Fala, Brasil! - Aryon Dall’Igna Rodrigues - Nossas Línguas Além do Português
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Aryon Dall’Igna Rodrigues - Nossas Línguas Além do Português PDF Imprimir E-mail
Escrito por Gabriela do Vale, Aryon D. Rodrigues   
Monday, 24 January 2005

Embora a maioria dos brasileiros tenha a impressão de viver em um país monolíngüe, o Brasil é, na verdade, multilíngüe. Aqui existem mais de 200 línguas, explica Aryon D. Rodrigues, atual maior autoridade do país em língua indígena.

A singularidade lingüística do país está no Português, língua oficial e mojoritária, as demais são minoritárias e constituem apenas 0,5% do total.

Do contingente de línguas minoritárias, a maior parte, 60%, fala o Japonês, segunda língua do país. Os 40% restantes, distribuem-se entre outras línguas como, por exemplo, Chinês, Árabe, Alemão, Italiano, Grego e indígenas.

Quanto às línguas indígenas brasileiras, o lingüista diz que é necessária muita pesquisa científica e ações sociais para evitar o desaparecimento das ainda existentes.

Quantas línguas indígenas são faladas no Brasil?

Rodrigues – São aproximadamente 180, mas estas são apenas 15% das mais de mil línguas que se calcula terem existido aqui na época em que os portugueses chegaram, em 1500. Podemos citar como exemplo o Tupí-Guaraní, no Amapá e norte do Pará, o Aruak, no oeste e leste da Amazônia, o Karib, ao norte do rio Amazonas, entre outras. Existem mais povos indígenas do que línguas. São 221 povos, ou seja, 160 mil índios, que falam 180 línguas.

Dessas 180 línguas indígenas ainda existentes no país, qual delas é a mais falada? Por quê?

Rodrigues - A língua mais falada é o Tikuna, no alto do rio Solimões. Atualmente, 30 mil pessoas falam essa língua. O motivo é mais difícil de dizer. Por um lado, é uma grande população que está em um confim, onde durante muito tempo esteve menos exposta. Hoje, aquelas pessoas estão na margem do Rio Solimões.

Apesar de ser a língua mais falada, boa parte desses índios sabem o português. Atualmente, a média de falantes por língua indígena é perto de 1.500, mas também temos aquelas que são faladas por menos de vinte pessoas.

Em resumo: das 180 línguas apenas 24, ou 13%, têm mais de mil falantes; de 108, têm entre cem e mil falantes; enquanto que 50 línguas têm menos de cem falantes e metade destas tem menos de 50. Em qualquer parte do mundo, línguas com menos de mil falantes são consideradas fortemente ameaçadas de extinção.

Qual é a língua mais distribuída pelo território brasileiro?

Rodrigues – É o Tupi-Guaraní, que está no Amapá, no norte do Pará e Rondônia, além do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. São várias famílias que falam essa língua.

Existe alguma língua em processo de extinção? Qual?

Rodrigues – Sim. É a língua Umutina. Apenas uma pessoa a fala, um idoso, chamado de Juluparé, com 70 anos. Quando ele morrer, o Umutina será uma língua indígena a menos. Ela é originária do Mato Grosso, junto ao Rio Paraguai, em Barra dos Bugres. Lá, há vários umutinas, mas eles falam o Português.

A que se atribui a extinção das línguas indígenas do Brasil?

Rodrigues – Hoje, há uma preocupação muito grande com o desaparecimento das línguas. Verificamos que desde a chegada dos portugueses, as línguas indígenas estão submetidas a um processo de extinção, ou mesmo de exterminação de espécies. Na ocasião, o Brasil tinha cerca de 1500 línguas.

Chegou-se a esse número, por meio de um estudo. Parece uma quantidade exagerada mas não é, quando comparamos o território nacional, que é grande, com outros bem menores. Podemos citar como exemplo, a Índia, que é um país bem menor do que o nosso, e onde se fala 500 línguas.

A estimativa do Brasil em relação a línguas indígenas faladas para 500 anos é muito baixa. Nesse período, desapareceram aproximadamente mil línguas, ou seja, duas línguas por ano. Mas isso não é o mais drástico, o pior é pensarmos que, praticamente, para cada língua extinta um povo desapareceu.

Esse desaparecimento da língua, deve-se à destruição dos povos. Há alguns casos em que os índios foram escravisados e passaram a falar o português, abandonando a sua língua nativa.

Com a colonização, quais foram os povos indígenas que mais sofreram?

Rodrigues – Foram os do Nordeste. Lá, era um dos locais que mais havia índios no país. Hoje, há vários povos indígenas, mas apenas um fala a língua indígena, são os Funiôs. São 1250 índios, que vivem em Pernambuco. O restante, devido à chegada dos portugueses e à catequização, fala o português.

A globalização é um fator de extermínio de culturas indígenas, porque os poderosos querem impor uma única cultura para facilitar o comércio e a indústria. Então, as minorias ficam ainda mais esmagadas e conseqüentemente a diversidade humana fica ameaçada. Isso ocorre da mesma forma com as plantas e animais.

Qual é a importância da preservação da língua indígena?

Rodrigues - As línguas são um código onde todo o conhecimento de um povo está organizado. Quando a língua se acaba, ele perde esse código e, conseqüentemente, o conhecimento e a cultura adquirida ao longo dos anos. À medida que o país perde sua língua, ele empobrece na riqueza cultural que tem.

O que é feito para preservar as línguas indígenas ainda existentes no país?

Rodrigues - Há medidas oficiais e não oficiais. A nossa legislação garante que as terras onde os índios estão pertencem a eles. Mas, como os brancos da região, que querem tomar as terras, alegam que não sabem quais são as dos índios, acabam as invadindo.

Mas, para evitar isso, decretou-se um processo de demarcação das áreas indígenas e registradas em cartório. Isso é uma maneira de proteger os índios e preservar as populações.

Outra forma, é mudar a maneira de educação dos índios. Há algum tempo, quando os índios queriam aprender sobre as nossas coisas, tudo era ensinado em português, abandonando a língua indígena.

Agora, os programas são de educação bilíngüe e bicultural. Trata-se de projetos onde é ensinado o que os índios precisam para sobreviver, mas conservando sua língua e cultura. Isso foi permitido pela atual Constituição, que não mais proíbe, como as outras, que o ensino básico seja dado em outra língua que não o português.

Essa imposição levou muitos povos indígenas a deixarem de falar sua própria língua e aprenderem o português. Em suma, para evitar a extinção é necessário muita pesquisa científica, assim como fortes ações sociais de apoio aos falantes.

Qual é a participação das línguas indígenas na formação do português falado, hoje?

Rodrigues - Há uma influência indígena muito grande no vocabulário da língua portuguesa, que são nomes de animais, plantas e lugares. A maioria dessas palavras é de uma língua determinada, a língua Tupí-Nambá, conhecida popularmente como Tupí antigo.

Alguns exemplos de nomes de animais são capivara, cutia, tatu, tamanduá, urubu, arara; de plantas são araçá, jacarandá, açaí; e os de lugares são Paraná, Paraíba, Pará, Niterói e Piracicaba.

Também existem os nomes de rios como Paranapanema e Xingu. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, eles tiveram os primeiros contatos com os índios - que habitavam a costa brasileira, desde o Nordeste até o Rio de Janeiro -, e, por questão de sobrevivência, tiveram que aprender algumas palavras indígenas. O que contribuiu para a incorporação desse vocabulário na língua portuguesa.

Em relação à preservação das terras indígenas, como é feita a fiscalização para a demarcação de terras?

Rodrigues - Isso varia muito. Há a fiscalização da Funai, mas ela é precária, devido à falta de pessoal. Muitas vezes, os funcionários da Funai são ameaçados por capangas das fazendas da redondeza. Em algumas áreas são os próprios índios que monitoram, fazendo rondas e até prendendo os invasores. Além disso, existem as Organizações Não-governamentais (ONGs) que colaboram com esses povos.

Há alguma semelhança entre as línguas indígenas e as de origem latina?

Rodrigues - Há apenas a semelhança universal, onde todas as línguas são línguas e produtos de sons da fala, os quais são divididos em consoantes e vogais. Isso não é característica apenas do português ou da língua indígena, é de toda língua. Qualquer uma delas opera com unidades de forma e significado e com regras de combinação dessas unidades

Qual é o objetivo do Laboratório de Línguas Indígenas?

Rodrigues - É um espaço para estudos sobre as línguas e para a formação de pesquisadores, que pertence ao Instituto de Letras da Universidade de Brasília (UnB).

O laboratório promove a documentação, análise, descrição, comparação não apenas das línguas, mas também das situações em que se encontram estas.

Além disso, é um centro de troca de conhecimentos e de experiências por especialistas de diversas instituições do país e exterior. No momento, o laboratório tem oito pesquisadores, entre professores do Departamento de Lingüística da UnB e estudantes. Também temos um convênio com a França, que investe aqui.

radiobras

AS LÍNGUAS GERAIS SUL-AMERICANAS

Aryon Dall’Igna Rodrigues (Universidade de Brasília)

O objetivo deste artigo é duplo. Por um lado, procuro delimitar e definir o conceito de língua geral como um termo específico para determinada categoria de línguas, que surgiram na América do Sul nos séculos XVI e XVII em condições especiais de contacto entre europeus e povos indígenas.

A expressão língua geral tomou um sentido bem definido no Brasil nos séculos XVII e XVIII, quando, tanto em São Paulo como no Maranhão e Pará, passou a designar as línguas de origem indígena faladas, nas respectivas províncias, por toda a população originada no cruzamento de europeus e índios tupi-guaranis (especificamente os tupis em São Paulo e os tupinambás no Maranhão e Pará), à qual foi-se agregando um contingente de origem africana e contingentes de vários outros povos indígenas, incorporados ao regime colonial, em geral na qualidade de escravos ou de índios de missão.

Eventualmente a expressão foi usada, particularmente no norte, com um sentido mais amplo, na locução índios de língua geral, para referir-se a povos indígenas que falavam línguas aparentadas com a língua geral, portanto, línguas da família lingüística tupi-guarani (Rodrigues 1986: 101, n. 8).

Embora a expressão língua geral tenha se mantido em uso, com seu sentido principal, nas áreas de influência paulista até o início do século passado e na Amazônia até hoje, passou-se, em vários meios intelectuais brasileiros, sobretudo neste século, a fazer confusão a respeito de seu significado, ora supondo-se que designasse a língua que falavam os próprios tupis e os tupinambás; ora que se referisse a uma língua criada ou moldada ou "disciplinada" pelos jesuítas.

Já no século XVI, com base na dos índios; ora, ainda, que se tratasse de um pidgin ou um crioulo originado no contacto dos portugueses com índios de diferentes afinidades, ou mesmo formado já antes da chegada dos europeus. Na verdade, essas concepções carecem de fundamento histórico e lingüístico(1).

O segundo objetivo do artigo é apontar algumas características sociolingüísticas e estruturais das línguas gerais. Afora alguns trabalhos descritivos e lexicográficos e algumas coletâneas de textos (2). quase nada foi feito ainda de investigação sistemática sobre essas línguas, nem do ponto de vista sócio-histórico (3).nem do lingüístico-histórico. O que apresento neste artigo é apenas um esboço, que deverá ser desenvolvido em outros trabalhos, por este ou por outros investigadores.

1. As línguas gerais

Na colonização da América do Sul pelos portugueses e pelos espanhóis houve pelo menos três situações em que a miscigenação em grande escala de homens europeus com mulheres indígenas teve como conseqüência a rápida formação de populações mestiças cuja língua materna foi a língua indígena das mães e não a língua européia dos pais.

Isto se deu onde a conquista e colonização foi praticada, de início, predominantemente por homens desacompanhados de mulheres atuando sobre um povo indígena numeroso e socialmente aberto ao estabelecimento de alianças matrimoniais com os forasteiros (4).

Essas condições se produziram mais tipicamente entre os portugueses e os tupis (também chamados tupinakins ou tupinikins) de São Vicente e do planalto de Piratininga, no leste do atual estado brasileiro de São Paulo, no século XVI; entre os espanhóis e os guaranis do Paraguai, nos séculos XVI e XVII; e entre os portugueses e os tupinambás no norte dos atuais estados brasileiros do Maranhão e do Pará, no século XVII.

Os três povos indígenas em questão, apesar das grandes distâncias geográficas que os separavam, tinham basicamente a mesma cultura tupi-guarani (Métraux 1928, 1948; Fernandes s.d. [1949]), a qual deve ter favorecido um mesmo tipo de relacionamento com os portugueses e os espanhóis. Suas línguas eram também estreitamente aparentadas, pertencentes à família lingüística Tupi-Guarani.

A família Tupi-Guarani é um grupo genético de moderada diferenciação interna, dentro do qual se podem distinguir pelo menos oito subgrupos (Rodrigues 1984/5).

As línguas tupinambá e tupi pertencem a um mesmo subgrupo (o subconjunto II em Rodrigues 1984/5), ao passo que o guarani integra um outro subgrupo (o subconjunto I). Isto significa que o tupinambá e o tupi têm mais propriedades lingüísticas em comum do que um e outro têm com o guarani.

Se as línguas de um mesmo subgrupo, ou mesmo de subgrupos distintos, devem ser chamadas de "línguas" distintas ou de "dialetos" de uma mesma "língua" é questão muito relativa, porque relativos são os conceitos de "língua" e de "dialeto", como sabem todos os lingüistas.

Embora as diferenças entre a língua dos tupis e a dos tupinambás sejam muito menores que as que distinguem uma e outra do guarani, tratamos aqui aquelas duas como línguas distintas, não só porque as diferenças foram percebidas já pelos primeiros observadores, nos séculos XVI e XVII, como Anchieta em sua gramática (1595: 1v) e o(s) autor(es) do Vocabulário na língua brasílica, o dicionário anônimo dos missionários jesuítas (Anônimo [1621]1952/3, passim), mas também porque as duas tiveram alguns reflexos diferentes sobre o português (p. ex., nos topônimos apropriados por este, cf. Rodrigues 1995: 235-237) e, ainda, porque a língua dos tupis provavelmente chegou ao sueste do Brasil numa onde migratória distinta da que levou a língua dos tupinambás à costa oriental (5).

O mais provável limite geográfico entre os falantes de tupinambá e de tupi (6). era no século XVI a baía de Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro.

Para o interior a área tupi se estendia ao longo do rio Tietê. Ao sul desta área era falada a língua guarani. No litoral, onde a situação é melhor conhecida, a divisória entre as áreas tupi e guarani (ou karijó) estava na barra de Cananéia (Métraux 1928, 1948: 96); no interior, no início do século XVII, os guaranis se estendiam do rio Paranapanema para o sul, onde os jesuítas espanhóis estabeleceram suas primeiras reduções.

A proposta que aqui faço é no sentido de usar-se a expressão língua geral como um termo técnico para designar as línguas surgidas nas situações referidas acima e que são tratadas com mais detalhe nas seções abaixo.

Isto significa excluir desse uso especialmente o emprego do adjetivo geral em sentido próprio, quando se refere simplesmente à amplitude do uso de determinada língua por povos indígenas, como no caso de "lengua general de los indios de los reynos del Perú" (como vem no título da primeira gramática do Kêchua, de Frei Domingo de Santo Tomás, de 1560) ou "lengua general del Perú llamada Quechua" (como no título de outra gramática de autor desconhecido, publicada pouco depois, em 1586) (Rodrigues 1986: 99, n. 1); ou "esta lingoa he jeral comesando arriba do Rio Maranhão.... atee o Paraguay..." (Pero Rodrigues [1605], citado por Edelweiss 1947: 29).

2. A língua geral paulista

A colonização portuguesa do Brasil começou formalmente em 1532, com a fundação de São Vicente, em pleno domínio tupi, por Martim Afonso de Souza. Já antes desse acontecimento havia portugueses estabelecidos entre os tupis, como o famoso Bacharel de Cananéia e o influente João Ramalho.

O grupo de colonos desembarcados por Martim Afonso de Souza em São Vicente era integrado exclusivamente por homens. Somente em 1537 chegou o primeiro casal português a São Vicente (Madre de Deus [1797] 1975: 63-64).

Mesmo com a chegada subseqüente de outros casais, ou com a chamada das esposas portuguesas por alguns colonos, o afluxo maior continuou sendo de homens sós, que passavam a viver com mulheres indígenas (7).

Dessa situação resultou uma população mestiça cuja língua materna era o tupi das mães e também de toda a parentela, já que do lado dos pais em geral não havia parentes consangüíneos.

Por muito mais de cem anos continuou o idioma das primeiras mães a ser a língua dos paulistas, de modo que em 1694 Antônio Vieira podia fazer a sua tão citada observação de que, ainda nesse fim do século XVII, "é certo que as famílias dos Portugueses e Índios de S. Paulo estão tão ligadas hoje umas com as outras, que as mulheres e os filhos se criam mística e domesticamente, e a língua que nas ditas famílias se fala é a dos Índios, e a portuguesa a vão os meninos aprender à escola" (Vieira 1951: 355) (8).

Na verdade, os índios tupis de São Paulo foram-se extinguindo como povo independente e culturalmente diverso, sobretudo por efeito da escravização intensiva, e sua língua passou a reproduzir-se essencialmente como idioma dos mestiços, isto é, dos mamelucos, ainda quando já não mais havia a interferência direta de indígenas nas famílias: a situação lingüística das famílias de portugueses casados com mamelucas devia então ser basicamente a mesma das famílias constituídas por mamelucos e mamelucas: falava-se correntemente a língua original indígena e apenas o marido e, a partir de certa idade, os filhos homens eram bilíngües em português (com domínio pleno desta língua se eram portugueses, com domínio provavelmente restrito em diferentes graus quando eram mamelucos).

Nessa situação, a língua que falavam os paulistas já não mais servia a uma sociedade e a uma cultura indígenas, mas à sociedade e à cultura dos mamelucos, cada vez mais distanciadas daquelas e mais chegadas à cultura portuguesa.

Essa progressiva mudança nas condições da língua, somada ao bilingüismo (de parte) dos homens, deve ter acarretado modificações em vários aspectos desta. Tal língua, generalizada na população paulista de meados do século XVII a meados do século XVIII, é que se chamou, em São Paulo, de língua geral.

O espaço geográfico dessa língua geral paulista (LGP) se estendeu consideravelmente no século XVII com a expansão paulista decorrente da ação das bandeiras de mineração e de preação de índios.

Os bandeirantes, que eram em sua maioria, senão em sua totalidade, falantes de LGP, levaram-na consigo de São Paulo a Minas Gerais, ao sul de Goiás, a Mato Grosso e ao norte do Paraná. Infelizmente a documentação de que dispomos da LGP é muito escassa. Seus últimos falantes devem ter morrido no início do século XX.

O documento principal até agora conhecido é um dicionário de verbos, não datado e de autor desconhecido, mas possivelmente de meados do século XVIII, cujo manuscrito foi publicado por von Martius em seus Glossaria linguaram brasiliensium, sob o nome de "Tupi austral" (Martius 1867: 99-122). Além desse dicionário, há uma pequena lista de palavras colhidas no início do século XIX em comunidades de mestiços de índios bororos (para lá levados de Mato Grosso por Antônio Pires de Campos) e negros na província de Minas Gerais, nas proximidades da atual cidade de Araguari, no Triângulo Mineiro (Saint Hilaire [1847]1944: 254-255).

Testemunho da língua geral paulista é também a toponímia do interior dos estados de São Paulo e Minas Gerais, do sul do Goiás e do norte ("velho") do Paraná, a qual em grande parte terá passado da LGP (ou através dela) para o português.

2. O guarani crioulo

A colonização do Paraguai pelos espanhóis começou na segunda metade do século XVI, na região que se estende entre os rios Paraguai e Paraná. Esta região era então povoada -majoritariamente por grupos indígenas que falavam uma língua da família Tupi-Guarani, o guarani, e constrastava sobretudo com a região a oeste do rio Paraguai, o Chaco, habitada por povos pertencentes a outras famílias lingüísticas.

O domínio da língua guarani se estendia, porém, também a leste do rio Paraná, na antiga província de Guairá, correspondente ao oeste do atual estado brasileiro do Paraná.

Esta última região foi, nas primeiras décadas do século XVII, o palco principal de um tipo sui generis de interação entre índios sul-americanos e espanhóis, as famosas reduções jesuíticas. Esse tipo de interação se produziu também no interior do Paraguai e, mais ao sul, no vale do rio Uruguai, tanto no nordeste da Argentina como no oeste do estado brasileiro do Rio Grande do Sul, aqui especialmente na segunda metade do século XVII e na primeira do século XVIII.

Em Guairá, entretanto, o processo foi violentamente interrompido e aniquilado pela ação dos bandeirantes paulistas, que, na segunda e terceira décadas do século XVII, caíram sobre as reduções para prear os índios e em poucos anos destruíram-nas uma após a outra, tendo destroçado os guaranis, que foram em parte mortos na defesa das missões e de suas famílias, em parte apresados e levados para ser escravos e em parte afugentados, sobretudo para além do rio Paraná e para o rio Uruguai (9).

Com isso, criou-se na região um vazio demográfico, que só aos poucos voltou a ser ocupado, mas então já por outros indígenas, os kaingáng (da família lingüística Jê), que puderam expandir-se onde antes predominavam os guaranis. A região só voltou a ser alvo da colonização européia, desta vez portuguesa, no início do século XIX.

Entre os rios Paraná e Paraguai, porém, fora das reduções jesuíticas e já antes delas, desenvolveu-se uma situação de contacto entre colonos espanhóis, predominantemente homens, e índios guaranis, bastante semelhante à que se produziria em São Paulo, com o surgimento de uma crescente população mestiça cuja língua materna era o guarani e não o espanhol (10).

Nessa situação o guarani indígena se transformou pouco a pouco na língua comum (geral) aos mestiços (mancebos de la tierra), aos espanhóis aí estabelecidos e aos índios, guaranis ou não, incorporados às atividades coloniais. Esta língua geral (11) é hoje o guarani crioulo (GNC), chamado na própria língua de avañe?en (‘língua de gente, língua de índio’) e, com referência às variedades mais marcadas por empréstimos e decalques do espanhol, jopará (‘mistura, mescla’); mais geralmente, porém, guarani paraguayo e, na Argentina, com apenas pequenas divergências dialetais, guarani correntino (do topônimo Corrientes) e guarani goyano (do topônimo Goya).

3. A língua geral amazônica

A colonização portuguesa no Maranhão, no Pará e na Amazônia em geral só teve início na primeira metade do século XVII, após a expulsão dos franceses da Ilha de São Luís e das terras vizinhas.

Essa região era então domínio dos índios tupinambás, que já no tempo dos franceses (1611-1614) se estendiam até a boca do rio Tocantins. Na ocupação dessa região pelos portugueses reproduziu-se em linhas gerais a situação que caracterizou a relação entre portugueses e tupis em São Paulo.

A forte interação dos colonos e soldados portugueses com os tupinambás levou ao surgimento de uma população mestiça, inicialmente de pais europeus e mães indígenas, cuja língua ficou sendo a das mães, o tupinambá.

Na sociedade mestiça ou cabocla resultante a língua foi progressivamente reajustando-se e diferenciando-se do tupinambá falado pelos índios que sobreviveram até meados do século XVIII.

Também essa língua foi chamada língua geral já nos tempos coloniais (12) (foi chamada também brasiliano, nome que Edelweiss [1969: 109-111] propôs recentemente se fixasse para a sua fase setecentista). Para distingui-la da língua geral paulista chamamos-lhe língua geral amazônica (LGA) (Rodrigues 1986: 102).

Desde o início do século XVIII a LGA acompanhou a expansão portuguesa na Amazônia, tendo-se estendido seu uso ao longo de todo o vale do rio Amazonas e penetrado pelos afluentes deste rio; subindo pelo rio Negro, alcançou tanto a Amazônia venezuelana como a colombiana.

Diferentemente da LGP, da qual só existem muito poucos documentos e que já não se fala mais, a LGA foi registrada em documentos, alguns bastante substanciais, nos séculos XVIII, XIX e XX, e continua a ser falada ainda hoje. A partir da segunda metade do século XIX passou a ser chamada também de nheengatu, nome introduzido na literatura por Couto de Magalhães (1876), que também a rotulou de "língua tupi viva"; Tastevin (1910) chamou-a também de "língua tapïhïya" (tapy’ýja ‘índio, tapuio’).

Pelos missionários franciscanos do século XVIII foi chamada não só língua geral, mas também brasiliano (Edelweiss 1969: 109ss.). Na Colômbia e na Venezuela é chamada "lengua yeral", nome em que se baseou a sigla YRL para a LGA no catálogo de línguas do mundo organizado por B. Grimes (1992).

4. As LGs como uma classe especial de produto do contato lingüístico

As três línguas gerais, LGP, LGA e GNC, se constituíram em condições de contacto lingüístico comuns a elas, como já assinalamos, e que se distinguem nitidamente daquelas em que se formaram os pidgins e as línguas crioulas. Algumas características socio-lingüísticas das línguas gerais são as seguintes:

  • 1. na sua origem intervieram homens europeus e mulheres indígenas - estas, nos três casos, pertencentes a povos de cultura e língua tupi-guarani;
  • 2. em uma primeira fase, que pode ter-se estendido por duas gerações (30 a 60 anos) ou mais, manteve-se o convívio dos casais mistos com a correspondente comunidade indígena, mas esse convívio foi aos poucos tornando-se menos intenso e menos freqüente, até deixar de existir completamente (em parte devido à extinção das comunidades indígenas puras, em parte devido à constituição de povoados só de mestiços e europeus);
  • 3. desde o início as comunidades de língua geral apresentaram uma situação de bilingüismo parcial com a respectiva língua européia (português nos casos da LGP e da LGA, espanhol no caso do GNC), com uma maioria de monolíngües na língua geral e uma minoria de bilíngües;
  • 4. não houve, em nenhum momento, interrupção na transmissão dessas línguas, isto é, não ocorreu mudança de língua (language shift) nos descendentes mestiços dos europeus e das índias tupi-guaranis; os primeiros pais europeus aprenderam a língua indígena como segunda língua, tendo-se tornado bilíngües; parte das mães indígenas pode ter aprendido a língua européia como segunda língua, mas seus filhos ou ficaram monolíngües na língua indígena (que pouco a pouco foi-se transformando na língua geral), ou aprenderam a língua européia como segunda língua;
  • 5. em grande parte dos territórios onde prevaleceram, as línguas gerais se tornaram durante longo tempo o veículo de contacto dos europeus e seus descendentes mestiços com outros povos indígenas alcançados pelas frentes de expansão da sociedade colonial, de modo que estes engrossaram, como bilíngües, o número de seus falantes, sobretudo os que, passando por um processo de mudança de língua, se tornaram falantes nativos de língua geral; estes provavelmente contribuíram para a diferenciação dialetal das respectivas línguas gerais;
  • 6. durante a maior parte de sua existência as línguas gerais foram essencialmente línguas ágrafas, ainda que alguns documentos escritos hajam sido produzidos por missionários (como foi o caso da LGA no séc. XVIII) ou por leigos (como foi o caso do GNC no séc. XIX e da LGA nos sécs. XIX e XX); desde o século XIX o GNC vem-se firmando como língua escrita por uma porção crescente de seus falantes, apesar da forte concorrência e pressão do espanhol escrito (13).


5. Por que não se constituíram línguas gerais do Rio de Janeiro ao Piauí?

A costa de São Paulo e a costa do Maranhão e Pará foram, no século XVI, os extremos meridional e setentrional do domínio português no Brasil e ficaram mais distantes da sede da administração colonial, situada centralmente em Salvador, na costa da Bahia.

Em conseqüência, aquelas áreas receberam inicialmente menos imigrantes europeus que a área central, especialmente Bahia e Pernambuco, onde a imigração portuguesa foi mais continuada, inclusive com o estabelecimento de famílias já formadas.

Com isso, nas áreas centrais da costa não se produziram as situações de intensa mestiçagem com os povos tupi-guaranis ali estabelecidos que permitiram, em São Paulo e Maranhão e Pará o predomínio da língua indígena sobre a portuguesa.

Em São Vicente e São Paulo, como registrou Anchieta em 1584, não houve guerra contra os índios tupis e na Amazônia, mesmo com a criação, no século XVII, do Estado do Maranhão e Grão Pará, administrativamente independente do Estado do Brasil e com capital em São Luís, a situação demográfica não mudou substancialmente em favor dos portugueses (14).

Na costa central, porém, não só se estabeleceram naquelas áreas alianças matrimoniais em grande escala como os respectivos povos tupi-guaranis, mas ainda foram estes alvo de ações de extermínio por parte dos portugueses já no século XVI. Só o governador Mem de Sá exterminou os tamoios ou tupinambás do Rio de Janeiro, que foram aliados dos franceses de Villegagnon, promoveu a guerra contra os kaetés da Bahia e de Pernambuco em vingança por terem alguns deles matado o bispo Fernandes Sardinha, e fez guerra também contra grande parte dos tupinambás da Bahia (15).

Em Pernambuco, os dois primeiros donatários, Duarte Coelho e seu filho do mesmo nome, despovoaram inteiramente a costa (16). Os temiminós das capitanias de Ilhéus e Porto Seguro foram igualmente elminados (17).

Além disso, as terríveis epidemias de varíola (bexigas) que reiteradamente grassaram na Bahia e regiões vizinhas no século XVI dizimaram os índios que estavam em contacto pacífico com os portugueses, seja como catecúmenos, seja como escravos(18).

O resultado desses e outros acontecimentos foi a rapidíssima redução da população indígena, à qual se contrapôs uma maciça importação de escravos africanos e a continuada imigração de portugueses. Ainda que possa ter-se iniciado em algum ponto um processo de miscigenação semelhante ao de São Paulo, este terá sido em pouco tempo superado pela rápida mudança nas proporções demográficas entre índios e não-índios (19).

Daí o predomínio da língua portuguesa por toda a extensa área costeira central, sem que aí tenha havido as condições sociolingüísticas para o desenvolvimento de uma língua geral.

6. Mudanças estruturais comuns às línguas gerais

A par das características sociolingüísticas apontadas acima (4.), alguns fenômenos de mudança estrutural são comuns às três línguas gerais (20).

A seguir apresento uns poucos, de forma sumária, mais a título de exemplificação, utilizando só o tupinambá como uma das línguas-fonte e só duas das línguas gerais, a LGA (uma das variedades faladas hoje no alto Rio Negro) e o GNC (uma das variedades do Paraguai):

  • 1. mudança da ordem básica dos constituintes nucleares da oração, de SOV para SVO;
  • 2. transformação do sufixo nominalizador de predicados em partícula marcadora de orações relativas: (SUJ+OBJ+V+NZR) > (SUJ+V) (REL);
  • 3. substituição das diversas nominalizações por orações relativas: ((V+NZR)+CASO) / ((NZR+V)+CASO) > (SUJ+V) (REL);
  • 4. substituição da adjetivação por composição por uma adjetivação por justaposição: ((NOM+DESCR)+CASO) > (NOM) (ADJ):
  • 5. substituição da forma verbal circunstancial, própria das orações com expressão adverbial topicalizada, pela forma verbal indicativa: T(upinambá) kujã o-sém, LGA kujã u-semu, GNC kujã o-sen ‘a mulher saiu’; T kwesé kujã 0-sem-i, LGA kwesé kujã u-sému, GNC kwehé kujã o-sen ‘ontem a mulher saiu’;
  • 6. substituição dos predicados possessivos por predicados verbais transitivos com um verbo ‘ter’ derivado da forma causativo-comitativa do verbo ‘estar (em nominativo)’, cujo sentido ‘fazer estar consigo’ fixou-se em ‘ter (consigo)’; T sjé r-u?uß mokõj ‘tenho duas flechas’, LGA a-rikú mukûj uíwa, GNC a-rekó mokõj hu?ý (cp. T a-r-ekó ‘eu faço algo/alguém estar comigo’);
  • 7. substituição dos prefixos pessoais reflexivos próprios do gerúndio dos verbos intransitivos pelos prefixos do indicativo: T a-je?éN wi-t-én-a ‘estou (sentado) falando’, ere-je?éN e-ín-a ‘você está (sentado) falando’; LGA a-je?é a-ikú ‘estou dizendo’, re-je?é re-ikú ‘você está dizendo’; GNC a-je?é a-ína ‘estou falando’, re-je?é re-ína ‘você está falando’; (o tupinambá [também o guarani antigo] tinha quatro verbos existenciais: -ekó/-ikó ‘estar em movimento’, -‘ám ‘estar em pé’, -én/ín ‘estar sentado’ e -úß/-juß ‘estar deitado; na LGA neutralizou-se a distinção entre os quatro verbos existenciais do tupinambá, tendo-se mantido só o primeiro deles com o sentido generalizado de ‘estar’, mas assumindo também a função de verbo auxiliar para o aspecto continuativo; o GNC não neutralizou completamente aquelas distinções, mas foi o antigo gerúndio de seu verbo ‘estar sentado’, com os prefixos pessoais substituídos, que se especializou como verbo auxiliar para o aspecto continuativo);
  • 8. redução do sistema de casos morfológicos, com o desaparecimento dos casos argumentativo, predicativo, locativo difuso, locativo situacional e vocativo, e persistência só do locativo punctual, com seu valor locativo ampliado para um locativo genérico, em contraste com uma forma não marcada para caso: (1) T i-po?ýr ‘ele tem contas (de colar)’, i-po?ýr-a opáß ‘as contas dele se acabaram’ (contraste entre po?ýr, nome em função de predicado, sem sufixo casual, e po?ýr-a, nome em função de argumento, com o sufixo -a do caso argumentativo); LGA aé ukikú puíra ‘ele tem contas’, i-puíra upáwa ‘as contas dele se acabaram’; GNC há?é owerekó i-po?ý (ou há?é ku i-po?ý) ‘ele tem contas’, i-po?ý opá ‘as contas dele se acabaram’; (2) T t-ubisáß-a o-sém ‘o chefe saiu’, sjé r-uß-a ojkó t-ußisáb-amo ‘meu pai é um chefe’, lit. ‘meu pai vive (está em movimento) na qualidade de chefe’ (contraste entre nome em função argumentativa e nome em função predicativa, este com o sufixo -amo do caso predicativo), LGA tušawa u-sému ‘meu pai’, se paja (u-ikú) tušáwa ‘meu pai é chefe’; GNC tuvišá o-sen ‘o chefe saiu’, še r-u há?é tuvišá ‘meu pai é chefe’; (3) T ka?á-pe ‘(situado em um lugar) no mato’, ka?á-ßo ‘(espalhado ou em movimento) no mato’ (contraste entre caso locativo puntual, com o sufixo -pe, e caso locativo difuso, com o sufixo -ßo, LGA ka?á upé ‘no mato’, GNC ka?awý-pe ‘no mato’; T oré r-ußa ‘nosso (excl.) pai’, oré rúß ‘ó nosso (excl.) pai!’(contraste entre caso argumentativo, com o sufixo -a, e caso vocativo, com sufixo zero); LGA jané pája ‘nosso pai’, jané pája ‘ó nosso pai!’; GNC oré r-ú ‘nosso (excl.) pai’, oré r-ú ‘ó nosso (excl.) pai!’;
  • 9. redução das distinções feitas pelo sistema de referência dêitica;
  • 10. apagamento da distinção entre posse reflexiva e não-reflexiva de 3a. pessoa;
  • 11. desenvolvimento de um marcador de orações finais a partir da forma "futura" de um nominalizador, em substituição à construção final com gerúndio: T a-só sjé r-úß-a r-epják-a, LGA a-sú a-ma?ã rã se pája; GNC a-há a-hešá haNwã še r-ú;
  • 12. redução do uso das partículas evidenciais;
  • 13. desenvolvimento de partículas pluralizadoras dos nomes: LGA itá (< T -etá ‘ser muitos’), GNC kwéra (< guarani antigo -kwér-a ‘coletivo’);
  • 14. adoção de diversas conjunções do português e do espanhol;
  • 15. adoção de nomes de números do português e do espanhol a partir de 4 ou 5;
  • 16. adoção de empréstimos lexicais e decalques fraseológicos do português (LGP e LGA) e do espanhol (GNC), não só para conceitos da cultura de tipo ocidental, mas também para alguns conceitos não culturais ou universais.

NOTAS

1. Referência a alguns desses usos fez recentemente Rosa (1992), num artigo em que ela mesma pretende que a expressão língua geral tenha sido aplicada no século XVI à língua nativa dos índios tupi-guaranis que habitavam a costa, portanto a que aqui chamamos de língua tupinambá (Rosa 1992: 85). Não se devem confundir declarações dos cronistas de que tal língua era geral, ou a mais geral, ou ainda a mais usada em certa região, com a expressão lexicalizada língua geral. Sobre as duas línguas gerais do Brasil, veja-se Rodrigues (1986: 99-109); sobre a do Paraguai, veja-se Melià (1992: 51-67).

2. Para as principais publicações descritivas, veja-se Magalhães (1876), Sympson (1877), Tastevin (1910), Stradelli (1929), Borges (1981), Moore et al. (1993); para os principais vocabulários ou dicionários publicados, Vocabulário português-brasílico, Dicionnario portuguez e brasiliano, Caderno da língua, Tastevin (1810), Stradelli (1929), Grenand e Ferreira (1989); para as principais coletâneas de textos, Magalhães (1876), Rodrigues (1890), Amorim (1928) e Hartt (1938).

3. A contribuição mais significativa sobre a história externa da língua geral amazônica é a de Freire (1983); especificamente sobre essa língua no século XVIII, há informações e observações relevantes em Edelweiss (1969); sobre o guarani criollo veja-se Melià (1992) e os estudos anteriores aí citados.

4. Na verdade pesaram no surgimento rápido de substanciais populações mestiças não só as alianças matrimoniais, mas também a escravidão de mulheres e crianças indígenas e o amplo concubinato cultivado pelos portugueses, sobretudo em São Paulo, e pelos espanhóis no Paraguai.

5. Eu trabalho com a hipótese de que tanto os tupinambás como os tupis chegaram ao litoral atlântico, provindos uns e outros da bacia do rio Paraná, mas tomando os primeiros provavelmente o curso do rio Grande e os segundos o do Tietê.

6. É conveniente deixar claro o uso que aqui estou fazendo dos termos tupinambá e tupi. Uso o primeiro para a língua falada pelos índios abrangidos pela expressão de Anchieta "desde os Tamoyos do Rio de Janeiro até os Pitiguares da Parahyba"(Anchieta 1595: 1-2), com ampliação para os índios da mesma cultura e língua que se encontravam ou vieram a encontrar-se na costa brasileira, do Rio Grande do Norte até o Pará, e emprego tupi para a língua dos "tupis de São Vicente" do mesmo Anchieta.

Este uso difere ligeiramente do que vinha fazendo anteriormente (a partir de Rodrigues 1959), em que tupinambá incluía também os tupis de São Vicente e que acompanhava a extensão desse termo proposta por Métraux em sua contribuição ao Handbook of South American Indians (Métraux 1950: 95), para os povos tupi-guaranis que nos séculos XVI e XVII se estendiam desde Cananéia, ao sul, até a costa do Maranhão e Pará, ao norte.

O uso que aqui faço do termo tupi difere substancialmente do uso que fez Edelweiss (1969), ao aplicá-lo especialmente à língua documentada (segundo ele, uniformizada) nas obras dos missionários jesuítas dos séculos XVI e XVII, a qual é a mesma que denominamos tupinambá (com a ressalva, de que o texto recentemente publicado do Diálogo da fé de Anchieta [1988] revela que este, como seria de esperar, escreveu primeiramente em tupi e só mais tarde, inclusive na versão final, publicada, de sua gramática, em tupinambá), e que não distinguimos da língua documentada pelos franceses do Rio de Janeiro e no Maranhão, à qual exclusivamente ele reserva este nome (na verdade, Edelweiss usa este nome só e especificamente para a língua dos índios tupinambá (ou tupinambó) nas fontes dos séculos XVI e XVII, portanto também para os tupinambás da Bahia, para os quais não há documentos franceses).

As diferenças que Edelweiss assinalou entre a língua documentada pelos franceses no Rio de Janeiro e no Maranhão e a língua das obras dos jesuítas portugueses se devem, a meu ver, essencialmente a uma interpretação equivocada das fontes francesas.

7. "Outra [povoação na Capitania de São Vicente] está doze legoas pella terra dentro chamada Sam Paulo, que edificaram os Padres da Companhia, onde há muitos vizinhos, e a maior parte delles são nascidos das Indias naturaes da terra, e filhos de Portuguezes"(Gândavo [1576] 1964: 33).

8. A informação de Vieira é obviamente de segunda mão, visto que ele não esteve em São Paulo. A essa informação, entretanto, acrescenta Sérgio Buarque de Holanda vários testemunhos diretos da mesma época, os quais mostram que não houve nenhum exagero na formulação daquele jesuíta, nem quanto à natureza da situação, nem quanto à época em que ela inda perdurava. Dentre esses testemunhos, destaca Holanda o do governador Artur Sá e Meneses, de 1698, portanto mais de 150 anos após iniciada a formação da população mameluca: "...a mayor parte daquella Gente se não explica em outro ydioma, e principalmente o sexo feminino e todos os servos, e desta forma se experimenta irreparável perda, como hoje se ve em São Paulo com o novo Vigario que veio provido naquella Igreja, o qual há mister quem o interprete...." (apud Holanda [1948] 1973: 89). Sobre a situação lingüística em São Paulo é muito informativo o estudo de Sérgio Buarque de Holanda "A língua-geral em S. Paulo", originalmente publicado em 1945 e reproduzido a partir da segunda edição (1948) de Raízes do Brasil (Holanda [1948] 1973: 88-96).

9. O relato clássico da história das missões jesuíticas no Guairá é a Conquista espiritual de Antonio Ruiz de Montoya ([1639] 1892), de que há uma tradução abreviada (e algo modificada) para o guarani e versão desta para o português (Nogueira 1879). Para ampla documentação e a interpretação desta, veja-se a obra Jesuítas e bandeirantes no Guairá (Cortesão 1951).

10. "Como los conquistadores no habían llevado mujeres de Europa y tenían necesidad de ellas, tomaron indias, ya como esposas, ya como concubinas. Algunos no se contentaron com una sola y tomaron muchas a la vez. Tal sabemos, entre otros, del mismo jefe principal Irala, que había tenido hijos de siete indias, que eran hermanas, según declara él mismo en su testamento, que he leído" (Azara [1809] 1923: 252-253). ".....los españoles del Paraguay y sus vecinos los habitantes del districto de la ciudad de Corrientes proceden principalmente de la mezcla de sus antepasados con las indias, como hemos dicho. Por esto hablan guarani, y solo las personas instruidas y los hombres de la villa de Curuguaty entienden el español"(Azara [1809]1923: 280). "En la colonia propiamente dicha, la ausencia, que puede calificarse de total, de la mujer blanca, en los primeros tiempos, fué importante factor determinante del mencionado mestizaje en masa. (....) Esto dió como resultado que no sólo en el período más acusado de ausencia de mujer blanca (1537-1555) sino también después, durante mucho tiempo, imperase como institución generalizada una poligamia sui generis... (...) Cada alianza com el aborigen se traducía en el ingreso de nuevas mujeres en la casa del colono" (Pla 1970: 8).

11. Melià cita uma passagem do Pe. Dobrizhoffer, do século XVII, muito expressiva sobre o surgimento dessa terceira língua no Paraguai colonial: "Todo el vulgo, aun las mujeres de rango, niños y niñas, hablan guarani como su lengua natal, aunque los más hablen bastante bien el español. A decir verdad, mezclan ambas lenguas y no entienden bien ninguna. Pues después que los primeros españoles se apoderaron de esta provincia, que antes estaba habitada por los carios o guaranies, tomaron en matrimonio las hijas de los habitantes por falta de niñas españolas, y por el trato diario los maridos aprendieron el idioma de las esposas y viceversa, las esposas la [sic] de los maridos, pero, como suele ocurrir generalmente cuando aun en la vejez se aprende idiomas, los españoles corrompían miserablemente la lengua india y las indias la española. Y así nació una tercera o sea la que usan hoy en día"(apud Melià 1992: 60).

12. Vejam-se os seguintes títulos de manuscritos do século XVII conservados na biblioteca da Universidade de Coimbra e ainda inéditos: "grammatica da língua geral do Brasil com um diccionario dos ‘vocabulos mais usuaes para a intelligencia da dita lingua" (ms. 69); "Diccionario da lingua geral do Brasil que se falla em todas as villas, lugares e aldeas deste vastissimo Estado. Escrito na cidade do Pará, anno 1771" (ms. 81); "Doutrina christãa em lingua geral dos Indios do Estado do Brasil e Maranhão, composta pelo P. Philippe Bettendorff, traduzida em lingoa irregular, e vulgar uzada nestes tempos" (ms. 1089).

13. Sobre o desenvolvimento desde o século XIX da literatura em GNC, veja-se a seção "La literatura paraguaya en guaraní" da excelente obra La lengua guaraní del Paraguay (Melià 1992: 194-240).

14. "A emigração portuguesa para a Amazônia, no decorrer de dois séculos, não foi intensa (Reis 1960: 269). "A mão-de-obra com que se contava era, quase ùnicamente, a do indígena. Sob a forma de escravo ou não, era êle o caçador, o remador, o serviçal da casa, o coletor de ‘drogas’, o identificador de variedades da flora e da fauna, o operário dos estaleiros, o lavrador, o soldado das unidades militares. Não se dava um passo sem êle, que era a fôrça material e a inteligência pragmática para a vida local. Mestiçando à larga com o reinol, permitiu a formação de uma sociedade que pôde amoldar-se, intensamente, às exigências do meio tropical. Não houve necessidade, na Amazônia, de apelar para "o contingente africano..." (Reis (1960: 269).

15. Como exemplos das ações belicosas de Mem de Sá vejam-se as seguintes passagens de um seu relatório de 1570: (a) ".....e logo comecei a fazer guerra em Jaguaripe, que é da outra banda da Bahia, onde se destruiram nascidos aldeias, cativaram e mataram muitos indios". (b) "....e ante manhã, duas horas, dei na aldeia e a destruí e matei todos os que quiseram resistir, e à vinda vim queimando e destruindo todas as aldeias que ficaram atrás..."; ( c) "....e ante manhã dei na fortaleza e a entramos, matando todos os que quiseram defender, e nos deixaram as casas com todos seus mantimentos e mais fato, que nela tinham, e daí entrei e rodeei todo o Peroaçu [=Paraguaçu], tendo muitas pelejas e lhes destruí cento e trinta e tantas aldeias, e me retornei a embarcar..." (Sá [1570] 1906).

16. "... Duarte Coelho, o qual deu tanta guerra aos Indios com favor de um clerigo que se tinha por nigromantico, que destruiu toda a sua capitania assim desde o rio S. Francisco até lá, que são 50 leguas, não há povoação de Indios ..." (Anchieta [1584] 1988: 314).

17. "A capitania de Porto Seguro é do Conde de Aveiro. A dos Ilhéus é de Francisco Giraldes. Houve guerra com os Indios naturais em ambas; mas com as ajudas que tiveram dos Governadores da Baía se defenderam e estão agora em paz. Verdade é que se foi consumindo o gentio daquelas terras, chamado Tupiniquis, que era muito e mui guerreiro, parte com doenças, parte com maltratamento dos Portugueses, como em todas as partes, menos São Vicente, de maneira que ficaram sem gentio" (Anchieta [1584] 1988: 316).

18. Sobre a destruição maciça da população indígena em decorrência de epidemias e outros agravos, veja-se a seguinte passagem de um informe do Pe. Anchieta: "A gente que de 20 anos a esta parte é gastada nesta Bahia, parece cousa, que se não pode crêr, porque nunca ninguém cuidou, que tanta gente se gastasse nunca, quanto mais em tão pouco tempo, porque nas 14 igrejas, que os Padres tiveram, se juntaram 40.000 almas, estas por conta, e ainda passaram delas com a gente, com que depois se forneceram, das quais se agora as três igrejas que há tiverem 3.500 almas será muita". (...) "No mesmo ano de 1562, por justos juizos de Deus, sobreveio uma grande doença aos índios e escravos dos Portugueses, e com isto grande fome, em que morreu muita gente, e dos que ficaram vivos muitos se vendiam e iam se meter por casados Portugueses e se fazer escravos, vendendo-se por um prato de farinha, e outros diziam, que lhes pusessem ferretes, que queriam ser escravos; e foi tão grande a morte que deu nêste gentio, que se diziam que entre escravos e índios forros morreriam 30.000 almas no espaço de 1 ou 3 meses" (Anchieta 1986).

19. "Em resumo, ...nos fins do século XVI e comêço do século XVII, apesar da pobreza das informações, pode-se presumir ser muito pequeno o contingente dos Tupinambás na população aborígene que vivia, na Bahia, junto com os brancos" (Fernandes s.d. [1949]: 38).

20. Nas fórmulas que seguem, os parênteses indicam os limites de uma palavra ou unidade morfossintática; dentro deles, o sinal + indica as fronteiras de morfemas no interior de palavras. As abreviaturas usadas são: ADJ = adjetivo, DESCR = raiz descritiva, NOM = raiz nominal, NZR = afixo nominalizador, OBJ = afixo marcador de referência ao objeto direto, REL = partícula marcadora de oração relativa, S = afixo marcador de sujeito. Nas transcrições, y é a vogal alta anterior não-arrendondada e os demais símbolos são os do Alfabeto Fonético Internacional (IPA).



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Nogueira, B. Caetano de Almeida. 1869. "Primeva catechese dos indios selvagens, feita pelos padres da Companhia de Jesus, originariamente escripta em hispanhol (em lingua europea) pelo padre Antonio Ruiz, antigo instructor do gentio, e depois vertida em Abañeenga (em lingua indigena) por outro padre. 1733, S. Nicolao, ad maiorem Dei gloriam". Annaes da Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro, vol. 6.

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Vieira, Antônio. 1856. Obras várias, vol. II. Lisboa.

Aryon D. Rodrigues, 77 anos, é Coordenador do Laboratório de Línguas Indígenas da Universidade de Brasília (UnB), seu interesse pelo tema nasceu quando ainda cursava a 7ª série do 1º grau e tornou-se um hobby. Hoje, tanto suas horas de trabalho, quanto as de lazer, são dedicadas ao estudo das línguas indígenas identificadas no país. Formado em Letras pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rodrigues se especializou em Lingüística pela Universidade de Hamburgo, na Alemanha, em 1959.

  • Link : Tupi Antigo - O conhecimento do "Tupi Antigo" deixa de ser uma mera curiosidade acadêmica e passa a ser elemento fundamental para a construção da identidade brasileira, indicando-nos, entre outras coisas, o substrato lingüístico que subsiste em nosso uso da Língua Portuguesa e, por conseguinte, na forma com a qual pensamos, sentimos e vivenciamos o mundo.
Comentarios (33)Add Comment
nego
escrito por Visitante, 2005-03-04 12:05:47
é muito ruim
Especifico
escrito por Visitante, 2005-03-12 13:41:23
Achei muito bom explicativo
vai direto ao assunto
ajudou no meu trabalho
Jagaraj
escrito por Visitante, 2005-03-24 13:33:20
Gostaria de saber qual o significado da palavra JAGARAJ, este nome ө um Municpio do Par. retrono para Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso
Grato
Rodrigo
Ilha Grande
escrito por Visitante, 2005-04-18 19:46:09
O artigo é muito interessante.
Existe algum livro sobre esse tema?
Gostaria de saber se existiu alguma língua aborigem na Ilha Grande, frente a Angra dos Reis no estado do Rio de janeiro. Obrigada
retorno ao visitante
escrito por Brazil-Brasil, 2005-04-18 22:05:23
Dados: Dicionário on-line Wikipedia [u]Tupi (língua)[/u]

Livro: Línguas Brasileiras, Para o Conhecimento das Línguas Indígenas, Aryon Dall'Igna Rodrigues. São Paulo, Ed. Loyola, 1986 (134 p.)


http://www.brazil-brasil.com


MARCIA
escrito por Visitante, 2005-05-09 15:58:55
GOSTARIA SABER SOMENTE DO MAPA
linguas
escrito por Visitante, 2005-05-10 16:12:58
quais sao as palavras indigenas mais faladas pelos portugueses??
thalyta
escrito por Visitante, 2005-05-22 06:38:56
adorei o site
...
escrito por Visitante, 2005-06-20 10:36:18
desejando enviar este texto em e-mail de Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso
Denominao dos mam磭feros brasileiros
escrito por Visitante, 2005-07-05 14:04:07
Boa tarde, senhores...
Seria possível o envio de uma listagem dos nomes indígenas atribuídos aos mamíferos silvestres brasileiros?
Essas informações seriam de grande valia para complemantar o trabalho que venho desenvolvendo sobre animais brasileiros. No entanto, tenho encontrado muitas dificuldades no que se refere a nomenclatura indígena dos mamíferos.
Desde já, agradeço...
curas
escrito por Visitante, 2005-07-20 05:42:24
como curavam doenas
...
escrito por Visitante, 2005-08-02 17:35:40
Quais são os paises que tem o português como
lingua oficial
camila
escrito por Visitante, 2005-08-08 15:28:43
o site é muito bom, tem bastante informação, mas infelizmente não encontrei o q precisava...
felipe
escrito por Visitante, 2005-08-23 05:41:26
qual são as linguas indigenas usadas na nossa lingua
natalia
escrito por Visitante, 2005-08-23 07:01:22
natalia
escrito por Visitante, 2005-08-23 07:02:23
bom
o seu flog me ajudou a fazer o trabalho de historia
muito obrigada
bjs
ana cherly pires caetano
escrito por Visitante, 2005-09-15 06:29:18
podemos considerar acabado a lingua e prota com o tempo e com a influencias de outras culturasnull
...
escrito por Visitante, 2006-05-18 05:28:46
ckxjihghghweefgpsdjfgoaijsdoiueroipuopiueioruioerhghgon hnufjhsishdihqerqehruvqwedwbqertn me
godofredo
escrito por Visitante, 2006-06-04 07:22:35
eu queria só a lista dos países da copa q falam portugues
marcela dias valle
escrito por Visitante, 2006-06-10 15:26:34
E bom! mas não me ajudou no trabalho!
MEU TRABALHO E DOS NÃO-INDIOS!
Sheyla Gomes
escrito por Visitante, 2006-06-16 12:15:56
No momento sou estudande do primeiro ano em uma escola estadual e este arquivo foi muito bem utilizado em um trabalho pedido pela escola, realmente muito bom!
era oque eu precisava
escrito por Raysa da silva nunes, 2006-08-21 21:54:54
:smilies/smiley.gifeu gostei muito e achei muito interessante para quem estuda de verdade e quemgosta muito d estudar
...
escrito por Bismarck, 2006-09-26 23:39:55
eu quero saber 20 paavras indigenas usadas no nosso dia-a-dia, por favor se souberem envie para meu e-mail.. smilies/smiley.gif smilies/smiley.gif smilies/smiley.gif
sou uma india verdadeira nasci na aldeia de parelheiros hoje tenho 18 anos
escrito por claudia da silva, 2006-10-05 00:48:54
queria encontrar minha mae pois nao vejo ela desde meus 3anos de idade ela e india adorei esse site muito poedria falar mis sobr os indios do marcilak smilies/smiley.gif
credoooooooooooooooo
escrito por kátia, 2006-10-30 11:25:10
smilies/tongue.gif credooooo eu achei este site muito idiota
gffdghtgfhffgffgfgfgfgfgfgfgfgfgf
escrito por fhsdjkhsh, 2007-02-25 12:28:17
smilies/wink.gif smilies/cheesy.gif smilies/angry.gif smilies/sad.gif smilies/shocked.gif smilies/tongue.gif :- smilies/kiss.gif smilies/cry.gif smilies/grin.gif smilies/cheesy.gif smilies/wink.gif smilies/smiley.gif
fghfdhhfd
escrito por hfhfdhfghf, 2007-02-25 12:30:55
gostei muito smilies/cheesy.gif smilies/grin.gif smilies/angry.gif smilies/sad.gif smilies/shocked.gif smilies/cool.gif smilies/tongue.gif :- smilies/kiss.gif smilies/cry.gif :- smilies/tongue.gif smilies/cool.gif smilies/kiss.gif smilies/kiss.gif smilies/kiss.gif smilies/grin.gif smilies/grin.gif smilies/grin.gif smilies/cheesy.gif smilies/cheesy.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/smiley.gif
suhahsuahusahua
escrito por viviane, 2007-03-26 20:02:55
nao ache completamente NADAque eu keria
Olha este site não é o que eu estou precisano
escrito por lara, 2007-04-17 21:12:24
Eu acho que vc deviam tirar isso aí porque esta pessimo não gostie
parabéns pelo site!
escrito por vera, 2007-10-25 01:16:19
Como indígena e estudante de letras da UFPA/Stm, gostei muito da entrevista com Aryon Rodrigues. Os questionamentos sobre as línguas dos povos inígenas foram excelentes. Aprendi muito!
Ótima
escrito por Saliany Beth da Silva, 2007-11-15 00:27:51
smilies/kiss.gif Achei muito ampla a visão dos autores em relação aos comentários das línguas indigenas...é de grande ajuda para todos que pretendem se informar sobre novos dialetos, nos quais não conhecemos...
Gostaria de receber um mapa para a minha pesquisa, pois só assim ficaria completo a minha teoria
Os comentários só de vem ser levados a sério os que sáo construtivos, e não liguem para os comentáristas que acham que podem fazer melhor que vcs autores.
Parabens.
Um Forte Abraço.
SOU DECEDENTE DE INDIO
escrito por marcio dutra, 2007-12-06 12:48:36
EU GOSTARIA DE SABER MAIS SOBRE OS INDIOS DE TODAS AS TRIBOS E A LINGUA MAI FALADA NO DIA A DIA smilies/cheesy.gif
...
escrito por Everton Wellington, 2008-03-30 17:40:38
O livro tem uma certa complexidade, mas me ajudou num trabalho e discussão em classe sobre línguas indígenas. Gostei.

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