De um militante pré-adolescente ainda se poderia esperar. Mas do economista Carlos Lessa, era de se esperar um pouco menos de atraso intelectual; era de se esperar um discurso menos batido como o que ele pregou em seu recente plano de governo. A proposta é uma terceira via, usando as arcaicas premissas: trabalhismo, populismo e nacionalismo.
"A farra da terceira via acabou sempre derretendo-se em posturas contraditórias, por querer um capitalismo sem lucros, um socialismo sem disciplina e investimentos estrangeiros sem investidores" ... Roberto Campos
Lessa é a nova arma do PMDB. Seu plano será utilizado para a campanha do provável candidato à presidência, Anthony Garotinho. Talvez a arma não funcione, mas se ela está nas mãos dos políticos, ela só pode estar apontada para o povo.
Sua tese começa na batalha dantesca contra o liberalismo; contra a hegemonia liberal. O motivo para se lutar contra o liberalismo não foi mencionado. E nem seria necessário.
Alguém que acusa FHC de ser liberal não deve ser levado em consideração. Lessa declara uma guerra total -- Blitzkrieg! -- contra algo que nem sequer existe por estas terras.
Privatizações
O maior rancor que as esquerdas nacionais nutrem por FHC foi gerado pelas privatizações. Mas, estas privatizações não se deram por motivos ideológicos. Não eram uma opção. A implosão do socialismo e o fracasso do modelo keynesiano de dirigismo estatal foram os verdadeiros motivos das privatizações.
O Estado simplesmente não tinha mais capacidade de investimento e nem sequer capacidade de sustentar os dinossauros (Telessauro, Eletrossauro, Valessauro).
A Telessauro foi o exemplo mais nítido da ineficiência e do alto custo estatal. O preço de uma linha telefônica se equiparava ao preço de um carro. Mesmo assim, era a mais atrasada da América Latina e colecionava uma lista de espera colossal para compras de celulares, enquanto a Europa já cavalgava em direção às novas tecnologias digitais.
A Eletrossauro não poderia deixar de contribuir para o quadro negativo das estatais com o mesmo atraso tecnológico e fraca agilidade para lidar com o cliente. Enquanto hoje se demoram algumas horas para instalarem um relógio e ligarem a luz, na época estatal se demoravam semanas.
A Valessauro, sem dúvida, foi a melhor estatal que o Brasil já teve. Entretanto, era medíocre no cenário mundial. Durante 51 anos de vida(1943-1994), recebeu US$ 1,161 bilhão e rendeu US$ 1,207 bilhão. Ou seja, rendimento anual de 0,09%. Foi menos que uma caderneta de poupança. Tal fenômeno pode ser explicado justamente pelo seu caráter estatal que destruiu sua agilidade por não ter concorrência. Um ano depois de sua privatização, graças às doses cavalares de investimento estrangeiro e à abertura concorrencial, teve um rendimento extraordinário.
Mesmo com toda esta situação, FHC ainda retardou o processo de privatização por suas raízes estadistas. Durante a privatização da empresa paulista de eletricidade, a teimosia dirigista de outro tucano, Mário Covas, que arrastou por 3 anos a privatização do Banespa, custou um endividamento adicional de R$ 15 bilhões do Estado.
Chamar o PSDB de liberal soa tão ridículo como chamar a antiga Vale de "rentável".
Trabalhismo, Populismo e Nacionalismo
Ou, se preferir, o caminho contrário ao progresso. O maior empecilho, hoje, para o trabalhador, é justamente a intransigência estatal para, supostamente, defendê-lo. Trabalhar, no Brasil, é caro demais.
É caro tanto para o empregado quanto para o empregador. Caro e inútil pois o sonhado welfare-state nunca existiu aqui. Todos os governos trabalhistas da Europa já compreenderam que a nova ordem mundial exige o trabalho informal.
E o Brasil continua perambulando pela revolução industrial.
O populismo, para Lessa, "parte do princípio sagrado (sic) de que a política deve ter como referência principal o povo e seus interesses fundamentais".
Nada mais senil do que o discurso romântico e moderno de Estado bem-feitor. Não é possível que alguém ainda caia nessa ladainha fajuta.
O populismo ao qual Lessa se refere é o populismo assistencialista e paternalista de Vargas e Jango, misturado com o nacionalismo desenvolvimentista de JK.
Receita para embriagar a população enquanto se repete as maluquices da década de 50 e 60 que levaram o Brasil para um fiasco inflacionário sem precedentes.
Lessa defende políticas heterodoxas para criar o crescimento. A última vez que o Brasil marchou em sentido contrário ao mercado na estrada heterodoxa obtivemos peraltices como Cruzado, Bresser, Verão, moratórias internacionais, Collor I, Collor II e o pior de tudo: o carnaval constitucional de 1988!
Desobedecer ao FMI nunca foi uma boa alternativa. E Lessa ainda atribui ao FMI a farra que aconteceu na economia Argentina. Pelo que me consta, foi justamente a heterodoxia do então ministro Cavallo de dolarização do peso. E que, mais tarde, seria indicado ao prêmio nobel de química por conseguir transformar moeda em merda.
BNDES
A hubris da esquerda nacional foi irreversivelmente afetada com a queda da cortina de ferro soviética num espetáculo que deu início à década de 90, ao triunfo da economia de mercado, à globalização e à explosão tecnológica.
Quase duas décadas se passaram e, pelo visto, a turminha vermelha ainda não digeriu esta informação. Guido Mantega, presidente do BNDES, adotou uma postura radical de intervenção do Estado na economia, usando dinheiro público para apoiar setores "estratégicos".
Mantega ignora que, durante os últimos 75 anos, o governo brasileiro torrou dinheiro dos contribuintes em projetos desenvolvimentistas que só trouxeram mais prejuízos, mais inchaço estatal e mais impostos.
Seu revanchismo provinciano contra a economia de mercado custará R$ 60 bilhões para os cofres públicos. E se Anthony Garotinho for eleito, só Deus sabe o que pode acontecer.
Aliás, se Deus estiver do lado do Garotinho, quem estará do nosso?
Eduardo Phillipe, cursa Economia. Alinhado à direita liberal, é influenciado por personalidades do calibre de Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen, Friedrich Hayek, Ludwig von Mises, Locke, Paulo Francis e Olavo de Carvalho. Profissionalmente engajou-se com a área de publicidade. Seu site: http://eduphillipe.blogspot.com email:
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