Ninguém é perfeito. E a perfeição é uma meta defendida pelo goleiro que joga na seleção. Mas estamos aqui para aperfeiçoar o imperfeito, dando um jeito, inventando uma solução. E hoje, é dia de transitar entre um extremo e outro, de Jean a Severino, do melhor ao pior, necessariamente, nesta ordem.
O formato reality show veio pra ficar. Acompanhei desde o primeiro bbb na Holanda, a chegada ao Brasil e blá blá blá.
Do primeiro blog em tempo real, das primeiras fotos tiradas da TV, das entrevistas aos problemas, das pedras aos elogios, todos nós passamos, vimos, acompanhamos muita coisa nessa dúzia de programas, com casas, nos limites, grandes irmãos.
Hoje, muita gente que era totalmente contra atenua o texto e elogia o formato, o que é ótimo, também é uma forma de aperfeiçoar o imperfeito na crítica.
Mesmo porque todos nós somos assim compulsivos-emotivos, passivos-agressivos. Um dia todo mundo morre de pena da fulana que sofreu um AVC e no outro dia ninguém nem quer saber se ela está viva. Não somos mesmo perfeitos.
Jean não é perfeito, li algumas de suas preferências musicais e literárias e tirei essa conclusão. Gosto é pessoal etc e tal. Mas ele é ético, divertido, inteligente, sincero e humano.
E o fato de ter assumido sua sexualidade no ar torna-o ainda mais verdadeiro e livre, como todo mundo gostaria de ter coragem para ser.
Além de tudo o que conta a favor, pegou carona na onda Maria do Carmo, da valorização da pessoa que sai do nada e chega até alguma coisa por si só, na batalha. Bacana.
No mesmo dia que Jean triunfa, com ou sem o milhão, somos obrigados a engolir um Severino. Será que somos? O que a gente pode fazer para tirar Severino do poder? Será que tem um 31 31 31 31, ou talvez, um 666 6666, um Disk-Besta, para ligar e botar o Severino no paredão?
Não precisa ser o do Fidel. Será que mandar emails, fazer ligações, bater panelas, pendurar cueca na janela, ou calcinha, fazer greve de chapinha, pintar a cara de azul bebê, escrever uma carta de mil linhas, usar gravata de crochê, há alguma coisa pra gente fazer?
Felizmente, Severino e sua incontinência verbal trazem seu besteirol à tona. Seria pior se ele ficasse calado, fazendo o que muitos também fazem por debaixo do pano.
Ele é o que é em si, Magda do mal, mas também é um símbolo do resto, da turma que diz pro povo “ eu não te amo e também não presto”. A gente não quer Severino.
Vamos tirá-lo de lá. Ou pelo menos tentar.
Mas não sei se encher a caixa postal com emails é o melhor caminho. Talvez criar um selinho, amarrar uma pulseira, sair usando coleira.
Vamos pensar. Depois do Big Brother a gente pensa. Porque hoje, na ficção-real da televisão, é dia do bem triunfar contra o mal. Depois, a gente dá um jeito de fazer com que o mal comece ao menos a tirar um pezinho do poder nacional.
Como diria Nezinho do Jegue quando estava bêbado, também da novela O Bem Amado de Dias Gomes, ‘Viva Jean! E Morra Odorico!”
Rosana Hermann, é Bacharel em Física pelo Instituto de Física da USP, Mestre em Física Nuclear pela USP, cursou o básico de comunicação na ECA-USP, é Roteirista e produtora, radialista, mtb 11.260, e é Jornalista (DRT/SP) http://queridoleitor.zip.net
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