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Designado para chefiar a embaixada brasileira na Suíça,
um velho e bom diplomata recusou o convite com fina ironia:
Não gosto de chocolate nem uso relógio, informou.
Homem habituado a trabalhar bastante, sabia que não há muito a
fazer por lá.
As coisas mudaram no Itamaraty que vem sendo redesenhado por Celso Amorim (ministro oficial das Relações Exteriores), Marco Aurélio Garcia (ministro oficioso) e Samuel Pinheiro Guimarães (ministro de fato, sob o disfarce de secretário-geral).
Com a recente reabertura do consulado em Genebra, que permitirá ao embaixador Armando Victor Boisson Cardoso descansar dos sobressaltos no Haiti, serão quatro os diplomatas de primeira linha baseados na Suíça.
Teremos o embaixador em Berna, outros dois baseados em Genebra e um na chefia do consulado-geral em Zurique.
Por que tantos funcionários de ponta no pedaço? Ou por que 14 diplomatas em Lisboa (10 na embaixada, 4 no consulado-geral)? Porque o bem-bom está na Europa, sobretudo no “circuito Elizabeth Arden”, que inclui os Estados Unidos.
Vagas nesse universo sempre charmoso continuam disputadas a tapas, unhadas ou beijos de judas.
Há em Roma 17 diplomatas (11 na embaixada, 2 no consulado-geral e 4 na delegação designada para a FAO). Em Londres o grupo é de 22 (18 na embaixada, 4 no consulado-geral). Temos 14 em Paris e, em Nova York, 32. Isso mesmo: trinta e dois diplomatas brazucas mordem a Grande Maçã. São 22 na ONU, 7 no Consulado-Geral e 4 no escritório financeiro.
Se juntarmos o pessoal da embaixada em Washington, o bloco seria suficiente para eleger um vereador de cidadezinha.
Igualmente numerosas são algumas turmas acampadas em países vizinhos. Só na Argentina há 29 diplomatas, outros 18 estão no Paraguai tentando preencher crateras na agenda. Somadas as legiões baseadas em Londres e Assunção, são 40 os representantes da grande nação tropical. Três a menos que o total de profissionais remetidos pelo Itamaraty ao continente africano.
São 7 na África do Sul, 4 em Moçambique, 3 em Angola, 3 na Tunísia, 3 no Egito, 2 na Argélia (onde o embaixador chefia a própria mulher), 2 no Quênia, 2 em Cabo Verde, 2 na Costa do Marfim, 2 no Gabão, 2 no Marrocos, 2 na Nigéria, 2 na Síria. Em sete nações, o embaixador trabalha sozinho, sem dispor de um único ex-aluno do Instituto Rio Branco: Líbia, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Zimbábue, Senegal, Cabo Verde, Zaire e Gana.
Resolvido a ampliar a presença brasileira na África, o governo Lula recomendou ao Ministério das Relações Exteriores que providenciasse mais embaixadas por lá (e tornasse menos anêmicas as representações existentes). A troika no comando do Itamaraty novamente se mostrou tão rápida no gatilho quanto vesga na mirada.
E os maus ventos que já haviam provocado o sumiço dos cisnes do lago no Rio (animais sabem pressentir antes do bicho-homem desastres em gestação) sopraram com perverso vigor.
Decidiu-se recrutar 400 diplomatas até 2008. “A cada ano, é possível formar, no máximo, quarenta diplomatas bem qualificados”, pondera um tarimbado embaixador. “Um remanejamento criterioso resolveria o problema, que não está no número de profissionais, e sim na má distribuição do quadro.”
Mas a cúpula do Ministério tem pressa, e não parece disposta a desgastar-se com transferências abruptas. Preferiu partir para a formação de 100 profissionais por ano. Para tanto, afrouxou irresponsavelmente os critérios que regem o ingresso no Instituto Rio Branco.
A prova de inglês, por exemplo, deixou de ser eliminatória. “Basta compreender o idioma”, alega Celso Amorim. O ministro oficial está mentindo deliberadamente.
Ele sabe que os diplomatas são obrigados a escrever discursos em inglês, redigir traduções de textos e notas, manter entendimentos pessoais com interlocutores estrangeiros, servir de intérprete das autoridades monoglotas e expressar-se em inglês nos organismos internacionais.
É sempre em inglês, aliás, que Amorim tenta fazer-se entender nos encontros que o mantém no Exterior boa parte do ano. Tem viajado com muita freqüência. Primeiro, porque chanceleres viajam bastante. Depois, porque descobriu que incursões internacionais são um bom negócio.
Nesses giros, usa o truque batizado de “diária seca” no jargão do Itamaraty. As embaixadas garantem cama e comida ao hóspede ilustre. O ministro embolsa a quantia reservada pelo governo a quem viaja a serviço da nação.
No ano passado, as “diárias secas” reunidas por Amorim chegaram perto de 40 mil dólares. Livres de taxas e impostos.
nomínimo
MINISTÉRIO ABRE INSCRIÇÕES PARA CONCURSO DE DIPLOMATA - O Ministério das Relações Exteriores abriu inscrições para o concurso de admissão à carreira de diplomata. O edital do concurso está disponível na internet através dos endereços: www2.mre.gov.br/irbr/irbr.htm www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2005. Estão sendo oferecidas 32 vagas, mas esse número pode aumentar até o término do prazo de validade do concurso. O salário inicial é de R$ 4.615,53 e o candidato deve ser brasileiro nato, ter curso superior, estar em dia com as obrigações eleitorais e ter direitos políticos. Os homens também precisam estar quites com o Serviço Militar. O prazo de inscrições termina no dia 28 de março/05 e a aprovação no concurso vai habilitar o candidato a ingressar na classe inicial da carreira diplomática, no cargo de terceiro secretário, e a ter matrícula no curso de formação do Instituto Rio Branco.
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Nesta area precisamos um pouco de controle democratico por parte do nosso pais, e com certeza este artigo contribui neste sentido!