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Os "simples" descobrem a maneira
de captar os sinais de Belém. Pode mudar a senha, mas a mensagem
é a mesma.
Estamos próximos de mais uma celebração
do Natal.
Neste ano, a espera parece um pouco mais
demorada, pois o advento conta com quatro semanas inteiras. Isto
acontece quando o Natal cai num final de semana, como desta
vez.Na verdade, a espera não é feita tanto de dias, como de
interrogações.
Que sentido tem o Natal, no contexto
deste final de 2004?
Para onde vai o mundo, se forem seguidas
suas premissas de endurecimento de posições que este ano
foi evidenciando?
Como fica o Brasil, se persistir o
descompasso entre aspirações dos movimentos sociais e
ações do governo?
Mesmo com a aparente desconexão entre o
nascimento de um menino e problemas da humanidade, como nos
tempos de Belém também hoje a celebração do Natal não deixa
de lançar uma ponte entre fatos que parecem estranhos entre si.
A narrativa do Evangelho faz questão de
assinalar que o nascimento de Jesus se deu nos tempos de César
Augusto. À primeira vista, parece mera referência externa. Se
olhamos a história, percebemos claramente que não foi só isto.
O Natal continua apresentando a grande
alternativa para a lógica do império. Os planos de César
Augusto interferiram diretamente na vida de José e Maria,
fazendo-os peregrinar a Belém, e na verdade contribuindo para
que o nascimento do menino se revestisse do simbolismo histórico
que ele carregava.
Demorou um pouco mais, mas depois o império
sentiu muito mais profundamente o que significava a mensagem
trazida por aquele menino que Herodes tentou em vão eliminar
enquanto era tempo de neutralizar sua influência.
Assim também hoje. O império continua com
sua plena convicção de estar dando as cartas do destino dos
povos e das nações. Ao passo que a mensagem do Evangelho não
profere sentenças, nem faz ameaças públicas.
Ela continua arraigada como semente no
coração dos meninos pobres que teimam em nascer, nas mulheres
que aceitam carregar a gravidez da esperança, nos pastores que
permanecem vigilantes também à noite, e na sabedoria
daqueles que sabem perceber as advertências de Deus
escritas até nas estrelas.
Em cada época, os simples descobrem a
maneira de captar os sinais de Belém. Pode mudar a senha, mas a
mensagem continua a mesma.
O povo inventa novenas, encena histórias
onde basta a presença de um recém nascido para iluminar seus
olhos e colocar canções de paz em seus lábios. E todos
partilham a esperança no clima de alegria e de fraternidade que
vai se firmando.
Com isto, sem esquecer o peso da realidade,
o ambiente se reveste da luz que brilhou na noite de
Belém. As pessoas voltam a sorrir, aliviadas das ameaças dos
herodes que ainda hoje insistem em eliminar os arautos da paz.
Pela disposição do império, parece que o
início deste novo milênio vai ser marcado pela revanche dos
seus projetos de poder e dominação.
Vai demorar muito para o Evangelho fazer
sentir a força de sua presença transformadora?
Depende da autenticidade com que soubermos
reviver o nascimento de Jesus, e a acolhida que dermos à sua
mensagem de amor.
Dom Luiz Demétrio Valentini, é bispo Diocesano de
Jales/SP. Natural de S.Valentim, Rio Grande do Sul. Foi membro da
Comissão Episcopal de Pastoral da Conferência Nacional de
Bispos Brasileiros (CNBB), responsável pelo Setor Pastoral
Social. Foi Presidente da Cáritas Brasileira, e membro do Depto.
de Pastoral Social do CELAM (1991-99). Como coordenador da
Comissão de Ecologia participou da 4ª Conferência Episcopal
Latino Americana, de Sto Domingos (1992). É membro da Comissão
Permanente do Sínodo Especial da América, onde foi eleito
membro permanente (1997). Você se comunica com ele pelo email:
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