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A Origem da Corrupção PDF Imprimir E-mail
Escrito por Stepan kanitz   
Thursday, 17 February 2005

O Brasil não é um país intrinsecamente corrupto. Não existe nos genes brasileiros nada que nos predisponha à corrupção, algo herdado, por exemplo, de desterrados portugueses.

A Austrália que foi colônia penal do império britânico, não possui índices de corrupção superiores aos de outras nações, pelo contrário.

Nós brasileiros não somos nem mais nem menos corruptos que os
japoneses, que a cada par de anos têm um ministro que renuncia diante de denúncias de corrupção.

Somos, sim, um país onde a corrupção, pública e privada, é detectada somente quando chega a milhões de dólares e porque um irmão, um genro, um jornalista ou alguém botou a boca no trombone, não por um processo sistemático de auditoria.

As nações com menor índice de corrupção são as que têm o maior número de auditores e fiscais formados e treinados. A Dinamarca e a Holanda possuem 100 auditores por 100.000 habitantes. Nos países efetivamente auditados, a corrupção é detectada no nascedouro ou quando ainda é pequena.

O Brasil, país com um dos mais elevados índices de corrupção, segundo o World Economic Forum, tem somente oito auditores por 100.000 habitantes, 12.800 auditores no total. Se quisermos os mesmos níveis de lisura da Dinamarca e da Holanda precisaremos formar e treinar 160.000 auditores.

Simples. Uma das maiores universidades do Brasil possui hoje 62 professores de Economia, mas só um de auditoria. Um único professor para formar os milhares de fiscais, auditores internos, auditores externos, conselheiros de tribunais de contas, fiscais do Banco Central, fiscais da CVM e analistas de controles internos que o Brasil precisa para combater a corrupção.

A principal função do auditor inclusive nem é a de fiscalizar depois do fato consumado, mas a de criar controles internos para que a fraude e a corrupção não possam sequer ser praticadas. Durante os anos de ditadura, quando a liberdade de imprensa e a auditoria não eram prioridade, as verbas da educação foram redirecionadas para outros cursos.

Como consequência, aqui temos doze economistas formados para cada auditor, enquanto nos Estados Unidos existem doze auditores para cada economista formado. Para eliminar a corrupção teremos de redirecionar rapidamente as verbas de volta ao seu devido destino, para que sejamos uma nação que não precise depender de dedos duros ou genros que botam a boca no trombone, e sim de profissionais competentes com uma ética profissional elaborada.

Países avançados colocam seus auditores num pedestal de respeitabilidade e de reconhecimento público que garante a sua honestidade.

Na Inglaterra, instituíram o Chartered Accountant. Nos Estados Unidos eles têm o Certified Public Accountant. Uma mãe inglesa e americana sonha com um filho médico, advogado ou contador público. No Brasil, o contador público foi substituído pelo engenheiro.

Bons salários e valorização social são os requisitos básicos para todo sistema funcionar, mas no Brasil estamos pagando e falando mal de nossos fiscais e auditores existentes e nem ao menos treinamos nossos futuros auditores.

Nos últimos nove anos, os salários de nossos auditores públicos e fiscais têm sido congelados e seus quadros, reduzidos - uma das razões do crescimento da corrupção. Como o custo da auditoria é muito grande para ser pago pelo cidadão individualmente, essa é uma das poucas funções próprias do estado moderno.

Tanto a auditoria como a fiscalização, que vai dos alimentos e segurança de aviões até os direitos do consumidor e os direitos autorais.

O capitalismo remunera quem trabalha e ganha, mas não consegue remunerar quem impede o outro de ganhar roubando. Há quem diga que não é papel do Estado produzir petróleo, mas ninguém discute que é sua função fiscalizar e punir quem mistura água ao álcool.

Não serão intervenções cirúrgicas (leia-se CPIs), nem remédios potentes (leia-se códigos de ética), que irão resolver o problema da corrupção no Brasil. Precisamos da vigilância de um poderoso sistema imunológico que combata a infecção no nascedouro, como acontece nos países considerados honestos e auditados.

Portanto, o Brasil não é um país corrupto.

É apenas um país pouco auditado.

*Stephen Kanitz, é administrador por Harvard

kanitz

Comentarios (7)Add Comment
...
escrito por Visitante, 2005-03-18 20:41:18
É UMA PENA QUE O NOSSO PAIS SE ACOSTUMOU A VIVER NUM SISTEMA UNICO NO MUNDO DE CORRUPCAO, VIVO NOS USA A 6 ANOS E AINDA NAO TENHO CORAGEM DE VOLTAR, VI UMA MATERIA RECENTE SOBRE A KOREIA DO SUL, FIQUEI ENCANTADO COM O SISTEMA DE EDUCACAO DELES. O BRASIL SÓ IRA SAIR DA LAMA, COMBATENDO A CORRUPCAO DOS POLITICOS E APLICANDO O DINHEIRO NA EDUCACAO PRIMARIA E SECUNDARIA, CONSEQUENTEMENTE, ENVOLVER A INICIATIVA PRIVADA PARA INVESTIR NOS NIVEIS SUPERIORES,POLITICOS CORRUPTOS, PAIS POBRE..............NETO
A corrupção do Brasil
escrito por Harlei Cursino Vieira, 2006-10-01 00:55:14
A corrupção do Brasil está no sangue. Está diretamente ligada aos nossos ancestrais, aos primeiros portugueses que aqui desembarcaram, e que vieram na frota de Cabral, de Portugal. Vieram somente o que há de mais podre, gente que não presta, nos navios Santa Maria, Pinta e Nina e se misturaram aos indígenas. Sabe como é, no navio de Cabral só vieram homens, chegaram aqui encontraram um monte de índia pelada. Mais de 100 homens no mar, mais de 40 dias sem ver mulher, viram as índias nuas e aí com o tempo, começou o processo de miscigenação que culminou no cruzamento de branco com o indio e Portugal começou a explorar o Brasil.
Presidente Lula volta a criticar elite
escrito por Harlei Cursino Vieira, 2006-10-16 05:28:30
Presidente Lula volta a criticar elite
O presidente-candidato Lula criticou a "parcela da elite brasileira" que, segundo ele, seria contrária aos programas sociais do governo e às ações oficiais voltadas para "índios, negros e pobres"
NÃO TEM SOLUÇÃO!
escrito por Abreu Mnedes, 2007-07-20 17:16:59
VOTEM NAS PUTAS, PORQUE NOS FILHOS NÃO DA MAIS!
...
escrito por Harlei Cursino Vieira, 2007-07-24 19:24:26
Não sei se ten como salvar o Brasil. O Brasil está envolvido em um sistema de muitas desigualdades econômicas e sociais dentro do contexto histórico, lembrando que as eleições para prefeitos e vereadores ocorrerão, se Deus quiser, no ano de 2008.
É por isso que o Brasil não vai prá frente
escrito por Harlei Cursino Vieira, 2007-09-03 01:17:45
É por isso que o Brasil não vai prá frente. Dinheiro público é para investir em educação, saúde, saneamento básico,segurança,iluminação pública e etc. Olha o tanto de políticos que estão sendo processados e, respectivamente, serão julgados como réus nos Tribunais: Supremo Tribunal Federal e etc.
Pobres pagam mais imposto que os ricos no Brasil
escrito por Harlei Cursino Vieira, 2008-05-17 02:54:56


Nota do IPEA

Os 10% mais ricos concentram 75% da riqueza do país. Para agravar ainda mais o quadro da desigualdade brasileira, os pobres pagam mais impostos que os ricos.
Segundo levantamento feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), apresentado hoje (15/5) ao CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) reunido em Brasília, os 10% mais pobres do país comprometem 33% de seus rendimentos em impostos, enquanto que os 10% mais ricos pagam 23% em impostos.
“O país precisa de um sistema tributário mais justo que seja progressivo e não regressivo como é hoje. Ou seja, quem ganha mais deve pagar mais; quem ganha menos, pagar menos”, disse o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, durante a apresentação do levantamento, que foi feito por pesquisadores das diretorias de Estudos Sociais, Macroeconomia e Estudos Regionais e Urbanos, para contribuir na discussão da reforma tributária.
Os números do Ipea mostram que os impostos indiretos (aqueles embutidos nos preços de produtos e serviços) são os principais indutores dessa desigualdade. Os pobres pagam, proporcionalmente, três vezes mais ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) que os ricos. Enquanto os ricos desembolsam em média 5,7% em ICMS, os pobres pagam 16% no mesmo imposto.
Nos impostos diretos (sobre renda e propriedade) a situação é menos grave, mas também desfavorável aos mais pobres. O IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) tem praticamente a mesma incidência para todos, com alíquotas variando de 0,5% para os mais pobres a 0,6% e 0,7¨% para os mais ricos. Já o IPTU (Imposto sobre Propriedade Territorial e Urbana) privilegia os ricos. Entre os 10% mais pobres, a alíquota média é de 1,8%; já para os 10% mais ricos, a alíquota é de 1,4%.
“As mansões pagam menos imposto que as favelas, e estas ainda não têm serviços públicos como água, esgoto e coleta de lixo”, alertou o presidente do Ipea.

Veja os dois documentos que compõem o levantamento do Ipea.
Levantamento

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