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Entre janeiro e novembro, a corrente comercial somou US$ 7,4 bi, contra US$ 5 bi no mesmo período do ano passado. 'A viagem foi um catalisador do comércio', diz o presidente da Câmara Árabe Brasileira, Paulo Atallah. Mais do que o comércio, aumentaram a relações diplomáticas e a cooperação entre o Brasil e os árabes.
O presidente Lula e a primeira dama Marisa Letícia no Egito:
Viagem serviu como catalisador de negócios. Após um ano da viagem de Lula, comércio com os árabes aumentou quase 50%.
Nesta
sexta-feira (03) faz um ano que o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva desembarcou em Damasco, capital da Síria, na primeira
etapa de uma viagem de uma semana a cinco países árabes, que
incluiu ainda Líbano, Emirados Árabes Unidos, Egito e Líbia.
Foi a primeira visita de um chefe de estado brasileiro ao Oriente
Médio e norte da África, desde que o imperador Dom Pedro II
esteve na região na década de 1870.
De um ano para cá, o comércio do Brasil com os árabes
cresceu, e muito. De janeiro a novembro, a corrente comercial
(exportações mais importações) ultrapassou os US$ 7,4 bilhões,
ante US$ 5 bilhões no mesmo período do ano passado, o que
representa um aumento de 48,2%.
De acordo com o presidente da Câmara de Comércio Árabe
Brasileira (CCAB), Paulo Sérgio Atallah, o volume de comércio
vai superar os US$ 8 bilhões até o final do ano, o que
significará um crescimento de 48% em comparação com total do
ano passado, que foi de US$ 5,4 bilhões. O valor de 2003 foi
apenas 11,5% superior ao registrado em 2002.
"Sem dúvida nenhuma a viagem do presidente foi um
catalisador do comércio. Nós sempre pregamos que essa visita
deveria ocorrer. Já sabíamos da importância dela e quais
seriam as conseqüências, até porque conhecemos as economias
dos países árabes", afirmou Atallah.
Lula viajou acompanhado de uma delegação composta por
ministros, políticos, vários empresários e representantes de
entidades setoriais. "A conseqüência direta foi um maior
direcionamento para os negócios. As pessoas se conheceram,
trocaram cartões, simpatizaram umas com as outras e passaram a
olhar melhor cada um dos países no mapa", afirmou Atallah.
De janeiro a novembro, as exportações do Brasil para as nações
árabes renderam quase US$ 3,7 bilhões, o que significa um
aumento de 49,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
Até o final do ano, Atallah diz que os embarques vão
ultrapassar os US$ 4 bilhões. Já em 2005, o presidente da CCAB
acredita que as vendas devem crescer, no mínimo, em 20%.
Cúpula
"E este trabalho está apenas começando. Agora chegou a
hora dos investimentos e das parcerias e espero que a cúpula dos
chefes de estado árabes e sul-americanos represente um pontapé
inicial neste processo", afirmou Atallah, referindo-se ao
evento que será realizado no Brasil em maio do próximo ano.
A idéia de organizar a cúpula foi lançada por Lula no ano
passado e ganhou corpo após a viagem, conquistando cada vez mais
o apoio de outros países da América do Sul e das nações árabes.
Em maio, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso
Amorim, esteve no Cairo, capital do Egito, para participar como
convidado de uma reunião de chanceleres da Liga Árabe. A
realização da cúpula foi aprovada por unanimidade.
"Os árabes admiram algumas características do presidente
Lula, como a franqueza, a liderança e o fato de ele visualizar
os países árabes como parceiros efetivos e permanentes",
afirmou o secretário-geral da CCAB, Michel Alaby.
"O Brasil hoje está inserido no mundo globalizado, é só
ver o número de chefes de estado que esteve no país em menos de
um mês", acrescentou Atallah, referindo-se ao fato de que,
desde o dia 12 de novembro, até começo desta semana, passaram
pelo Brasil os presidentes da China, Hu Jintao, da Coréia, Roh
Moo-Hyun, do Vietnã, Tran Duc Luong, da Rússia, Vladimir Putin,
do Paquistão, Pervez Musharraf, o primeiro-ministro do Canadá,
Paul Martin, e o rei do Marrocos, Mohammed VI.
Além da diplomacia e do comércio, as relações com os países
árabes avançaram também em outros campos, incluindo
investimentos recíprocos, turismo, cooperação tecnológica,
entre outros.
Líbia
Após a vista de Lula, por exemplo, uma missão do governo líbio
esteve no Brasil em fevereiro. Representantes da Companhia Árabe-Líbia
de Investimentos Estrangeiros (Lafico, na sigla em inglês)
manifestaram o interesse da estatal em investir US$ 450 milhões
em projetos de irrigação na Bahia em parceria com empresas
brasileiras. O governo do país árabe anunciou também a intenção
de aplicar outros US$ 50 milhões em um complexo agroindustrial
no estado de Tocantins.
Em entrevista à ANBA, o embaixador da Líbia em Brasília,
Mohammed Heimeda Saad Matri, disse que uma missão da Lafico
deverá vir ao Brasil até o final deste ano, ou mais tardar no
início do próximo, para "concretizar as parcerias".
Ele lembrou que, em junho, o ministro do Conselho de
Desenvolvimento Econômico e Social, Jaques Wagner, esteve na Líbia
e entregou uma carta de Lula ao presidente Muamar Kadafi com o
objetivo de atrair investimentos do país árabe ao Brasil.
"Ele se encontrou com o coronel Kadafi e com o
primeiro-ministro para agilizar uma parceria estratégica entre o
Brasil e a Líbia", disse Matri. "Nós precisamos
aumentar nossa presença econômica aqui (Brasil)", afirmou.
Ele declarou, no entanto, que seu governo espera a aprovação do
projeto de lei das parcerias público-privadas (PPP), que tramita
no Congresso Nacional, para assinar eventuais contratos.
O embaixador disse ainda que há espaço também na Líbia para
investimentos brasileiros, principalmente no setor de energia.
Matri afirmou que a Líbia passa por um processo de mudanças políticas
e econômicas, que envolvem a privatização de empresas estatais
e que companhias do Brasil poderiam atuar na exploração de petróleo
ou até tornarem-se sócias de empresas líbias em segmentos como
a indústria de cimento.
Matri Lembrou que as nações européias já estão de olho no
potencial da economia da Líbia. Tanto que seu país foi visitado
recentemente por uma série de governantes como o
primeiro-ministro inglês, Tony Blair, o presidente francês,
Jacques Chirac, e o chanceler alemão, Gerhard Schröder.
Egito
As relações com os países árabes podem até, no futuro,
evoluir para a formação de áreas de livre comércio. No caso
do Egito, por exemplo, em julho foi assinado um acordo-quadro com
o Mercosul que deu início às negociações para a um tratado de
preferências tarifárias entre o país árabe e o bloco
sul-americano.
"Este acordo é uma demonstração da aproximação entre a
América do Sul e os países árabes, que foi impulsionada pela
visita do presidente Lula", disse o embaixador do Brasil no
Cairo, Elim Dutra.
"A visita foi muito bem vista no país, os egípcios têm
apreço pelo Brasil. E eu, como embaixador, tenho sido recebido
com tapete vermelho por aqui", acrescentou.
Líbano
No que diz respeito ao Líbano, a viagem de Lula foi retribuída
em fevereiro pelo presidente libanês, Émile Lahoud, que esteve
em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro e, durante o ano, avançaram
as conversas para a reativação de uma linha aérea entre os
dois países.
Em agosto, a TAM e a libanesa Middle East Airlines anunciaram a
criação de um vôo compartilhado entre São Paulo e Beirute,
passando por Paris. A cerimônia de lançamento na capital
libanesa contou com a presença do ministro brasileiros do
Turismo, Walfrido Mares Guia.
Durante a viagem de Lula, o governo libanês doou um terreno para
a construção de uma "Casa do Brasil em Beirute", para
a promoção da cultura e negócios. Recentemente, a prefeitura
de São Paulo anunciou que iria também doar um terreno para a
construção de uma "Casa do Líbano em São Paulo",
com o mesmo objetivo.
Emirados
A criação de uma linha aérea também faz parte da agenda de
relações ente o Brasil e os Emirados Árabes Unidos, pós-viagem
de Lula. Em junho, autoridades aeronáuticas dos dois paises
assinaram um acordo aéreo e a Emirates Airlines, sediada em
Dubai, manifestou a intenção de inaugurar um vôo direto para São
Paulo e, posteriormente, outro para o Rio de janeiro.
Dubai também deverá ser a sede de um dos centros de distribuição
de produtos brasileiros que o governo, por meio da Agência de
Promoção de Exportações do Brasil (Apex), pretende começar a
instalar ao redor do mundo a partir do próximo ano.
A cidade, que é o principal centro comercial dos Emirados, já
conta com um centro de distribuição de móveis brasileiros que,
a partir de 2006, deverá ser ampliado para receber outros
setores.
Síria
Já na Síria, após a visita de Lula, a empresa brasileira
Crystalsev formou uma joint-venture com três companhias sírias
e a Cargill Africa, que já começou a construir uma usina de
refino de açúcar no valor de US$ 150 milhões.
Mas não foi só com os países visitados por Lula que o Brasil
fortaleceu relações. O comércio, por exemplo, aumentou com
praticamente todos os países árabes.
No caso do Marrocos, a exemplo do Egito, durante a vista do rei
Mohammed VI na semana passada, foi também assinado um
acordo-quadro que deu início às negociações para um tratado
de preferências tarifárias com o Mercosul. Foram assinados também
acordos nas áreas de turismo e diplomacia. o Marrocos e o Brasil
já têm em andamento uma agenda de cooperação nos setores de
recursos hídricos, habitação popular, agricultura e
treinamento profissional.
Ainda no campo diplomático, em agosto deste ano (2004) entrou em
vigor um tratado que elimina a exigência de vistos diplomáticos
entre a Tunísia e o Brasil.
ABr
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