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Os produtores de café faturaram 26,6% a mais nos
oito primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do
ano passado, de acordo com dados divulgados pelo Conselho dos
Exportadores de Café do Brasil (CeCafé). A receita passou de
US$ 1 bilhão para US$ 1,3 bilhão.
Café brasileiro vai virar estrela de Hollywood
O ex-presidente mundial de produção da Warner Bros., Lorenzo
di Bonaventura, planeja fazer um documentário que terá como
temas o café, o Brasil e a saúde. O médico brasileiro Darcy
Lima foi convidado para ser o consultor da produção.
O filme deve ajudar a estimular o consumo do café produzido
no Brasil. O país é o maior exportador mundial da commodity,
mas o mercado norte-americano, que consome 18 milhões de sacas
ao ano, é dominado pela Colômbia.
O café brasileiro será tema de um documentário de Lorenzo di
Bonaventura, ex-presidente mundial de produção da Warner Bros.,
sob a batuta de quem foram realizadas superproduções como
Matrix e Harry Potter.
O médico Darcy Lima, professor da Universidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ), foi convidado por Bonaventura para ser o
conselheiro científico de um documentário que vai falar sobre o
café, o Brasil e a saúde. Lima coordena um projeto chamado Café
e Saúde do Instituto do Coração (InCor), de São Paulo, que
tem por objetivo pesquisar os efeitos do café na saúde humana.
O médico vai aos Estados Unidos no mês de março do próximo
ano para discutir os detalhes da produção. O filme será rodado
pela Science Film, produtora de filmes científicos de
Bonaventura. Além de contar a história do café, o documentário
vai falar dos benefícios da bebida, justamente a linha de
pesquisa de Darcy Lima.
O Ministério da Agricultura brasileiro, que também vem
desenvolvendo uma campanha para estimular o consumo de café,
recebeu proposta de apoiar a produção, mas ainda não deu uma
resposta sobre o tema.
"O café não é só cafeína, tem substâncias saudáveis",
diz Lima. De acordo com o pesquisador, entre outros benefícios,
a bebida ajuda a inibir o consumo de álcool, a depressão, a
cirrose, o câncer de cólon e a prevenir a diabetes.
O trabalho de Lima foi descoberto por Bonaventura quando o médico
fez o projeto de criação do Instituto de Estudos do Café para
a Universidade de Vanderbilt, do Tennessee nos Estados Unidos, há
sete anos. Como a Science Film é subsidiária da editora Wilson
Devereux LLC, o tema deve ser transformado também em livro.
Lima afirma que o documentário será exibido em salas de cinema
de todo o mundo. A produção deve beneficiar diretamente o
Brasil, que é o maior produtor mundial de café e exporta cerca
de 25 milhões de toneladas ao ano. A produção total do país
é de cerca de 40 milhões de toneladas por safra.
O Conselho Deliberativo da Política do Café, órgão mantido
pelo Ministério da Agricultura com a participação do setor
privado, está realizando uma série de ações para que o
consumo nacional cresça e também para que o país ganhe mercado
lá fora.
"No Brasil são consumidas 14 milhões de sacas ao ano,
mas o nosso objetivo é chegar a 15 milhões de sacas", diz
o coordenador-geral de Planejamento do Departamento do Café do
ministério, Lucas Tadeu Ferreira.
Neste segundo semestre, o grupo gestor de marketing do Conselho
desenvolveu, por exemplo, a produção de uma peça publicitária
de 60 segundos chamada "Café ao ritmo do Brasil". A peça,
que será veiculada primeiro nas televisões brasileiras e depois
em outros países, associa o consumo do café à juventude.
Também foi produzido um filme de 15 minutos mostrando a produção
brasileira de café despolpado, um dos tipos mais finos de café.
Cerca de 500 CD-Roms foram enviados a importadores dos Estados
Unidos no mês de outubro. Até o final do ano terão sido gastos
R$ 4 milhões com ações de marketing.
Os recursos são do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira
(Funcafé). No próximo ano devem ser gastos R$ 8,4 milhões, de
acordo com Ferreira.
Também estão sendo veiculados pelo canal fechado de televisão
"Conexão Médica", de São Paulo, programas sobre os
efeitos do consumo do café na saúde humana.
Os programas chegam a cerca de 40 mil profissionais da saúde
da América Latina e Europa. Ferreira diz que um dos maiores
entraves ao consumo do café é justamente a comunidade médica,
que atribui ao café diversos problemas de saúde dos pacientes.
Mercado e exportação
Os Estados Unidos são hoje o maior mercado mundial de café e
consomem 18 milhões de sacas ao ano. O mercado norte-americano,
porém, é dominado pela Colômbia, também grande produtora do
grão. Na lista de destino das exportações brasileiras de café,
os EUA figuram como segundo maior destino.
As exportações para os norte-americanos, porém, estão
diminuindo. Entre janeiro e outubro deste ano, as vendas caíram
19,48% se comparadas ao mesmo período de 2003. Os
norte-americanos importaram 3,9 milhões de sacas de café do
Brasil nos dez primeiros meses do ano passado e 3,2 nos mesmos
meses de 2004.
A Alemanha, porém, que é a maior importadora, aumentou suas
compras em 13,36%. Como um todo, as exportações brasileiras de
café caíram 1,82% no período em volume, mas aumentaram 27,3%
em receita, de acordo com dados do Conselho dos Exportadores de
Café do Brasil (CeCafé). Já em outubro, as vendas aumentaram
8,3% em volume e 31% em receita.
Faturamento das exportações de café cresce
26,6% em oito meses
Os produtores de café faturaram 26,6% a mais nos oito
primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do
ano passado, de acordo com dados divulgados pelo Conselho dos
Exportadores de Café do Brasil (CeCafé). A receita passou
de US$ 1 bilhão para US$ 1,3 bilhão.
Houve, porém, queda de 84% do volume vendido.
Segundo Guilherme Braga, diretor geral do CeCafé, a
performance só não foi melhor por conta da queda nas vendas
da variedade conillon. Esse tipo de café está recebendo uma
remuneração maior das indústrias internas e por isso os
produtores estão dando preferência ao mercado local.
Pesquisa com genoma do café
pode fazer produtividade das lavouras brasileiras dobrar
Daqui a 10 anos os cafeicultores brasileiros poderão ver a
produtividade das suas lavouras sair dos atuais 17 a 19 sacas
para 30 a 32 sacas por hectare.
No futuro eles vão plantar o café desenvolvido a partir do
projeto brasileiro de genoma do café, o maior banco de dados do
mundo sobre a genética da planta. Pesquisadores vão identificar
a função dos genes e transportar os melhores para variedades
comerciais.
Pesquisadora da Embrapa trabalha no Projeto Genoma Café, um
banco de dados com 32 mil genes
As lavouras brasileiras de café terão condições de dobrar sua
produtividade dentro de dez anos. Os agricultores também poderão
replantar o café a cada 30 anos em vez de ter que fazê-lo a
cada 15 anos.
As duas vantagens devem ser obtidas assim que os cafeicultores
brasileiros começarem a utilizar as variedades produzidas a
partir de Projeto Genoma Café, o maior banco de dados sobre café
do mundo, com 32 mil genes, lançado oficialmente nesta semana.
O projeto é uma iniciativa do Consórcio Brasileiro de Pesquisa
e Desenvolvimento do Café, que reúne cerca de 40 institutos de
pesquisa do país, e deve dar seus frutos comerciais quando as
cultivares obtidas com as pesquisas estiverem sendo plantadas.
Isso deve levar cerca de 10 anos. O que existe hoje é um grande
banco de genes.
"Agora vamos identificá-los. Depois que descobrirmos a função
de cada gene vamos buscá-los em variedades silvestres e
transplantá-los para as variedades comerciais em laboratório",
explicou Antônio de Pádua Nacif, coordenador do Consórcio e
gerente-geral da unidade de café da Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que está à frente do projeto.
O uso da biotecnologia vai reduzir pela metade o processo. Pelo método
tradicional, o cruzamento de variedades, os resultados seriam
obtidos apenas após 25 a 30 anos de trabalho. O objetivo do
projeto é melhorar geneticamente as plantas, tornando-as, por
exemplo, mais resistentes a determinadas doenças.
A ferrugem, comum nas plantações de café, causa hoje um
prejuízo de 30% aos cafeicultores. Cerca de 40 pesquisadores vão
trabalhar no processo.
Ganhos
A produtividade, de acordo com Nacif, poderá sair das atuais 17
a 19 sacas por hectare para 30 a 32 sacas a partir do
melhoramento genético. A vida útil da planta também deve
dobrar. Isso deverá acarretar também um aumento de produção
em cerca de 100%. O prolongamento da vida útil diminuirá a
necessidade de replantio, o que vai gerar enxugamento de custos
para os agricultores.
Eles deverão ter ganhos econômicos também com produtos químicos,
já que as plantas serão naturalmente resistentes a algumas
pragas e não necessitarão de fungicidas ou inseticidas. Dados
da Embrapa indicam que os produtores gastam com defensivos cerca
de R$ 600 milhões ao ano.
De acordo com Nacif, o objetivo não é aumentar a área plantada
com café no país. "O cafeicultor poderá produzir o mesmo
volume numa área menor e liberar a terra para outras
culturas", explicou.
A idéia é que a área de café passe das atuais 2,7 milhões
de hectares para 1,35 milhões e que mais de 1 milhão de
hectares possam ser utilizados para cultivo de alimentos como
arroz, feijão, milho, trigo ou reposição da vegetação
natural.
Comércio
O Brasil não tem problemas de abastecimento de café. O país
exporta um terço da sua produção, que no ano passado alcançou
30 milhões de sacas. Neste ano, a previsão é que sejam
produzidas 38 milhões de sacas.
A receita do setor com exportações cresceu 23,1% nos sete
primeiros meses do ano, apesar da queda de 4,3% no volume
embarcado, de acordo com dados do Conselho de Exportadores de Café
do Brasil (CeCafé).
A receita chegou a US$ 1 bilhão contra US$ 828,9 milhões do
mesmo período do ano passado. Os embarques totalizaram 13,7 milhões
de sacas.
Nova trading
O Brasil está fazendo um esforço, porém, para exportar mais
café. Quatro cooperativas do setor, a Minasul, a Cooparaíso, a
Cocapec e a Capebe, apresentaram na terça-feira (10) ao ministro
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, o
plano de constituir a Coffee Company S.A., uma empresa voltada à
exportação de café.
Os planos das cooperativas são situar a companhia entre as
maiores empresas do setor no Brasil e vender cerca de 3 milhões
de sacas ao ano. Os presidentes das cooperativas estão buscando
sócios para levar adiante o projeto.
Os árabes
A Síria é o país árabe que mais compra café brasileiro.
Entre janeiro e julho deste ano, o país importou 184 mil sacas
do Brasil e ficou em 20º lugar no ranking dos importadores do
produto. O aumento foi de 367% sobre o mesmo período de 2003. O
Líbano importou 136 mil sacas no período, volume 13,7% maior
que nos sete primeiros meses de 2003.
Pesquisa
O projeto Genoma Café começou a ser implementado há dois anos.
Foram gastos, até agora, R$ 6 milhões. O Ministério da
Agricultura e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São
Paulo (Fapesp) aportaram R$ 1,92 milhão. Os demais custos,
principalmente de pessoal e infra-estrutura, foram bancados pelas
instituições parceiras.
Agência Brasil
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