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Escrito por D. Demétrio Valentini   
Saturday, 18 December 2004


Os "simples" descobrem a maneira de captar os sinais de Belém. Pode mudar a senha, mas a mensagem é a mesma.

 

Estamos próximos de mais uma celebração do Natal.

Neste ano, a espera parece um pouco mais demorada, pois o advento conta com quatro semanas inteiras. Isto acontece quando o Natal cai num final de semana, como desta vez.Na verdade, a espera não é feita tanto de dias, como de interrogações.

Que sentido tem o Natal, no contexto deste final de 2004?

Para onde vai o mundo, se forem seguidas suas premissas de endurecimento de posições que este ano foi evidenciando?

Como fica o Brasil, se persistir o descompasso entre aspirações dos movimentos sociais e ações do governo?

Mesmo com a aparente desconexão entre o nascimento de um menino e problemas da humanidade, como nos tempos de Belém também hoje a celebração do Natal não deixa de lançar uma ponte entre fatos que parecem estranhos entre si.

A narrativa do Evangelho faz questão de assinalar que o nascimento de Jesus se deu nos tempos de César Augusto. À primeira vista, parece mera referência externa. Se olhamos a história, percebemos claramente que não foi só isto.

O Natal continua apresentando a grande alternativa para a lógica do império. Os planos de César Augusto interferiram diretamente na vida de José e Maria, fazendo-os peregrinar a Belém, e na verdade contribuindo para que o nascimento do menino se revestisse do simbolismo histórico que ele carregava.

Demorou um pouco mais, mas depois o império sentiu muito mais profundamente o que significava a mensagem trazida por aquele menino que Herodes tentou em vão eliminar enquanto era tempo de neutralizar sua influência.

Assim também hoje. O império continua com sua plena convicção de estar dando as cartas do destino dos povos e das nações. Ao passo que a mensagem do Evangelho não profere sentenças, nem faz ameaças públicas.

Ela continua arraigada como semente no coração dos meninos pobres que teimam em nascer, nas mulheres que aceitam carregar a gravidez da esperança, nos pastores que permanecem vigilantes também à noite, e na sabedoria daqueles  que sabem perceber as advertências de Deus escritas até nas estrelas.

Em cada época, os simples descobrem a maneira de captar os sinais de Belém. Pode mudar a senha, mas a mensagem continua a mesma.

O povo inventa novenas, encena histórias onde basta a presença de um recém nascido para iluminar seus olhos e colocar canções de paz em seus lábios.  E todos partilham a esperança no clima de alegria e de fraternidade que vai se firmando. 

Com isto, sem esquecer o peso da realidade, o ambiente se reveste da luz que brilhou  na noite de Belém. As pessoas voltam a sorrir, aliviadas das ameaças dos herodes que ainda hoje insistem em eliminar os arautos da paz.

Pela disposição do império, parece que o início deste novo milênio vai ser marcado pela revanche dos seus projetos de poder e dominação.

Vai demorar muito para o Evangelho fazer sentir a força de sua presença transformadora?

Depende da autenticidade com que soubermos reviver o nascimento de Jesus, e a acolhida que dermos à sua mensagem de amor.

Dom Luiz Demétrio Valentini, é bispo Diocesano de Jales/SP. Natural de S.Valentim, Rio Grande do Sul. Foi membro da Comissão Episcopal de Pastoral da Conferência Nacional de Bispos Brasileiros (CNBB), responsável pelo Setor Pastoral Social. Foi Presidente da Cáritas Brasileira, e membro do Depto. de Pastoral Social do CELAM (1991-99). Como coordenador da Comissão de Ecologia participou da 4ª Conferência Episcopal Latino Americana, de Sto Domingos (1992). É membro da Comissão Permanente do Sínodo Especial da América, onde foi eleito membro permanente (1997). Você se comunica com ele pelo email: Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso

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