Fala, Brasil! - Corrida Perdida
  Página Inicial arrow Colunistas arrow Adriana Vandoni Curvo arrow Corrida Perdida Sunday, 23 November 2008 
Fala, Brasil !
Página Inicial
Fórum
Artigos
Forum Fala, Brasil!
Colunistas
Notícias
Mapa do Site
Dê um toque
Add to Technorati Favorites
Login (gratuíto)





Esqueceu sua senha?
Ainda não tem uma conta de acesso? Registre-se
Itens Relacionados
Estatísticas
Brazil / Organic personal skin care wholesale
Corrida Perdida PDF Imprimir E-mail
Escrito por Cristovam Buarque   
Saturday, 19 February 2005

Nos anos 70 e 80, poucos escutavam os que afirmavam que países como Irlanda, Coréia e Espanha deixariam o Brasil para trás, por causa dos seus investimentos em educação.

No Brasil, sucessivos governos mantiveram a velha crença de que a porta de entrada para a modernidade era a fábrica e a industrialização, e não a escola e a educação.

Aqueles países investiam nas duas coisas, mas enfatizando a educação, o Brasil também, mas favorecendo a indústria e a infra-estrutura.

Trinta anos depois, a infra-estrutura brasileira era superior à daqueles países, e sua educação vergonhosamente inferior. Agora eles já têm uma infra-estrutura melhor, mas com um povo educado, capaz de levar adiante seu projeto de modernização.

O Brasil perdeu a corrida para uma dezena de países que não estavam à nossa frente no começo dos anos 70. E está perdendo para um muito próximo.

O México, em dez anos, terá nos deixado para trás na corrida pela modernidade. E exibirá indicadores de educação e, conseqüentemente os demais, muito superiores aos brasileiros.

Isso é o resultado de um movimento nacional pela educação, que vem passando de um governo para outro, independentemente do partido dominante. Desde os governos anteriores ao presidente Vicente Fox, a educação vem sendo tratada como assunto federal.

O piso salarial dos professores, por exemplo, é pago pelo governo federal. Daí a força do sindicato nacional de professores, que têm um só patrão. Governos locais podem complementar os salários de seus professores, dependendo das finanças dos Estados ou municípios, mas a base maior dos salários é federal. Nenhum governo quis mudar essa política.

Em 1997, inspirado no programa do Distrito Federal e de em algumas cidades brasileiras, o presidente Zedillo adotou a bolsa-escola, pagando um valor decente às famílias, cerca de US$ 20 por criança, com um rigoroso controle da freqüência às aulas. Ao assumir o governo, o presidente Fox, que era de oposição, manteve o programa intacto.

Criou ainda um programa nos moldes do Poupança Escola, implantado no Distrito Federal na gestão de 95 a 98, que prevê um depósito anual em caderneta de poupança para a criança que for aprovada e se matricular na série seguinte, sendo o saldo retirado após a conclusão do ensino médio.

No dia 4 de janeiro, o presidente Fox sancionou uma lei que obriga o setor público mexicano a gastar no mínimo 8% do PIB com educação, quase o dobro do que o Brasil vai gastar este ano, 4,5%. Essa lei recebeu, na Câmara de Deputados, 373 votos a favor, um contra e uma abstenção.

É essa disposição de todos que coloca esses países à frente do Brasil. É a nossa falta de disposição para fazer da educação um vetor do nosso desenvolvimento e da qualidade de vida do nosso povo que nos deixa para trás. Com respeito a alguns países que eram iguais a nós, esse atraso já é definitivo.

Isso não se dá por falta de quem defenda a educação. Não se explica que o país de Paulo Freire, símbolo mundial da luta contra o analfabetismo, apresente um dos maiores índices de analfabetismo do mundo, ou que a escola básica do país de Anísio Teixeira enfrente situação tão vergonhosa, ou que a universidade do país de Darcy Ribeiro seja tão descomprometida com a causa da educação.

E ninguém entende porque um país que fez tamanha virada eleitoral à esquerda mantenha o rumo e a lentidão que vêm desde os anos 60, atrás do resto do mundo, aumentando essa brecha educacional e, conseqüentemente, perdendo a corrida para o futuro.

Cristovam Buarque é Ph.D. em Economia. Foi governador do Distrito Federal (1995-98), em 2002 elegeu-se senador pelo PT com a maior votação dada a um político no Distrito Federal. Foi Ministro da Educação (2003-04). É membro do Instituto de Educação da Unesco. Autor do livro "Admirável Mundo Atual". Você pode visitar sua homepage - http://www.cristovam.com.br e escrever-lhe em Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso

Comentarios (1)Add Comment
Arte/Educação
escrito por Fundação Oscar Araripe, 2007-11-02 12:16:28
Se as artes e a cultura tivessem um defensor como a educação tem em Cristovan Buarque estaríamos bem. E o país tambémn, e principalmente.
Oscar Araripe

Escreva seu Comentario
quote
bold
italicize
underline
strike
url
image
quote
quote
smile
wink
laugh
grin
angry
sad
shocked
cool
tongue
kiss
cry
smaller | bigger

security code
Escreva os caracteres mostrados


busy
 
< Anterior   Próximo >
FeedBurner


Receba conteúdo grátis

Nosso Feed
Humor Brasileiro
  Kibe Loco
Folha de S. Paulo
powered by joomla open source designed by joomla-templates.com