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O brasileiro gosta de falar, de comunicar-se, de relacionar-se presencial e virtualmente. É muito ativo em listas de
discussão, salas de bate-papo, em programas de comunicação
instantânea, como Messenger ou o ICQ; em sites de relacionamento
como o Orkut, em blogs e fotoblogs.
Fundamentalmente, o que fazemos hoje na internet é escrever
para fazer registros de idéias, notícias, sentimentos...; para
publicar, divulgar páginas pessoais, serviços... e para
comunicar-nos, instantaneamente ou não.
Na internet, hoje estamos sempre escrevendo,
teclando, digitando. Alternamos a linguagem formal e
a coloquial. Neste momento, é mais simples escrever na internet,
do que falar e ver outras pessoas.
Estamos ainda no estágio da predominância da escrita sobre o
som e a imagem. Mas já começamos a perceber o avanço do
audiovisual, do acesso rápido a músicas, vídeos e
falas. Com o avanço do acesso à banda larga, o
streaming de vídeo e áudio não é mais uma exceção, já se
incorpora ao cotidiano.
Usuários baixam músicas e as tocam o tempo todo em seu
computador. Acessam shows de bandas on-line, debates com
jornalistas e famosos nos grandes portais.
O celular, também nos disponibiliza alta tecnologia, para uma comunicação mais completa: conversação, envio de mensagens, acesso à internet, tirar e enviar fotos.
A alta tecnologia já transita com integração, instantaneidade, comunicação audiovisual e interativa.
Ainda assim, haverá, nos próximos anos, em grande escala, facilidades, assim como repórteres e apresentadores de televisão hoje se vêem, falam e compartilham simultaneamente uma mesma tela a distância, professores e alunos se encontrarão presencial e virtualmente, com todos os recursos da comunicação instantânea audiovisual.
Na área da educação, será fácil abrir salas virtuais equipadas com acesso às imagens de professores e alunos e com ferramentas de gestão de ensino-aprendizagem muito variadas.
Como conseqüência, escreveremos menos. Escreveremos só para guardar o que consideremos mais importante e, mesmo assim, a escrita não
acontecerá diretamente num teclado, mas com softwares de
reconhecimento de voz.
Falaremos e as mensagens ficarão imediatamente gravadas no
formato impresso e sonoro. Muitos professores aceitam a internet
porque favorece a escrita, mesmo que seja a coloquial dos chats e
blogs: os alunos exercitam sua capacidade de expressar-se.
Como as tecnologias permitirão que não precisemos escrever,
será preciso repensar formas de ensinar o aluno a aprender a
escrever manual e eletronicamente, combinadas às tecnologias
mais avançadas de reconhecimento de voz e de comunicação
instantânea audiovisual.
Os educadores mal começam a se acostumar com a internet e ela
já se está modificando e trazendo novas soluções e novos
problemas para o sempre complicado desafi o de ensinar a ler, a
escrever e a pensar crítica e criativamente.
Na internet, escreveremos menos e falaremos mais.
* José Manuel Moran é coordenador de educação a
distância da Faculdade Sumaré-SP. Professor da USP e da Uniban.
Autor do livro Mudanças na comunicação pessoal (Paulinas,
2001) e co-autor de Novas Tecnologias e mediação pedagógica
(Papirus,7a ed. 2003) e Educação on-line (Loyola, 2003). www.eca.usp.br/prof/moran.
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