| Farinha Pouca - Crise da Sustentabilidade |
|
|
|
| Escrito por Weber Figueiredo* | |
| Monday, 24 January 2005 | |
|
Para compreendermos melhor os conflitos no mundo onde vivemos é interessante partirmos de premissas básicas, simples, insofismáveis e que obedeçam as leis da física. Uma delas afirma: tudo que temos ou que consumimos vem dos recursos naturais do planeta Terra, os quais são finitos. Exemplo simples: um automóvel é a mistura de bauxita (alumínio), minério de ferro (chapas), areia (vidros) e petróleo (borrachas e plásticos).
Quando todos têm acesso ao consumo de riquezas comida, medicamentos, eletrodomésticos, livros, moradia, automóveis etc. acabam-se os chamados problemas sociais, os quais, na realidade, são problemas econômicos e, por isso, não podem ser erradicados com filantropia. Naturalmente, o padrão de vida das sociedades fica limitado pela disponibilidade desses recursos, pela capacidade de transformá-los em riquezas e pelos custos dos impactos ambientais. Até a quantidade de fotossíntese, necessária à produção
de comida, é limitada pela densidade de potência de 1370 watts
por metro quadrado que o sol fornece ao planeta. Não adianta
querer mais energia, o sol não atende. "Existem boas razões para nos preocuparmos com os
impactos ambientais provocados por 5 bilhões de pessoas
consumindo ao nível dos países desenvolvidos da Europa e América
do Norte.Devido as altas taxas de crescimento econômico em
muitas partes do mundo, bem como a rápida propagação de meios
eletrônicos, publicidade e bens de consumo, nós devemos
questionar que espécie de consumo futuro podemos esperar em áreas
que agora estão restritas à pobreza e ao isolamento. Se todos
desejarem ter o estilo de vida de alto-consumo do Ocidente, o
implacável crescimento no consumo, no uso de energia, na produção
de resíduos e emissão de gases pode ser catastrófico." Vejamos: os Estados Unidos, com 300 milhões de habitantes, 5% da população mundial, consomem cerca de um terço dos recursos naturais do planeta Terra, que tem 6,3 bilhões de pessoas. Por isso os americanos são ricos, porque produzem ou importam riquezas, as quais, naturalmente, têm origem na mamãe Terra; nada vem da Lua ou de Marte. Partindo desses dados concluímos matematicamente [*] algo surrealista: caso quiséssemos que todo habitante do planeta Terra passasse a ter o mesmo padrão de vida do homem americano, deveríamos multiplicar o atual consumo de recursos naturais por sete. Isto é, em média, sete vezes mais petróleo, sete vezes mais
minérios, sete vezes mais energia, sete vezes mais comida, sete
vezes mais água limpa e, naturalmente, sete vezes mais lixo,
efeito estufa, poluição e outros impactos ambientais! Os ecologistas e estudiosos têm respondido com um sonoro não!
Precisaríamos de pelo menos dois planetas Terra. Ou seja, devido às limitações físicas do planeta nem todos podem ser ricos. Por isso, é necessário manter o status quo entre as nações, abortar as tentativas de crescimento dos países pobres através de receituários recessivos, diminuir o padrão de consumo dos remediados e, quando muito, manter os miseráveis na linha mínima de sobrevivência. Além disso, deve-se continuar as exportações para os países desenvolvidos de riquezas e recursos naturais, incluindo a energia. "Exportar é o que importa!" Lembram-se? Agora fica fácil compreender porque muitos brasileiros trabalham duro e não têm acesso nem ao consumo básico. A recessão, argentina ou brasileira, por exemplo, significa o quê? Desemprego, é claro, porque o desempregado come menos, consome menos. Taxar aposentado também é condená-lo a consumir menos. Mas,
menos em favor de quem, cara pálida? Tudo se resume ao controle do consumo e à transferência
assimétrica de recursos. Não é à toa que o FMI tem elogiado
programas assistencialistas e governos que submetem o povo a
essas políticas das trevas. É melhor falar assim, porque essa assertiva nos leva à busca do conhecimento necessário à produção, ou seja, nos leva ao desenvolvimento, enquanto o termo luta de classes pode nos induzir apenas à expropriação. Mesmo assim, é difícil convencer um rico a reduzir o seu alto padrão de consumo. É por isso que os Estados Unidos recusaram-se a assinar o protocolo de Quioto que limitava a emissão de poluentes causadores do efeito estufa. Na mesma linha, podemos compreender que a ocupação do Iraque
foi para ajudar a manter o elevado estilo de vida americano,
dependente do petróleo, e defender o padrão dólar que dá aos
Estados Unidos a primazia de trocar papel pintado (moeda) por
mercadorias. Junto a isso, é necessário romper com as amarras
internacionais que nos impõem o atraso e o subdesenvolvimento
como estilo de vida. O brasileiro não merece ficar toda uma
existência apertando o cinto. Nem precisamos esbanjar, mas seria
mais humano se a maioria vivesse melhor. A felicidade aumentaria
e até a criminalidade iria despencar.
* Weber Figueiredo, ex-presidente da Superintendência Estadual de Rios e Lagoas-RJ (Serla), é professor de Engenharia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-RJ). agência carta maior
Set as favorite
Bookmark
Email This
Hits: 8354 Comentarios (0)
![]() Escreva seu Comentario
|
| < Anterior | Próximo > |
|---|



Se todos desejarem ter o estilo de vida de
alto-consumo do Ocidente, o implacável crescimento no consumo,
no uso de energia, na produção de resíduos e emissão de gases
pode ser catastrófico. A natureza não agüentaria. Fazendo as
contas, seria preciso pelo menos mais 2 planetas Terra.