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O risco-Brasil recuou 2,14% para os 457 pontos e se aproxima da média dos emergentes (Embi Plus 414 pontos). Não está descartado que o indicador de confiança dos estrangeiros na economia brasileira continue caindo e possa ficar abaixo da média dos emergentes.
Enquanto o risco nacional cedeu 9 pontos o Embi caiu apenas 1 ponto no final da tarde de ontem. A tendência de melhora vai depender da decisão do Banco Central dos Estados Unidos, Federal Reseve (Fed), sobre a taxa de juros norte-americana hoje.
A previsão é de que o Fed eleve a taxa em 0,25 ponto percentual para 1,75% ao ano. O que os investidores estão de olho mesmo é no comunicado do presidente do Fed, Alan Greenspan que sinaliza qual será a tendência para as próximas reuniões.
“Se a fala for positiva, os juros dos treasuries de dez anos devem ficar entre 4% e 4,10%. O mercado espera que o comunicado dê uma idéia de como ficará novembro/2004, pois há alguns que acreditam que não deve haver novas elevações este ano.
Se a indicação for de alta, os juros ficam entre 4,10% e 4,20%”, explica o economista chefe do Banco Schahin, Cristiano Oliveira. Ele observa que aumentou a confiança no Brasil que ainda é visto pelos emergentes como barato em relação à Rússia e Turquia.
“Há portifólios que estão vendendo Rússia, Turquia para comprar Brasil”, complementa. Para Oliveira, o movimento deve levar o risco brasileiro a ficar abaixo dos emergentes, o que não acontece desde a crise argentina, quando o país vizinho provocou uma distorção elevando a média dos emergentes consideravelmente.
O mercado financeiro ainda não colocou nos preços a melhora da classificação da dívida brasileira pela agência Standard & Poor’s (S&P) e o aumento da recomendação dos papéis brasileiros pela Merrill Lynch. A S&P elevou na sexta-feira o rating da dívida brasileira em moeda estrangeira de longo prazo de “B+” para “BB-”.
A agência citou a melhora das políticas fiscais e do setor externo. Já a Merrill Lynch, citou que a elevação da nota brasileira ao nível de “BB” permite que mais investidores de mercados emergentes passem a negociar os títulos brasileiros.
Por isso, a corretora aumentou a recomendação de investimento em títulos da dívida brasileira de “marketweight” (na média do mercado) para “overweight” (acima da média do mercado). A aposta é de que o aperto monetário dos Estados Unidos será mais brando do que se esperava, assim há um incentivo maior para que os estrangeiros busquem papéis de emergentes.
“Esta semana será divulgado o superávit primário e dados contas externas se vier bem pode convergir o risco para a média. Ainda há um bom espaço para melhorar”, afirma o estrategista chefe da Global Invest. Paulo Gomes. O Ibovespa deve buscar novos patamares de valorização.
Ontem a bolsa foi influenciada pelo vencimento de opções, que girou um volume de R$ 672,4 milhões. O índice chegou a subiu 1,78% no dia, mas encerrou estável aos 23.078 pontos. O dólar acabou sofrendo ajustes e encerrou em alta de 0,21%, vendido a R$ 2,875.
A queda da moeda nos últimos dias atraiu interessados na compra. Auxiliou na pressão sobre o câmbio a elevação do preço do petróleo no mercado internacional. O óleo cotado em Nova Iorque subiu para US$ 46.35, devido à interrupção da oferta no Golfo do México.
Apesar dos juros mais altos, mercado eleva projeções de inflação para 2005
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar os juros de 16% para 16,25% ao ano não foi suficiente para evitar um novo aumento das projeções de inflação para 2005.
Os números da pesquisa semanal feita pelo Banco Central (BC) com analistas de bancos, divulgados ontem, subiram pela quarta vez consecutiva e passaram dos 5,70% para 5,80%. O indicador é considerado a variável-chave a ser observada na análise da trajetória da política monetária.
Outro indicador importante a apresentar piora foi o das previsões de IPCA para 12 meses à frente. As estimativas subiram dos 6,19% da semana passada para 6,25%, mesmo percentual de pesquisa feita há um mês.
As projeções de inflação para este ano, por sua vez, se estabilizaram em 7,37%, um percentual bem superior aos 5,5% do centro da meta de inflação, mas ainda distante do teto de 8%. As estimativas para setembro também não se alteraram: 0,60%.
Para outubro, as instituições financeiras ouvidas pelo BC revisaram suas expectativas de IPCA de 0,45% para 0,46%. As estimativas de juros para o final do ano subiram de 16,50% para 16,75%.
Apesar da alta, o percentual estimado na pesquisa do BC ainda se encontra abaixo dos 17% previstos pela maioria das mesas de operação de mercado após a decisão do Copom de elevar a Selic e apontar para novas altas da taxa básica de juros da economia.
As expectativas de juros para outubro aumentaram de 16,25% para 16,50%, embutindo uma previsão de nova alta de 0,25 ponto porcentual na próxima reunião do Copom. As projeções de juros para o final de 2005, por sua vez, ficaram estáveis em 15% pela segunda semana consecutiva.
Apesar do cenário de alta dos juros, as projeções de crescimento do PIB neste ano subiram pela décima primeira semana consecutiva e passaram de 4,31% para 4,36%. As expectativas de aumento da produção industrial neste ano, em contrapartida, ficaram estáveis, em 6,50%. As previsões de expansão do PIB para 2005 seguiram tendência inversa e recuaram de 3,60% para 3,50%.
As estimativas de superávit da balança comercial para este ano seguiram a tendência de alta e passaram de US$ 31 bilhões para US$ 31,50 bilhões. Para o superávit da balança comercial no ano que vem, o mercado ampliou suas projeções de US$ 26,10 bilhões para US$ 26,20 bilhões.
Jornal do Comércio
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