Nesta semana, foi publicado que o aumento da tarifa de metrô e ônibus gerou 40% da inflação de São Paulo. Ainda nesta semana, um estudo mostrou que os brasileiros gastam R$ 80 bi por ano com transporte público. Depois dizem que as estatais são bens do povo. E que são acessíveis aos pobres. E que, se privatizadas, os pobres serão marginalizados.
Nesta mesma semana, os funcionários do metrô paulistano passaram a usar uma camiseta com os dizeres: "Estatal e de qualidade".
Com uma carga tributária que representa vergonhosos 41% do PIB brasileiro, era de se esperar que, pelo menos, o metrô fizesse aquilo que se propôs: levar passageiros de um lugar para o outro.
Quem já se deu ao esporte do transporte público sabe que o metrô é só fachada. Uma enganação. E conhece a tortura que é utilizá-lo em horários de pico. Neste período, os trens têm um intervalo médio de 10 minutos. Não conseguem atender à demanda.
E, a cada estação, a lei da física -- dois corpos não ocupam um mesmo espaço -- é constantemente desafiada. Além dos problemas corriqueiros que atrasam ainda mais o sistema.
Já tive a simpática experiência de ficar plantado por longos 40 minutos, a esperar um vagão. De fato, o governo tem uma pitoresca definição para qualidade.
Não é de se estranhar que a produtividade, no Brasil, seja tão baixa. E que o brasileiro seja tão preguiçoso. Difícil manter o pique com um sistema de transporte tão precário. Logo, transporte não é despesa; é investimento. Das interstates americanas até o trem bala japonês, temos exemplos de avanço.
O desenvolvimento de uma nação sempre esteve atrelado ao transporte. Até os Incas já compreendiam a importância do transporte. Sem as estradas, o império romano não atingiria sua amplitude.
E o Brasil não foi diferente. Todo o seu progresso contemporâneo se deu com a chegada das ferrovias e rodovias. Entretanto, foram financiadas pela iniciativa privada dos cafeicultores.
Hoje, todas as estradas estatais estão em péssimas situações, a engenharia de tráfego nos principais municípios é ruim e o transporte público insuficiente -- e, quando terceirizado, é mal fiscalizado.
O Estado brasileiro sempre foi um peso morto. Sempre foi improdutivo. Sempre foi picareta. Sempre teve a cara do Brasil.
Eduardo Phillipe, cursa Economia. Alinhado à direita liberal, é influenciado por personalidades do calibre de Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen, Friedrich Hayek, Ludwig von Mises, Locke, Paulo Francis e Olavo de Carvalho. Profissionalmente engajou-se com a área de publicidade. Seu site: http://eduphillipe.blogspot.com email:
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