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Em Messejana, Ceará, encerra estética de grande harmonia e
beleza. Por isso pode vencer o modernismo destruidor, que arrasou
cidades, histórias e culturas em todo o País.
Exemplar perfeito de uma estética mais humana, e, portanto mais
grandiosa, a de Alencar é uma casa poderosa.Simples, muito
simples.
Somente locais de culturas fortes resistiram à sanha
destruitix do modernix.
Em São Paulo, Rio, Minas, ela a tudo arrasou. Barrocos
inteiros, impérios e segundos-impérios, art déco e noveaux,
tudo, enfim, foi tragado pelo rolo compressor moderno e
destruidor.
Salvaram-se as cidades esquecidas -, e depois ressuscitadas já
com a consciência da preservação; e alguns exemplos isolados
de prédios, como a nossa Casa de José de Alencar, para mim o
mais belo exemplo de casa popular do Ceará.
O que não deixa de ser irônico, já que Alencar, nobre em
tantos sentidos, era romântico no bom sentido, pois sonhava
libertações, artes, narrativas que pudessem elevar o homem
oprimido e dignificar a mulher oprimida; ressaltando-lhes a
nobreza da alma, o valor do bom combate.
Ironia de fino
valor, sem nenhuma galhofa, a casa de José de Alencar precisa
ser reaberta, ter seu aceso fácil e sua existência plena. Pois
são muitas as artes de Alencar. A Arte e o Mundo de Alencar.
Alencar e seu Mundo.O Político, o Homem Alencar. Os prés e os pós-Alencar;
seus contemporâneos. A Confederação do Equador e a obra de José
de Alencar.
Ou seja; muitos cômodos possuem a pequena grande casa de José
de Alencar.
Precisamos reerguê-la, como era e como é, e como será, sem
dúvida sem a cinta de tijolo aparente (pois basta um pequeno
exemplo para ilustrar a didática da construção), mas
exatamente na plenitude da sua simplicidade; algo até espantoso,
a se considerar o refinamento, a elegância de José de Alencar,
e seu estilo impecável.
Foi isto, portanto, aliado à pródiga cultura cearense, sempre
perene, que venceu o modernismo arrasador, paulista e inconseqüente.
Grande modernista, portanto, grande ironia, soube ser José de
Alencar e sua casa vencedora. Monumento sui generis, pura arte e
arte pura a um só tempo.
Aqui temos tudo que imaginou e escreveu Alencar, inclusive suas
entrelinhas, que crescem com o tempo, como manchas cheias de
imagens -, árvores que se abraçam, terra de cajus que se comem
crus. Matéria e não-matéria, a serem preservadas, para deleite
e crescimento de todos.
Estamos juntos.
* Oscar Araripe, é pintor, escritor e jornalista
Site: http://www.oscarararipe.com.br
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