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Lula se disse um otimista e pediu calma aos brasileiros.
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Em 30/12/04, o presidente Lula disse que 2005 será um ano de:
- crescimento econômico,
- de geração de empregos e
- de distribuição de renda no Brasil, principalmente devido ao aumento do salário mínimo.
Lula se disse um otimista e pediu calma aos brasileiros.
Lula afirmou que o ano de 2004 (*) terminou numa situação muito boa para o Brasil, apesar de reconhecer que ainda falta muito a fazer.
O presidente destacou ainda as ações sociais do governo, como:
- a aprovação do Estatuto do Idoso pelo Congresso,
- a política para a agricultura familiar,
- a reforma da Previdência,
- além do Bolsa-família
Que, segundo ele, vai beneficiar 8,7 milhões de pessoas em 2005.
(*) Contudo, a CNBB diz que 2004 foi ano perdido na área social. Governo Lula traiu a esperança dos brasileiros.
2004, o segundo ano da administração do presidente Luis Inácio da Silva, chegou ao fim e, com ele, as esperanças que a eleição do candidato Lula despertou na população. Este é o quadro que o povo vê no seu dia a dia :
- os pobres estão ficando mais pobres;
- a classe média se empobrece progressivamente;
- a população carcerária explode com pessoas que chegam ao crime através de gestos famélicos;
- as cidades e os campos ficam cada vez mais violentos.
Enquanto isto, os banqueiros e magnatas do agrobusiness e setores da exportação ficam cada vez mais ricos; a mídia sustentada pelos grandes anunciantes pinta um quadro cor-de-rosa, procurando iludir o senso crítico das pessoas.
São poucos os que conseguem espaço para denunciar a verdadeira situação do país.
Graças a Deus, do alto de sua autoridade moral, os setores progressistas da igreja católica conseguem espaço para denunciar o tipo de governo que a administração Lula vem realizando.
Na 5ª feira, 23 de dezembro de 2004, ao fazer um balanço do ano, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e cardeal-arcebispo de Salvador, Dom Geraldo Majella Agnelo, comentou que, em termos de ação social e combate à corrupção, "2004 foi um ano perdido".
Dom Geraldo Majella Agnelo, no entanto, fez questão de não atribuir a exclusividade da culpa ao governo Lula, responsabilizando "os setores que procuram influenciar o governo a não se preocupar com a área social".
O cardeal de Salvador estava se referindo aos banqueiros e magnatas que estão se aproveitando da opção feita pelo governo Lula de aprofundar a política econômica liberal herdada da administração de Fernando Henrique Cardoso.
Enquanto o povo se decepciona com o governo Lula, o noticiário registra as benesses que alegram os banqueiros e magnatas:
Governo Lula ultrapassa meta do FMI em mais de US$ 5 bilhões. Na 4ª feira, 22 de dezembro de 2004, com uma ponta de orgulho, o governo Lula divulgou que, entre janeiro e novembro, o superávit primário alcançou US$ 31.417 bilhões, superando em US$ 4,936 bilhões a meta anual estabelecida pelo FMI.
O superávit primário acumulado nos primeiros 11 meses foi de R$ 84,828 bilhões, que equivalem a 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB).
A promessa original feita ao FMI correspondia a 4,25 % do PIB.
Para quem não lembra, o dinheiro que deixou de ser gasto em infra-estrutura, saúde, educação, habitação, etc. vai integralmente para o bolso dos banqueiros.
Só em novembro, governo Lula repassou R$ 10,317 bilhões para os banqueiros. Na 4ª feira, 22 de dezembro de 2004, o governo Lula anunciou que, só em novembro, o chamado setor público consolidado – que reúne a União, os governos regionais e as estatais – pagou R$ 10,317 bilhões de juros aos banqueiros.
Ao fazer o anúncio, o Banco Central revelou certa tristeza, pois, no mês anterior, o repasse aos banqueiros tinha alcançado R$ 12,558 bilhões.
De qualquer forma, nos 11 primeiros meses de 2004, os juros nominais somaram R$ 116,687 bilhões, ou 7,28% do PIB. Que tal?
No 3º trimestre PIB brasileiro alcançou R$ 457,7 bilhões. Na 4ª feira, 22 de dezembro de 2004, o IBGE distribuiu relatório apontando que, no terceiro trimestre do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro alcançou R$ 457,736 bilhões.
E o povo continua muito mal.
Só em novembro o governo Lula arrecadou R$ 25,745 bilhões. Na 2ª feira, 20 de dezembro de 2004, a Receita Federal informou que, em novembro, o governo Lula arrecadou um R$ 25,745 bilhões.
Este resultado é 12,7% menor do que o verificado no mês anterior. Só sob forma de impostos, o governo Lula arrancou R$ 23,651 bilhões. É desnecessário dizer que a maior parte deste dinheiro vai para o bolso dos banqueiros.
Superávit comercial acumula US$ 31,893 bilhões. Na 2ª feira, 20 de dezembro de 2004, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento (Secex) divulgou relatório apontando que, até o dia 19 de dezembro, a balança comercial acumulava superávit de US$ 31,893 bilhões.
No período, as exportações somaram US$ 92,585 bilhões e as importações, US$ 60,692 bilhões.
Vale lembrar que, enquanto as multinacionais que atuam no comércio exterior fazem a festa, as empresas que dependem do mercado interno para fazer negócios continuam comendo fogo, pois a renda do brasileiro continua beirando os níveis mínimos da sobrevivência.
Risco Brasil cai para 387 pontos e títulos da dívida se valorizam. Na 3ª feira, 21 de dezembro de 2004, em claro indicador da satisfação da banca internacional com os rumos liberais do governo Lula, o chamado risco-país associado ao Brasil – um índice estipulado pelo Banco JP Morgan Chase, considerado o principal índice de confiança dos investidores estrangeiros no país – recuou mais 0,26%, descendo a marca dos 387 pontos.
Ato contínuo, o C-Bond – considerado o principal título da dívida externa brasileira – foi valorizado em 0,36%, sendo negociado a 102,15% de seu valor de face; e o Global 40 foi valorizado em 0,10%, sendo negociado a 118,87% de seu valor de face.
Enquanto isto, no Brasil, o povo continuava ‘comendo o pão-que-o-diabo-amassou’.
solidaristas
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Se preciso, amigo, conteste
Manifeste o direito de fala
Vá em busca da paz
Se capaz de um gesto
Se emocione, se exalte
Se inflame, se dane!
Num desses discursos efusivos.
Levante os braços
A um abraço convulsivo
Abrace essa gente que pede a palavra
Forçando um espaço.
Inspire nos outros o que te vai dentro
Agite o corpo, a alma
Perca a calma, teça um protesto
Improvise um choro
Brade multidão adentro
A essa massa falida
Acione a reflexão dessa gente caída.
Se preciso, amigo
Berre a esperança ao chefe de família desempregado
Dê o seu recado à criança ávida de leite
Mostre ao jovem que não há perspectiva de mudança
Sem luta, sem raça, sem peito
Em praça pública desabafe
O que outros abafam de medo ou farsa.
Se preciso, amigo
Dê a sua vida, se enforque numa árvore, num poste
Quem sabe no pescoço de um político bem sucedido
Desses figurados
Obcecados pela ociosidade!
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