a cultura e a mentalidade geral antes
de tentar um assalto ao poder.
É por isto que agora este assalto se
desenrola diante dos nossos olhos sem encontrar senão resistências esparsas e
puramente verbais.
Em quatro décadas de aplicação contínua dos preceitos
gramscianos, o esquerdismo petista foi marginalizando seus adversários um por
um, excluindo-os de praticamente todos os campos de atuação decisivos e
tornando-se o detentor de vários monopólios:
1. Monopólio dos movimentos
de massa. Há quarenta anos não se vê, nas ruas, uma única passeata, reunião de
protesto, panfletagem ou agitação que não seja de esquerda. As demais correntes
de opinião, como esposas dóceis, ficam dentro de casa: a rua, a praça pública, é
do PT, do MST, do PSTU.
E as grandes mobilizações que de tempos em tempos
sacodem a vida nacional vêm todas sob evidente comando esquerdista, tal como
aconteceu nas Diretas-Já e na cassação de Fernando Collor. Os demais partidos
limitam-se a deixar-se levar, com um sorriso amarelo destinado a infundir na
platéia a ilusão de que o reboque arrasta o trator.
A força de uma
corrente política depende da sua capacidade de mobilizar as massas populares,
não somente na hora de votar, mas na de exigir, de lutar, de resistir, seja em
defesa da ordem vigente, seja contra ela. No momento, os votantes se distribuem
entre várias correntes, mas só uma delas tem capacidade de mobilização popular
para outros fins.
Conclusão: a decisão de preservar ou destruir as
instituições está nas mãos dessa corrente e só dela.
Desde a campanha
eleitoral de 2002, pelo menos, todos os partidos brasileiros apostaram mais na
benevolência do partido governante do que na sua própria disposição de
enfrentá-lo. Resultado: o Brasil tem uma instituição estável, o PT, e um
conjunto de instituições instáveis – leis, direitos, liberdades, garantias –
cuja sobrevida está à mercê dos caprichos desse partido.
Nesse quadro, as
demais correntes têm de escolher: renovam a aposta, submetendo-se mais ainda à
autoridade do partido governante, ou tratam de reagir e organizar-se para
enfrentá-lo não só no Parlamento (que é uma das instituições instáveis
garantidas por ele), mas sim também nas ruas.
A primeira hipótese resulta
em permitir que o que resta das instituições seja deglutido pela força
dominante. A segunda é tardia e inexeqüível. A opção é: suicídio ou morte
lenta.
Somados, os partidos e organizações pertencentes ao Foro de São
Paulo, comprometidos em graus variados com a causa da revolução continental, têm
todas as condições de, em 24 horas, colocar nas ruas alguns milhões de ativistas
furiosos.
Não há uma só grande empresa, repartição pública, sindicato,
escola de qualquer nível ou instituição cultural onde um núcleo de militantes de
esquerda não constitua a única força politicamente organizada, que, se já não
tem o domínio completo da situação local, está pronta para assumi-lo em dez
minutos, na base da intimidação ou até pacificamente, por ausência total de
resistências.
Uma fração considerável desses militantes – já é impossível
calcular quantos – constitui-se de indivíduos armados, adestrados para a
guerrilha rural e urbana, doutrinados para o ódio de classe e imbuídos da
convicção de que, para eliminar o capitalismo, vale tudo.
Ao lado deles
perfila-se o temível exército do lumpemproletariado, os narcotraficantes,
assaltantes e seqüestradores, que estão cada vez mais imbuídos de um discurso de
autolegitimação ideológica idêntico ao do Foro de São Paulo, e que, em função
dos interesses comuns que unem os cabecilhas dos bandos às Farc e ao MIR
chileno, podem, embora não sem alguma dificuldade operacional, ser mobilizados
para espalhar o caos e o terror nas grandes cidades.
Os demais partidos
têm apenas seus funcionários pagos, uma militância rala e um eleitorado
disperso, alienado, desatento, desarmado, acostumado a não ter uma participação
política mais intensa que o comparecimento rotineiro às urnas, levando na
memória a vaga recordação de um número de candidato.
Num confronto mais
sério, a única providência que essa poeira humana poderia tomar seria
dispersar-se mais ainda, tratando de apagar o mais rápido possível qualquer
sinal de suas antigas preferências partidárias e conquistar pela lisonja a
piedade de um adversário invencível.
De organizações apartidárias
antiesquerdistas nem falo, porque não existem ou são
insignificantes.
Sentados há anos em cima desse barril de pólvora, os
empresários e os políticos comprometidos em graus variados com a causa da
democracia capitalista buscam tranqüilizar-se uns aos outros repetindo a
jaculatória auto-hipnótica: "Lula mudou" – e tentando persuadir-se de que um
governo pró-comunista jamais os deixaria ganhar tanto dinheiro quanto estão
ganhando.
Como se um empresariado tanto mais rico quanto mais
desguarnecido ideologicamente não fosse a burguesia dos sonhos de todo
revolucionário.
2. Monopólio da cultura popular. Há quarenta anos não se
vê um filme, uma novela de TV, uma peça de teatro, um espetáculo qualquer
brasileiro que, na sua mensagem ideológica, não esteja essencialmente conforme a
orientação gramsciana, ora de maneira mais consciente e deliberada, ora pelo
mimetismo automático que é também um instrumento normal de ampliação da
hegemonia.
3. Monopólio do noticiário mundial. Em todos os órgãos da
mídia, sem nenhuma exceção, o noticiário de política internacional segue a
orientação das grandes publicações da esquerda elegante americana e européia (
New York
Times , Washington Post , Le Monde , France-Presse , Reuters ,
CNN ) de modo a criar, no imaginário nacional, uma impressão de unanimidade
universal jamais contestada. Nem uma única palavra da mídia conservadora
estrangeira é jamais reproduzida aqui. O efeito deformante que isso causa na
visão popular do mundo é monstruoso.
Hoje há mais antiamericanismo no
Brasil do que no Iraque, e nossa população está maciçamente convencida de que os
americanos odeiam George W. Bush, cujos índices de popularidade, no seu pior
momento, jamais foram abaixo de 42%, dez pontos acima do nosso presidente, que,
ao mesmo tempo, continuava a ser reconhecido como um ídolo popular.
A
exclusão de qualquer notícia que possa prejudicar seriamente a imagem dos
regimes socialistas é sistemática, imune a qualquer crítica possível.
Tal
como escrevi em O Globo em 14 de agosto, "não é só o governo federal que está
promovendo o estrangulamento da classe jornalística. É ela própria que, por meio
da sua Federação Nacional, oferece o pescoço ao garrote, tão gentilmente quanto
vem ocultando há anos as centenas de páginas das atas do Foro de São
Paulo.
A matança geral de cristãos em países islâmicos e comunistas, os
apelos desesperados de presos políticos torturados em Cuba, a corrida
armamentista na China e a ajuda que lhe prestou Bill Clinton, o contínuo
genocídio cultural no Tibete, a repressão ao cristianismo nos EUA e na Europa, a
disputa feroz entre globalistas e nacionalistas americanos, a colaboração cada
vez mais intensa do terrorismo islâmico com as Farc e Hugo Chávez (
http://www.frontpagemag.com/Articles/authors.asp?ID=1921 )
E, enfim,
tudo o que o leitor precisaria saber para se dar conta de que a realidade das
coisas não corresponde exatamente aos belos discursos do Fórum Social
Mundial.
O recorte que sai na nossa mídia é tão fictício que chega a
induzir o público brasileiro – militar inclusive – a acreditar que o perigo para
a soberania nacional na Amazônia vem dos EUA e não da ONU, o QG do
antiamericanismo universal. A ditadura, com um censor em cada redação, conseguiu
suprimir menos fatos essenciais".
4. Monopólio das fontes de informação
na cultura superior. Nosso movimento editorial é 100% orientado pelas
preferências da intelectualidade esquerdista, que exclui sistematicamente da
esfera visível as idéias liberais e conservadoras. Na Zero Hora de Porto Alegre
anotei em 16 de maio:
"Outro dia fui procurado por um professor de
faculdade que pedia informações sobre o movimento conservador nos EUA para uma
tese de relações internacionais.
Ele tinha vasculhado as principais
bibliotecas universitárias do país, sem encontrar mais que cinco ou seis
títulos. Isso dá a medida de quanto o Brasil, mergulhado há décadas num poço de
ilusões solipsísticas, foi parar longe da realidade do mundo. Analisar o atual
governo americano sem conhecer sua retaguarda doutrinal e ideológica é como
seria, na década de 40, pontificar sobre Stálin sem nunca ter ouvido falar de
Marx ou de Lênin.
Nossos comentaristas de mídia e professores
universitários fazem isso com a maior sem-cerimônia, parecendo acreditar-se
detentores de uma ciência infusa que prescinde de todo contato com os fatos e os
textos. Anos atrás, denunciei a fraude de um Dicionário Crítico do Pensamento da
Direita , elaborado com dinheiro público por uma centena de
acadêmicos.
Prometendo um panorama científico de uma importante corrente
política mundial, a obra omitia todos os principais escritores e filósofos
conservadores e colocava em lugar deles panfletários de quinta categoria,
premeditadamente escolhidos para criar uma impressão de miséria intelectual e
fanatismo selvagem.
Pela amostragem numericamente significativa dos
signatários da empulhação, era obrigatório concluir que o establishment
universitário brasileiro havia perdido os últimos escrúpulos de seriedade,
consentindo em tornar-se instrumento consciente da exploração da ignorância
popular".
5. Monopólio das alianças internacionais. Perante a mídia, o
empresariado e a classe política, é inteiramente normal que a esquerda petista
tenha conexões com partidos e organizações do mundo todo; que anualmente se
reúna com eles no Foro de São Paulo e articule uma estratégia conjunta até mesmo
com os narcotraficantes das Farc. Nada disso suscita estranheza ou escândalo, e
em geral nem mesmo é mencionado.
Imaginem, no entanto, o que os
formadores de opinião fariam com uma organização qualquer antipetista que se
associasse, mesmo remotamente, com algum órgão ligado ao Partido Republicano dos
EUA.
Nossa mídia não hesitou, por exemplo, em subscrever a acusação de
que os adversários de Hugo Chávez, na Venezuela, teriam o respaldo do governo
americano, isto pela simples razão de que receberam subsídios da National
Endowment for Democracy, um órgão apartidário que já ajudou a muitos movimentos
de esquerda.
A somatória final é simples: todos os caminhos para o apoio
internacional estão barrados, exceto para a esquerda petista.
6.
Monopólio do aparato investigativo. Isto inclui não só as CPIs, sempre movidas
pela mão da esquerda, mas também o próprio "jornalismo investigativo", hoje um
dos principais instrumentos de que a esquerda dispõe para a destruição de seus
adversários, numa gama que vai desde os remanescentes dos antigos governos
militares até virtuais concorrentes eleitorais, mantidos sob vigilância cerrada
por um exército de fuçadores de escândalos.
O desprezo pela verdade, aí,
é total, a duplicidade de critérios, obrigatória e constante. A conversa ouvida
por um motorista indiscreto despertou a fúria nacional contra Collor, mas seis
testemunhas assassinadas no processo Celso Daniel não abalam em nada a
credibilidade do atual presidente.
Do mesmo modo, as sucessivas
absolvições judiciais de um Paulo Maluf ou de um Fernando Collor, em vez de
atenuar a sanha jornalística contra eles, só serve de ocasião para alimentar
acusações ao Judiciário.
E mesmo eventuais arrependimentos dos excessos
cometidos, como no caso Ibsen Pinheiro, só acontecem quando, providencialmente,
são úteis para fortalecer ainda mais as pretensões do esquerdismo
hegemônico.
Esses exemplos bastam para mostrar até que ponto a
desproporção de forças, a desigualdade dos meios de ação, foi aceita como estado
normal, mesmo e sobretudo por aqueles a quem ela prejudicava mais diretamente.
Depois de ter cedido tanto, que mais pode a atual oposição esperar, senão a
oportunidade de subsistir humildemente como instrumento auxiliar do governo?
* Olavo de Carvalho, é Filósofo, Professor e
Jornalista, nascido em Campinas, Estado de São Paulo, em 29 de
abril de 1947. Tem sido saudado pela crítica como um dos mais
originais e audaciosos pensadores brasileiros. Professor de
filosofia e diretor do Seminário de Filosofia do Centro
Universitário da Cidade (RJ). Autor das obras "O Jardim das
Aflições" e "O Imbecil Coletivo: Atualidades
Inculturais Brasileiras". Editor do site Mídia Sem
Máscara.
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