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Escrito por Alexandre Inagaki   
Friday, 11 March 2005
Confesso que sofri. Tudo começou quando o Idelber Avelar, professor de literatura e criador do excelente blog O Biscoito Fino e a Massa, propôs que blogueiros e seus leitores participassem de uma eleição dos dez melhores discos de música popular brasileira, lançados entre 1950 e 2005. Foi aí que começou o meu suplício, porque, como todos bem sabem, listas serão sempre incompletas, voláteis e insuficientes para abarcar todas as nossas preferências.

Diversos álbuns entraram e saíram da minha lista a todo momento. Dentre os que ficaram de fora, destaco:

"Chega de Saudade" (1959), o longplay de estréia do Mestre João Gilberto. Não emplacou a lista porque considerei injusto incluir em meu Top 10 um álbum por causa de duas irretocáveis obras-primas ("Chega de Saudade", para mim a melhor e mais importante música de todos os tempos na história da MPB, e "Desafinado") em meio a outras dez canções que não fazem parte do meu rol de prediletas da casa.

Este foi o único momento em que lamentei o fato de coletâneas não poderem ser incluídas na votação, porque senão "O Mito" (1993), compilação que reúne as gravações dos três primeiros álbuns de João (e que, diga-se de passagem, encontra-se fora de catálogo porque João Gilberto acionou a Justiça a fim de impedir a venda desta coletânea criada pela gravadora sem sua prévia autorização), seria o primeiro lugar de minha lista.

"Falso Brilhante" (1976), de Elis Regina, indubitavelmente a nossa maior intérprete, em um disco que, além das belchiorianas "Como Nossos Pais" e "Velha Roupa Colorida", apresenta duas de suas mais emocionantes gravações: "Fascinação" e "Gracias a la Vida";

"Roberto Carlos" (1969), álbum de transição entre a Jovem Guarda e a fase "cama-e-mesa", que apresenta três das baladas mais matadoras do parceiro do Erasmo: "As Curvas da Estrada de Santos", "As Flores do Jardim da Nossa Casa" e a excepcional "Sua Estupidez". De quebra, é o disco com a melhor performance soul do Rei: "Não Vou Ficar", composição de Tim Maia;

"Vivendo e Não Aprendendo" (1986), a obra-prima do grupo paulistano Ira!, repleta de clássicos dos anos 80 como "Envelheço na Cidade", "Dias de Luta", "Flores em Você" e a pungente "Quinze Anos", um dos melhores retratos já traçados a respeito dos desconcertos daquela fase em que temos tantas espinhas na cara quanto dúvidas existenciais.

Enfim, antes que eu comece a recordar mais ausências, melhor deixar os preâmbulos e partir para a publicação da minha lista. Mas fica aqui o convite: participe você também da votação, seja postando suas escolhas em seu blog, seja publicando-as neste espaço de comentários.

Os resultados serão publicados em breve pelo Idelber em seu blog, isto se ele não perder antes a sanidade depois da trabalheira que ele terá para computar todos os votos... (o resultado saiu, vide abaixo*).

* * * * *

1) "Tropicália ou Panis Et Circencis" (1968). Ouça uma balada com a beleza de "Baby". Pense nos recortes justapostos das letras de Capinam, Torquato Neto, Tom Zé, Gil e Caetano, retratos do contexto conturbado de tempos imediatamente pré-AI-5. Viaje com os fantásticos arranjos de sopros e cordas criados pelo genial Rogério Duprat. Deleite-se, com sorriso nos tímpanos, ao ouvir as subversivas regravações de "Coração Materno" (de Vicente Celestino) e do Hino do Senhor do Bonfim, e a maviosa voz de Nara Leão em "Lindonéia". E desfrute, enfim, de um álbum-conceito que consegue ao mesmo tempo soar assombroso e acessível, experimental e pop, caótico e coerente, renovador e assobiável.

2) "Construção" (1971) - Chico Buarque. Um dos maiores, senão o melhor de todos os letristas da MPB, imortaliza aquela que talvez seja sua obra-prima em versos na música que dá nome ao álbum. Em plena era Médici, "Construção" traça um retrato concreto (e, ao mesmo tempo, um desenho mágico) da realidade embotada do trabalhador brasileiro, em versos proparoxitonamente antológicos. Mas, para além de "Construção" e de sua canção-irmã "Deus lhe Pague" (ambas com arranjos do mestre tropicalista Duprat), Chico gravou ainda outras canções que merecem lugar garantido no cânone de sua obra, como "Cotidiano" ("Todo dia ela faz tudo sempre igual/ Me sacode às seis horas da manhã/ Me sorri um sorriso pontual/ E me beija com a boca de hortelã"), "Desalento" e "Valsinha".

3) "A Tábua de Esmeralda" (1974) - Jorge Ben. Muito antes de mudar seu sobrenome para Benjor, Jorge chegou ao auge neste álbum que miscigena soul, samba, jazz, bossa nova, funk e blues, amalgamados com um estilo único de tocar violão e letras misticamente delirantes. Do clima descontraído das gravações (que perpassa todo o álbum) até a genuína inspiração (ir)responsável por gemas do suíngue como sincopada
"Brother", a galanteadora "Minha Teimosia é uma Arma pra te Conquistar" ou a hipnótica "Errare Humanum Est", este álbum por si só já garantiria a Jorge um lugar entre os maiores da MPB.

4) "Dois" (1986) - Legião Urbana. Juventude, transgressão, rebeldia contra o establishment, esperança ingênua em mudar o mundo: sim, todos nós já fomos jovens. E, em se tratando de rock nacional, não há trilha sonora mais adequada para essa etapa da vida do que Legião Urbana. Ao contrário da pasmaceira vigente no BRock que toca nas FMs atualmente, à base de músicas que parecem orbitar no mesmo repetitivo binômio sexo/maconha, a Legião faz sucesso até hoje por abordar em suas canções assuntos efetivamente relevantes como política, religião, amor e as decepções com a vida em geral. Em "Dois", Renato Russo alcança o equilíbrio preciso entre a revolta punk e o lirismo de composições como "Tempo Perdido", "Daniel na Cova dos Leões", "Acrylic on Canvas", "Quase Sem Querer" e aquela que talvez seja a mais bela de todas as canções sobre o desencanto juvenil, "Andrea Doria", dos versos "Quero ter alguém com quem conversar/ Alguém que depois não use o que eu disse/ Contra mim".

5) "Cartola" (1976). Nascido em 1908, o carioca Angenor de Oliveira ganhou o apelido de Cartola porque, quando trabalhava como pedreiro, usava um chapéu para evitar que seu cabelo ficasse sujo de cimento. Aos 20 anos, fundou com mais sete amigos uma escola de samba no subúrbio em que morava: a Estação Primeira de Mangueira. Por anos a fio compôs diversas músicas, dentre eles os primeiros sambas-enredos de sua escola, sempre convivendo com dificuldades financeiras. Cartola só veio a gravar seu primeiro disco em 1974, aos, vejam só, 65 anos de idade, graças aos esforços do produtor Marcus Pereira. Em 1976, foi lançado o seu segundo álbum (e o meu predileto). Algumas de suas canções: "As Rosas Não Falam", "O Mundo é um Moinho", "Preciso me Encontrar", "Ensaboa Mulata" e "Cordas de Aço". Preciso ainda justificar a inclusão desta jpreciosidade em minha lista?

6) "Ideologia" (1988) - Cazuza. Em abril de 1987 Agenor de Miranda Araujo Neto amargava as primeiras crises decorrentes da Aids que já minava seu organismo. Contra a iminência da morte, veio a sua resposta através da música: "O meu prazer/ Agora é risco de vida". Ao mesmo tempo, Cazuza traça um retrato daqueles tempos pós-Cruzado ("Não me ofereceram/ Nem um cigarro/ Fiquei na porta estacionando os carros/ Não me elegeram/ Chefe de nada/ O meu cartão de crédito é uma navalha"), enquanto flerta com a bossa nova e a MPB em composições como "Faz Parte do Meu Show" e "Um Trem para as Estrelas" (em parceria com Gilberto Gil), atingindo o auge do seu lirismo com "Blues da Piedade" ("Vamos cantar o blues da piedade/ Porque há um incêndio sob a chuva rala/ Porque somos iguais em desgraça").

7) "Foi um Rio que Passou em Minha Vida" (1970) - Paulinho da Viola. Filho de um dos integrantes do Época de Ouro, considerado um dos maiores grupos de choro da história, o jovem Paulo presenciou desde garoto tertúlias musicais com nomes como Pixinguinha e Jacob do Bandolim. Felizmente não sairia imune dessa vivência musical. Ainda jovem, ingressou na ala de compositores da Portela e emplacou, em 1966, seu samba-enredo "Memórias de Um Sargento de Milícias", campeão do carnaval daquele ano. Em 1968, aos 26 anos, gravou seu primeiro disco solo. Um ano depois, venceu o último festival de MPB da TV Record com o clássico "Sinal Fechado". Em 1970 lançou novo álbum, em que logo despontou uma canção em homenagem à sua escola de coração, a Portela: "Foi um Rio que Passou em Minha Vida". O samba ganhava seu mais novo mestre.

8) "Pérola Negra" (1973) - Luiz Melodia. Filho de sambista, crescido no bairro do Estácio no Rio, Melodia amalgamou em sua música influências variadas, que vão do rock ao jazz. Antes de gravar seu primeiro álbum, mostrou à dupla Torquato Neto e Waly Salomão uma composição inédita. Os dois, imediatamente fisgados por aquela música, trataram de convencer Gal Costa a gravá-la em um álbum: era "Pérola Negra". Catapultado pelo sucesso dessa canção, que em sua peculiar voz ganhou um dos mais belos arranjos que já ouvi em uma música, Luiz Melodia gravou um imediato clássico da MPB. Além de "Pérola Negra", de versos contundentemente paradoxais ("Baby, te amo/ Nem sei se te amo"), destacam-se as gravações de "Estácio, Holly Estácio", "Abundantemente Morte" e "Vale Quanto Pesa".

9) "Passarim" (1987) - Tom Jobim. Quando se fala no melhor da MPB, não é concebível a omissão do nome de Antônio Carlos Jobim. Aos 60 anos de idade, após ter vivenciado a concepção da bossa nova (da qual foi um dos pais), a consagração nos Estados Unidos (com direito a dueto com Frank Sinatra), enveredado por experimentações instrumentais (misturando jazz a elementos tipicamente tupiniquins) e excursões plenamente sucedidas no mundo inteiro, Tom Jobim gravou "Passarim", que foi, por incrível que pareça, o primeiro Disco de Ouro da carreira de Tom no Brasil. Como é característico em toda a sua obra, "Passarim" é um álbum repleto de canções de extraordinária riqueza melódica, dentre as quais destaco "Luíza" (cuja letra prova que o maestro, além de compositor, também era versejador de mão cheia), "Anos Dourados", "Borzeguim" e "Bebel".

10) "Noturno Copacabana" (2003) - Guinga. Fiz questão de incluir este álbum, o mais recente de toda a lista, porque Carlos Althier de Souza Lemos Escobar, o Guinga, ainda não recebeu todo o reconhecimento que lhe é devido, e isso apesar de já fazer por merecer um lugar no panteão dos Grandes da MPB, ao lado de talentos como Noel Rosa, Chico Buarque, Tom Jobim, Lamartine Babo e Orestes Barbosa. Neste que é o seu sexto álbum, Guinga grava parcerias com letristas do porte de Aldir Blanc, Nei Lopes e Paulo César Pinheiro, resgata as heranças musicais de mestres como Radamés Gnatalli e Villa-Lobos, mescla influências de baião, xaxado, choro e blues e grava, ao lado da cantora Ana Luiza, aquela que foi considerada por ninguém menos que Chico Buarque "a canção do século": "O Silêncio de Iara". Que mais pessoas conheçam o trabalho destre mestre, compositor de outras gemas como "Catavento e Girassol" e "Senhorinha".

Pensar Enloquece. Pense Nisto. http://www.pensarenlouquece.com

Sábado, 12 de março de 2005
Resultados da Votação Discográfica
A "Tábua de Esmeralda", de Jorge Ben Jor (1974), em 1º lugar, com 76 ptos. Ele já havia blackificado a bossa nova e eletrificado o samba; já havia abraçado o tropicalismo, já havia celebrado a diáspora negra, mas só em 1974 Jorge Ben Jor – então Ben só – lançava o disco que foi escolhido aqui por 50 eleitores como o melhor da música brasileira popular. Não dá prá dizer que não está bem escolhido.
Em 2º lugar ficou "Construção", de Chico Buarque (1971), com 62 ptos.
 

Aqui vai a lista dos 30 primeiros colocados, com os respectivos nºs de pontos:

3) Elis e Tom (55);
3) Clube da Esquina – Milton Nascimento e Lô Borges (55);
5) Dois – Legião Urbana (54);
5) Tropicália ou Panis et Circenses (54);
7) Krig-ha-Bandolo! – Raul Seixas (45);
8) Verde, anil, amarelo, cor de rosa e carvão – Marisa Monte: 40;
9) Afrociberdélia - Chico Science e Nação Zumbi (39) (este disco de Chico Science teve 11 menções e foi o único disco lembrado por mais de 9 pessoas)
10) Secos & Molhados (34);
11) Transa - Caetano Veloso (33);
12) A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado – Mutantes (32);
13) Chico Buarque – 1978 (30);
14) Chico Buarque 1984 (26);
14) Chega de Saudade - João Gilberto (26);
16) Meus Caros Amigos – Chico Buarque (26);
16) África Brasil – Jorge Ben (26);
18) Fatal - Gal a Todo Vapor – Gal Costa (24);
19) Caetano Veloso 1968 (23);
20) Acabou Chorare – Novos Baianos (23);
21) Da lama ao caos – Chico Science e Nação Zumbi (23);
22) Cartola 1976 (22);
22) Olho de Peixe – Lenine e Marcos Suzano (22);
24) Novo Aeon – Raul Seixas (20);
25) Cinema Transcendental – Caetano Veloso (18);
26) Som Pixinguinha (17);
27) Cabeça dinossauro – Titãs (15);
28) Álibi – Maria Bethânia (14);
29) Clementina e convidados (13);
30) Refavela – Gilberto Gil (12).

Dados: Votaram 50 pessoas, exatamente. 289 títulos diferentes foram nomeados, de Villa Lobos a Vzyadoq Moe. Se alguém quiser a lista completa, é só me escrever: Idelber Avelar, acesse Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso '; document.write( '' ); document.write( addy_text50891 ); document.write( '<\/a>' ); //-->\n Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso . Dezenas de blogs linkaram, participaram, fizeram posts e ajudaram a divulgar. Centenas de pessoas deixaram pitacos aqui e milhares nos viram papear. A leitora e amiga Cipy Lopes foi generosa com seu tempo. Recebeu, organizou e contou todos os votos; eu só fiz a soma final. Muito obrigado a todos e especialmente a ela. Eu quase pirei fazendo esta brincadeira, mas valeu a pena: conheci um bocado de gente bacana, fiquei sabendo mais sobre os amigos que já conhecia e recolhi dados valiosíssimos para trabalhos futuros sobre música brasileira popular.

Deixo a interpretação dos números a cargo de vocês: Celebro a vitória de Ben Jor, a presença de Raulzito no top 10, o record de menções de Chico Science e, para dizer a verdade, não me conformo muito em ver Legião Urbana no top 10 no meu próprio blog, com um disco que não está entre os 100 melhores feitos no Brasil na década de 80. Mas enfim, vocês escolheram, não era meu papel fraudar a eleição – eu moro em New Orleans, não na Flórida. Além do mais, não dava para negar que o resto está bem escolhido. Parabéns, eleitores.

fonte: O Biscoito Fino e a Massa (autor: Idelber Avelar),
e-mail : Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso

Comentarios (11)Add Comment
daniel
escrito por Visitante, 2005-05-02 15:02:25
fei
...
escrito por Visitante, 2005-06-09 06:21:26
suas musicas sao muito legais
Rheila(sei la)
escrito por Visitante, 2005-06-30 18:38:20
Oiii..queria que tivesse as musicas que falasse de mg que tenho que fazer uma exposiao e tenho que falar das musicas que fala sobre mg blz xauu fuizz..=*
rodrigo fernando de almeida
escrito por Visitante, 2005-07-26 17:02:35
estou muito feliz em saber que algo tão valioso para nossa cultura que por muitas vezes está desgastada por tantos momentos de vergonha e decepção seja audaciosamente avaliada(porquê não é fácil julgar ou determinar o que foi bom ou ruim nesse universo tão grandioso que é nossa mpb) vejo que muitos foram lembrados e é isso que conta!!! POVO PRÓSPERO É AQUELE QUE TEM MEMÓRIA
lista completa
escrito por Visitante, 2005-08-05 11:29:43
Gostaria de ter a lista completa da votao!
Grato
Eduardo
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JORGE BEN JOR (pequena biografia)
escrito por Guest, 2006-01-27 04:22:31
Jorge Duílio Lima Meneses, compositor, cantor, instrumentista, carioca, nasceu no Rio de Janeiro, RJ 22/3/1942 - Filho de Augusto Meneses, estivador, feirante, pandeirista do bloco carioca Cometas do Bispo, cantor e compositor carnavalesco, e de Sílvia Saint Ben Lima, etíope, morava numa favela da Rua do Bispo, no bairro de Rio Comprido. Aos 13 anos ganhou um pandeiro e começou a tocar num regional; aos 15, cantava no coro da igreja do Colégio Diocesano São José, onde fez o ginásio. Gostava muito de jogar futebol e chegou, inclusive, a integrar a equipe infanto-juvenil do Flamengo. Aos 18 anos, quando servia o Exército, a mãe lhe deu um violão e um método para principiantes. Tocando e cantando bossa nova, rock e twist, costumava apresentar-se em festinhas de amigos. Por 1961, o contrabaixista do Copa Trio, Manuel Gusmão, convidou-o para ensaiar com seu conjunto. Nessa época, Zé Maria, organista e líder de conjunto que se apresentava no Beco das Garrafas, descobriu-o e levou-o como pandeirista para se apresentar no Little Club, e, logo depois, no Bottle's, tocando violão e cantando suas músicas. Ainda por volta de 1961, atuou como cantor de rock na boate Plaza, em Copacabana. Em 1963 voltou ao Bottle's, acompanhado pelo Copa Cinco (Meireles no sax, Pedro Paulo no trompete, Toninho no piano, Dom Um na bateria e Manuel Gusmão no baixo) e Zé Maria colocou duas músicas suas - Mas, que nada e Por causa de você -, no LP Tudo azul, de cuja gravação o compositor participou como ritmista e como cantor do coro. No dia seguinte foi contratado pela Philips e lançou o primeiro 78 rpm, com essas músicas, acompanhado pelo Copa Cinco, obtendo grande êxito. Também desse ano é o primeiro LP, Samba esquema novo, também de grande sucesso, e o segundo, Sacudin Ben samba. Em 1964 sua composição Chove chuva foi gravada ao vivo, no Teatro Paramount, e incluída no terceiro LP, Ben é samba bom. No ano seguinte, a convite do Ministério das Relações Exteriores, foi aos E.U.A., onde, durante três meses, se apresentou em universidades e clubes. De volta ao Brasil, encontrou dificuldades em se situar no panorama musical brasileiro, dividido entre o iê-iê-iê da Jovem Guarda e os sambas e marchas carregados de conteúdo social. Essa situação, agravada pelo relativo fracasso de seus dois últimos LPs, provocou incidentes embaraçosos: depois de ensaiar para o programa da TV Record O Fino da Bossa, foi excluído pouco antes de entrar no palco, por ter se apresentado, no dia anterior, a convite de Roberto Carlos, no programa Jovem Guarda da mesma emissora, cantando Agora ninguém chora mais, bem recebida pelo público do auditório. Enquanto Mas, que nada e Chove chuva chegavam às paradas de sucesso, nos E.U.A., lançados por Sérgio Mendes, e, em seguida, suas músicas Zazueira e Nena naná eram gravadas, respectivamente, por Herp Albert e José Feliciano, sua carreira atravessava momento difícil: os três compactos seguintes, lançados pela Mocambo, foram recebidos com frieza pelo público e pela crítica. Um dos responsáveis pela fixação do funk na cultura carioca e pela injeção da soul music no samba, gravou em 1967 o LP O Bidu - Silêncios no Brooklin, que incluía maracatus misturados ao rock'n roll. Somente no final de 1968 suas composições reencontraram o caminho do sucesso, depois de apresentação como convidado no programa Divino Maravilhoso, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, na TV Tupi. Nos primeiros meses de 1969 teve êxito com Cadê Teresa, Que pena, Que maravilha (com Toquinho), Minha menina, Domingas, País tropical. No mesmo ano participou do IV FIC, da TV Globo, no Rio de Janeiro, com Charles, anjo 45 e, em 1970, apresentou Eu também quero mocotó, no V FIC, interpretada pelo maestro Erlon Chaves, a Banda Veneno e o Trio Mocotó. Ainda nesse ano sua música Domingas foi muito aplaudida no MIDEM, em Cannes, França. Em 1972 fez temporadas na Itália, Portugal e Japão, onde chegou a gravar um LP ao vivo. Participou em 1972 do VII FIC, com a música Fio Maravilha, classificada em primeiro lugar na interpretação de Maria Alcina. Em 1974 lançou dois LPs bem sucedidos: Jorge Ben - dez anos depois e Os alquimistas estão chegando. No ano seguinte gravou, com Gilberto Gil, um álbum duplo intitulado Gil-Jorge, e realizou apresentação única no Teatro Sistina, em Roma, Itália, gravada ao vivo pela televisão italiana. Nos anos de 1980, popularizou-se no exterior. Em 1989 lançou o LP Alô, alô, como vai?, pela Som Livre, que além da canção-título inclui Cae, cae, Caetano, Lady Benedicta e A cegonha me deixou em Madureira. Em 1989, por problemas de direitos autorais, alterou seu sobrenome para Jorge Ben Jor. Em 1990 lançou W Brasil e, em 1991, Jorge Ben Jor ao vivo no Rio. Em 1995 lançou o CD World dance, pela WEA, com os sucessos Pisada de elefante, W/Brasil e Alcohol, todas de sua autoria.
regina pereira ortiz fernandes
escrito por Visitante, 2006-06-21 09:24:47
nao entendi essas bolinhas
...
escrito por airlayne, 2006-10-13 14:49:45
vcs deveriam colocar coisas interresante no email ok e ñ essas bobagens ok
MPB
escrito por LARISSA, 2007-04-02 01:40:44
Gostaria de ouvir a música Cidade Maravilhosa.

ASS.:LARISSA
Grande lista
escrito por Vinicius Andrade, 2007-04-21 16:11:09
Muito boa a lista de melhores da MPB, apesar de achar difícil fazer algo nesse sentido, pois muitos ficaram de fora, com toda certeza. Mas meus preferidos estão lá: Jorge Ben, Chico, Novos Baianos... Grande lista!
cadê ?
escrito por fer, 2007-11-22 22:29:40
só faltou a Nara Leão
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