 "É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar - bons cachês em moeda forte; ausência de censura e consumismo burguês; trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola..."... Roberto Campos
Hugo Chávez abomina a televisão tanto quanto eu. Desde que a mídia demonstrou as falhas de seu governo, ele vem dizendo que existe uma "ditadura midiática" e que ela não respeita sua dignidade.
Depois da tentativa de golpe, ele passou a adotar uma simpática política de fiscalização e censura contra a maléfica "ditadura midiática". Com isso, Chávez provou ser um homem de muita dignidade. Eu estou convencido.
Por falar em dignidade, Antônio Abujamra -- aquele mesmo senhor que entra em convulsão quando alguém fala mal do comunismo -- fez uma pergunta ao seu convidado: Você escolhe Bush ou Kyoto. Seu convidado escolheu Kyoto. E adicionou: Quem escolheria Bush?
A resposta: Eu, claro. E adiciono: não só o Bush como todo o Congresso Republicano. Assim como os intelectuais e artistas, os catedráticos brasileiros demonstram sua caipirice provinciana com o dogma de que os republicanos representam a pior opção como governo norte-americano.
Se catedráticos, intelectuais e artistas concordam num ponto, é sempre bom desconfiar.
Eles esquecem que os democratas possuem cordões umbilicais com sindicatos e outras frentes trabalhistas. Traduzindo: isto significa um maior protecionismo e uma política externa feroz.
É ruim para os norte-americanos porque, sem concorrência, os preços aumentam. É ruim para os países subdesenvolvidos porque as exportações caem. Só é bom na mitologia canhota do "faz de conta que somos iguais".
E este assunto, invariavelmente, se desvia para o Iraque. A questão do Iraque é um ponto complicado no debate. A maior crítica dos catedráticos, intelectuais e artistas antiamericanos (perdão pelo pleonasmo) à invasão diz respeito a Saddam ser um produto da guerra fria criado pelos Estados Unidos.
Curiosamente, quando o estopim da invasão foi acionado, milhões destes antiamericanos tornaram-se, subitamente, simpatizantes do ditador. Ainda não estou certo se estes simpatizantes também nutrem um ódio mortal pelos xiitas, ou se é apenas um complexo de inferioridade dissimulado em preconceito e solidariedade ao ditador. A única certeza que tenho é que Michael Moore causou sérias confusões mentais nestes organismos.
Depois de Fahrenheit 9/11, eles passaram a alardear que os norte-americanos causaram a guerra pelo petróleo. A indústria petrolífera representa 6% da economia dos Estados Unidos.
Difícil acreditar que Bush comprometeria 94% da economia nacional com uma instabilidade bélica para estimular os outros 6%. Talvez os catedráticos, intelectuais e artistas também não acreditem nisso. A hipótese menos maléfica é que, assim como Bush, eles inventaram uma balela qualquer para justificar sua posição.
A hipótese maléfica é que eles são totalmente tapados e dispararam uma série de besteiras impensadas esse tempo todo.
Não sou a favor da guerra. Entretanto, não acredito que tudo seja válido para evitá-la. Os discursos pacifistas e humanistas sempre carregam interesses escondidos. Muitos estadistas entraram para a lista dos mais ricos do mundo graças ao discurso de redistribuição de renda.
Centenas de milhões de pessoas foram aniquiladas em nome da justiça social. E Kyoto não é diferente. Os chefes-de-estado de países signatários, cuja produção de poluentes esteja abaixo de suas metas, usarão suas cotas como moeda de barganha. Criar-se-á um escambo de cotas.
Os países industrializados continuarão poluindo, porém, passarão a pagar mesadas aos chefes-de-estado que enterrarão este capital na burocracia e corrupção estatal. Nada mudará, portanto.
E algo que não muda é a tara pelo termo neoliberalismo que se instaurou nos centros acadêmicos do Brasil. O termo, como tudo no Brasil -- a terra do carnaval --, foi desvirtuado. Ganhou sentido pejorativo de dominação.
Roberto Campos, um ícone entre os pensadores liberais, se dedicou à sádica tarefa de corrigir a visão míope dos catedráticos, intelectuais e artistas.
Mesmo com seu vasto conhecimento, não foi capaz de mudar o quadro acadêmico. Não por incompetência, mas por um dogmatismo crônico; uma devoção doentia às ideologias obsoletas que teimam em impregnar o pensamento brasileiro.
E eu, sensatamente, abdico desta tarefa. Danem-se os acadêmicos, intelectuais e artistas. Eles também já me provaram ter muita dignidade.
Eduardo Phillipe, cursa Economia. Alinhado à direita liberal, é influenciado por personalidades do calibre de Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen, Friedrich Hayek, Ludwig von Mises, Locke, Paulo Francis e Olavo de Carvalho. Profissionalmente engajou-se com a área de publicidade. Seu site: http://eduphillipe.blogspot.com email:
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