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"Metade dos pais brasileiros são alcoólatras crônicos,
têm quantos filhos quiserem, um exemplo doméstico mortífero,
horrível"
Ser acusado de portador e propagador de idéias velhas e
ultrapassadas por um senhor de 82 anos não é a melhor maneira
de começar uma entrevista. Mas foi assim que José Ângelo
Gaiarsa iniciou a conversa, discutindo os textos da Revista Fórum
que comprou na banca.
"Os argumentos são muito bons, os autores também, mas são
as mesmas idéias antigas, o mesmo raciocínio de outras publicações.
Sempre a mesma fórmula de apontar o culpado e o que se deve
fazer". E arrematou: "então? Vocês vão fazer as
mesmas perguntas de sempre para que eu dê as mesmas respostas de
sempre ou vamos tentar ir além?"
Desafio aceito, e Gaiarsa metralhou polêmicas e pontos de vista
inovadores, "Estou muito em busca disso, das coisas que não
aparecem e que estão mudando o mundo e que o nosso pensamento
antigo não se dá conta".
E sobrou até para os pais: "Dizem que os pais não
orientam os filhos, mas quem orientou esses ignorantes? Metade
dos pais brasileiros são alcoólatras crônicos, têm quantos
filhos quiserem, um exemplo doméstico mortífero, horrível. A
família é muito falada, elogiada e em nada cuidada".
Leia a seguir os principais trechos da conversa.
Instinto de cooperação
O Eduardo Galeano diz [referindo-se à conferência do escritor
uruguaio no FSM2]: é melhor pensar no nós que no eu. Tenho uma
argumentação vital, que o mais fundamental dos instintos
humanos é a cooperação e que a sociedade capitalista perverteu
esse instinto com a noção de um falso individualismo.
Por que o capitalismo vai muito bem? Porque é baseado, em
alto grau, na inveja coletiva, porque todos nós queremos ser
capitalistas. Temos inveja de todos os que possuem dinheiro,
todos gostariam de comprar muita coisa gostosa que a gente não
tem.
Três argumentos
Vou passar rapidamente por três gigantescos argumentos para
provar que o instinto de cooperação é muito maior que o de
autodefesa, muito maior que o do sexo. Em primeiro lugar, alguns
dos maiores biólogos contemporâneos defendem a idéia de que
toda a vida é simbiótica.
Os organismos simples foram se juntando e criando organismos
cada vez mais complexos. Bactérias foram se unindo, formaram
protozoários e assim por diante... Nosso corpo é uma gigantesca
colônia de subcolônias.
O fígado, os rins, o cérebro, todos são colônias que
rendem muito mais funcionando juntos. Uma forma espontânea de
cooperação que se aplica aos vários níveis biológicos.
Qualquer ecossistema é cooperativo, se você tira três
elementos ele se desorganiza completamente.
Uma frase ficou muito marcada para mim, de dois "animantropólogos"
- que estudam os homens dado o comportamento animal. Só a espécie
humana faz trocas. "Me dá seu marreco porque você tem
dois, que eu te dou dois peixes porque tenho três".
Os primeiros conquistadores da humanidade foram os pescadores,
que iam pelo mundo trocando. A raiz civilizatória é muito mais
comercial que guerreira, o que acho muito bonito. Trocas são a
essência da economia.
O que é a economia de um país senão a soma de todas as
trocas que acontecem a cada instante retratadas na bolsa de
valores? A bolsa é uma feira instantânea, quantos caminhões de
urânio por quantos navios de petróleo. A troca nos uniu
completamente. Tudo o que você faz é para os outros, e tudo o
que você tem foi feito pelos outros.
Quer prova mais absurda de que nós somos nós, e não eu?
Imagine-me, coitado de mim, no meio da floresta amazônica,
pelado. Não duro três dias.
Então veja como é profundo esse instinto de cooperação,
que não é falado. Predomina a frase capitalista: "O homem
é naturalmente egoísta", e a lei número um do
capitalismo: "se dá lucro, está certo". "Olha,
que sujeito sensacional, ficou rico!
Era um bandido como o Fleury, roubou até os colarinhos e foi
eleito outra vez, e está aí para roubar mais".
O próximo
Amor ao próximo não é um conselho de "bom coração",
dado por Jesus Cristo. É estranhíssimo que a gente não perceba
isso. Estamos aqui porque todos amam todos, tanto que todos
cooperam para o bem de todos.
Está nascendo um pensamento na sociologia, que diz que hoje
ninguém sabe tudo de tudo, todo mundo sabe um pouquinho e a
partir daí começam as combinações de trocas espontâneas.
Talvez nasça uma salvação na qual ninguém está pensando
sozinho, mas coletivamente, sem perceber. Nós avaliamos todo o
presente à luz dos padrões passados.
Causa-efeito, isso liga com aquilo, tudo liga com tudo. Isso
é uma bagunça gigantesca, ninguém tem idéia global do que está
acontecendo, cada um sabe um pedacinho.
TV democrática
Vamos além? Qual é o país perfeito? Não sei se é Letônia ou
Estônia. Num desses países, que tem de 2 a 3 milhões de
habitantes, todos os lares estão conectados à internet, o que
permite um plebiscito de um dia para o outro. Quando o Congresso
discute alguma coisa que possa interessar, consulta TODA a população.
Esse é o limite da democracia realizada. Eles estão
determinando o próprio destino, não tem mais as costas largas
do governo. Ou todos somos culpados ou somos todos inteligentes.
Qual é a instituição mais próxima disso no Brasil? (Quando
os intelectuais lerem isso vão me xingar). É a Rede Globo de
Televisão. As novelas são vistas por mais ou menos 500 milhões
de pessoas todos os dias no mundo inteiro, já que são
exportadas para diversos países, coisa que nenhuma outra
instituição tem. Eles fazem um filme por dia, juntando os capítulos
das novelas, pondo Hollywood no chinelo.
Os diretores da Globo têm em suas mesas um monitor com a audiência
de cada emissora minuto a minuto. Todos têm úlceras quando um
programa começa a cair, a ficar sem ibope. Sem ibope não tem
programa.
A Globo não faz o que quer, faz o que o povo brasileiro
exige, porque se ela faz uma novela meio torta cai a audiência,
corta a cabeça do diretor, muda, acaba a novela! Eles vivem
disso. A Globo é democrática sem querer. Todos influem na história.
Não era o Boni que resolvia, não era "o FDP do Roberto
Marinho".
Quando as pessoas vão entender que é feito um plebiscito
todo dia aqui? Você vota quinze vezes por dia usando os
programas. Você está determinando o destino da televisão, que
é um fantástico meio de comunicação popular. Ela é
interativa. E tem um lado que me orgulho de ter descoberto.
Pegue um jogo de futebol. Você tem de doze a quinze câmeras.
O mesmo espetáculo é visto por uma panorâmica, uma corrida de
conjunto, pelo chute de escanteio, de trás do gol, panorâmica
de cima, geral.
O mesmo objeto é visto de um número incontável de ângulos.
Então se percebe que não existe uma verdade ou a minha verdade,
mas umas cinqüenta verdades. Isso é passado subconscientemente,
mostrando que tudo tem muitos lados, enquanto nas conversas
comuns só existem o bem e o mal, o certo e o errado, a salvação
americana ou a desgraça.
TV revolucionária
A televisão é um tremendo fator de revolução, porque ela vai
mostrando tudo o que o miserável não tem. Em 86% dos lares
brasileiros há televisão, 86%! Ela estimula violentamente o
desejo e a frustração. Todo mundo quer o que os que aparecem na
tela têm.
Bons atores
Há ainda outro avanço. Talvez por motivos de economia, a Globo
está pondo de 20% a 25% - não medi exatamente - de closes nos
rostos dos atores, porque cenário custa caro. Se você
aproveitar bem o dramático dos rostos, precisa de pouca coisa.
Você pode ver, cerca de 30% das novelas não têm montagem
nenhuma, só caras de boa qualidade.
Isso está ensinando às pessoas a comunicação não verbal,
que é minha paixão. Você comunica talvez muito mais na cara e
no gesto que na fala, outro dos caminhos que estão desabrochando
totalmente. O que passa na televisão são pessoas, não são
discursos. Há um enorme jogo de simpatias e antipatias, e ninguém
sabe o que vai sair disso.
Mas a minha paixão é a importância da comunicação não-verbal
entre as pessoas. Ela pode estabelecer uniões inconscientes
muito profundas assim como estabelecer antipatias que você não
compreende. Foi a cara, o jeito, o tom de voz...
Realidade e simulacro
Por enquanto, a internet escrita tem a ver com a antiga novela de
rádio, só falada, embora a internet ainda não tenha voz. As
pessoas disfarçadas dizem muito mais a verdade sobre o que
sentem e pensam que quando olhadas. Isso acontece todos os dias,
namoros entre pessoas que se disfarçam e têm uma sinceridade de
declaração que jamais teriam em presença.
Uma amiga minha - que não é das mais belas figuras -
contou-me que os orgasmos que tinha conversando com certo homem
que não sabia quem era foram os mais intensos de sua vida. A
palavra real é a mais explosiva da filosofia.
Os hindus sabem há muito tempo do poder da imagem mental e
abusavam das visualizações para se organizar. Hoje está
provado que imaginar com clareza é quase tão bom quanto fazer.
Imaginar muito não é tão distante do real quanto parece, é até
mais sincero que face a face. Você pode pôr suas fantasias
muito mais às claras. Não estou dizendo que seja boa essa distância,
mas que ela não é só desvantagem.
Eu deixaria uma interrogação. E olha que sou um tremendo
defensor das técnicas corporais, acho a pele uma coisa
espantosa. Você tem 500 mil pontos sensíveis na sua pele, em 2
metros quadrados, cientificamente determinados. Eu prefiro
suspender o juízo e duvidar um pouco do meu julgamento, porque
ele é velho.
Psicanálise
Deixe-me explicar a psicanálise, porque ela não é um fenômeno
de hoje. Freud nasceu em 1850, formou-se como pessoa no século
19 e desenvolveu sua teoria até o começo do século 20. Antes
da TV, da 2a Guerra, da internet e do computador e das viagens
espaciais. Pergunto-me se ele ainda pode ser tão verdadeiro.
O mundo mudou muito, a família que hoje existe não tem nada
a ver com a família burguesa de Viena, onde estudou. O mais
interessante é que a psicanálise freudiana não tem olhos, põe
o cara lá e estuda, mas não o olha diretamente. A psicanálise
não respira. O homem freudiano não tem tórax, porque passa
pelas fases anal, oral e genital, tem aparelho digestivo, testículos
e ovários, mas não tem pulmão nem coração.
O homem freudiano não tem pele, porque ninguém encosta em
ninguém e não se mexe. Não estou criticando Freud, mas tomando
a ele e aos psicanalistas como sinal de como se aceita uma teoria
com essas carências no nosso mundo. Essas idéias são um
dinossauro que não acompanhou nada do que está acontecendo no
mundo.
Lado sombrio da família
Por cinqüenta dos meus 82 anos, de 6 a 8 horas por dia eu só
ouvi queixas familiares. Ninguém conhece o lado sombrio da família
melhor que eu. Sinto-me plenamente autorizado a falar mal dela, o
que tem de ruim não está escrito. Ela é o eixo do
conservadorismo, sim. "Pai e mãe estão sempre
certos": isso é o próprio tiranismo à Saddam Hussein. E o
pior é que muitas mães e pais acreditam nisso.
Embora hoje a garotada mais escolada, mais violenta e mais
rebelde, já esteja consertando isso. Mãe, pai e filho num
apartamento é uma loucura, muita convivência não funciona.
Mais filhos é até melhor que um ou dois, porque dá diversidade
de contato. Mas a criança mesmo muito pequena já vai para a
escola maternal, creche. Desde pequeno começa a afrouxar essa
intensidade de contato, que é a causa das neuroses. Psicanálise
quer dizer afrouxar laços familiares.
Complexo de Édipo é o que tem nos Jardins, na favela é
encrenca de família, mas é a mesma coisa. Todo mundo vive por
aqui com a família em particular. Exceto em público, a família
da TV no programa da Hebe: "Nossa, eu sou tão feliz, meus
filhos são uma jóia" (risos).
Segunda escola de família
Depois de ouvir tudo isso sobre família a solução que eu vejo,
idealista - duvido que aconteça -, é uma escola de família. A
sociedade deveria ter dois tipos de casamento. A pessoa se casa
com quem quiser e vai morar com ela. Se depois de dois anos de
convivência o casal achar que está se entendendo, fica
autorizado a ter filhos e a juntar bens.
Mas para ter filhos é preciso passar por uma educação
especial. Dizem que os pais não orientam os filhos, mas quem
orientou esses ignorantes? Metade dos pais brasileiros são alcoólatras
crônicos, têm quantos filhos quiserem, um exemplo doméstico
mortífero, horrível.
A família é muito falada, elogiada e em nada cuidada. Na América
do Norte isso está começando a brotar.
Os cientistas fizeram um boneco que tem todas as necessidades
fundamentais do bebê. Ele faz xixi, cocô, quer mamar, chora,
esperneia. Quando aparece um casalzinho dizendo querer filhos,
leva o boneco por dois meses.
Se acharem que está tudo bem acordar no meio da noite,
berrando, se fizerem a experiência do bebê dois meses e acharem
ótimo podem ter o nenê. Porque um nenê é um inferno, algo que
só se descobre quando se tem.
Crimes familiares
Por que há os filhos que matam pais e avós e por que isso tem
essa repercussão gigantesca? Os fundamentos da família clássica
- pai, mãe e filho - estão começando a derreter. Esses crimes
são um dos sintomas mais gritantes, mas há outras coisas, como
a criançada que sai muito mais cedo, que tem muito mais
atividades - boas ou más - e as mães que trabalham fora.
As crianças estão sendo muito menos controladas, muito menos
desviadas e envenenadas pelos velhos valores. Podem até estar
sendo envenenadas pelos novos, mas não é esse o ponto. Hoje em
dia todo mundo brinca com a supermãe, com o superpai.
Ontem eu ouvi uma história bonita de um senhor que contou que
seus três filhos chegaram pra ele e disseram: "Pai, a gente
não quer mais ter pai, mas você tem que ficar amigo da
gente".
Essa é a lição de hoje. Não queira mais ensinar como era o
mundo do seu tempo, porque você estará falando sozinho. Troca
de experiências é outra coisa. Trocar experiências é ótimo,
de sentimentos nem se fala, mas nada de lições de vida.
Distância entre gerações
A distância entre as gerações está maior que qualquer outra
anterior. E isso se deve ao computador e à televisão,
sobretudo. Você não imagina o que se ignorava no meu tempo.
Ninguém sabia nada de nada. Nasci em Santo André, que já era o
primeiro município industrial do Brasil, a 30 minutos de São
Paulo.
Era uma cidade do interior, ninguém sabia nada de São
Caetano, a 7 quilômetros, nem de São Bernardo, a 6 quilômetros.
Ir até lá era visitar a família distante. Só se sabia da
vizinhança, dos amigos e dos parentes próximos. Visita naquele
tempo era um saco.
Quem nasceu, quem morreu, o parto que demorou, a operação
que foi terrível, o fulano que casou... Vocês não fazem idéia
do que era meu mundo antes da televisão. Ela é uma janela para
o mundo, digam os intelectuais o que quiserem.
Hoje acho que um habitante analfabeto de uma cidade com 50 mil
habitantes sabe mais sobre o mundo que Aristóteles do mundo
dele, só olhando esse negócio que traz notícias de toda parte.
Sabe tudo isso, é de esperar que comece a juntar.
Machões
Durante muitos anos, morria de inveja dos machões. Era difícil
chegar perto das moças pra conversar, o que eles faziam bem.
Isso foi até eu saber que eles não faziam nada. Os homens são
extremamente monótonos na cama.
Em média, são 10 minutos de agrados e 2 de sexo, e isso já
é excepcional. E todos sabemos que os machos são absolutamente
dispensáveis, já que um homem numa só ejaculação bastava
para fecundar todas as mulheres dos EUA.
Por isso é que eles precisam se exibir, se mostrar tanto para
parecerem úteis. Fizeram todas as guerras assim, homens matando
competidores e rivais. E criaram ainda o assalto coletivo,
saqueando uma cidade inteira, estuprando as mulheres e levando os
que sobraram como escravos. Mas os machos não são grande coisa.
Sexualidade
A sexualidade não é muito diferente de antes. A mãe continua não
tendo xoxota e as crianças não podem ter xoxota nem pinto. A
sexualidade natural de bicho saudável é castrada. Na adolescência,
desenvolvemos uma sexualidade social. Tudo o que se aprende é
com os similares.
Se em casa ninguém tem pinto, na gangue, no grupo de
adolescentes, todos só têm pinto. É impensável o
desenvolvimento natural da sexualidade num esquema monogâmico,
que é feito para baixar as necessidades sexuais. Se eu visse uma
menina de 4 anos mexendo na xoxota eu daria uma piscada, um
sorriso e diria: "é bom, né?"
Talvez fosse chamado de pervertido. Mas não é à toa que
todos os palavrões são anti-sexuais. Será que com todos esses
palavrões a gente vai fazer bonito na cama? Globalmente, a
mulher é mais amarrada do que o macho, porque quando jovem é
vigiada pela mãe e, quando adulta, pelas amigas.
Se a mulher sair com mais de um, logo é a piranha. E há
muito mais masturbação que relações sexuais, além do que
somos muito monótonos até nisso, não brincamos com as
possibilidades. Uma mão com um pouco de criatividade pode fazer
coisas incríveis.
Horror à guerra
Ouve-se muito o argumento de que a exposição constante à violência
insensibiliza para o assunto. Há um inegável fundo de verdade,
mas vou responder um pouco pelo avesso. Eu vi a 2ª Guerra
Mundial. A 3ª não aconteceu, porque se tinha idéia do horror
da guerra, porque a Europa havia sido destruída.
Não é à toa que Alemanha e França ficaram contra o ataque
ao Iraque. E é muito estranho que a Inglaterra esteja a favor. O
horror à guerra está crescendo cada vez mais. Dez dias antes do
primeiro foguete, a gente ficava aqui pensando 'vai ter ou não
vai ter', porque o mundo inteiro estava mobilizado contra.
Gigantescas passeatas, xingamentos de toda ordem. A minha esperança
é que segurem a próxima.
Fim do autoritarismo
Gosto de pensar (e espero) que essa guerra e o governo do Bush
sejam um dos últimos suspiros do autoritarismo. Meu ponto é que
há duas possibilidades. Ou o autoritarismo começa a desaparecer
- e eu tenho alguns dados interessantes a respeito - ou a gente
liquida a humanidade. O Paquistão, a Índia, a Coréia do Norte
e outros poderes estão com o dedo no gatilho.
Ser americano
Nesse aspecto, não há o fato de que os EUA são a favor porque
a guerra é no Iraque, não nos EUA, e outra, que o Bush acaba
manipulando o medo dos terroristas, ou seja, eles acreditam que
isso é uma defesa. Eu não queria ser norte-americano aqui e
agora. A qualquer momento, de qualquer lugar, pode vir alguma
bomba.
Essa é a definição do pânico, e o Bush está capitalizando
isso. Realmente não sei se preferia estar nos EUA, em Nova York,
ou num lugarzinho mais espirrado no Iraque. Porque lá ao menos o
perigo está na cara, vem um bruta tanque, da explosão que eu
estou vendo. Nos EUA, você pensa: 'Será que meu vizinho é
terrorista?' É uma angústia coletiva.
Drogas
O melhor negócio do mundo são as armas. O terceiro melhor negócio
é o petróleo, o segundo são as drogas. Para mim uma coisa
explica a outra. Esse mundo é tão infernal e tão ruim que só
saindo dele. Ninguém pergunta quando discute drogas por que as
pessoas as usam. "Ah, é para se alienar".
Graças a Deus que eu consigo me alienar dessa loucura
coletiva que está em qualquer noticiário, em qualquer jornal, o
que é chamado mundo normal. A gente engole porque está
acostumado. Tem gente que sobreviveu dois anos em campo de
concentração. Não dá para imaginar como; não sei se nós
somos tão diferentes.
"Ah, eu quero um trabalho". Oito horas por dia de
escravidão para ganhar, com sorte, 600 ou 700 reais por mês. E
você tem dois filhos e aluguel. Essa é a situação de quatro
quintos da população.
Segundo, ninguém quer saber, mas não vai mais ter emprego, a
automação está tomando conta de tudo. Não vai mais ter
emprego, simples. Ninguém pode prometer que vai arrumar emprego
porque não vai arrumar.
revistaforum
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Solicito informar qual a obra do autor que cita o ttulo acima.