Acabar não vai, a Arte e a Cultura estão sendo emasculadas, exploradas e banalizadas, verdadeiramente marginalizadas, devido à forte monopolização e a tosca ideologia das instituições públicas e privadas.
Não digo que tais instituições não devam existir, pois alguns papéis sempre podem cumprir, mas tal concentração, quase obsessiva, é um erro temerário.
Duas grandes distorções podem ser verificadas. A primeira é a própria seleção das obras artísticas, escolhidas por pessoas não eleitas para tal e suscetíveis de influências, em geral proprietários de empresas ou funcionários nomeados. A segunda deduz-se da crença ingênua por parte dos artistas de que a simples divulgação e a fama pela simples repetição são suficientes para a realização profissional.
O resultado é a terrível exploração do artista pelas instituições monopolizadoras, que estão usando e abusando dos criadores para suas publicidades.
De modo que idéias como um selo de responsabilidade cultural ou políticas de apoio centralizadoras só vão sublinhar e aumentar estas distorções. A solução é relativamente simples: as leis de incentivo e apoio devem evitar a concentração e a burocracia, exigirem lisura e democracia nas seleções e servirem diretamente aos artistas e animadores culturais.
Por exemplo: a Lei Rouanet e outras similares deveriam conceder 10% de dedução do imposto devido diretamente aos artistas e animadores culturais.
Tal solução permitiria uma ampla e eficaz democratização da cultura, pois o agente cultural poderia beneficiar-se diretamente do apoio oriundo de suas relações pessoais - da padaria, do supermercado do bairro, por exemplo; ou seja, o artista ganharia dinheiro e não somente divulgação, como hoje acontece, já que o artista, como qualquer profissional, deve ganhar dinheiro com seu trabalho.
Leis que impedissem as fraudes poderiam ser criadas e até já existem.
Ter sua obra comprada é o maior incentivo para um artista, hoje e sempre, já que na compra está embutida a idéia de aceitação e de valorização. As instituições públicas e privadas deveriam formar acervos artísticos, tão carentes no País, acervos comprados, e selecionarem seus eventos através de pessoas de inegável saber artístico e, se possível, eleitas.
Já os artistas deveriam saber que a divulgação de seus nomes, tão somente, é uma quimera, mera fogueira de vaidades e que acaba enchendo a burra publicitária das organizações culturais e relegando o criador à marginalização, em evidente prejuízo à Cultura.
Oscar Araripe, nasceu na Tijuca, Rio de Janeiro, em julho de 1941, atualmente morando em Tiradentes, MG, é pintor, escritor, ex-jornalista do Correio da Manhã e Jornal do Brasil. Também hoje articulista do Diário do Nordeste, e nosso Colunista.
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