Quando se fala na transmissão do Trypanosoma cruzi, protozoário causador da doença de Chagas, logo vem à cabeça o barbeiro.
Este inseto, ao picar o indivíduo, libera suas fezes infestadas pelo parasita, que, quando a pessoa se coça, penetra no organismo através de erosões na pele ou mucosas.
Esta é a via mais comum, mas a ocorrência de alguns surtos fez com que os cientistas começassem a levar em consideração a transmissão oral do T. cruzi.
Estudo confirma uma forma diferente de transmissão da doença de Chagas
Um estudo do Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz (CPqGM), unidade da Fiocruz na Bahia, sustenta as evidências de que o protozoário pode, sim, ser transmitido pela ingestão de alimentos contaminados.
Neste domingo (20/03/2005), um episódio em Santa Catarina pode comprovar a pesquisa do CPQGM. A morte de três pessoas, vítimas da doença de Chagas, e a confirmação de outros 15 casos da enfermidade no estado levaram a Vigilância Sanitária a suspender a venda de caldo de cana nos estabelecimentos comerciais. A doença teria sido transmitida pela bebida.

Imagem de um Trypanosoma cruzi
Em 1968, membros de uma comunidade agrícola de Teotônia, no Rio Grande do Sul, começaram a apresentar uma doença febril grave. Ninguém atinava se tratar da doença de Chagas, já que não havia barbeiros nas casas nem nas escolas.
Após muita investigação, chegou-se à conclusão de que as verduras consumidas no refeitório da comunidade eram fonte de T. cruzi. Provavelmente, marsupiais - reservatórios do protozoário - contaminaram as hortas com secreções provenientes de suas "glândulas anais", que são um verdadeiro meio de cultura para o parasita.
Muitos anos depois ocorreu outro surto, dessa vez em Catolé do Rocha, na Paraíba. Houve um grande casamento em uma fazenda e, dias depois, alguns convidados começaram a apresentar aquela mesma doença febril.
A máquina onde havia sido preparado o caldo de cana servido durante a festa ficava sob uma cobertura de palha. E nessa palhoça foram detectados barbeiros. As investigações concluíram que, provavelmente, os insetos - infectados pelo T. cruzi - caíram na máquina, foram triturados e contaminaram a bebida com o parasita, transmitido para todos que tomaram o caldo.
Recentemente, a transmissão oral do T. cruzi tem sido resposável por microepidemias no Pará. Famílias inteiras desenvolvem doença de Chagas, mas os domicílios não estão infestados pelo barbeiro.
Este vive em palmeiras e, atraído pela luz, cai no equipamento usado no preparo do suco de açaí, que fica do lado de fora da casa. O inseto é triturado e contamina a bebida com o protozoário. Resultado: quem toma o suco corre sério risco de ficar doente.
Todos esses casos relatados em Rio Grande do Sul, Paraíba e Pará chamaram a atenção dos cientistas. A questão que se colocava era: caso o T. cruzi fosse engolido, ele não seria destruído pelo suco gástrico?
Então, a médica Sonia Gumes Andrade, especialista em patologia experimental, do CPqGM, propôs um experimento para responder à pergunta. "Introduzimos o T. cruzi, através de um tubo, diretamente no estômago de camundongos", conta ela, que havia estudado as cepas de T. cruzi isoladas dos casos da Paraíba e do Pará.
"Observamos que o parasita não só sobrevivia ao suco gástrico como também era capaz de infectar os animais. Estes desenvolviam a doença com lesões idênticas às observadas nos camundongos em que o protozoário era inoculado por via sangüínea", revela.
O achado da pesquisadora comprova que o T. cruzi, caso engolido, pode causar infecção por via digestiva (ou intragástrica). "Pela via mais comum, o simples fato de o indivíduo se coçar já permite a entrada e a disseminação do protozoário. Imagine, então, se a pessoa ingerir grande quantidade de parasitas: isso pode ser ainda mais grave", comenta Sonia.
Mas a pesquisadora lembra que não há razão para que se evite comer verduras, caldo de cana ou suco de açaí. "O problema não são os alimentos, e sim a presença do T. cruzi", sublinha.
São principalmente os parasitas do biodema tipo III - isolados, em geral, de animais silvestres - que conseguem causar infecção por via digestiva. Um biodema reúne cepas de T. cruzi que têm características semelhantes.
As cepas do biodema tipo III são, em geral, muito patogênicas. No experimento, a cepa desse tipo demonstrou maior capacidade de atravessar a barreira gástrica e produzir infecção mais intensa no camundongo, se comparada às outras cepas dos biodemas I e II.
"É de interesse assinalar que as cepas do biodema tipo III estão mais ligadas ao ciclo silvestre, o que possibilita as 'microepidemias' em locais onde os barbeiros não estão domiciliados", completa Sonia.
Doença de Chagas
A doença de Chagas foi descrita por Carlos Chagas em 1908. Ela é transmitida para o homem por um percevejo popularmente conhecido como barbeiro e é causada no homem por um protozoário chamado Trypanosoma cruzi.
Barbeiro

Estampa de um barbeiro, no caso uma fêmea (1 ou 4), que pode ser identificada pela diferença de sua parte traseira em relação ao macho (3). Também, em destaque, a cabeça (2) do inseto.
Barbeiro que acabou de se alimentar

Trypanosoma cruzi
Monika Barth/IOC/Fiocruz
Trypanosoma cruzi
_______________________________________________________________Helene Santos Barbosa/IOC/Fiocruz

Vários T. cruzi no momento em que se aderem a uma fibra muscular cardíaca
Helene Santos Barbosa/IOC/Fiocruz

T. cruzi (marcado com a letra P) sobre uma hemácia do sangue de camundongos infectados

A grande célula na foto é o T. cruzi em uma de suas fases evolutivas conhecidas como amastigota

O T. cruzi se multiplica no interior das células musculares, onde apresenta-se novamente sob a forma de amastigota, pequena e em forma de ovo
fiocruz
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PORQUE NESTE CASO A MORTE lj TAO RAPIDA QUAIS OS MOTIVOS DESTA MORTE
FICARIA MUITO GRATO SE ME DESSEM RESPOSTA MUITO OBRIFADO DESDE JA
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