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Vivemos um comunismo de idéias. É o que pensa Gilberto Gil, nosso ilustre Ministro da Cultura. E Tarso Genro, Ministro da Educação, comprova a teoria de forma exemplar: a Reforma Universitária.
"O artigo [Reforma Universitária] foi feito sob medida para colocar o MST dentro das universidades", Adolfo Melfi - Reitor da Universidade de São Paulo.
Considerando que toda experiência comunista causou um nivelamento populacional arredondado para baixo (colocando pobres e ricos lado-a-lado para plantar arroz ou virar picolé nos gulags), esta conclusão não foi nada lisonjeira. O problema é que Gil está certo. Vivemos uma maré de jequices sem precedentes.
A reforma é mais uma variante do nacional-populismo xenófobo que usa a profecia mitológica da "inclusão social" para bedelhar na administração das universidades públicas. Não bastando o extraordinário fracasso do Estado na educação fundamental e média, a reforma defende uma intervenção estatal ainda maior nas universidades públicas cuja qualidade já demonstra um grande definhamento. Algo para se fazer inveja aos verdinhos de 68-84.
O mais pitoresco tópico da reforma fala em "impedir a mercantilização do ensino superior" pois a educação é "um bem público". Mais a frente, denuncia que 70% das vagas universitárias não são estatais devido à "liberalização do ensino superior a partir da metade da década de 90" e, curiosamente, assume a nobre função de acabar com "a proliferação de instituições caça-níveis, cujo único objetivo é a obtenção de lucros exorbitantes".
Muitas outras palermices são encontradas no sítio do MEC. Mas, a palermice que eles mais cismaram foi essa tal de "educação não é mercadoria". Li umas catorze vezes. No anteprojeto, nos artigos e entrevistas. Claro que a educação não é mercadoria. Educação, para os políticos, é só mais uma lenda inventada para nos enganar e roubar nosso dinheiro.
E quando o assunto é dinheiro, os políticos sempre tentam passar uma imagem puritana; e insensata. Isto fica claro com a limitação de investimentos estrangeiros imposta às universidades e com propostas preconceituosas -- prouni e sistema de cotas --, as quais alegam que pessoas com poder aquisitivo devem cursar faculdades privadas. Entretanto, grande parte deste poder aquisitivo é confiscado pelo governo para manter as universidades públicas, entre outros "bens públicos" de primeira importância, como o AeroLula, muito apreciado por Tarso Genro, diga-se de passagem.
A questão é que as pessoas com melhores condições financeiras não cursam universidades públicas porque são mesquinhas ou porque promovem a exclusão dos pobres, mas, porque pagaram por uma educação privada de qualidade. A exclusão é culpa da inaptidão e incompetência estatal para lidar com os "bens públicos". A iniciativa privada educacional não cresceu de forma "desenfreada" porque é cega pelo dinheiro, mas, devido a uma deficiência descomunal na educação pública. A reforma chega ao Brasil como uma vacina cujo prazo de validade está vencido. Agora, o sistema imunológico privado já se colocou frente à causa. Nesta altura do campeonato, o Estado é o último a ter o direito de exigir uma educação de qualidade.
Dificil entender como o ministro pretende elevar o nível educacional simplesmente despejando dinheiro público nas escolas, ignorando que o modelo pedagógico atual está ultrapassado. Demora demais. E mais difícil é saber o que acontecerá depois da Reforma Universitária. Estou começando a sentir saudades da época que o governo petista era apenas uma propaganda. Só nos incomodava com suas mentiras e ladroagens. Agora teremos que seguir sua cartilha e, com alguma sorte, receber uma estrelinha vermelha no caderno. Eu já pedi a minha, mas, acho que não vou ganhar.
Eduardo Phillipe, cursa Economia. Alinhado à direita liberal, é influenciado por personalidades do calibre de Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen, Friedrich Hayek, Ludwig von Mises, Locke, Paulo Francis e Olavo de Carvalho. Profissionalmente engajou-se com a área de publicidade. Seu site: http://eduphillipe.blogspot.com email:
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