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Existe no Brasil um divórcio quase total entre a
sociedade civil e os militares. A rigor, a expressão
"sociedade civil" nem deveria existir, pois suporia a
existência de uma "sociedade militar" paralela,
diferente, o que é um absurdo.
O que quero dizer é que os problemas das Forças Armadas não
são objeto de preocupação sequer da grande maioria dos políticos.
E os próprios militares não fazem a menor força para expor
seus problemas e a situação das três armas vai se deteriorando
progressivamente, o que é inadmissível para um país das dimensões
e da posição geopolítica do Brasil, mesmo que sejamos um país
tradicionalmente pacífico e sem "inimigos naturais",
salvo - jocosamente - nossos "hermanos" argentinos, com
os quais temos resolvido nossos problemas na bola. Quem foi
melhor, Pelé ou Maradona?
Hoje as Forças Armadas do Brasil estão sucateadas, notadamente
o Exército, um Exército que é incapaz de defender, de forma
eficaz, as nossas fronteiras. As questões militares deveriam ser
objeto de atenção, discussão e decisão de toda a sociedade.
Que tipo de Forças Armadas devemos ter? Grandes contingentes
de recrutados ou forças menores e mais profissionais, altamente
treinadas e especializadas? Que tipo de doutrina militar
ensinaremos?
Durante anos fomos influenciados por franceses e alemães,
depois da II Guerra passamos à influência norte-americana que
levou os militares brasileiros a se engajarem na Guerra Fria, o
conflito leste-oeste,com as conseqüências que conhecemos bem e
que, pelo visto, estão metidas nas cabeças dos militares até
hoje: um exército de segurança nacional "guardião das
instituições" e preparado para atirar para dentro, uma
verdadeira aberração.
Não estaria na hora de pensar no Brasil e prestar atenção para
os conflitos que hoje são norte-sul?
O ex-bloco comunista está quase todo na OTAN, a Rússia já
é observadora e essa "aliança" é contra quem? Pelo
momento parecem não olhar para nós, mas se alguém no Pentágono
achar, de repente, que estamos escondendo centrífugas (como o
NYTimes já insinuou) para fazer nossas bombas atômicas...
O Brasil deveria tê-las, de preferência em conjunto com a
Argentina, pois se até estados como o Paquistão as têm e
talvez até organizações terroristas as terão em breve, porque
nós continuaríamos desarmados?
O Brasil é um país continental, situado numa faixa climática
inteiramente favorável e com uma das maiores reservas de água
doce do mundo. Á água, que está escasseando cada vez mais, será
uma mercadoria muito cobiçada na segunda metade deste século,
ainda mais se persistir o aquecimento global e os americanos
continuarem ignorando coisas como o Protocolo de Kyoto.
A água será desejada e rara, mais ou menos como o petróleo
o é hoje. Sem petróleo vive-se, já sem água... Além de
imensas quantidades de água doce na superfície, principalmente
na Bacia Amazônica, ainda temos o maior aqüífero do mundo, O
Guarani, uma cisterna de 1,2 milhão de quilômetros quadrados,
dividido com a Argentina, Paraguai e Uruguai, um patrimônio do
Mercosul.
Temos ainda maior biodiversidade do Planeta, riqueza incalculável
de que somos depositários e constantemente acusados de destruir.
Daí, não seria mau ir pondo as barbas de molho.
Vejam o que acontece com o Iraque e com a Chechênia, massacrados
por causa de petróleo, sob a desculpa de impor
"democracia", "valores morais" ou de não
permitir a separação.
O Brasil precisa de Forças Armadas? Precisa.
E o mais complexo é que - como em quase tudo - temos que queimar
a vela pelos dois lados. Temos problemas africanos e exigências
suecas. O ideal seria ter um exército como o americano,
profissional, altamente treinado e equipado.
Só que no Brasil, o serviço militar que os jovens de classe
média e alta odeiam e evitam, é uma das poucas possibilidades
de inserção social,cívica e até profissional para um grande
contingente de filhos de pobres e desassistidos. Portanto, ainda
está longe o dia em que o ideal será possível, mas não custa
ir caminhando nessa direção.
Hoje, mal há dinheiro para sustentar os efetivos, principalmente
do Exército, que chegou a mandar os recrutas para comer em casa
e encurtou o tempo de alistamento para economizar recursos. Só
para ter uma idéia da situação basta ver que o Ministério da
Defesa gastou, de janeiro a setembro passado, R$ 18,4 bilhões.
Desses recursos, nada menos que 81,52% (R$ 15 bilhões) foram
despendidos para o pagamento de pessoal da ativa, da reserva e de
pensões a viúvas e filhas. Para os gastos com outros custeios
(combustível, munição, fardamento, rancho e manutenção de
armamentos, veículos e equipamentos) e investimentos (novas
instalações, treinamentos, novos equipamentos e armamentos),
sobraram apenas R$ 3,4 bilhões, ou seja,18,48% do total.
Ricardo Bergamini, que anota e divulga, incansavelmente, os números
do governo, observa que a despesa média per capita das Forças
Armadas com o seu pessoal ativo é de R$ 39,90 por dia, o que é
insignificante.
Os militares, como não poderia deixar de ser, não estão
gostando nada disso.Só para ter idéia do descalabro, o programa
de reaparelhamento do Exército conseguiu gastar até agora a
assustadora cifra de R$ 798 mil.
Dá para comprar três importados de luxo. Como termo de
comparação, basta lembrar que o novo avião francês do
presidente da República não sairá por menos de R$ 150 milhões.
Na Força Aérea, que tem que economizar o querosene e
canibalizar aviões (o menos velho voa com peças do mais velho),
o programa de substituição dos obsoletos caças Mirage II se
arrasta e corre o perigo dos aviões substitutos já estarem
superados quando forem, enfim, comprados, mais ou menos o que
aconteceu com a Marinha, que comprou um porta-aviões de segunda
mão e aviões de museu: os Douglas Skyhawk A-4, "semi
novos", a delícia de um colecionador, vendidos pelo Kuweit.
O Brasil precisa de uma Aeronáutica capaz de garantir a
integridade de seu espaço aéreo, com caças de longo alcance e
outras unidades, baseadas na Amazônia, talvez em porta-aviões
fluviais equipados com caças de decolagem vertical e helicópteros
para todos os fins e missões, aviões de patrulha costeira, de
transporte, equipamentos fabricados em parte pela Embraer o mais
bem sucedido filhote industrial criado pelo regime militar, hoje
a quarta fábrica de aviões do mundo.
O Brasil deverá, obrigatoriamente, ter capacidade de por satélites
em órbita e participar ativamente desse mercado bilionário.
O país precisa de uma Marinha capaz de dissuadir potenciais
inimigos e para isso nada melhor do que o submarino nuclear, de
preferência com mísseis (também nucleares), a melhor arma de
dissuasão existente.
Dirão que enlouqueci, mas o fato é que porta aviões é
canhoneira, arma ofensiva, imperialista, para a qual não temos
utilidade. Já alguns bons submarinos são outra coisa, como o são
fragatas, lanchas de intervenção rápida e uma guarda costeira.
Outro absurdo é a distribuição das forças armadas pelo território.
Ainda hoje há enormes contingentes em cidades como o Rio, sem
praticamente qualquer utilidade, empenhados na rotina
ordem-unida-basquete-ordem-unida-instrução-volei (ou basquete).
Essas tropas ainda estão aqui como se os piratas franceses
fossem aparecer no litoral e trocar tiros com os fortes. Esses
soldados deveriam estar em patrulhas nas fronteiras e em pontos
estratégicos. Com mais de 8 mil quilômetros de litoral não
temos uma guarda costeira digna desse nome e nosso litoral é uma
peneira, por onde entram (e saem) drogas, armas, ouro, pedras e o
que mais se possa imaginar.
A Baia da Guanabara, onde se concentra mais de 80% da esquadra
brasileira, é um espaço aberto a piratas e contrabandistas.
Outro detalhe fundamental deve ser o incentivo para a criação e
afirmação de uma verdadeira indústria bélica.
O Brasil, durante o regime militar, registrou até alguns
sucessos nessa área, mas a corrupção destruiu o negócio.
Devemos ter tecnologia para desenvolver armas e munições, se
quisermos estar prontos para um eventual conflito e, até mais do
que isso, para desencorajar olhares de desejo. A Suíça, neutra
e pouco maior do que um queijo, faz isso.
O assunto é muito amplo e os militares deveriam concordar em
discuti-lo em público. A matéria diz respeito a todos os
brasileiros e os políticos deveriam prestar mais atenção a
ela, nem que fosse pelo volume de empregos,atividade econômica e
progresso que Forças Armadas bem administradas,fortes, distribuídas
pelo território e preparadas possibilitam. Os dados estão aí,
meio desordenados, porque não sou especialista no assunto (nunca
dei um tiro em minha vida) e sou de paz, mas não adianta fazer
como o avestruz e fingir que o problema não existe.
Agora mesmo, estamos envolvidos numa missão de paz no Haiti
que pode - eventualmente - se tornar perigosa, uma espécie de
mini Iraque, à medida que os partidários do ex-presidente Jean
Bertrand Aristide vão se tornando mais ativos.
Hoje, o Exército Brasileiro faz, no Haiti, o que ainda
resiste em fazer aqui, ou seja,invadir favelas atirando. É um
milagre que ainda não tenhamos tido baixas fatais.
Além disso, o Brasil está movendo uma campanha internacional
intensa para conseguir um assento permanente no Conselho de
Segurança das Nações Unidas.
Esses engajamentos envolvem responsabilidades internacionais
cada vez maiores e um país como o Brasil, que por sua dimensão
e dinâmica não pode escapar de seu destino de ser grande,
precisa investir em sua defesa e estar preparado a ocupar o seu
lugar no mundo, sem agressões, mas sempre determinado e alerta.
O assunto está na mesa. Quem discute?
* Fritz Utzeri, é ex-diretor de redação do Jornal
do Brasil. Formado em medicina, começou no jornalismo em 1968, no Jornal do Brasil. Passeou pelas maiores redações do Brasil. Além do JB, onde chegou a ser correspondente internacional em Nova Iorque e Paris, na década de 80, Fritz também levou o texto e as idéias de um dos maiores cronistas do país para "O Globo" e para o velho "Pasquim". Hoje é colunista do "Pasquim 21".
abi
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PAIS? O GOVERNO MANDA AJUDA HUMANITARIA PARA OUTROS PAISES NA HORA, GASTANDO MILHOES DE REAIS ENQUANTO ISSO NOSSAS CRIANÇAS MORREM DE FOME, E CADA VEZ MAIS SENDO RECRUTADAS PARA O TRAFICO DE DROGAS NOS MORRO E FAVELAS,FICO INDIGNADO EM SABER QUE MUITOS ARTISTAS DE TV, FILHOS POLITICOS E PESSOAS INFLUENTES SAO VICIADAS E, DROGAS ESSAS PESSOAS SUSTENTA O TRAFICO DE DROGAS E SAO TRATADAS COMO EXEMPLOS PARA A JUVENTUDE.ESTAMOS SIM A VER NAVIOS O BRASIL EM BREVE VAI VIRAR UMA COLOMBIA E ISSO IRA INTRESSAR MUITO A OUTROS PAISES QUE EM BRVE IRAO MANDAR AQUI ASSIM COMO OS TRAFICANTES TOMARAM CONTA DO RIO DE JANEIRO ( A POLICIA FINGE COMBATER O TRAFICO E OS TRAFICANTES FINGEM TER MEDO DA POLICIA EMQUANTO ISSO O POVO SOFRE) CADE O NOSSO PRESIDENTE. ESTAMOS FERRADOS. FICA AQUIU O MEU DESABAFO COMO CIDADAO BRASILEIRO.