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Nenhum governo teve mídia tão favorável
quanto o de FHC, o que não deixa de ser surpreendente, visto que
em seus dois mandatos ele realizou uma extraordinária obra de
demolição, de fazer inveja a Átila e a Gêngis Khan.
Itinerário de um desastre
Vale a pena relembrar algumas das passagens de um governo que
deixou uma pesada herança para seu sucessor.
- A taxa média de crescimento da economia brasileira, ao
longo da década tucana, foi a pior da história, em
torno de 2,4%. Pior até mesmo que a taxa média da
chamada década perdida, os anos 80, que girou em torno
de 3,2%.
- No período, o patrimônio público representado pelas
grandes estatais foi liquidado na bacia das almas. No
discurso, essa operação serviria para reduzir a dívida
pública e para atrair capitais.
- Na prática assistimos a um crescimento exponencial da dívida
pública. A dívida interna saltou de R$ 60 bilhões para
impensáveis R$ 630 bilhões, enquanto a dívida externa
teve seu valor dobrado.
- Enquanto isso, o esperado afluxo de capitais não se
verificou. Pelo contrário, o que vimos no setor elétrico
foi exemplar. Uma parceria entre as elétricas
privatizadas e o governo gerou uma aguda crise no setor,
provocando um longo racionamento.Para compensar o prejuízo
que sua imprevidência deu ao povo, o governo chegou a
premiar as elétricas com sobretaxas e um esdrúxulo
programa de energia emergencial. Ou seja, os capitais
internacionais não vieram e a incompetência das
privatizadas foram sendo financiada pelo povo.
O texto que segue é um itinerário, em 45 pontos, das ações
e omissões levadas a efeito pelo governo FHC e de relatos sobre
tentativas fracassadas de impor medidas do receituário
neoliberal.
Em alguns casos, a oposição, aproveitando-se de rachas na
base governista ou recorrendo aos tribunais, bloqueou iniciativas
que teriam causado ainda mais dano aos interesses do povo.
Essa recompilação serve como ajuda à memória e antídoto
contra a amnésia.
1 - Conivência com a corrupção
O governo do PSDB tem sido conivente com a corrupção. Um dos
primeiros gestos de FHC ao assumir a Presidência, em 1995, foi
extinguir, por decreto, a Comissão Especial de Investigação,
instituída no governo Itamar Franco e composta por
representantes da sociedade civil, que tinha como objetivo
combater a corrupção. Em 2001, para impedir a instalação da
CPI da Corrupção, FHC criou a Controladoria-Geral da União, órgão
que se especializou em abafar denúncias.
2 - O escândalo do Sivam
O contrato para execução do projeto Sivam foi marcado por escândalos.
A empresa Esca, associada à norte-americana Raytheon, e responsável
pelo gerenciamento do projeto, foi extinta por fraudes contra a
Previdência. Denúncias de tráfico de influência derrubaram o
embaixador Júlio César dos Santos e o ministro da Aeronáutica,
Brigadeiro Mauro Gandra.
3 - A farra do Proer
O Proer demonstrou, já em 1996, como seriam as relações do
governo FHC com o sistema financeiro. Para FHC, o custo do
programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os
ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3%
do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3%
do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do
Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais.
4 - Caixa-dois de campanhas
As campanhas de FHC em 1994 e em 1998 teriam se beneficiado de um
esquema de caixa-dois. Em 1994, pelo menos R$ 5 milhões não
apareceram na prestação de contas entregue ao TSE. Em 1998,
teriam passado pela contabilidade paralela R$ 10,1 milhões.
5 - Propina na privatização
A privatização do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce foi
marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa
de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área
Internacional do Banco do Brasil, é acusado de pedir propina de
R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio
do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter
cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio
Telemar.
6 - A emenda da reeleição
O instituto da reeleição foi obtido por FHC a preços altos.
Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João
Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do
projeto. Os deputados foram expulsos do partido e renunciaram aos
mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão
Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário
da Câmara.
7 - Grampos telefônicos
Conversas gravadas de forma ilegal foram um capítulo à parte no
governo FHC. Durante a privatização do sistema Telebrás,
grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de
Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara
Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ
para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como
um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de
Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou na história,
autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão
dos funcionários do Banco do Brasil.
8 - TRT paulista
A construção da sede do TRT paulista representou um desvio de
R$ 169 milhões aos cofres públicos. A CPI do Judiciário
contribuiu para levar o juiz Nicolau dos Santos Neto,
ex-presidente do Tribunal, para a cadeia e para cassar o mandato
do Senador Luiz Estevão (PMDB-DF), dois dos principais
envolvidos no caso.
9 - Os ralos do DNER
O DNER foi o principal foco de corrupção no governo de FHC. Seu
último avanço em matéria de tecnologia da propina atende pelo
nome de precatórios. A manobra consiste em furar a fila para o
pagamento desses títulos. Estima-se que os beneficiados pela
fraude pagavam 25% do valor dos precatórios para a quadrilha que
comandava o esquema. O órgão acabou sendo extinto pelo governo.
10 - O "caladão"
O Brasil calou no início de julho de 1999 quando o governo FHC
implementou o novo sistema de Discagem Direta a Distância (DDD).
Uma pane geral deixou os telefones mudos. As empresas que
provocaram o caos no sistema haviam sido recém-privatizadas. O
"caladão" provocou prejuízo aos consumidores, às
empresas e ao próprio governo. Ficou tudo por isso mesmo.
11 - Desvalorização do real
FHC se reelegeu em 1998 com um discurso que pregava "ou eu
ou o caos". Segurou a quase paridade entre o real e o dólar
até passar o pleito. Vencida a eleição, teve de desvalorizar a
moeda. Há indícios de vazamento de informações do Banco
Central. O deputado Aloizio Mercadante, do PT, divulgou lista com
o nome dos 24 bancos que lucraram muito com a mudança cambial e
outros quatro que registraram movimentação especulativa
suspeita às vésperas do anúncio das medidas.
12 - O caso Marka/FonteCindam
Durante a desvalorização do real, os bancos Marka e FonteCindam
foram socorridos pelo Banco Central com R$ 1,6 bilhão. O
pretexto é que a quebra desses bancos criaria risco sistêmico
para a economia. Chico Lopes, ex-presidente do BC, e Salvatore
Cacciola, ex-dono do Banco Marka, estiveram presos, ainda que por
um pequeno lapso de tempo. Cacciola retornou à sua Itália
natal, onde vive tranqüilo.
13 - Base de Alcântara
O governo FHC enfrenta resistências para aprovar o acordo de
cooperação internacional que permite aos Estados Unidos usarem
a Base de Lançamentos Espaciais de Alcântara (MA). Os termos do
acordo são lesivos aos interesses nacionais. Exemplos: áreas de
depósitos de material americano serão interditadas a
autoridades brasileiras.
O acesso brasileiro a novas tecnologias fica bloqueado e o
acordo determina ainda com que países o Brasil pode se
relacionar nessa área. Diante disso, o PT apresentou emendas ao
tratado todas acatadas na Comissão de Relações
Exteriores da Câmara.
14 - Biopirataria oficial
Antigamente, os exploradores levavam nosso ouro e pedras
preciosas. Hoje, levam nosso patrimônio genético. O governo FHC
teve de rever o contrato escandaloso assinado entre a Bioamazônia
e a Novartis, que possibilitaria a coleta e transferência de 10
mil microorganismos diferentes e o envio de cepas para o
exterior, por 4 milhões de dólares. Sem direito ao recebimento
de royalties.
Como um único fungo pode render bilhões de dólares aos
laboratórios farmacêuticos, o contrato não fazia sentido.
Apenas oficializava a biopirataria.
15 - O fiasco dos 500 anos
As festividades dos 500 anos de descobrimento do Brasil, sob
coordenação do ex-ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca
(PFL-PR), se transformaram num fiasco monumental. Índios e
sem-terra apanharam da polícia quando tentaram entrar em Porto
Seguro (BA), palco das comemorações.
O filho do presidente, Paulo Henrique Cardoso, é um dos
denunciados pelo Ministério Público de participação no episódio
de superfaturamento da construção do estande brasileiro na
Feira de Hannover, em 2000.
16 - Eduardo Jorge, um personagem suspeito
Eduardo Jorge Caldas, ex-secretário-geral da Presidência, é um
dos personagens mais sombrios que freqüentou o Palácio do
Planalto na era FHC. Suspeita-se que ele tenha se envolvido no
esquema de liberação de verbas para o TRT paulista e em
superfaturamento no Serpro, de montar o caixa-dois para a reeleição
de FHC, de ter feito lobby para empresas de informática, e de
manipular recursos dos fundos de pensão nas privatizações.
Também teria tentado impedir a falência da Encol.
17 - Drible na reforma tributária
O PT participou de um acordo, do qual faziam parte todas as
bancadas com representação no Congresso Nacional, em torno de
uma reforma tributária destinada a tornar o sistema mais justo,
progressivo e simples.
A bancada petista apoiou o substitutivo do relator do projeto
na Comissão Especial de Reforma Tributária, deputado Mussa
Demes (PFL-PI). Mas o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o Palácio
do Planalto impediram a tramitação.
18 - Rombo transamazônico na Sudam
O rombo causado pelo festival de fraudes transamazônicas na
Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, a Sudam, no
período de 1994 a 1999, ultrapassa R$ 2 bilhões. As denúncias
de desvios de recursos na Sudam levaram o ex-presidente do
Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) a renunciar ao mandato.
Ao invés de acabar com a corrupção que imperava na Sudam e
colocar os culpados na cadeia, o presidente Fernando Henrique
Cardoso resolveu extinguir o órgão. O PT ajuizou ação de
inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a providência
do governo.
19 - Os desvios na Sudene
Foram apurados desvios de R$ 1,4 bilhão em 653 projetos da
Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, a Sudene. A
fraude consistia na emissão de notas fiscais frias para a
comprovação de que os recursos recebidos do Fundo de
Investimentos do Nordeste (Finor) foram aplicados. Como no caso
da Sudam, FHC decidiu extinguir o órgão. O PT também
questionou a decisão no Supremo Tribunal Federal.
20 - Calote no Fundef
O governo FHC desrespeita a lei que criou o Fundef. Em 2002, o
valor mínimo deveria ser de R$ 655,08 por aluno/ano de 1ª a 4ª
séries e de R$ 688,67 por aluno/ano da 5ª a 8ª séries do
ensino fundamental e da educação especial. Mas os valores
estabelecidos ficaram abaixo: R$ 418,00 e R$ 438,90,
respectivamente. O calote aos estados mais pobres soma R$ 11,1
bilhões desde 1998.
21 - Abuso de MPs
Enquanto senador, FHC combatia com veemência o abuso nas edições
e reedições de Medidas Provisórias por parte José Sarney e
Fernando Collor. Os dois juntos editaram e reeditaram 298 MPs.
Como presidente, FHC cedeu à tentação autoritária. Editou e
reeditou, em seus dois mandatos, 5.491medidas. O PT participou
ativamente das negociações que resultaram na aprovação de
emenda constitucional que limita o uso de MPs.
22 - Acidentes na Petrobras
Por problemas de gestão e falta de investimentos, a Petrobras
protagonizou uma série de acidentes ambientais no governo FHC
que viraram notícia no Brasil e no mundo. A estatal foi responsável
pelos maiores desastres ambientais ocorridos no País nos últimos
anos. Provocou, entre outros, um grande vazamento de óleo na Baía
de Guanabara, no Rio, outro no Rio Iguaçu, no Paraná.
Uma das maiores plataformas da empresa, a P-36, afundou na
Bacia de Campos, causando a morte de 11 trabalhadores. A
Petrobras também ganhou manchetes com os acidentes de trabalho
em suas plataformas e refinarias que ceifaram a vida de centenas
de empregados.
23 - Apoio a Fujimori
O presidente FHC apoiou o terceiro mandato consecutivo do
corrupto ditador peruano Alberto Fujimori, um sujeito que nunca
deu valor à democracia e que fugiu do País para não viver os
restos de seus dias na cadeia. Não bastasse isso, concedeu a
Fujimori a medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul, o principal título
honorário brasileiro. O Senado, numa atitude correta, acatou
sugestão apresentada pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR) e
cassou a homenagem.
24 - Desmatamento na Amazônia
Por meio de decretos e medidas provisórias, o governo FHC
desmontou a legislação ambiental existente no País. As mudanças
na legislação ambiental debilitaram a proteção às florestas
e ao cerrado e fizeram crescer o desmatamento e a exploração
descontrolada de madeiras na Amazônia. Houve aumento dos focos
de queimadas. A Lei de Crimes Ambientais foi modificada para
pior.
25 Os computadores do FUST
A idéia de equipar todas as escolas públicas de ensino médio
com 290 mil computadores se transformou numa grande negociata. Os
recursos para a compra viriam do Fundo de Universalização das
Telecomunicações, o Fust. Mas o governo ignorou a Lei de Licitações,
a 8.666.
Além disso, fez megacontrato com a Microsoft, que teria, com
o Windows, o monopólio do sistema operacional das máquinas,
quando há softwares que poderiam ser usados gratuitamente. A
Justiça e o Tribunal de Contas da União suspenderam o edital de
compra e a negociata está suspensa.
26 - Arapongagem
O governo FHC montou uma verdadeira rede de espionagem para
vasculhar a vida de seus adversários e monitorar os passos dos
movimentos sociais. Essa máquina de destruir reputações é
constituída por ex-agentes do antigo SNI ou por empresas de
fachada. Os arapongas tucanos sabiam da invasão dos sem-terra à
propriedade do presidente em Buritis, em março deste ano, e o
governo nada fez para evitar a operação. Eles foram responsáveis
também pela espionagem contra Roseana Sarney.
27 - O esquema do FAT
A Fundação Teotônio Vilela, presidida pelo ex-presidente do
PSDB, senador alagoano Teotônio Vilela, e que tinha como
conselheiro o presidente FHC, foi acusada de envolvimento em
desvios de R$ 4,5 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT). Descobriu-se que boa parte do dinheiro, que deveria ser
usado para treinamento de 54 mil trabalhadores do Distrito
Federal, sumiu.
As fraudes no financiamento de programas de formação
profissional ocorreram em 17 unidades da federação e estão sob
investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério
Público.
28 - Mudanças na CLT
A maioria governista na Câmara dos Deputados aprovou, contra o
voto da bancada do PT, projeto que flexibiliza a CLT, ameaçando
direitos consagrados dos trabalhadores, como férias, décimo
terceiro e licença maternidade. O projeto esvazia o poder de
negociação dos sindicatos. No Senado, o governo FHC não teve
forças para levar adiante essa medida anti-social.
29 - Obras irregulares
Um levantamento do Tribunal de Contas da União, feito em 2001,
indicou a existência de 121 obras federais com indícios de
irregularidades graves. A maioria dessas obras pertence a órgãos
como o extinto DNER, os ministérios da Integração Nacional e
dos Transportes e o Departamento Nacional de Obras Contra as
Secas. Uma dessas obras, a hidrelétrica de Serra da Mesa,
interior de Goiás, deveria ter custado 1,3 bilhão de dólares.
Consumiu o dobro.
30 - Explosão da dívida pública
Quando FHC assumiu a Presidência da República, em janeiro de
1995, a dívida pública interna e externa somava R$ 153,4 bilhões.
Entretanto, a política de juros altos de seu governo, que
pratica as maiores taxas do planeta, elevou essa dívida para R$
684,6 bilhões em abril de 2002, um aumento de 346%. Hoje, a dívida
já equivale a preocupantes 54,5% do PIB.
31 - Avanço da dengue
A omissão do Ministério da Saúde é apontada como principal
causa da epidemia de dengue no Rio de Janeiro. O ex-ministro José
Serra demitiu seis mil mata-mosquitos contratados para eliminar
focos do mosquito Aedes Aegypti. Em 2001, o Ministério da Saúde
gastou R$ 81,3 milhões em propaganda e apenas R$ 3 milhões em
campanhas educativas de combate à dengue. Resultado: de janeiro
a maio de 2002, só o estado do Rio registrou 207.521 casos de
dengue, levando 63 pessoas à morte.
32 Verbas do BNDES
Além de vender o patrimônio público a preço de banana, o
governo FHC, por meio do BNDES, destinou cerca de R$ 10 bilhões
para socorrer empresas que assumiram o controle de ex-estatais
privatizadas. Quem mais levou dinheiro do banco público que
deveria financiar o desenvolvimento econômico e social do Brasil
foram as teles e as empresas de distribuição, geração e
transmissão de energia. Em uma das diversas operações, o BNDES
injetou R$ 686,8 milhões na Telemar, assumindo 25% do controle
acionário da empresa.
33 - Crescimento pífio do PIB
Na "Era FHC", a média anual de crescimento da economia
brasileira estacionou em pífios 2%, incapaz de gerar os empregos
que o País necessita e de impulsionar o setor produtivo. Um dos
fatores responsáveis por essa quase estagnação é o elevado déficit
em conta-corrente, de 23 bilhões de dólares no acumulado dos últimos
12 meses.
Ou seja: devido ao baixo nível da poupança interna, para
investir em seu desenvolvimento, o Brasil se tornou extremamente
dependente de recursos externos, pelos quais paga cada vez mais
caro.
34 Renúncias no Senado
A disputa política entre o Senador Antônio Carlos Magalhães
(PFL-BA) e o Senador Jader Barbalho (PMDB-PA), em torno da presidência
do Senado expôs publicamente as divergências da base de
sustentação do governo. ACM renunciou ao mandato, sob a acusação
de violar o painel eletrônico do Senado na votação que cassou
o mandato do senador Luiz Estevão (PMDB-DF).
Levou consigo seu cúmplice, o líder do governo, senador José
Roberto Arruda (PSDB-DF). Jader Barbalho se elegeu presidente do
Senado, com apoio ostensivo de José Serra e do PSDB, mas também
acabou por renunciar ao mandato, para evitar a cassação.
Pesavam contra ele denúncias de desvio de verbas da Sudam.
35 - Racionamento de energia
A imprevidência do governo FHC e das empresas do setor elétrico
gerou o apagão. O povo se mobilizou para abreviar o racionamento
de energia. Mesmo assim foi punido. Para compensar supostos prejuízos
das empresas, o governo baixou Medida Provisória transferindo a
conta do racionamento aos consumidores, que são obrigados a
pagar duas novas tarifas em sua conta de luz. O pacote de ajuda
às empresas soma R$ 22,5 bilhões.
36 - Assalto ao bolso do consumidor
FHC quer que o seu governo seja lembrado como aquele que deu
proteção social ao povo brasileiro. Mas seu governo permitiu a
elevação das tarifas públicas bem acima da inflação. Desde o
início do plano real até agora, o preço das tarifas telefônicas
foi reajustado acima de 580%. Os planos de saúde subiram 460%, o
gás de cozinha 390%, os combustíveis 165%, a conta de luz 170%
e a tarifa de água 135%. Neste período, a inflação acumulada
ficou em 80%.
37 Explosão da violência
O Brasil é um país cada vez mais violento. E as vítimas, na
maioria dos casos, são os jovens. Na última década, o número
de assassinatos de jovens de 15 a 24 anos subiu 48%. A Unesco
coloca o País em terceiro lugar no ranking dos mais violentos,
entre 60 nações pesquisadas. A taxa de homicídios por 100 mil
habitantes, na população geral, cresceu 29%. Cerca de 45 mil
pessoas são assassinadas anualmente. FHC pouco ou nada fez para
dar mais segurança aos brasileiros.
38 A falácia da Reforma agrária
O governo FHC apresentou ao Brasil e ao mundo números mentirosos
sobre a reforma agrária. Na propaganda oficial, espalhou ter
assentado 600 mil famílias durante oito anos de reinado. Os números
estavam inflados. O governo considerou assentadas famílias que
haviam apenas sido inscritas no programa. Alguns assentamentos só
existiam no papel. Em vez de reparar a fraude, baixou decreto
para oficializar o engodo.
39 - Subserviência internacional
A timidez marcou a política de comércio exterior do governo
FHC. Num gesto unilateral, os Estados Unidos sobretaxaram o aço
brasileiro. O governo do PSDB foi acanhado nos protestos e
hesitou em recorrer à OMC. Por iniciativa do PT, a Câmara
aprovou moção de repúdio às barreiras protecionistas. A
subserviência é tanta que em visita aos EUA, no início deste
ano, o ministro Celso Lafer foi obrigado a tirar os sapatos três
vezes e se submeter a revistas feitas por seguranças de
aeroportos.
40 Renda em queda e desemprego em alta
Para o emprego e a renda do trabalhador, a Era FHC pode ser
considerada perdida. O governo tucano fez o desemprego bater
recordes no País. Na região metropolitana de São Paulo, o índice
de desemprego chegou a 20,4% em abril, o que significa que 1,9
milhão de pessoas estão sem trabalhar. O governo FHC promoveu a
precarização das condições de trabalho. O rendimento médio
dos trabalhadores encolheu nos últimos três anos.
41 - Relações perigosas
Diga-me com quem andas e te direi quem és. Esse ditado revela um
pouco as relações suspeitas do presidenciável tucano José
Serra com três figuras que estiveram na berlinda nos últimos
dias. O economista Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de
campanha de Serra e de FHC, é acusado de exercer tráfico de
influência quando era diretor do Banco do Brasil e de ter
cobrado propina no processo de privatização.
Ricardo Sérgio teria ajudado o empresário espanhol Gregório
Marin Preciado a obter perdão de uma dívida de R$ 73 milhões
junto ao Banco do Brasil. Preciado, casado com uma prima de
Serra, foi doador de recursos para a campanha do senador
paulista. Outra ligação perigosa é com Vladimir Antonio Rioli,
ex-vice-presidente de operações do Banespa e ex-sócio de Serra
em empresa de consultoria.
Ele teria facilitado uma operação irregular realizada por
Ricardo Sérgio para repatriar US$ 3 milhões depositados em
bancos nas Ilhas Cayman - paraíso fiscal do Caribe.
42 Violação aos direitos humanos
Massacres como o de Eldorado do Carajás, no sul do Pará, onde
19 sem-terra foram assassinados pela polícia militar do governo
do PSDB em 1996, figuram nos relatórios da Anistia
Internacional, que recentemente denunciou o governo FHC de violação
aos direitos humanos.
A Anistia critica a impunidade e denuncia que polícias e
esquadrões da morte vinculados a forças de segurança cometeram
numerosos homicídios de civis, inclusive crianças, durante o
ano de 2001. A entidade afirma ainda que as práticas
generalizadas e sistemáticas de tortura e maus-tratos prevalecem
nas prisões.
43 Correção da tabela do IR
Com fome de leão, o governo congelou por seis anos a tabela do
Imposto de Renda. O congelamento aumentou a base de arrecadação
do imposto, pois com a inflação acumulada, mesmo os que estavam
isentos e não tiveram ganhos salariais, passaram a ser taxados.
FHC só corrigiu a tabela em 17,5% depois de muita pressão da
opinião pública e após aprovação de projeto pelo Congresso
Nacional.
Mesmo assim, após vetar o projeto e editar uma Medida Provisória
que incorporava parte do que fora aprovado pelo Congresso,
aproveitou a oportunidade e aumentou alíquotas de outros
tributos.
44 Intervenção na Previ
FHC aproveitou o dia de estréia do Brasil na Copa do Mundo de
2002 para decretar intervenção na Previ, o fundo de pensão dos
funcionários do Banco do Brasil, com patrimônio de R$ 38 bilhões
e participação em dezenas de empresas. Com este gesto, afastou
seis diretores, inclusive os três eleitos democraticamente pelos
funcionários do BB.
O ato truculento ocorreu a pedido do banqueiro Daniel Dantas,
dono do Opportunitty. Dias antes da intervenção, FHC recebeu
Dantas no Palácio Alvorada. O banqueiro, que ameaçou divulgar
dossiês comprometedores sobre o processo de privatização,
trava queda-de-braço com a Previ para continuar dando as cartas
na Brasil Telecom e outras empresas nas quais são sócios.
45 Barbeiragens do Banco Central
O Banco Central e não o crescimento de Lula nas pesquisas
tem sido o principal causador de turbulências no mercado
financeiro. Ao antecipar de setembro para junho o ajuste nas
regras dos fundos de investimento, que perderam R$ 2 bilhões, o
BC deixou o mercado em polvorosa.
Outro fator de instabilidade foi a decisão de rolar parte da
dívida pública estimulando a venda de títulos LFTs de curto
prazo e a compra desses mesmos papéis de longo prazo. Isto fez
subir de R$ 17,2 bilhões para R$ 30,4 bilhões a concentração
de vencimentos da dívida nos primeiros meses de 2003.
O dólar e o risco Brasil dispararam. Combinado com os
especuladores e o comando da campanha de José Serra, Armínio
Fraga não vacilou em jogar a culpa no PT e nas eleições.
*João Paulo Cunha, deputado e líder do PT
revistaforum
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Por não ter tido a coragem ou a capacidade para mudar qualquer coisa, o PT vai administrando com a competente gestão de Anônio Palocci, que não alterou praticamente nada daquilo que já foi concebido pela equipe de Pedro Malan. O modelo concebido pelo PSDB foi mantido. E o Banco Central, então, muito bem cuidado por Henrique Meireles, deputado eleito pelo PSDB. Por isso, São Paulo, estado que o Sr. João Paulo representa, já disse um ressonante NÃO ao PT nas últimas eleições.
César A.C. Sanchez
Brasília
DF