|

O Brasil deve fechar o ano de 2004 com um saldo positivo de
US$ 350 milhões a US$ 400 milhões na balança do setor turístico.
A expectativa é do ministro do Turismo, Walfrido dos Mares
Guia, que diz que o mais importante é que o saldo é bem maior
do que o registrado no ano passado (US$ 217 milhões). De 1990 a
1992, o saldo foi negativo.
De janeiro a outubro deste ano, o Ministério do Turismo
registrou um saldo positivo de mais de US$ 340 milhões. O resultado anunciado em 24/11, foi feito durante a divulgação
do Boletim de Desempenho Econômico do Turismo.
"Espero que o incremento de novembro e dezembro ainda
aumente um pouco o número consolidado até outubro. Os
desembarques internacionais continuam crescendo numa taxa
extraordinária. Os desembarques nacionais, também, na faixa de
16% a 17%. A entrada de divisas está num valor extraordinário,
com 33%. E o mais importante é a crença dos empresários do
setor de que vale a pena continuar investindo e continuar
contratando", comemora o ministro.
Fábricas da cidade começaram com produção
familiar no quintal das casas
A maioria das fábricas de calçados instaladas em
Novo Serrana tem histórias semelhantes. De micro a grandes
empresas, muitas surgiram a partir de uma produção
artesanal familiar. A fábrica de sapatilhas e sandálias
femininas e masculinas "Pise Leve" foi criada há
sete anos. "Começou comigo, meu marido e um funcionário",
conta a proprietária Alaíde Clarisse Andrade.
No início a microempresa produzia 48 pares ao dia. Hoje são
120 pares e cinco funcionários. O principal mercado é
Sergipe, no nordeste do país, mas as sapatilhas também
chegam a outros estados como Maranhão, Bahia e Rio Grande do
Norte. "Este ano foi bom desde o início e melhorou
ainda mais em setembro. Tanto que não aceitamos mais pedidos
para este ano", comemora Alaíde.
O projeto do arranjo produtivo representa uma oportunidade de
evolução para a pequena fabricante. "Para crescer a
gente precisa de ajuda. Eu sempre participo das reuniões no
sindicato. No ano que vem, a minha filha mais nova, de 19
anos, vai fazer os cursos de capacitação para ajudar na
parte administrativa", diz a dona da "Pise
Leve".
O empresário Anízio Lacerda de Oliveira, proprietário de
duas fábricas, a Calçados Addan e a Indústria e Comércio
de Calçados Nayane - que hoje geram juntas 380 empregos
diretos e produzem 5 mil pares por dia -, conta orgulhoso
como o negócio da família começou, há 12 anos. "Eu e
meus irmãos trabalhávamos como empregados durante o dia em
fábricas maiores e, à noite, produzíamos em casa. Eram
sete pares por noite", diz.
Desde que o arranjo produtivo foi instalado em Nova Serrana,
Oliveira participa de dois grupos temáticos: Mercado e
Imagem e Economia Financeira. "A imagem de Nova Serrana
tem melhorado muito. Até pouco tempo a cidade ainda era
identificada como fabricante de produtos de 2.ª qualidade.
Agora, com a criação do selo de Capital Nacional do Calçado
Esportivo, temos conquistado respeito e encontrado estímulo
para continuar crescendo", completa.
Atualmente o empresário exporta apenas 5% da produção, mas
a meta é chegar a 20% em dois anos. "Nossa estratégia
é buscar o mercado externo através do aumento da participação
em feiras. Primeiro as nacionais, como a Couromoda e a
Francal, depois as internacionais", afirma.
Mercado árabe
Os países do Mercosul são os principais mercados de destino
das exportações de Oliveira, que aos poucos começa a
atingir mercados alternativos. Durante a Couromoda 2004 -
Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e
Artefatos de Couro em São Paulo -, o empresário fechou o
primeiro contrato com um importador da Arábia Saudita.
"Foi uma venda pequena, mas é um negócio que
certamente terá continuidade", acredita.
Outra empresa de Nova Serrana, que também fechou negócios
com os países árabes durante a Couromoda deste ano, foi a
Moamar Calçados. A fabricante de tênis adultos e infantis,
que emprega 110 funcionários e produz 40 mil pares ao mês,
enviou uma encomenda de 1,6 mil pares para o Líbano.
"O mercado árabe é um grande mercado. Acredito que será
em breve um dos maiores importadores de Nova Serrana, pelo
potencial de compra de seus países e pelo tipo de produto
que nossa cidade produz", aposta Júnior César Silva,
presidente do Sindinova e proprietário da Moamar. "Nós
temos muito interesse em conhecer melhor o mercado árabe.
Estamos até planejando participar de uma feira do setor no
Oriente Médio em 2005", garante
Programa insere jovens infratores no mundo do
trabalho
Além de revelar números importantes sobre o comportamento
industrial da cidade, o Diagnóstico das Indústrias Calçadistas
de Nova Serrana, também aponta iniciativas sociais
importantes para a população local.
Uma parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial (Senai) de Nova Serrana permite a realização de
um curso profissionalizante para menores infratores. Em
seis meses eles aprendem todo o processo da indústria calçadista,
desde modelagem, costura e acabamento. Quando terminam têm
uma profissão e emprego garantido na cidade, conta o
presidente do Sindicato das Indústrias do Calçado de Nova
Serrana (Sindinova), Júnior César Silva.
Um dos dados mais comemorados entre os divulgados pela
pesquisa, foi a redução do nível de analfabetismo da mão-de-obra
local. Após um amplo trabalho de alfabetização de jovens e
adultos, desenvolvido pelo Sindinova em parceria com a
prefeitura municipal, o censo diagnosticou que o índice de
funcionários com ensino fundamental incompleto diminuiu 20%
quando comparado com o ano de 2001. A expectativa é de que
até o final deste ano 2004, mais 500 alunos estejam
alfabetizados.
É importante mostrar que os projetos implantados atuam
não só diretamente na indústria calçadista, mas também
combatem deficiências estruturais da região como o baixo nível
de escolaridade da população, a falta de planejamento para
o crescimento e a mão-de-obra pouco qualificada,
destacou o presidente do Sindinova.
Agência Brasil
|
OU Esse endereço de e-mail está sob proteção contra Spam (spam bots).Por conseguinte, você deve ativar o recurso Javascript para poder visualizar isso